terça-feira, setembro 20, 2011

Putos, gagos e afins ...

Putos ... Gagos... e afins ... Tem muito se lhe liga...
Mas hoje nao me apetece... apenas um pensamento me atravessa... mas não vou dizer ... Apenas oiço, vejo, constato e ... tiro ilações! ...

segunda-feira, setembro 19, 2011

Na contra-corrente

Como é difícil entendermo-nos com a vida. Nós a compor, ela a estragar. Nós a propor, ela a destruir.
O ideal seria então não tentarmos entender-nos com ela mas apenas connosco. Simplesmente o nós com que nos entendêssemos depende infinitamente do que a vida faz dele. Assim jamais o poderemos evitar. E todavia, alguns dir-se-ia conseguirem-no. Que força de si mesmos ou importância de si mesmos eles inventam em si para a sobreporem ao mais? Jamais o conseguirei. O que há de grande em mim equilibra-se nas infinitas complacências da vida que me ameaça ou me trai. E é nesses pequenos intervalos que vou erguendo o que sou. Mas fatigada decerto de ser complacente, à medida que a paciência se lhe esgota em ser intervalarmente tolerante, ela vai-me sendo intolerante sem intervalo nenhum. E então não há coragem que chegue e toda a virtude se me esgota na resignação. É triste para quem sonhou estar um pouco acima dela. Mas o simples dizê-lo é já ser mais do que ela. A resignação total é a que vai dar ao silêncio.

Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 4'

quarta-feira, setembro 14, 2011

Divagações...

É muito estranho, demasiado inóspit(d)o quando num momento de lucidez louca, fraqueza súbita ou flash empastelado, saimos de nós próprios e vemos imagens desfilando à velocidade da luz, umas atrás das outras, num ritmo alucinante rebobinamos a nossa vida da frente para trás e de trás para a frente ...
E não contentes (e satisfeitos) com tudo isso ... vislumbramos o futuro e temos (já quase) a certeza do que vai acontecer ...

terça-feira, setembro 13, 2011

Carta (Esboço)

Lembro-me agora que tenho de marcar um encontro contigo, num sítio em que ambos nos possamos falar, de facto, sem que nenhuma das ocorrências da vida venha interferir no que temos para nos dizer. Muitas vezes me lembrei de que esse sítio podia ser, até, um lugar sem nada de especial, como um canto de café, em frente de um espelho que poderia servir de pretexto para reflectir a alma, a impressão da tarde, o último estertor do dia antes de nos despedirmos, quando é preciso encontrar uma fórmula que disfarce o que, afinal, não conseguimos dizer. É que o amor nem sempre é uma palavra de uso, aquela que permite a passagem à comunicação; mais exacta de dois seres, a não ser que nos fale, de súbito, o sentido da despedida, e que cada um de nós leve, consigo, o outro, deixando atrás de si o próprio ser, como se uma troca de almas fosse possível neste mundo. Então, é natural que voltes atrás e me peças: «Vem comigo!», e devo dizer-te que muitas vezes pensei em fazer isso mesmo, mas era tarde, isto é, a porta tinha-se fechado até outro dia, que é aquele que acaba por nunca chegar, e então as palavras caem no vazio, como se nunca tivessem sido pensadas. No entanto, ao escrever-te para marcar um encontro contigo, sei que é irremediável o que temos para dizer um ao outro: a confissão mais exacta, que é também a mais absurda, de um sentimento; e, por trás disso, a certeza de que o mundo há-de ser outro no dia seguinte, como se o amor, de facto, pudesse mudar as cores do céu, do mar, da terra, e do próprio dia em que nos vamos encontrar, que há-de ser um dia azul, de verão, em que o vento poderá soprar do norte, como se fosse daí que viessem, nesta altura, as coisas mais precisas, que são as nossas: o verde das folhas e o amarelo das pétalas, o vermelho do sol e o branco dos muros.

Nuno Júdice, in “Poesia Reunida”

sexta-feira, setembro 09, 2011

Into the Wild ...

"Há tantas pessoas que vivem infelizes e que no entanto não tomam a iniciativa de alterar a sua situação porque ficam condicionadas a uma vida de segurança, conformismo e conservadorismo. Tudo isto pode parecer conferir-lhes paz de espírito. No entanto, na realidade, nada é mais prejudicial para um espírito aventureiro, no interior de um homem, do que um futuro seguro. O princípio básico do espírito livre de um homem é a sua paixão pela aventura. A alegria de viver provém dos nossos encontros com novas experiências, e por isso não existe maior prazer do que ter um horizonte em eterna mudança, para cada dia ter um sol novo e diferente."

Christopher Johnson McCandless ( Into the Wild- é baseado numa história verídica e no bestselling literário de Jon Krakauer - recomendo este excelente filme)

quinta-feira, setembro 08, 2011

Revelations ...




PS: Enviado por e-mail por G. (fiquei à espera das revelações... ou seriam as de ontem ... :)

quarta-feira, setembro 07, 2011

Auto-conhecimento

Começo a conhecer-me. [finalmente] Não existo. [mas penso sempre que sim]
Sou o intervalo [início] entre o que desejo ser e os outros me fizeram, [fim]
ou metade desse intervalo, [é sempre  8 ou 80 ] porque também há vida ... [e morte...]
Sou isso [fazer o quê?], enfim ... [sei lá...]

Apague a luz, feche a porta e [vens ou demoras?] deixe de ter barulhos de chinelos no corredor. [melhor descalçares os chinelos!]
Fique eu no quarto só [que remédio] com o grande sossego [diria antes desassossego] de mim mesmo. [tem dias] 
É um universo barato. [mas é o que se tem, fazer o quê?! É a maldita crise!]

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa

Nina [entre parênteses - in  "quem não tem que fazer faz colheres" ]

Improvérbios

Não digas o que pensas e dir-te-ei quem (não) és ... ou não digas com quem andas e dir-te-ei quem (não) és! É que depois da bonança, a tempestade vem depressa e quem tem boca,  a língua não lhe pesa, pois devagar se vai a pé! Quem semeia vento não colhe coisa nenhuma!



segunda-feira, setembro 05, 2011

O que ando a ler...

« Escrevi até o princípio da manhã aparecer na janela. O sol a iluminar os olhos dos gatos espalhados na sala, sentados, deitados de olhos abertos. O sol a iluminar o sofá grande, o vermelho ruço debaixo de uma cobertura de pêlo dos gatos. O sol a chegar à escrivaninha e a ser dia nas folhas brancas. Escrevi duas páginas. Descrevi-lhe o rosto, os olhos, os lábios, a pele, os cabelos. Descrevi-lhe o corpo, os seios sob o vestido, o ventre sob o vestido, as pernas. Descrevi-lhe o silêncio. E, quando me parecia que as palavras eram poucas para tanta e tanta beleza, fechava os olhos e parava-me a olhá-la. Ao seu esplendor seguia-se a vontade de a descrever e, de cada vez que repetia este exercício, conseguia escrever duas palavras ou, no máximo, uma frase. Quando a manhã apareceu na janela, levantei-me e voltei para a cama. Adormeci a olhá-la. Adormeci com ela dentro de mim.

Nunca me tinha apaixonado verdadeiramente. A partir dos dezasseis anos, conheci muitas mulheres, senti algo por todas. Quando lhes lia no rosto um olhar diferente, demorado, deixava-me impressionar e, durante algumas semanas, achava que estava apaixonado e que as amava. Mas depois, o tempo. Sempre o tempo como uma brisa. Uma aragem suave, mas definitiva, a empurrar-me os sentimentos, a deixá-los lá ao fundo e a mostrar-me na distância que eram pequenos, muito pequenos e sem valor. E sempre só a solidão. Sempre. Eu sozinho, a viver. Sozinho, a ver coisas que não iriam repetir-se; sozinho, a ver a vida gastar-se na erosão da minha memória. Sozinho, com pena de mim próprio, ridículo, mas a sofrer mesmo. Nunca me tinha apaixonado verdadeiramente. Muitas vezes disse amo-te, mas arrependi-me sempre. Arrependi-me sempre das palavras. »

José Luís Peixoto, in 'Uma Casa na Escuridão'

PS:  Como é que um livro tão atrozmente triste (e sem esperança) consegue ser tão belo? :S
E que nos obriga impreterivelmente a reflectir sobre o  medo que temos do mundo que se aproxima a passos largos e abala o que consideramos ter como certo e garantido,  e o amor, o amor verdadeiro que temos ou ansiamos ter ou perdemos num instante absurdo ...

sexta-feira, setembro 02, 2011

Etimologicamente falando

Um excerto particularmente interessante do especial Etimologia da  Revista Língua Portuguesa:

"Amor não é auto-suficiente, porque tem asas, como é incapaz de bastar a si mesmo, daí querer compartilhar. O amor a dois talvez não esteja num ou noutro campo, não seja alado nem alante, eros ou ptérôs, mas viva na encruzilhada, na intersecção.

Amar não tem sentido só passivo, muito menos ativo, ocupa o meio-campo, conjuga-se em voz média. Dizer que amo alguém é dizer o quanto me amo também. É como quem diz "eu me confesso": no momento mesmo em que me revelo, a revelação é feita a mim também. No momento em que falo a alguém, o que falo me afeta. Sou sujeito da ação e seu alvo. Sou voz média. O mundo dos deuses e dos homens numa só expressão. Amor, humor."

"On the Road" (again)

"Olhei pela janela. Lá estava ele, sozinho no limiar da porta, curtindo a efervescência da rua.
Amarguras, recriminações, conselhos, tristeza - tudo lhe pesava nas costas enquanto à sua frente descortinava-se a alegria esfarrapada e extasiante de simplesmente ser."

Jack Kerouac, "On the Road"

quinta-feira, setembro 01, 2011

Constatação

Quando não nos sentimos bem ou confortáveis é porque é tempo de mudar e tentar outras paragens, novos horizontes, iniciar um outro projecto,  cambiar de ambiances.
Aprendi que o que não nos mata, fortalece-nos! E isso apenas dá mais gana e vontade de evoluir!