quarta-feira, março 28, 2007

DIÁLOGOS IMPREVISTOS


R. e N. encontraram-se por mero acaso. Há tanto tempo que não se falavam!. Que não sabiam um do outro. Os olhos (dos dois) brilharam ao lembrarem momentânea e espontâneamente milhares de "discussões" que em que tantas e tantas vezes se embrenharam. O diálogo foi fluindo naturalmente como se se tivessem visto ontem ou anteontem. Despotelou em mais uma "conversa filosófica" entre eles, como tanto gostavam (que saudades). Inevitável...

- Como vai a vida?
- Vai correndo ...
- Só correndo?!!
- Actualmente só correndo. Quem sabe do futuro.
- O futuro está nas nossas mãos
- Nem sempre ... nem sempre...
- Sempre. Sempre.
- Por vezes deixámo-lo escapar ... porque estamos cegos
- Por isso mesmo, está nas nossas mãos SEMPRE.
- Mas nem sempre ... Há coisas que não estão nas nossas mão, por exemplo as outras pessoas!
- Não querias mais nada ter o futuro dos outros nas tuas mãos. Isso não é o teu filha.
- Pois ... mas por vezes dava jeito ... (principalmente na "correspondência" amorosa
- Para quê?? Dasse nem pensar.
- ... Não estás a entender...
- Ou se está incondicionalmente ou mais vale não estar... vai por mim bébé.
- ...
- Quando digo nas minhas mãos é no sentido de saberes (teres a capacidade de) escolher a pessoa ... (certa)
... E nao se perder tempo com quem não merece a pena!
- Essa cena não pode ser procurada tem que acontecer... digo eu né.
- Pois não. Tens razão, mas dava jeito ter a SORTE de se encontrar. O pior de tudo é quando pensas que encontraste e ela escapa-se por entre os dedos feito areia fina do deserto, sem saberes muito bem nem como nem porquê.
- Pois aí é a providência, o livre arbitrio, a própria vida.. a forma como a encaras a tua personalidade.. tu, tu unicamente. Tu que tens que avaliar e acima de tudo o coração tem que pular... explodir... dizer à mente ((((( é isto tudo burro )))))
- Se não for é porque não era essa pessoa! Quando entenderes isso... vais ser uma pessoa muito melhor com a vida.
- Eu sei já compreendi isso há muito tempo. Culpa dos nossos pais e da sociedade, dessas palermices dos contos infantis com finais felizes que nos impingiram, que nos criaram muitas expectativas e nos fizeram ver um mundo irreal e cor de rosa. Quando (e se) tiver filhos acabaram-se os contos e nada de barbies e merd@s afins ou então nota de rodapé (em letras bem GRANDES)de que são meras ESTÓRIAS. Toda e qualquer semelhança com a realidade será pura e mera coincidência. Ah (suspiro) ... Essa pessoa pura e simplesmente não existe!.
- Ai, nao existe não... Enquanto pensares assim não existe não senhora... podes escrever....
- Somos nós que criamos as expectativas e não os outros (alguém me disse isso há algum tempo! Acho que foi uma espécie de aviso, que eu não soube ler (as entrelinhas) entretanto. Mas o recuo do tempo permite-nos ver e enxergar melhor as coisas.
- Ya mocinha...... um dia vais olhar para trás e vais ver que isso tudo fez o melhor dos sentidos.
- SIM. Vemos melhor... mas por outro lado vamos mudando para pior...
- NÃO. A ave da minerva levanta sempre ao entardecer..... mudamos sempre para melhor... Sempre.
- Em alguns aspectos. Porque noutros não! Por exemplo, hoje em dia estou mais "fria", mais descrédita nas pessoas.
- ...
- E principalmente ... no amor.
- Como queiras, desde que cresças e tentes sempre ser feliz e vertical contigo própria... acreditares ou não nas pessoas é e sempre será um problema teu... que tens que resolver.... porque amor tu não estás mais fria com os outros.
- Tu estás mais fria contigo mesma.
- :( concordo. (pelo menos não tento aproximar-me muito das pessoas, manter distâncias é o melhor.
- Hum .. quando mudares de opinião nao te esqueças, avisa-me ...
- ...
- Sê feliz mocinha..... nem que seja nessa conchita... mas pelo menos sê feliz..
- ...
- ... Estou a tentar...

Despediram-se, R. estava de partida para as Áfricas, outra vez! N. desejou-lhe uma boa viagem. Até uma próxima conversa ... SÊ MUITO FELIZ "mocinho".

segunda-feira, março 26, 2007

A MINHA VIDA


Quando eu era criança
A vida era pura esperança
Mas eu fui crescendo
E a esperança foi-se dissolvendo

Depois veio a adolescência,
Oh meu Deus! Quanta displicência.
Eu só queria liberdade
E nenhuma responsabilidade

Mais tarde eu era uma jovem fogosa
Toda airosa e amorosa
Mas veio a paixão
E arrasou meu coração

Hoje sou uma mulher adulta
Que não se impressiona por um belo vulto
Sou uma mulher madura
E não me preocupo com o futuro

Olhando para trás, de onde estou
Vejo o caminho que trilhei
O mais importante é o que EU SOU
E não a calçada que (para atrás) deixei

Não sinto falta do que não gostei
(Prefiro nem lembrar)
Mas saudades do que poderia e não aproveitei
(Desperdício a ... lamentar)

domingo, março 25, 2007

LEVO-TE


Ah como é bom amar e ser amado!
Sentir o cheiro, o toque
O silêncio que tudo diz
Sentir prazer no prazer do outro
Entregar-se sem barreiras
Nem pudores como se fosse a primeira e a última.
Fazer amor ao ritmo dos corações
Abraçar num abraço que faz esquecer que há um mundo lá fora
Quem me dera ser bandeira desfralda ao vento
E afagar o teu corpo como num lamento
Quero envolver a minha alma na tua
Sentir o teu sentimento
Espalhar as fantasias
Sorrir com este sorriso puro e tão aberto
Sentir nesse sorriso que o mundo
É o sonho que me atrevo a sonhar
Onde não são precisas palavras
Apenas SENTIR
Onde cada silêncio é coberto pelo bater do coração
Quero espalhar por montes
E por vales soprados pelo vento
Que canta uma canção só ouvida por quem ama
Que ultrapassa montanhas
E se deixa levar até onde nunca ninguém foi
Aquele lugar onde os amantes se encontram
E se amam esquecendo que há um mundo à sua volta
Aquele lugar onde o sol sempre brilha
Porque se reflecte nos olhos dos enamorados
Levo-te para o meu sonho
Onde tudo é possível
Onde o amor e a amizade são permitidos
Onde não há barreiras nem tabus
Onde as palavras têm as cores do arco-íris
E os olhares o brilho das estrelas
Levo-te para onde o mar se junta com o céu
E se transforma num azul
Somente visto por quem tem o coração puro
Levo-te para onde não existe som
Além dos sussurrados ao ouvido
Além dos gemidos provocados pela paixão
Pela entrega
Dedos entrelaçados
Corpos enleados numa união total
Beijos trocados
Corpos suados
Odores que penetram
Penetrações suaves, profundas, fortes
Cadenciadas, apressadas, lentas
Quase sem tocar
Vontade de devorar
De explorar
De gritar SOU TUA
De gemer de prazer
De te sentir a tremer
Entregar e "morrer" dentro de nós
Levo-te suavemente até ao mundo
Onde a realidade se confunde com o sonho
Cada instante vivido como se fosse o último

sexta-feira, março 23, 2007

Amor, paixão e sexo




“João amava Teresa
que amava Raimundo
que amava Maria
que amava Joaquim
que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos,
Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre,
Maria ficou pra tia,
Joaquim suicidou-se
e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.”

Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade

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O amor é na maior parte das vezes um jogo de encontros e desencontros, mas um puzzle essencial para a vida. Na verdade o amor move o mundo e o sexo move o amor. O amor faz maravilhas, o amor (não só a fé) move montanhas, etc. Poderia enumerar milhentas "frases feitas". E a paixão onde fica no meio disto tudo? E o sexo?
Como toda a gente anda a queixar-se de mal de "amores" (pelo menos as pessoas que conheço, incluindo eu!), tudo à beira de ataques de tristeza, nervos, ânsias e desespero à mistura, à espera que a "Primavera" chegue de vez!. E coincidência ou talvez não, hoje veio parar-me às mãos um artigo publicado na Máxima, em que especialistas na matéria respondiam a algumas questões que me derem (muito, mas muito, fiquei com os neurónios queimados) que pensar e chegar a estas "doutas" conclusões (para o que me haveria de dar hoje!):

1- A paixão deixa-nos num estado similar ao da adição, foi o que constatou o estudo publicado recentemente no Journal of Neurophysiology liderado pela antropóloga Helen Fisher, da Universidade Rutgers, de Nova Jersey, ou seja, A PAIXÃO É (COMO) UMA DROGA!

2- E há uma altura certa para que a paixão aconteça? , para o sexólogo Allen Gomes (autor do livro Paixão, Amor e Sexo- Publicações Dom Quixote), é possível identificar alguns estados psicológicos prévios que podem levar algumas atracções a transformarem-se em paixão. É o caso “dos estados de tédio, aborrecimento, falta de realização e falta de satisfação com o dia-a-dia, num terreno que depois proporciona o aparecimento de fantasias, da idealização de uma relação e da idealização de alguém”. O facto de a pessoa estar a viver o fim de uma relação, de ficar magoada, ferida e, ao mesmo tempo, haver um forte desejo de ter uma relação diferente é outra hipótese apontada pelo especialista como terreno propício ao aparecimento da paixão. Resumindo, a altura certa será é quando estamos (mesmo) na merd@?!
3-Transformar os amigos em paixões seria a situação ideal, diz Allen Gomes, pois era! Isso seria IDEAL, mas irreal, amigos amigos negócios à parte
4 - Mas o entusiasmo da paixão não dura muito. Nem pode durar. É extremamente desgastante e seria física e intelectualmente insustentável se se prolongasse indefinidamente. “A paixão dura, em média, de 6 meses a 2 anos, se for correspondida. E depois vira amor ou pesadelo. Porque, às vezes, o príncipe por quem nos apaixonámos vira sapo. E vice-versa. O que é preciso é saber fazer a conversão da paixão para o amor”, comenta Maria do Céu Santo, ginecologista, membro da Sociedade Portuguesa de Andrologia, isto é, rematando eu mudam-se os tempos mudam-se as vontades, não é a pessoa que temos na nossa frente que muda, nós é que mudamos a perspectiva de vermos as coisas e o outro e já não detém assim tantas qualidades, mas apenas vão sobressaindo os defeitos, à medida que a tempestade da paixão se vai aplacando.
5 - Uma das principais causas de divórcio é os casais deixarem de fazer amor, comenta Maria do Céu Santo. “A relação não é só a parte sexual. O objectivo não é ter relações sexuais, mas sim fazer amor. E muitas vezes o que as pessoas têm são relações sexuais.”
"Pobre sexo: ou não se faz e sofre-se ou faz-se e sofre-se mais ainda’”, comenta Allen Gomes. Acrescento eu, mais vale só que mal acompanhada, ou se faz como deve ser ou melhor estar quieta, depressa e bem nunca fez ninguém. Há que dar lugar à sedução, imaginação, criatividade e claro disponibilidade. Requer por isso mesmo empenho, engenho e trabalho lol
6 - O fantasma da normalidade não deve ser para aqui chamado. “A valorização da normalidade sexual deve muito às aspirações de conformidade social.Ou seja, a forma como as pessoas se sentem e vivem a sua sexualidade resulta muito daquilo que julgam encontrar nos outros, de mecanismos de comparação social. E também é "uma sexualidade olímpica”, sublinhou o psiquiatra Manuel João Quartilho (Cap. Sexualidade e Construcionismo Social do livro A Sexologia - Quarteto). A preocupação excessiva com a normalidade pode minar uma relação. Ela deve estar nos laços de amor e cumplicidade do casal, e não fora dele. Resumo meu: o que se faz em 4 paredes não diz respeito a ninguém ou entre "marido e mulher" não metas a colher, segredos de alcova movem moinhos, e em vez de pensarmos no que os (e como) outros fazem assim ou assado, a galinha da vizinha não é melhor que a minha. Cada pessoa é ÚNICA. NORMALIDADE será que existe?!!! Se existe então quero ser anormal
Lembrei-me desta famosa música de Rita Lee e Roberto Carvalho - AMOR É UM LIVRO

Amor é um livro
Sexo é esporte
Sexo é escolha
Amor é sorte

Amor é pensamento, teorema
Amor é novela
Sexo é cinema

Sexo é imaginação, fantasia
Amor é prosa
Sexo é poesia

O amor nos torna patéticos
Sexo é uma selva de epiléticos

Amor é cristão
Sexo é pagão
Amor é latifúndio
Sexo é invasão
Amor é divino
Sexo é animal
Amor é bossa nova
Sexo é carnaval

Amor é para sempre
Sexo também
Sexo é do bom...
Amor é do bem...

Amor sem sexo,
É amizade
Sexo sem amor,
É vontade

Amor é um
Sexo é dois
Sexo antes,
Amor depois

Sexo vem dos outros,
E vai embora
Amor vem de nós,
E demora

Amor é cristão
Sexo é pagão
Amor é latifúndio
Sexo é invasão
Amor é divino
Sexo é animal
Amor é bossa nova
Sexo é carnaval

Amor é isso,
Sexo é aquilo
E coisa e tal...

quarta-feira, março 21, 2007

METADE



"Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.

Que a música que eu ouço ao longe seja linda, ainda que tristeza.
Que a mulher que eu amo seja sempre amada, mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor.
Apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento.
Porque metade de mim é o que eu ouço, mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço.
Que essa tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto o doce sorriso que eu me lembro de ter dado na infância.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei...

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba.
E que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é a platéia e a outra metade, a canção.

E que minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor e a outra metade... também."


Oswaldo Montenegro

http://www.oswaldomontenegro.com.br

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Este poema fez-me pensar e divagar.
Metade duma laranja tem o mesmo sabor açucarado que a laranja inteira. Na maior parte do tempo não sabemos como saborear a vida aos bocadinhos, aproveitando todos os pequenos, bons e singulares momentos que ela nos oferece, porque pensamos que temos muito pouco e que não conseguimos alcançar tudo. É urgente aproveitar o dia, todos os sorrisos, todas as gargalhadas, todos os pequenos momentos amenos, "insignificantes" pequenas gotas no oceano, para construirmos peça a peça o grande puzzle da felicidade… E perante um copo com água pelo meio, aprender a vê-lo meio cheio e esquecer que está meio vazio. No fundo, às vezes, basta mudar a (nossa) perspectiva das coisas para sermos mais felizes…

«La moitié d'une orange goûte aussi sucrée qu'une orange entière» Johann Wolfgang von Goethe

segunda-feira, março 12, 2007

A MENINA DO MAR


"- Estou tão feliz, tão feliz, tão feliz!
Pensei que nunca mais te ia ver.
Sem ti o mar, apesar de todas as anémonas, parecia triste e vazio.
Até que um dia o Rei do Mar deu uma grande festa.
Convidou muitas baleias, muitos tubarões e muitos peixes importantes. E mandou-me ir ao palácio para eu dançar na festa.
No fim do banquete chegou a altura da minha dança e eu entrei na gruta onde o Rei do Mar estava com os seus convidados, sentado no seu trono de nácar, rodeado de cavalos-marinhos.
Então os búzios começaram a cantar uma cantiga antiquíssima que foi inventada no princípio do Mundo.
Mas eu estava muito triste e por isso dancei muito mal.
Porque é que estás a dançar tão mal? - Perguntou o rei do Mar.
- Porque estou cheia de saudades - respondi eu."


[In A menina do mar de Sophia M. Breyner]

P.s."porque estou cheia de saudades..."
Saudades da normalidade...
Saudades de ter rumo...
Saudades de sorrir
Saudades da liberdade
Saudades da simplicidade
Como se faz para voltar a trazer para dentro de nós, o que um dia já tivemos?...

Por isso despeço-me de todos solenemente
Um adágio, um adeus, um aceno
Todos os signos de um fim premeditado.
Não se pode mais sentir (e escrever) o sentido das coisas, pois as coisas perderam os seus sentidos e sentimentos no meio das cores...
Até sempre ...

sábado, março 10, 2007

QUERIA SER...


Queria ser ...
Música para encantar os teus ouvidos.
Soneto para te imortalizar.
Voz para te poder entoar.
Malmequer que bem te quer
Dia para te despertar
Noite para te embalar
Mar para te levar para a ilha dos sonhos.
Terra para semear no teu corpo a felicidade.
Céu para encher a tua vida de arco-íris.
Ar para sempre viver em ti.
Água para lavar as tuas mágoas.
Fogo para queimar a distância que nos separa.
Brisa para te revolver os cabelos.
Sol para aquecer o teu corpo.
Lua para entrar pela tua janela
Estrela para brilhar nos teus olhos.
Queria ser ...
...TUA!

sexta-feira, março 09, 2007

Question and answer


He sat naked and drunk in a room of summer
night, running the blade of the knife
under his fingernails, smiling, thinking
of all the letters he had received
telling him that
the way he lived and wrote about
that --
it had kept them going when
all seemed
truly
hopeless.

Putting the blade on the table,
he flicked it with a finger
and it whirled
in a flashing circle
under the light.

Who the hell is going to save
me?
he thought.

As the knife stopped spinning
the answer came:
you're going to have to
save yourself.

Still smiling,
a: he lit a cigarette
b: he poured another drink
c: gave the blade another spin.
------- from The Last Night of the Earth Poems by Charles Bukowski --------(1920-1994)

PASSOS PERDIDOS



(foto João Redondo)


Sabes porque eu fujo de ti?
...
Porque tenho medo de mim
Receio de, ao te encontrar,
Me perder no fim
E não mais me achar

terça-feira, março 06, 2007

Não me ler



Não escrevo para me ler.
Temo que as palavras me escapem por entre os dedos
Feito areia fina do deserto
Que fujam a sete pés ou afluam à superfície;
Que se esgueirem por entre as brechas da minha memória
E desatentas resolvam chamar-me à atenção
Me digam as verdades escondidas que quero calar
Me ralhem e me desnudem e possam dizer-me o que não quero escutar
Por isso, e nestas fases, tranco-as a sete chaves
E alimento-as a pão e água para que definhem nas minhas masmorras profundas e escuras.
Quero-as fracas, quebradiças e resignadas à sua sorte.
Encarceradas e prisioneiras
Condenadas à morte
Para que não se amotinem nos assaltos das minhas entranhas
Nem que desfaçam as minhas amarras que tanto trabalho me deram a compor
E onde me contenho a custo e esforço.
A ferro e fogo, a sangue e lágrimas
Não escrevo para me ler.
Calo-me às letras: evito as profundas frases
Nas quais tendo a estender-me e a perder-me
Contorno as palavras, escrevo, dito e faço tudo ao contrário
Do que habitualmente me revejo
E faço de conta que não estou em casa.
Enxoto adjectivos, sujeitos e complementos,
Como pedintes que espreitam à socapa pelo óculo da porta.
Desactivei-me temporariamente.
Deletei-me por fim
E fiz um restart
Receio que as palavras, matreiras, rafeiras
Me fintem, me levem ao engano, ao absurdo
Ou pior ainda, me encantem feito sereias,
Estendendo-me na mão conchas, flores e colares
Oferecendo-me a bandeira branca da paz
Ou que me deiem a sua outra face.
Não suportaria!
Não quero que se insinuem,
Nem que se dispam e rodopiem no varão da minha imaginação doente.
Feito stripers sensuais que seduzem, aquecem e depois desaparecem
Tenho medo do que possa encontrar de mim, nelas.
Tenho medo de te procurar em ti, nelas.
Tenho medo de me encontrar a mim, nelas
Não escrevo para me ler...
Escrevo para não me ler

sábado, março 03, 2007

A CAIXA DE PANDORA




Insisti
E... reabri
A caixa de Pandora
E agora?!...

quinta-feira, março 01, 2007

SABER (A) MAR


Sem leme, sem velas,
Sem remos, nem rumo
Navegando no mar das sensações
As ondas arrastam-me até ti.
Desembarco na enseada
Onde tu me esperas
Livre, solto,
Ávido de mim
Beijas os meus lábios de sal
Sentes o calor da minha pele
Presentes o meu torpor
Navegas nas ondas do meu corpo
Sem pressas, ao sabor da maré
Os teus olhos afogam-se nos meus
Teus cabelos ao vento
Valsam melodias no meu rosto
Teu cheiro sabe a maresia
Pecado meu, sem heresia
Teus gemidos são cabo de tormentos
São sussurros, são lamentos
Das horas perdidas e ausentes
Na praia mar
Mergulhamos no prazer dos sentidos
Que a brisa leve refresca
O ...teu ...meu... corpo que queima
Sossegas finalmente, e dizes:
"Encontrei o meu Norte!"
Sorrio levemente em transe
(coro)e choro
Os meus olhos reflectem
O brilho da lua que sorrie só para nós
Em múrmurio, em tom de proa
Quase deixo escapar:
"Encontrei o meu farol!"

ESSÊNCIA DO AMOR


Foto: The Love Embrace of the Universe, the Earth (Mexico), 1949 by Frida Kahlo

A essência do Amor
Está na simultaneidade:
Do riso, do olhar,
Do partilhar e encontrar
E não mera veleidade
Na junção de dois em um
Na união de um em dois ...
Corpos entrelaçados
Por minutos trespassados
Laços e enlaços tricotados
Em abraços de lábios cerrados
Malhas, teias e meias
Que se tecem e nos enlouquecem
Sem noção da percepção
Onde começa um ...
Onde termina o outro...
Como prolongamento de nós mesmos
O Amor é pura essência...

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Que cena romântica de um filme é você?

Mais um teste lol. Que mais inventarão a seguir!






Não é que acertaram (surpreendida.. e um aparte acho que o Bridget Jones's Diary tinha mais a ver...)
Eis o resultado:

Você é... a cena dos cartazes em “Love Actually”: Você é criativo até na maneira de proclamar o seu amor e está sempre a pensar em novas maneiras de surpreender. É também alguém que consegue apreciar o amor por si só e não necessariamente por ser correspondido.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

RITUAL SOLITÁRIO



Decomponho-me em pedaços de luz
Em mil fragmentos de sentidos
Num ritual solitário
Em que mãos me afagam
Minhas mãos...
Imagens com nome,
Mas sem rosto
Fazem-me contorcer
Procuro momentos
Busco sentimentos
E encontro teu corpo junto ao meu
Já não estou mais só...
Nossas respirações confundem-se
Teus lábios roçam minha pele
Teu corpo que me penetra
Fazendo a minha voz gemer
Deliro em teus braços
Num agradável tormento
Uma doce loucura
Agarro-te e em ti me aninho
Em meu sexo molhado
Somos tortura
Somos pecado
Gozamos...
Sinto-te afastar
Descerro os olhos
Vejo que te foste
Meu corpo em taça
Brindo ao meu gozo
A ti
Por ti...

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

TESTE O SEU VOCABULÁRIO


Hoje deu-me para isso! Testar o meu vocabulário!
Façam o teste que é muito divertido e instrutivo.

Resultado: 27 pontos

Eu tenho um excelente vocabulário.


Teste Seu Vocabulário.


Oferecimento: InterNey.Net

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

ESQUECIMENTO

Ela ainda pensava nele. Ele já a tinha esquecido.
Ela ainda guardava o número de telemóvel. Ele já o tinha apagado.
Ela continuava a visitá-lo de forma pérfida embora à distância, embora longe ...
Como um vício sufocante e transbordante que trazia dentro dela e a levava de encontro a ele .
Precisava (ainda) das suas palavras como precisava de vida.
Precisava ouvi-las e senti-las dentro dela, mas ele estava longe, muito longe ... Cada vez mais longe.
Sabia-o perdido, mas continuava a visitá-lo .. E isso rasgava-a por dentro.
Tomava agora consciência que era uma viciada nos seus retalhos e que isso era por demais doloroso...
Ela procurava esquecê-lo.
Ele ... Para ele ... nada havia para esquecer. Porque nada havia a lembrar.
Porque no fim, tudo o que resta (mesmo) é o esquecimento.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

NAS NUVENS


Que os ventos me embalem aqui

Que o sol, a terra e o mar

Saibam o que sinto por ti!

Já não consigo travar


Como água cristalina

É a paixão que me domina

A suave brisa da noite

Torna mais doce a emoção


Que é sentir o meu peito

Palpitar junto ao teu coração!

Que pena acordar e descobrir

Que nada disso é verdade


E sonhando outra vez, imagino,

Com o pensamento refeito

Que esse sonho divino,

Um dia se tornará realidade...

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

BE YOURSELF

Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.
In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud:
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbow'd.
Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.
It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.
Invictus / William Ernest Henley

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

FELICIDADE

Meu querido,
Quando saíste disseste “estou farto, vou procurar a Felicidade” e foste e eu pensei que ias e não demoravas e voltavas, como das outras vezes em que procuraste tantas outras mulheres e eu ficava sozinha e depois chegavas e dizias “as outras não significam nada tu és o meu amor” ou " TU ÉS ESPECIAL" e eu discutia contigo (ou fingia que discutia) porque todas as discussões terminavam comigo nos teus braços e tu nos meus e dizias baixinho “perdoa-me” e pedias-me carinho e eu dava, mas foste procurar a Felicidade e não voltaste!
Esperei-te para te perdoar e passaram as horas e os dias e os meses e os anos e eu esperando e sem saber quem era a Felicidade porque nunca me disseste o apelido ou sequer onde morava e peguei na lista telefónica e liguei para todos os números e perguntei “é aí que mora a Felicidade?” em muitos números não havia nenhuma Felicidade, nos poucos que havia uma, nenhuma era a tua e hoje recebi uma carta tua a dizer perdi a Esperança”. Por isso não te encontrei e dei-me conta que tinha procurado na letra errada! Afinal ela não se chamava Felicidade mas sim Esperança!

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

COMO EM TODAS AS HISTÓRIAS DE AMOR


Amaram-se um tempo.

Amaram-se para sempre.

Como em todas as histórias de amor.

Trocaram promessas sinceras e juras de fidelidade

Ele disse "eu amo-te".

Ela disse "nunca te esquecerei".

Como em todas as histórias de amor.

Quando estavam juntos o tempo era breve

O tempo, a seu tempo, voltou a ser tempo e medida.

Como em todas as histórias de amor.

Descobriram um do outro o corpo e os mistérios

Deram-se a alma dando-se nas mãos.

Como em todas as histórias de amor.

Consumido o fogo, caminharam sobre as cinzas

De uma história de amor.

Como em todas as histórias de amor...

terça-feira, fevereiro 13, 2007

O AMOR É O AMOR

Valentine's Day é uma época especialmente para os namorados, mas também para os amigos e a família! Ninguém sabe, ao certo, a origem de Valentine's Day. Esta é uma das muitas histórias. Parece que o nome veio de um padre de Roma chamado Valentine, que se tornou um mártir em 270 a.D. Os costumes deste feriado religioso ficaram interligados com ocasiões mais conhecidas como o "the Roman Feast of Lupercalia". Este festival era dedicado ao Deus Pastoral Lupercus e à Deusa do Amor Juno. Também conhecida como a Deusa das Mulheres e do Casamento. O feriado de 14 de Fevereiro era um feriado dedicado a Juno. No dia seguinte, 15 de Fevereiro, começava o "Festival de Lupercalia", que era dedicado a muitos Deuses e Deusas. Os meninos e meninas viviam completamente separados. Durante o Festival os meninos tiravam à sorte um nome de menina de um vaso, tornando-se parceiros durante o Festival. Os pares dançavam e brincavam juntos. Às vezes os pares ficavam juntos durante o ano todo, apaixonando-se algumas vezes e casando. Amanhã é dia dos namorados (S. Valentine's Day) aproveitem a oportunidade para expressarem consideração, amor e amizade, não só aos namorados, mas também para TODOS. Por isso tenham um dia MUITO FELIZ! :)
E como não podia deixar de ser ;) cá vai um poema do Alexandre O'Neill:




O AMOR É O AMOR (1960)

O amor é o amor - e depois?!
Vamos ficar os dois a imaginar,
a imaginar?...
O meu peito contra o teu peito,
cortando o mar, cortando o ar.
Num leito
há todo o espaço para amar!
Na nossa carne estamos
sem destino, sem medo, sem pudor,
e trocamos - Somos um? Somos dois? -
espírito e calor!
O amor é o amor - e depois?!







Foto: Auguste Rodin 1840-1917
The Kiss 1901-4/Le Baiser
Pentelican Marble © Tate, London 2004

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

HEAVENLY BODIES WITH ...

E se tudo fosse assim tão simples e singelo?!...

Que o desencontro desse lugar ao encontro?

Tenho a certeza que seria (tão só) ... assim :)

[Porque será que esta pintura me faz lembrar

"O Principezinho" ?! - que saudades ...]








Pintura de Brenda Harthill
Heavenly Bodies with Moonstruck Lovers
Collagraph with silver leaf in collaboration with Mychael Barratt
76cm x 60cm 30” x 23”





Pintura de Brenda Harthill
Heavenly Bodies with Moondance
Collagraph with silver leaf in collaboration with Trevor Price
76cm x 60cm 30” x 23”







Pintura de Brenda Harthill
Heavenly Bodies with Angel
Collagraph with silver leaf, in collaboration with Anita Klein
76cm x 60cm 30” x 23”










S
I
M
P
L
I
C
I
D
A
D
E
!


APRENDENDO


sexta-feira, fevereiro 09, 2007

UTOPIA

Ao sabor da corrente
Sumiê – 23X16 cm – 1998



Hei de tocar o teu sonho
E fazer-me abstrato
Em teu mundo
Transpor os umbrais
De teu corpo
Conduzir-te ao
Delírio noturno
Sentir o teu cálido cheiro
Tornar-me teu deus
E teu homem
Manchar teu pudor
Com desejo
Fazer-te implorar
Por meu nome
Hei de invadir teu silêncio
Cantar-te
Inocentes mentiras
Olhar-te e calar o teu medo
Dar-te de mim outra vida
Hei de velar o teu sono
Cobrir-te na noite mais fria
Deixar-te sem servo
Nem dono
E tornar-me
A mais bela utopia.

(Sanderson Alex)

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

SÓ CONHEÇO O AMOR EM IDO


Só conheço o amor perdido

De nunca o ter tido

Só conheço o amor ferido

Aquele nunca vivido

Só conheço o amor sem sentido

O que foi em tempos ido

Só conheço o amor imerecido

No meu coração ardido

Só conheço o amor despido

Do teu corpo nunca tido

Só conheço o amor "fodido"

No meu corpo mordido

Só conheço o amor sofrido

Por tanto tempo mantido

Só conheço o amor envelhecido
Do passado amarelecido
Só conheço o amor sumido

Nem tido nem vivido
Só conheço o amor oprimido
No meu peito imprimido















SE EU FOSSE ...

Foto: Jomar


Se eu fosse um bicho
Seria um gato
Felino ... em cio
Cioso e
arredio
Independente
e ágil
Elegante e selvagem
Por vezes virando fera
Outras ficando afável


Se eu fosse um bicho
Seria uma coruja (das neves)
Perscrutadora e agoirenta
Observadora e inquisidora
Habitante das sombras e da lua
Companheira da noite misteriosa
Visão raio-X, astuta, fria e poderosa
Aparentemente quieta e silenciosa

Se eu fosse bicho
Seria um pato
Tímido e desengonçado

Trapalhão e assustado
Simples e pachorrento

Um patinho feio
Que nem sonha virar cisne

Se fosse um bicho
Seria uma corça
Livre e indomável
Perseguida e solitária
Filha do vento
Rebelde e graciosa
Ágil, esquiva e magestosa

Se eu fosse um bicho
Seria um golfinho
Dócil e brincalhão

Maternal e amigo

Inteligente rindo
Mergulhando e valsando
Na espuma do mar


terça-feira, fevereiro 06, 2007

PALAVRAS




Escrevo missivas

Da qual sou mera destinatária

Nas minhas neuroses passivas

Busco mares e ilhas lendárias

Nas entrelinhas um frio de desespero

Junto palavras a palavras

Nem sei porque o faço ou espero

Das "poesias" faço arrados e lavras

Nada semeio a não ser o meu anseio

Um jardim que nunca chega a vingar.

Deserto, imenso, seco e árido

Sem primavera para se anunciar

Tempestades de areia num vento tórrido

Nada faz sentido em mim

Somente as palavras ...

Negras ou em branco

Escritas ou apenas imaginadas

A maior parte nem publicadas

Pedaços de mim em mim

Teias, laços, sangue, lágrimas, entranhas
Vendaval de cogitações estranhas

Assim sou eu ...

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

PENSAMENTO/ REFLEXÃO

Ambiguidade e Acção

A Mentira é a recriação de uma Verdade. O mentidor cria ou recria. Ou recreia.
A fronteira entre estas duas palavras é ténue e delicada. Mas as fronteiras entre as palavras são todas ténues e delicadas.
Entre a recriação e o recreio assenta todo o jogo. O que não quer dizer que o jogo resulta sempre. Resulte seja o que for ou do que for.
A Ambiguidade é a Arte do Suspenso. Tudo o que está suspenso suspende ou equilibra. Ou instabiliza. Mas tudo é instável ou está suspenso. Pelo menos ainda. Ainda é uma questão de tempo.
Tudo depende da noção de tempo ou duração ou extensão. A aceleração do tempo pode traduzir-se pela imobilidade pois que a imobilidade pode traduzir-se por um máximo de aceleração ou um mínimo de extensão: aceleração tão grande que já não se veja o movimento ou o espaço ou a duração.
Tudo está sempre a destruir tudo. Ou qualquer coisa. Ou alguém. Mas estamos sempre a destruir tudo ou qualquer coisa. Ou alguém. Os construtores demolem.
No lugar onde estava o sopro, pormos pedras ou palavras: sinónimo de construção. Ou destruição. Ou acção.
Ana Hatherly, in 'O Mestre'

O PASTOR E O LOBO


Todos os dias, um jovem pastor levava um rebanho de ovelhas às montanhas perto da aldeia.

Um dia, por brincadeira, ele correu de lá de cima gritando:

- Um lobo! Um lobo!

Os Habitantes da aldeia trataram de apanhar pedaços de pau para caçar o lobo.

E encontraram o pastorinho às gargalhadas, dizendo:

- Eu só queria brincar com vocês!

E, vendo que a brincadeira realmente assustava os aldeões, gritou no dia seguinte:

- Um lobo! Um lobo!

E novamente os moradores da aldeia trataram de apanhar as suas armas de madeira.

Tantas vezes o fez que os habitantes da aldeia não ligavam mais aos seus gritos. Até que certo dia o jovem voltou a gritar:

- Um lobo! Um lobo! Socorro!

Um dos homens disse aos outros:

- Já não acredito. Ele não nos engana mais.

Desta vez era mesmo um lobo, que dizimou todo o rebanho do pastorinho.

terça-feira, janeiro 30, 2007

***


O FIM DO COITO




Agora que temos novo referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez, ocorre relembrar antes de 11/02, o poema de Natália Correia.

"O acto sexual é para ter filhos" - disse na Assembleia da República, no dia 03 de Abril de 1982, o então deputado do CDS João Morgado num debate sobre a legalização do aborto.
A resposta de Natália Correia, em poema - publicado depois pelo Diário de Lisboa em 5 de Abril desse mesmo ano - fez rir todas as bancadas parlamentares, sem excepção, tendo os trabalhos sido interrompidos por essa razão:



Já que o coito - diz Morgado -

tem como fim cristalino,

preciso e imaculado

fazer menina ou menino;

e cada vez que o varão

sexual petisco manduca,

temos na procriação

prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,

lógica é a conclusão

de que o viril instrumento

só usou - parca ração!

- uma vez. E se a função

faz o órgão - diz o ditado -

consumada essa excepção,

ficou capado o Morgado.

(Natália Correia - 3 Abril 1982).

domingo, janeiro 28, 2007

TEÇO, SOFRO E SONHO


Sozinha
TEÇO

Silêncios...
Lembranças...
Ausências...
Distâncias...
Penitências
Mudanças...

SOFRO
Sem rede...
Com febre
Sem remo...
Sem rumo...
Sem rota...
Sem rosto...
Sem rasto...

SONHO

terça-feira, janeiro 23, 2007

CLOSED DOOR





Partiste...
Outra é a boca que tu beijas
Outros os braços que te enlaçam
Um novo corpo que tu desejas
Outras as mãos que te tocam
Partiste...
Teus olhos já não reflectem os meus
A tua voz calou-se para mim
Os meus desejos já não sao teus
Fiquei apenas eu ... no fim
Partiste...
Mas, sabes que mais?
Pouco me importa!
Fechou-se a porta!
Não queiras mais entrar
Ninguém mora nesse lugar
PARTI
Segui viagem
Uma nova viragem
Na busca da minha MIRAGEM



SE AS PEDRAS FALASSEM

Numa conferência, um consultor especialista em gestão do tempo tirou de baixo da mesa um frasco grande de boca larga.
Colocou-o em cima da mesa,junto a uma bandeja com pedras do tamanho do punho, e perguntou:
"Quantas pedras vocês acham que cabem neste frasco?"
Depois dos presentes fazerem suas conjecturas, começou a colocar as pedras até que encheu o frasco. Depois perguntou:
"Está cheio?"
Todos olharam para o frasco e assentiram que sim.
Então, o consultor tirou debaixo da mesa um saco com gravilhão (pedrinhas pequenas, menores que a brita). Colocou parte do gravilhão dentro do frasco e o agitou. As pedrinhas penetraram pelos espaços que deixavam as pedras grandes. O consultor sorriu e repetiu:
“Está cheio?"
A maioria disse que sim. Então, pousou na mesa um saco com areia e começou a despejar no frasco. A areia infiltrava-se nos pequenos buracos deixados pelas pedras e pela gravilha.
"Está cheio?" perguntou de novo. Algumas pessoas exclamaram: "agora está!"
Então, o consultor pegou uma jarra de água e começou a derramar para dentro do frasco. O frasco absorvia a água sem transbordar.
"Bom, o que acabamos de demonstrar?", indagou o consultor.
Um ouvinte respondeu:
"Que não importa o quão cheia esta a nossa agenda, se quisermos, conseguimos sempre fazer com que caibam mais coisas".
"Não", concluiu o especialista. "o que esta lição nos ensina é que se não colocarmos as pedras grandes primeiro, nunca poderemos coloca-las depois... E quais são as grandes pedras da vida? A pessoa amada, os nossos filhos, os amigos, os nossos sonhos e desejos, a nossa saúde. AMIGOS, Se as grandes pedras da vida são estas, então, lembrem-se: ponham-nas sempre em primeiro plano, o resto, encontrará o seu lugar"
(Autor desconhecido)

quarta-feira, janeiro 17, 2007

LUA ADVERSA


Tenho fases, como a lua

Fases de andar escondida,

fases de vir para a rua...

Perdição da minha vida!

Perdição da vida minha!

Tenho fases de ser tua,

tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e que vêm,

no secreto calendário

que um astrólogo arbitrário

inventou para meu uso.

E roda a melancolia

seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém

(tenho fases, como a lua...)

No dia de alguém ser meu

não é dia de eu ser sua...E,

quando chega esse dia,

o outro desapareceu...

Cecília Meireles

terça-feira, janeiro 16, 2007

VOANDO


Nas asas do vento

Viajo pelo mistério do mar

Perdendo-me no labirinto do tempo

Encontro o brilho de teu olhar

segunda-feira, janeiro 15, 2007

ESPERA

Aqui estou

De corpo e asas feridas

Mãos e alma abertas

Para ti...

Não sei para onde vou!


Nem sequer quem sou ...

sexta-feira, janeiro 12, 2007

SONHO ARCO-ÍRIS




Há em teus olhos


Uma tristeza azul.


Esperança e desejo


De um sonho arco-íris.


Diante de ti


Distante do teu coração.


Desencanto com o sol


Desencontro dos dias de inverno.


Menina...


Sabes a razão disso tudo?


Porque é assim tão diferente?


Talvez um dia...


Encontrarás um pote de ouro


No fim do teu sonho arco-íris.





"My heart leaps up when I behold A Rainbow in the sky"



- William Wordsworth




quinta-feira, janeiro 11, 2007

BORBOLETA



Borboletinha

Que voas e redopias sem parar

Tua beleza gera encanto

Outras vira um pranto

Borboletinha

Não queiras subir tão alto

Perto da luz que te seduz

E a cinzas te reduz!

Borboletinha

Não te deixes enganar

Não penses em te aproximar

E as tuas asas queimar!

Que te impediçam de voar!

Borboleta

De que te servirá a luz

Se não puderes voar?

A vida é uma roleta ...
(Faite vous jeux Messieurs!)
De que te servem as asas

Se não puderes sonhar?


terça-feira, janeiro 09, 2007

NOITE SOMBRIA

Caminho errante e solitária
Pela avenida fria e deserta

Em passos mecânicos

Sigo sem rumo

Aspiro o fumo

Milhares de pensamentos

Bombardeiam a minha mente

Perscruto os meus lamentos

Sem destino sigo em frente

Oiço ao longe ...

Uma melodia que ecoa

Sob o luar sombrio

Perco-me pela noite fora

Nos ossos sinto o frio

O coração a chorar

E sem ninguém para me amar.