segunda-feira, dezembro 31, 2007

Se... Se....




O último poema do ano...

Desaparecida destas "lides" não por não ter nada que escrever, mas porque não consigo expressar tudo o que me suga a alma! As palavras parecem insuficientes para descrever tantos sentimentos escondidos e enterrados em mim... melhor que morram antes de germinarem...


Se ... fosse boca

Seria apenas para te beijar

Se... fosse uma vereda

Seria para nela passeares

Se fosse um perfume

Tu serias a sua essência

Se fosse uma ideia

Tu serias o meu pensamento

Se fosse o céu

Serias o meu azul

Se fosse uma ostra

Serias a minha pérola

Se eu fosse TU

Tu amar-me-ias

Passaria mais tempo comigo

A observar-me amorosa e silenciosamente

Mas... sou APENAS EU...

terça-feira, setembro 25, 2007

"MIMO" GRANDIOSO











"As palavras são desnecessárias para exprimir o que sente o coração"



Marcel Marceau

segunda-feira, setembro 24, 2007

VERSOS NUS



Hoje um post diferente, porque amo a poesia e também porque me foi, gentilmente, pedido pelo autor de "VERSUS NUS", ou seja,TIAGO NENÉ!






A poesia é feita disso mesmo, versos nus, em que despimos todas as emoções, sentimentos, frustações, sofrimentos e ...saudades. É a alma posta a nú sem qualquer "pudor" ainda que hoje em dia seja tão pouco divulgada e no fim de contas ainda existem poetas, trovadores e gente que sente, que sonha e sofre ... (como eu...)




Sendo assim, aqui fica a informação:




No próximo dia 29 de Setembro, pelas 16.00, no Magnolia Caffee (Praça de Londres), em Lisboa, vai ter lugar o lançamento do Versos Nus. Como diz o autor "A poesia deste livro está carregada de influências literárias estrangeiras, tais como Allen Ginsberg, Uberto Stabile ou Charles Bukowski"
Haverá posteriormente uma outra apresentação, na Fnac do Algarve Shopping, em data ainda por designar. Po isso COMPAREÇAM!

DESEJO-LHE MUITO SUCESSO TIAGO!





domingo, setembro 23, 2007

TEUS OLHOS VERDAZUIS



Vejo em ti meu amor, o verde azul
A cor desses olhos cativantes
Deslumbram-me como o mar do sul
Em tardes de brilhos cintilantes

Essa cor, onde tanto me emociono
Faz de mim tua escrava, e senhora
Olhos verdazuis, de quem tu és dono
Olhem p’ra mim, uma "poetisa trovadora"

Para eles, poemas bem imagino
Como um pintor, suas telas coloridas
Fascinam-me como a mesa do casino
Onde há cartas, ganhas e perdidas

Faço poesia, de paixão e felicidade
Para esse lindo verde azul das Caraíbas
Tragos no coração por minha vaidade
Oxalá não me deixam triste, e de fadigas

Teus olhos são a minha primavera
Meu sonho, e a minha fortaleza
São a cor que meu coração venera
Num grande amor, absoluto de pureza

[Para ti, por ti ... SAUDADES de neles me rever e ... perder ...;) ]

sábado, setembro 22, 2007

O amor disse ADEUS

O amor disse ADEUS
E foi embora
Tirou "férias"
E foi por esse mundo fora
Não sei se volta
Ou se demora
E agora? ... E agora...
Passa o tempo hora a hora
A minha alma chora
As minhas entranhas devora
A minha face já não cora
E no meu coração ... já não mora...
O amor disse ADEUS
Foi embora
E agora ... e agora ...

segunda-feira, setembro 10, 2007

ANJO


Anjo! Leva-me nas asas do vento
Muito para lá do pensamento
Por nuvens de sonhos coloridos
Em arco-íris de desejos floridos
Em caminhos iluminados de emoções
Atravesso a distância e o tempo
Por paisagens orvalhadas de luar
Num tapete dourado de estrelas
Esboços que não cabem em telas
Na velocidade do sentimento
Que me impulsiona a te buscar
Sigo nas asas das Fadas, Musas e Anjos Azuis
Que me ensinam poesias
Que guardo para te dar
Na volta dessa viagem
Denoto a mera miragem
Foi apenas um sonho...
Mas ainda sinto no corpo
O perfume das tuas mãos a me acariciar

sexta-feira, agosto 31, 2007

... e nunca te disse!



Foto: Sissi 2006 "As amarras da alma"


Amo-te ... e nunca te disse
Assim o coração o decidiu
Amo-te ... e nunca te disse
Assim a vida o permitiu

Meras palavras soltas ao vento
Sílabas que atravessam o ar
Palavras presas no tempo
Frase suspensa num luar

Sentimento guardado na alma
Sonho fechado no coração
Paixão que jamais se acalma
Amor sem qualquer explicação
Amo-te ... e nunca te disse
Digo agora!

Ao vento que passa,
No ar que respiro,
No tempo inacabado,
Num gesto suspenso,
Num segundo de minuto disperso,
Num simples suspiro,
Num ser de corpo vazio,
Num nada concreto,
Num tudo perverso,
Num sentir absoluto
Num silêncio absurdo ...


... Amo-te ...
... E nunca te disse ...


segunda-feira, agosto 27, 2007

CONFIANÇA


Enviaram-me esta história por email (thanks M.), não conhecia... Gostei muito e deu-me que pensar!



Havia um lenhador que acordava às 6 da manhã, e trabalhava o dia inteiro só parava muito tarde, já de noite. Esse lenhador tinha um filho lindo, e uma raposa sua amiga, tratada como bicho de estimaçao, era de sua total confiança. Todos os dias o lenhador ia trabalhar e deixava a raposa cuidando do seu filho. Ao retomar do trabalho, a raposa ficava feliz e contente com a sua chegada.

Os vizinhos desse lenhador alertavam que a raposa era um bicho selvagem, e portanto não era confiável. Quando ela sentisse fome comeria a criança, o lenhador, sempre retrocando com os vizinhos argumentava que isso era uma parvoíce, a raposa era amiga e jamais faria isso!

Os vizinhos insistiam:

-Lenhador abra os olhos! A raposa vai comer o seu filho!

-Quando sentir fome comerá o seu filho - repetia outro.

Um dia, o lenhador exausto do trabalho, cansado desses comentários, resolveu voltar para casa mais cedo, e ao chegar a casa viu a raposa sorrindo como sempre, e a sua boca suja de sangue... Ele suou frio, e sem pensar duas vezes meteu o machado na cabeça da raposa.

Ao entrar no quarto, desesperado, encontrou o seu filho no berço dormindo tranquilamente, e ao lado do berço, uma cobra morta.

O lenhador amargurado e angustiado, enterrou o machado e a raposa juntos.


Moral da história: se confias em alguém ,não importa o que os outros digam ou pensem a esse respeito. Nunca te deixes influenciar. Sê tu proprio e segue o teu coração ...

domingo, agosto 26, 2007

Rapto

Um dia destes rapto-te ...

Juro que te rapto

E nem peço resgate.

Mas não te preocupes

Rapto-te apenas

Com o teu consentimento...

E escondo-te nos meus sonhos

Nas minhas ilusões,

Nas minhas sensações...

Abro-te as portas

Do meu mundo

E deixo-te entrar...

Sem vendas,

Sem mordaças,

Sem amarras,

Sem algemas,

Apenas tu...

Um dia destes...

Juro que te rapto

Torno-te sonho

Ilusão

Sensação...

E nem vou pedir resgate.

sábado, agosto 25, 2007

ELOGIO AO AMOR

"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas.Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber.Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e é mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática.O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, banançides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.
Já ninguém se apaixona?
Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos.Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.
Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra.A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessýria. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz.Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."

Miguel Esteves Cardoso in Expresso


quinta-feira, agosto 23, 2007

Madeleine - O princípio do fim



Jornalista da RTP pode ser processada pelos McCann


"Os pais de Madeleine querem processar a jornalista da RTP, Sandra Felgueiras, por difamação, afirmando que, num directo, a repórter terá insinuado que Kate teria matado a filha."

(retirado do Sol)

http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=51955&dossier=Madeleine.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspxcontent_id=51955&dossier=Madeleine

Novamente o caso Madeleine na ribalta, acordei hoje inundada com notícias, na TV, nos jornais, nas notícias on-line, nas conversas de café!
Sinceramente, já não há "pachorra"! Até porque cada dia que passa tudo fica mais óbvio e claro, apesar das notícias contraditórias que vão saindo cá para fora, na imprensa nacional e estrangeira (já para não falar nos "sensacionais" jornalistas britânicos, apetece-me dizer: «cresçam e apareçam, ou seja, tenham juízo»! Enfim!).
Comentários à parte, mais os dias passam, mais a "minha teoria" ou cenário parece estar quase a comprovar-se! Aguardam-se mais notícias para este "triste e inacreditável caso policial/ jornalista" tenha FIM (todos sabemos qual é... faltam apenas alguns fios da meada que estão soltos ou emaranhados...).
Tenho pena, se o meu feeling se vier a comprovar (não vou aqui referir qual é, para não ferir susceptibilidades, mas que já tenho desde o primeiro mês do desaparecimento da menina), vão rolar muitas cabeças e dar-nos conta que andámos (mais de) 100 longos dias a fazer figura de URSOS. Como o ser humano continua a ser muito ingénuo!...
Quiçá esta história não dará um bom trailer psico-policial?!

domingo, agosto 19, 2007

Boa sorte/ Good luck

Um bom encontro é de dois ... por isso ... Boa sorte para ti, good luck to me!

«É só isso
Não tem mais jeito
Acabou, boa sorte
Não tenho o que dizer
São só palavras
E o que eu sinto
Não mudará
Tudo o que quer me dar
É demais
É pesado
Não há paz
Tudo o que quer de mim
Irreais
Expectativas
Desleais
That's it
There is no way
It's over, Good luck
I have nothing left to say
It's only words
And what l feel
Won't change
Everything you want to give me
It too much
It's heavy
There is no peace
All you want from me
Isn't real
Expectations
/ Tudo o que quer me dar
É demais
É pesado
Não há paz
Tudo o que quer de mim
Irreais
Expectativas
Desleais
Mesmo, se segure
Quero que se cure
Dessa pessoa
Que o aconselha
Há um desencontro
Veja por esse ponto
Há tantas pessoas especiais
Now even if you hold yourself
I want you to get cured
From this person
Who poisoned you
There is a disconnection
See through this point of view
There are so many special people in the world
so many special people in the world in the world

All you want
All you want
Tudo o que quer me dar /Everything you want to give
me
É demais / It's too muchÉ pesado / It's heavy
Não há paz / There is no peace
Tudo o que quer de mim / All you want from me
Irreais/ isn't real
Expectativas / Expectations
Desleais
Now we're Falling into the night
Um bom encontro é de dois»

Vanessa da Mata Feat Ben Harper

sábado, agosto 18, 2007

ESQUEÇA!

Esqueça..se ele não te ama
Esqueça..se ele não te quer
Não chores mais, não sofra assim
Porque eu posso te dar amor sem fim

Ele não pensa, em querer-te
Te faz sofrer e até chorar

Não chores mais, vem pra mim
Vem, não sofra, não pense..
Não chores mais, meu bem..

Marisa Monte

(Adoro esta música...)

Constatando...


Pior que não te ver

É ver-te

E não te ter...

quinta-feira, agosto 16, 2007

Sou virgem no amor


Não tenhas ciúmes
Do passado
Que passou.
Dos corpos que abracei

Das bocas que beijei
Das pessoas que tive
E que esqueci.

Toma-me.
Sou virgem no amor
Que sinto por ti.
Como rosa branca
Pura, imaculada
Sem mancha
Resguardei-me para ti

Na paixão que (me) arrebata.
No sentir que me amarra
Não tenhas ciúmes.

Como gaivota ao sabor do tempo
Nas dunas batidas pelo vento
Não consegues sentir
Quando unimos os corpos
Que o prazer de te possuir
É a delícia infinita
De quem só conheceu um (único) amor

O (NOSSO) SILÊNCIO


O teu silêncio...
Os dias vazios
Sem a tua presença
Provocam em mim
A insegurança
A eterna angústia
Que me dilacera

No meu silêncio...
[a que me o(a)briguei]
Pressinto o frio da noite
O fim do sonho
O mero engano
A duplicidade
Desta estranha cumplicidade

O misterioso bailar
De quem tem receio de amar
Não sei se me atrevo ...
... a recomeçar
Se te deixo entrar
Se te faço parar...
Não sei se te amo...
Se apenas te desejo...
Neste impulso carnal-divinal
Deveras abismal...

quinta-feira, agosto 09, 2007

Bloody men


Bloody men are like bloody buses -

You wait for about a year
And as soon as one approaches your stop
Two or three others appear.
You look at them flashing their indicators,
Offering you a ride.
You're trying to read the destinations,
You haven't much time to decide.
If you make a mistake, there is no turning back.
Jump off, and you'll stand there and gaze
While the cars and the taxis and lorries go by
And the minutes, the hours, the days.

Wendy Cope

segunda-feira, agosto 06, 2007

LES FEUILLES MORTES



Recordo-me deste poema da minha infância de Jacques Prévert (1945) les Feuilles mortes, que tem tudo a ver comigo. Gosto do outono, das folhas caídas, dos jardins num final de tarde com os seus bancos vazios e as folhas a esvoaçarem como se levassem todos os sentimentos por aí fora sobre o vento, sobre o céu... acho romântico...
Descobri hoje (e esta hein?!!!!) que foi adaptado para o inglês por Johnny Mercer do qual resultou na belíssima canção "Autumn Leaves" (When you went away) cantada por Eva Cassidy. E ainda por cima tenho a canção. Imperdoável não ter reparado :(
Descubram as diferenças ... :)

Oh ! je voudrais tant que tu te souviennes
Des jours heureux où nous étions amis.
En ce temps-là la vie était plus belle,
Et le soleil plus brûlant qu'aujourd'hui.
Les feuilles mortes se ramassent à la pelle.
Tu vois, je n'ai pas oublié...
Les feuilles mortes se ramassent à la pelle,
Les souvenirs et les regrets aussi
Et le vent du nord les emporte
Dans la nuit froide de l'oubli.
Tu vois, je n'ai pas oublié
La chanson que tu me chantais.

[Refrain:]
C'est une chanson qui nous ressemble.
Toi, tu m'aimais et je t'aimais
Et nous vivions tous deux ensemble,
Toi qui m'aimais, moi qui t'aimais.
Mais la vie sépare ceux qui s'aiment,
Tout doucement, sans faire de bruit
Et la mer efface sur le sable
Les pas des amants désunis.

Les feuilles mortes se ramassent à la pelle,
Les souvenirs et les regrets aussi
Mais mon amour silencieux et fidèle
Sourit toujours et remercie la vie.
Je t'aimais tant, tu étais si jolie.
Comment veux-tu que je t'oublie ?
En ce temps-là, la vie était plus belle
Et le soleil plus brûlant qu'aujourd'hui.
Tu étais ma plus douce amie
Mais je n'ai que faire des regrets
Et la chanson que tu chantais,
Toujours, toujours je l'entendrai !

[Refrain]

Encosta-te a mim

Porque sim... porque vale a pena ... porque me apetece... porque estou de férias... porque ando sem inspiração para a "escrita"... porque ando mais virada para a música... porque ando com uma preguicite agudíssima... porque ando encostada ... porque o PC também tem direito ao descanso :) ... aqui deixo o tema principal do novo álbum do "dinossauro" Jorge Palma. Sublimes a letra e a música, para não falar na curiosidade do video clip com o maior número de "gente famosa" por metro quadrado ... reconhecem-nos? ;) Quase todos ligados às artes e amigos do autor, o encontro da velha com a nova geração :)





Encosta-te a mim,
nós já vivemos cem mil anos
encosta-te a mim,
talvez eu esteja a exagerar
encosta-te a mim,
dá cabo dos teus desenganos
não queiras ver quem eu não sou,
deixa-me chegar.
Chegado da guerra,
fiz tudo p'ra sobreviver em nome da terra,
no fundo p'ra te merecer
recebe-me bem,
não desencantes os meus passos
faz de mim o teu herói,
não quero adormecer.
Tudo o que eu vi,
estou a partilhar contigo
o que não vivi, hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.
Encosta-te a mim,
desatinamos tantas vezes
vizinha de mim, deixa ser meu o teu quintal
recebe esta pomba que não está armadilhada
foi comprada, foi roubada, seja como for.
Eu venho do nada porque arrasei o que não quis
em nome da estrada onde só quero ser feliz
enrosca-te a mim, vai desarmar a flor queimada
vai beijar o homem-bomba, quero adormecer.
Tudo o que eu vi,
estou a partilhar contigo o que não vivi,
um dia hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.

Jorge Palma - Encosta-te a mim...

quarta-feira, agosto 01, 2007

Pelo sonho é que vamos


Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.


Chegamos? Não chegamos?


Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.


Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.



Chegamos? Não chegamos?
- Partimos. Vamos. Somos.



( Sebastião da Gama)

sábado, julho 28, 2007

AO VENTO



E se pensas que tive medo
É falso
Apenas dei férias ao meu coração
Um pouco de repouso
E se pensas que me arrependo
Espera
Respira um pouco
O sopro de oiro
Que me empurra para a frente

E…
Faz de conta que rumei ao mar
Que desprendi a vela
Que me fiz ao vento
Encontrei a minha estrela
Faz de conta que deixei a terra
Segui-a por um instante
Sob o vento
E se pensas que acabou
Nunca
É apenas uma pausa, uma repetiçao
Depois do perigo
E se pensas que te esqueci
Escuta
Abre o teu corpo ao vento da noite
E fecha os olhos
E sente
... O vento

quarta-feira, julho 25, 2007

Último Esfuerzo

Por mais que nos esforcemos...de nada vale a pena...tudo (e todos) acaba por nos perseguir como uma sombra no nosso encalço!




By:
Autor da música/ tema: Nuno Peixoto (Beijos e mais não digo só pessoalmente;))
;
Direcção: Sergio San Martin (Parabéns)
Actor: Miguel Presti (boa expressão facial)
Ayte Dir: Sara Pineda (bom trabalho)
Fotografia: Gail Duboi (Excelente, boas perspectivas)
Edition: Paranoix Entertainment

www.sergiosanmartin.com

quinta-feira, julho 19, 2007

MEU OLHAR


O meu olhar triste,
Perdido,
Vazio,
Ferido,
Algo vago
Por vezes frio
Busquei perdão
Busquei afeição
Busquei um sorriso
Encontrei apenas solidão
Não achei o meu sol
Não encontrei o meu céu
Não achei o meu luar
Nem a quem amar
Olhei para ti
Assim que te vi
Perdi-t(m)me no caminho
Quem me chamar
Tem de ser de mansinho
Vai encontrar este estranho olhar
Uma alegria que um dia se acabou
Reflexos de um amor que findou
No meu olhar...
Existe dor
Existe amor
Existe um olá
Existe um adeus....

quarta-feira, julho 18, 2007

IMPULS(O)E...


E se de repente (sem estares à espera!)um Desconhecido te oferecer flores?!
Isso é... impuls(o)e ?...

domingo, julho 15, 2007

Será?

O que eu te quero dizer ...



Quero-te revelar
O meu maior segredo
Sempre te quis amar
Mas tive sempre medo
De me aproximar
Dizer-te aquilo que pensava

Ouço a tua voz
Vinda lá do fundo
Se ficarmos sós
Neste nosso mundo
E agora sei, que o amor
É tudo ou nada

Diz-me que vale a pena
Alma que me condena
Diz-me que vale a pena
Dizer-te o que eu te quero dizer

E o meu coração
Vive num dilema
Será que este amor
Vale mesmo a pena
Ou será melhor
Deixar tudo assim à margem

E a palavra amor
Que nós já gastámos
Fica sempre a dor
Se assim ficarmos
Deste nosso amor
Resta só a tua imagem

(Polo Norte)

(Queria dizer-te ...[ainda bem que não me lês] que estou num dilema, com medo de amar, receio de me aproximar (demasiado), pavor de me magoar, por isso não te disse/ digo nada... nem sei se vale a pena!)
Retomo o meu silêncio no teu!

sexta-feira, julho 13, 2007

Tudo o que eu te dou



Eu não sei, que mais posso ser
Um dia rei, outro dia sem comer
Por vezes forte, coragem de leão
Ás vezes, fraco assim é o coração
Eu não sei, que mais te posso dar
Um dia jóias;
Noutro dia o luar,
Gritos de dor,
Gritos de prazer
Que um homem também chora
Quando assim tem de ser.

Foram tantas as noites
Sem dormir,
Tantos quartos de hotel
Amar é partir...
Promessas perdidas
Escritas no ar
E logo ali eu sei...

Tudo o que eu te dou
Tu me dás a mim
Tudo o que eu sonhei
Tu serás assim
Tudo o que eu te dou
Tu me dás a mim
Tudo o que eu te dou

Sentado na poltrona,
Beijas-me a pele morena
Fazes aqueles truques que,
Aprendeste no cinema
Mais! peço-te eu,
Já me sinto a viajar
Pára, recomeça e faz-me acreditar

Não, dizes tu,
E o teu olhar mentiu,
Enrolados pelo chão no abraço que se viu
É madrugada ou é alucinação,
Estrelas de mil cores, extasy ou paixão
Hum, esse odor, traz tanta saudade
Mata-me de amor,
Dá-me liberdade
Deixa-me voar, cantar e adormecer

Tudo o que eu te dou
Tu me dás a mim
Tudo o que eu sonhei
Tu serás assim
Tudo o que eu te dou
Tu me dás a mim
Tudo o que eu te dou

(Mais uma música sublime do Pedro Abrunhosa... que me traz tanta saudade, mata-me de amor, dá-me liberdade...)

quinta-feira, julho 12, 2007

Ponte da despedida


Existe hoje entre nós
Uma distância colossal
Deveras abismal
Maciça,
Frieza de granito
Porque calamos a voz?

E antes que a saudade me tente
Engulo um grito
A despedida já era
Antes mesmo de o ser
Saudades ...
As evidências
Afinal nem vale a pena
Já se disse tanto!
Já se disse tão pouco!
Não se disse tudo
Não se disse nada

Ah as distâncias...
O espírito... mudo
Saudades...
Já era de prever
A pronta evidência
Que se quiz desapercebida

Não existe ponte nem travessia
Nem tristeza, nem alegria
Estamos tão separados como duas colunas
Ás quais o rio beija o chão à cidade.

quarta-feira, julho 11, 2007

Porta trancada

A permanente e constante necessidade de analisar tudo (e todos) até às profundezas, lá no osso, lá nas entranhas, lá no fundo!
O inevitável cuidado (constante e permanente) de nos defendermos, disfarçando... (quase sempre) sentimentos, calamos emoções, calcamos o peito, trancamos o coração, asfixiamos pensamentos, matamos os sonhos à nascença, tropeçamos nos comportamentos que se querem e não se têm, atitudes que deveríamos ter e fazemos precisamente o contrário ou até procuramos responder (quase sempre) a uma pergunta com uma outra pergunta! Evitam-se desilusões, sofrimentos, respostas, ilações e dá-nos mais tempo para pensar no que vamos dizer/ fazer ... Achamos que temos o controlo da nossa vida.
Em suma, passamos a vida a disfarçar, a driblar e a jogar.... com tudo e todos, com capacete e botas de protecção!
São "defeitos" (?) que acabam (quase sempre) por estorvar, afastar abraços que se querem trocar ou apenas desaproveitar êxtases que se desejariam viver...
Desperdícios... desoportunidades .... mandamos a felicidade ir bater a outra porta ou dar uma curva ou simplesmente recusamo-nos abrir a porta como se ela fosse uma intrusa (indesejável) ...
Pior do que tudo, nem sequer nos damos conta!

Um dia.... um dia ... num momento resolvemos abrir a porta e constatamos (quiça tarde demais) que a felicidade foi embora!

quinta-feira, julho 05, 2007

A ESFERA

Por sinal, essa esfera que me tentava sem me olhar,

Nada mais era do que um som

Que me levava a tentar fugir de ti… sair de ti…
Uma vez mais, sem saber porquê,

Desisti para te dizer:

Não dá mais, quero mais…e não for assim,

Esconde esse sorriso que me faz querer matar por mais!

Mais, mais…

Quero mais…

Mais, mais…

Por isso esconde esse sorriso que me faz querer matar por mais…
Só assim dá para mim conseguir que não doa mais,

Que me deixes ir,

Que me libertes de ti, que não me faças sentir,

E eu não quero cair, não me posso entregar

Sem que percebas que não podes julgar,

E eu quero tentar, poder acreditar

Que o aperto cá dentro

Um dia vai acabar,

E o monstro em mim, não irá sucumbir,

Não desfalece por não conseguir

Que olhes para mim, que me faças existir,

Por isso esconde esse sorriso que me faz querer matar por mais…
Mais, mais...



1.º Álbum de Pedro Khima "A Esfera"

http://www.youtube.com/watch?v=huN7vpydWUQ




O Desejo é Fruto de um Conhecimento Insuficiente

Não existe nada mais estranho e espinhoso do que a relação entre pessoas que só se conhecem de vista - que diariamente, mesmo hora a hora, se encontram, se observam e que têm assim de manter, sem cumprimentos e sem palavras, a aparência de desconhecimento indiferente, devido ao rigor dos costumes ou a caprichos pessoais. Entre elas existe inquietação e curiosidade exacerbada, a histeria da necessidade insatisfeita, anormalmente recalcada, de conhecimento e comunicação e sobretudo também uma forma de consideração tensa. Pois o ser humano ama e respeita o outro ser humano enquanto não está em posição de o julgar e o desejo é produto de um conhecimento insuficiente.

Thomas Mann, in "Morte em Veneza"

terça-feira, julho 03, 2007

A vida que nos escapa por entre os dedos

Volta-se o rico para os prazeres da carne e a maior parte do mundo faz o mesmo. E não sem acerto, porque todas as coisas agradáveis devem ser tidas como inocentes, e até que se provem culpadas todas as presunções pendem a seu favor.
A vida já é bastante penosa para que ainda a agravemos com proibições e obstáculos aos seus deleites; tão arisca se mostra a felicidade que todas as portas por onde ela queira entrar devem permanecer escancaradas. A carne enfraquece muito precocemente - e os olhos olham com melancolia para os prazeres de outrora. Muito rápidamente todas as alegrias perdem a vivacidade - e admiramo-nos de como pudessem ter-nos interessado tanto. O próprio amor torna-se grotesco logo que atinge os seus fins. Guardemos o ascetismo para a estação própria - a velhice.
É este o grande drama do prazer; todas as coisas agradáveis acabam por amargar; todas as flores murcham quando as colhemos, e o amor morre tanto mais depressa quanto é mais retribuído. Por isso o passado parece-nos sempre melhor que o presente; esquecemos os espinhos das rosas colhidas; saltamos por cima dos insultos e injúrias e demoramo-nos sobre as vitórias. O presente parece muito mesquinho diante de um passado do qual só retemos na memória o bom, e diante de um futuro que ainda é sonho. O que alcançamos nunca nos contenta; «olhamos para diante e para trás em procura do que não está ali»; não somos bastante sábios para amar o presente do mesmo modo que o amaremos quando se tornar passado. Quando mergulhamos num prazer, o nosso olhar vai para longe - a felicidade ainda não está alcançada apesar de termos o deleite nos nossos braços. Que mau demónio nos afeiçoou assim?

Will Durant, in "Filosofia da Vida"

quinta-feira, junho 28, 2007

Quebramos os dois

Gosto da sonoridade desta canção e da voz do vocalista dos Toranja. Quanto à interpretação ... bem há quem diga que as letras dos Toranja não têm nexo nenhum! Há que tentar interpretá-las cada qual do seu modo. Esta música poderá falar de uma despedida, dum amor que se "quebrou" mesmo não se querendo, de um amor platónico, quem sabe inconcretizável ... Inclino-me para esta opção, de almas sem corpo, de corpos sem alma... Embora continue a achar a letra intimista demais, apenas perceptível para o (a) ele(a)que o viveram … mas que é sem dúvida um poema belíssimo!
Quanto ao video não é oficial mas achei-o engraçado, singelo e muito bem adaptado!

Eu a convencer-te (de) que gostas de mim,
Tu a convenceres-te de que não é bem assim.
Eu a mostrar-te o meu lado mais puro,
Tu a argumentares os teus inevitáveis.

Eras tu a dançares em pleno dia,
E eu encostado como quem não vê.
Eras tu a falar para esconder a saudade
E eu a esconder-me do que não se dizia.

Afinal,
Quebrámos os dois… (2x)

Desviando os olhos por sentir a verdade,
Juravas a certeza da mentira,
Mas sem queimar de mais,
Sem querer extingir o que já se sabia.

Eu fugia do toque como do cheiro,
Por saber que era o fim da roupa vestida,
Que inventara no meio do escuro onde estava,
Por ver o desespero na cor que trazias.

Afinal,
Quebrámos os dois… (4x)

Era eu a despir-te do que era pequeno,
Tu a puxar-me para um lado mais perto,
Onde se contam histórias que nos atam,
Ao silêncio dos lábios que nos mata.

Eras tu a ficar por não saberes partir,
E eu a rezar para que desaparecesses,
Era eu a rezar para que ficasses,
Tu a ficares enquanto saías.

Não nos tocámos enquanto saías,
Não nos tocámos enquanto saímos,
Não nos tocámos e vamos fugindo,
Porque quebrámos como crianças.

Afinal,
Quebrámos os dois… (4x)

É quase pecado que se deixa.
Quase pecado que se ignora.


quarta-feira, junho 27, 2007

Palavras para quê?



"O problema nem é tanto encontrar alguém com quem apeteça dormir, mas sim... encontrar ALGUÉM com quem apeteça acordar!"


Anónimo
(Palavras para quê? ...)

terça-feira, junho 26, 2007

Um minuto de prazer


"Projecto-me para areia e para o azul do mar
Transbordo de saudade e histórias para contar
Devoro a viagem com a pressa de chegar
Desfoco a tua imagem nos meus olhos a chorar


Ai se eu pudesse andar para trás
Ai queria aquele amor fugaz
Queria mais um minuto de prazer


Convoco o teu corpo para o meu sonho virtual
Despertas do meu fogo um instinto animal
Será isto utopia ou paixão a florescer
Converto o dia a dia num minuto de prazer


Ai se eu pudesse andar para trás
Ai queria aquele amor fugaz
Queria mais um minuto de prazer"


- André Sardet




(Aiiii se eu pudesse andar para trás!!... Ai queria aquele amor fugaz, queria mais... muitoooo mais do que um minuto de prazer... )

sábado, junho 23, 2007

Quem Me Leva Os Meus Fantasmas?


Aquele era o tempo em que as mãos se fechavam
E nas noites brilhantes as palavras voavam
E eu via que o céu me nascia dos dedos
E a Ursa Maior eram ferros acessos
Marinheiros perdidos em portos distantes
Em bares escondidos em sonhos gigantes
E a cidade vazia da cor do asfalto
E alguém me pedia que cantasse mais alto

Quem me leva os meus fantasmas
Quem me salva desta espada
Quem me diz onde é a estrada

Aquele era o tempo em que as sombras se abriam
Em que homens negavam o que outros erguiam
Eu bebia da vida em goles pequenos
Tropeçava no riso abraçava venenos
De costas voltadas não se vê o futuro
Nem o rumo da bala nem a falha no muro
E alguém me gritava com voz de profeta
Que o caminho se faz entre o alvo e a seta

Quem me leva os meus fantasmas
Quem me salva desta espada
Quem me diz onde é a estrada

De que serve ter o mapa se o fim está traçado
De que serve a terra à vista se o barco está parado
De que serve ter a chave se a porta está aberta
De que servem as palavras se a casa está deserta

Quem me leva os meus fantasmas
Quem me salva desta espada
Quem me diz onde é a estrada

(Pedro Abrunhosa)


Poema pouco original do medo









O medo vai ter tudo
pernas

ambulâncias

e o luxo blindado

de alguns automóveis

Vai ter olhos onde ninguém o veja

mãozinhas cautelosas

enredos quase inocentes

ouvidos não só nas paredes

mas também no chão

no tecto

no murmúrio dos esgotos

e talvez até (cautela!)

ouvidos nos teus ouvidos
O medo vai ter tudo

fantasmas na óperas

sessões contínuas de espiritismo

milagres

cortejos

frases corajosas

meninas exemplares

seguras

casas de penhor

maliciosas casas de passe

conferências várias

congressos muitos

óptimos empregos

poemas originais

e poemas como este

projectos altamente porcos

heróis (o medo vai ter heróis!)

costureiras reais e irreais
operários (assim assim)

escriturários (muitos)

intelectuais (o que se sabe)

a tua voz talvez

talvez a minha

com a certeza a deles
Vai ter capitais

países

suspeitas como toda a gente

muitíssimos amigos

beijos

namorados esverdeados

amantes silenciosos

ardentes

e angustiados
Ah o medo vai ter tudo!

tudo (Penso no que o medo vai ter

e tenho medo

que é justamente

o que o medo quer)
O medo vai ter tudo

quase tudo

e cada um por seu caminho

havemos todos de chegar

quase todos

a ratos


(Alexandre O'Neill)





quinta-feira, junho 21, 2007

Em mim...


Em mim habitam
Sonhos coloridos
Perfumados de jasmim
Nascem... Brotam...
Jardins floridos
Sonhos esculpidos
Moldados em marfim
Com toque de cetim
Sonhos imensos
Que não mais têm fim ...

segunda-feira, junho 18, 2007

Cavaleiro Andante


Porque sou o cavaleiro andante
Que mora no teu livro de aventuras
Podes vir chorar no meu peito
As mágoas e as desventuras

Sempre que o vento te ralhe
E a chuva de maio te molhe
Sempre que o teu barco encalhe
E a vida passe e não te olhe

Porque sou o cavaleiro andante
Que o teu velho medo inventou
Podes vir chorar no meu peito
Pois sabes sempre onde estou

Sempre que a rádio diga
Que a américa roubou a lua
Ou que um louco te persiga
E te chame nomes na rua

Porque sou o que chega e conta
Mentiras que te fazem feliz
E tu vibras com histórias
De viagens que eu nunca fiz

Podes vir chorar no meu peito
Longe de tudo o que é mau
Que eu vou estar sempre ao teu lado
No meu cavalo de pau

(Carlos Tê / Rui Veloso)

sábado, junho 16, 2007

GET DRUNK

One should always be drunk. That's all that matters;
that's our one imperative need. So as not to feel Time's
horrible burden one which breaks your shoulders and bows
you down, you must get drunk without cease.

But with what?
With wine, poetry, or virtue
as you choose.
But get drunk.

And if, at some time, on steps of a palace,
in the green grass of a ditch,
in the bleak solitude of your room,
you are waking and the drunkenness has already abated,
ask the wind, the wave, the stars, the clock,
all that which flees,
all that which groans,
all that which rolls,
all that which sings,
all that which speaks,
ask them, what time it is;
and the wind, the wave, the stars, the birds, and the clock,
they will all reply:

"It is time to get drunk!

So that you may not be the martyred slaves of Time,
get drunk, get drunk,
and never pause for rest!
With wine, poetry, or virtue,
as you choose!"

By Charles Baudelaire


sexta-feira, junho 15, 2007

O saber não ocupa lugar



"O Saber não ocupa lugar" lá diz o ditado popular, nunca como agora isso foi tão verdadeiro com as novas tecnologias de informação, tudo à distância de um simples click...
Mesmo que continue a preferir a textura e o cheiro do papel, o toque do livro que posso levar para onde quero, confesso que há muita informação que jamais poderia obter se não fosse virtualmente, por isso nada melhor do que a conjugação do "real com o virtual". Complementam-se!

Para quem tiver sede de cultura (como eu) ou até simples curiosidade aqui deixo uns links muito úteis que poderão arquivar numa pasta e recorrer às consultas, quando necessitarem ...
Saudações culturais,


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Um acesso às Bibliotecas do Mundo - incluindo as Virtuais e Base de Teses


Biblioteca Apostólica Vaticana - biblioteca que possui um arquivo secreto:
Bav.Vatican.va

Biblioteca Central - localize OS livros das bibliotecas DA UFRGS:
Www.biblioteca.ufrgs.Br

Biblioteca del Congreso - item Expo Virtual mostra alguns tesouros dessa biblioteca Argentina: www.bcnbib.gov.ar

Biblioteca Digital Andina - Bolívia, Colômbia, Equador e Peru estão
Representados: www.comunidadandina.org/bda

Biblioteca Digital de Obras Raras - livros completos digitalizados, como um de Lavoisier editado no século 19: www.obrasraras.usp.br

Biblioteca do Hospital do Câncer - índice desse acervo especializado em oncologia: www.hcanc.org.br/outrasinfs/biblio/biblio1.html

Biblioteca do Senado Federal - sistema de busca nos 150 mil títulos DA biblioteca: www.senado.gov.br/biblioteca

Biblioteca Mário de Andrade - acervo, eventos e história DA principal biblioteca de São Paulo: www.prefeitura.sp.gov.br/mariodeandrade

Biblioteca Nacional de Portugal - apresenta páginas especiais com
reproduções relacionadas a Eça de Queirós e a Giuseppe Verdi, entre outros:
www.bn.pt

Biblioteca Nacional de España - entre as exposições virtuais, uma
Interessante coleção cartográfica do século 16 ao 19: www.bne.es

Biblioteca Nacional de la República Argentina - biblioteca, mapoteca e fototeca: www.bibnal.edu.ar

Biblioteca Nacional de Maestros - biblioteca Argentina voltada para a comunidade educativa: www.bnm.me.gov.ar

Biblioteca Nacional del Perú - alguns livros eletrônicos, mapas e imagens:
Www.binape.gob.pe

Biblioteca Nazionale Centrale di Roma - expõe detalhes de obras antigas de seu catálogo: www.bncrm.librari.beniculturali.it

Biblioteca Româneasca - textos em romeno e dados sobre autores do país:
Biblioteca.euroweb.ro

Biblioteca Virtual Galega - textos em língua galega, parecida com o
português: bvg.udc.es

Bibliotheca Alexandrina - conheça a instituição criada à sombra DA famosa biblioteca, que sumiu há mais de 1.600 anos: www.bibalex.org/website

California Digital Library - imagens e e-livros oferecidos pela
Universidade DA Califórnia: californiadigitallibrary.org

Celtic Digital Library - história e literatura celtas: celtdigital.org

Círculo Psicanalítico de Minas Gerais - acervo especializado em
psicanálise: www.cpmg.org.br/n_biblioteca.asp

Cornell Library Digital Collections - compilações variadas, sobre
Agricultura e matemática, por exemplo: moa.cit.Cornell.edu

Corpus of Electronic Texts - história, literatura e política irlandesas:
www.ucc.ie/celt

Crime Library - histórias reais de criminosos, espiões e terroristas:
Www.crimelibrary.com

Educ.AR Biblioteca Digital - em espanhol, apresenta livros e revistas de "todas as disciplinas": www.educ.ar/educar/superior/biblioteca_digital

Gallica - Bibliothèque Numérique - volumes DA Biblioteca Nacional DA França digitalizados: gallica.bnf.fr

Human Rights Library - mais de 14 mil documentos relacionados aos direitos humanos: www1.umn.edu/humanrts

IDRC Library - textos e imagens desse centro de estudos do desenvolvimento internacional: www.idrc.ca/library

Internet Ancient History Sourcebook - página dedicada à difusão de
Documentos DA Antiguidade: www.fordham.edu/halsall/ancient/asbook.html

Internet Archive - guarda páginas DA Internet em seus diversos estágios de evolução: www.archive.org

Internet Public Library - indica páginas em que se podem ler documentos sobre áreas específicas do conhecimento: www.ipl.org

John F. Kennedy Library - sobre o presidente Americano John F. Kennedy, morto em 1963: www.cs.umb.edu/jfklibrary

LibDex - índice para localizar mais de 18 mil bibliotecas do mundo todo e seus sites: www.libdex.com

Lib-web-cats - enumera bibliotecas de mais de 60 países, mas o foco são OS EUA e o Canadá: www.librarytechnology.org/libwebcats

Libweb - outro site de busca de instituições, com 6.600 links de 115 países: sunsite.Berkeley.edu/Libweb

Mosteiro São Geraldo - livros e periódicos sobre história e literatura húngara, filosofia, teologia e religião: www.msg.org.br

National Library of Australia - divulga periódicos australianos DA década de 1840: www.nla.gov.au

Oxford Digital Library - centraliza acesso a projetos digitais das
Bibliotecas DA Universidade de Oxford: www.odl.ox.ac.uk

Perseus Digital Library - dedicado a estudos sobre OS gregos e romanos antigos: www.perseus.tufts.edu

Servei de Biblioteques - bibliotecas da Universidade Autônoma de Barcelona:
www.bib.uab.es

The Aerial Reconnaissance Archives - recém-lançado, site promete divulgar 5 milhões de fotos aéreas da Segunda Guerra Mundial:
www.evidenceincamera.co.uk

The British Library - além de busca no catálogo, tem coleções virtuais separadas por região geográfica: www.bl.uk

The Digital Library - diversas coleções temáticas, como a de escritoras negras americanas do século 19: digital.nypl.org

The Digital South Asia Library - periódicos, fotos e estatísticas que
contam a história do Sul da Ásia: dsal.uchicago.edu

The Huntington - grande quantidade de obras raras em arte e botânica:
www.huntington.org

The Math Forum - textos que se propõem a auxiliar no ensino da matemática:
mathforum.org/library

The New Zealand Digital Library - destaque para os arquivos sobre questões humanitárias: www.sadl.uleth.ca/nz/cgi-bin/library

Treasures of Keyo University - um dos destaques é a reprodução da Bíblia de Gutenberg: www.humi.keio.ac.jp/treasures

Unesco Libraries Portal - informações sobre bibliotecas e projetos voltados para a preservação da memória: www.unesco.org/webworld/portal_bib

UOL Biblioteca - dicionários, guias de turismo e especiais noticiosos:
www.uol.com.br/bibliot

UT Library Online - possui uma ampla coleção de mapas: www.lib.utexas.edu

Bibliotecas virtuais

Alexandria Virtual - acervo variado, de literatura a humor:
www.alexandriavirtual.com.br

Bartleby.com - importantes textos, como os 70 volumes da "Harvard Classics" e a obra completa de Shakespeare: www.bartleby.com

Bibliomania - 2.000 textos clássicos e guias de estudo em inglês:
www.bibliomania.com

Biblioteca dei Classici Italiani - literatura italiana, dos "duecento" aos "novecento": www.fausernet.novara.it/fauser/biblio

Biblioteca Electrónica Cristiana - teologia e humanidades vistas por religiosos: www.multimedios.org

Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro - especializada em literatura em língua portuguesa: www.bibvirt.futuro.usp.br

Biblioteca Virtual - Literatura - pretende reunir grandes obras literárias:
www.biblio.com.br

Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes - cultura hispano-americana:
www.cervantesvirtual.com

Biblioteca Virtual Universal - textos infanto-juvenis, literários e
técnicos: www.biblioteca.org.ar

Contos Completos de Machado de Assis - mais de 200 contos de Machado de Assis: www.uol.com.br/machadodeassis

Cultvox - serviço que oferece alguns e-livros gratuitamente e vende outros:
www.cultvox.com.br

Dearreader.com - clube virtual que envia por e-mail trechos de livros:
www.dearreader.com

eBooksbrasil - livros eletrônicos gratuitos em diversos formatos:
www.ebooksbrasil.com

iGLer - acesso rápido a duas centenas de obras literárias em português:
www.ig.com.br/paginas/novoigler/download.html

International Children's Digital Library - pretende oferecer e-livros
infantis em cem línguas: www.icdlbooks.org

IntraText - textos completos em diversas línguas, entre elas o latim:
www.intratext.com

Jornal da Poesia - importante acervo de poesia em língua portuguesa, com textos de mais de 3.000 autores: www.secrel.com.br/jpoesia

Net eBook Library - biblioteca virtual com parte do acervo restrito a
assinantes do site: netlibrary.net

Nuovo Rinascimento - especializado em documentos do Renascimento italiano:
www.nuovorinascimento.org/n-rinasc/homepage.htm

Online Literature Library - pequena coleção para ler diretamente no
navegador: www.literature.org

Progetto Manuzio - textos em italiano para download, incluindo óperas:
www.liberliber.it/biblioteca

Project Gutenberg - mantido por voluntários, importante site com obras integrais disponíveis gratuitamente: www.gutenberg.net

Proyecto Biblioteca Digital Argentina - obras consideradas representativas da literatura argentina: www.biblioteca.clarin.com

Romanzieri.com - livros eletrônicos em italiano compatíveis com o programa Microsoft Reader: www.romanzieri.com

Sololiteratura.com - textos sobre autores hispano-americanos:
www.sololiteratura.com

Textos de Literatura Galega Medieval - pequena seleção de poesias e histórias medievais: www.usc.es/~ilgas/escolma.html

The Literature Network - poemas, contos e romances de aproximadamente 90 autores: www.online-literature.com

The Online Books Page - afirma ter mais de 20 mil livros on-line:
digital.library.upenn.edu/books

The Online Medieval and Classical Library - obras literárias clássicas e medievais: sunsite.berkeley.edu/OMACL

Usina de Letras - divulga a produção de escritores independentes:
www.usinadeletras.com.br

Virtual Book Store - literatura do Brasil e estrangeira, biografias e
resumos: www.vbookstore.com.br

Virtual Books Online - e-livros gratuitos em português, inglês, francês, espanhol, alemão e italiano: virtualbooks.terra.com.br

Científicos

Banco de Teses - resumos de teses e dissertações apresentadas no Brasil desde 1987: www.capes.gov.br

Biblioteca Digital de Teses e Dissertações - textos integrais de parte das teses e dissertações apresentadas na USP: www.teses.usp.br

Biblioteca Virtual em Saúde - revistas científicas e dados de pesquisas sobre adolescência, ambiente e saúde : www.bireme.br

Digital Library of MIT Theses - algumas teses do Instituto de Tecnologia de Massachusetts; a mais antiga é de 1888: theses.mit.edu

>Great Images in Nasa - imagens históricas da agência espacial americana: grin.hq.nasa.gov

ProQuest Digital Dissertations - sistema para pesquisar resumos de teses e de dissertações: wwwlib.umi.com/dissertations

Public Health Image Library - fotos, ilustrações e animações voltadas para
o esclarecimento de questões de saúde pública: phil.cdc.gov

PubMed - referências a 14 milhões de artigos biomédicos:
www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/query.fcgi

SciELO - biblioteca eletrônica com periódicos científicos brasileiros:
www.scielo.br

ScienceDirect - mais de 1.800 revistas, de "ACC Current Journal Review" a "Zoological Journal": www.sciencedirect.com

Universia Brasil - busca teses nas universidades públicas paulistas e na PUC-PR: www.universiabrasil.net/busca_teses.jsp

Associações

American Library Association - sobre o sistema de bibliotecas dos EUA:
www.ala.org

Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas - publicações indicadas e agenda de eventos da área: www.apbad.pt

Association des Bibliothécaires Français - dossiês sobre o sistema francês de bibliotecas e temas correlatos: www.abf.asso.fr

Conselho Federal de Biblioteconomia - atualidades e links de interesse da área: www.cfb.org.br

Conselho Regional de Biblioteconomia de São Paulo - legislação e eventos da biblioteconomia: www.crb8.org.br

Council on Library and Information Resources - organização que se preocupa com a preservação de informações: www.clir.org

European Bureau of Library, Information and Documentation Associations - entidade européia dedicada à promoção da ciência da informação:
www.eblida.org

International Federation of Library Associations and Institutions -
associação com membros em mais de 150 países: www.ifla.org

Sociedad Española de Documentación e Información Científica -
oportunidades, como cursos virtuais: www.sedic.es

"Acervo deixa de ser indevassável"

O diretor-geral da biblioteca Mário de Andrade, José Castilho Marques Neto, 50, se diz apaixonado por livros de papel, mas não nega a importância da informática e da internet para as bibliotecas. "Com a pesquisa precisa e as obras digitalizadas, o acervo da biblioteca deixa de ser indevassável", diz.

Castilho indica cinco sites que considera fundamentais para a pesquisa e para a leitura em geral. "Escolhi sites que são referência na cidade de São Paulo, no Brasil e no mundo. Busquei também aqueles que possibilitam uma busca on-line, ao menos parcial, do catálogo." Abaixo, as dicas de
Castilho.

Biblioteca do Congresso americano - considerada a maior e uma das melhores bibliotecas do mundo, é referência internacional, com conteúdos trabalhados e relacionados: www.loc.gov

Biblioteca Nacional (Brasil) - o site é referência para todas as
bibliotecas do país, com farta documentação e imagens digitalizadas, além de informações e serviços: www.bn.br

Bibliotecas da cidade de São Paulo - a cidade tem a maior rede de bibliotecas públicas do país, e uma visita ao site é imprescindível para conhecer suas coleções e serviços, com destaque para as obras e imagens digitalizadas da Biblioteca Mário de Andrade:
www4.prefeitura.sp.gov.br/biblioteca/PaginaInicial.asp

Bibliotecas virtuais do sistema MCT/CNPq/Ibict - grande referência na área de bibliotecas virtuais, é o site mais importante no Brasil de informação e comunicação sobre ciência e tecnologia: www.prossiga.br

Bibliotecas das universidades públicas paulistas - o consórcio
Cruesp/Bibliotecas interliga Unesp, Unicamp e USP, e o internauta pode consultar as mais importantes bibliotecas universitárias do país, referências para diferentes campos da pesquisa: bibliotecas-cruesp.usp.br

quinta-feira, junho 14, 2007

When I'm Feeling Blue

You are Ocean Blue
You're both warm and practical. You're very driven, but you're also very well rounded.You tend to see both sides to every issue, and people consider you a natural diplomat.
What Color Blue Are You?

quarta-feira, junho 13, 2007

Tu que te esqueceste de ti?


"Adormece o teu corpo com a música da vida.
Encanta-te.
Esquece-te.
Tem por volúpia a dispersão.
Não queiras ser tu.
Quere ser a alma infinita de tudo.
Troca o teu curto sonho humano
Pelo sonho imortal.
O único.
Vence a miséria de ter medo.
Troca te pelo Desconhecido.
Não vês, então, que ele é maior?
Não vês que ele não tem fim?
Não vês que ele és tu mesmo?
Tu que andas esquecido de ti? "

Extraído de “Cânticos” IV, Cecícila Meireles, Editora Moderna, 3ª edição, 1983.

segunda-feira, junho 11, 2007

Fácil de entender

Uma letra curta, simples, fácil de entender, aparentemente com pouco a dizer, mas consegue-se ler nas entrelinhas, "talvez por não se saber o que se quer dizer" quando dizemos adeus, mas será que é assim tão fácil de entender?
Para mim, umas das melhores bandas portuguesas da actualidade e gosto particularmente desta canção, uma vez que contrariamente ao usual cantam em português e não em inglês!(apesar de não ter nada contra a língua inglesa óbvio, mas surpreenderam-me... E não se deram mal de todo!!)


..........
"Talvez por não saber falar de cor,Imaginei...
Talvez por saber o que não será melhor,Aproximei...
Meu corpo é o teu corpo,O desejo entregue a nós...
Sei lá eu o que queres dizer.
Despedir-me de ti,Adeus, um dia voltarei a ser feliz.
Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor.
Não sei o que é sentir...
Se por falar, falei, pensei que se falasse era fácil de entender.
Talvez por não saber falar de cor, imaginei...
Triste é o virar-te costas, o último adeus.
Sabe Deus o que quero dizer.
Obrigado por saberes cuidar de mim,tratar de mim, olhar pra mim...
Escutar quem sou.
E se ao menos tudo fosse igual a ti.
Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor.
Não sei o que é sentir...
Se por falar, falei,pensei que se falasse era fácil entender.
Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor.
Não sei o que é sentir...
Se por falar, falei, pensei que se falasse era fácil de entender.
É o amor que chega ao fim.
Um final assim-assim.É mais fácil entender.
Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor.
Não sei o que é sentir...
Se por falar, falei, pensei que se falasse..
É mais fácil de entender.
Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor.
Não sei o que é sentir...
Se por falar, falei, pensei que se falasse era fácil entender."


http://www.thegift.pt


Frágil


Sinto-me como um passarinho

Frágil, incauto e desajeitado

Que inadvertivamente caiu do ninho

Com asas para poder voar

Mas que ainda não aprendeu a usar


domingo, junho 10, 2007

Entre mis recuerdos


Estava tão quieta que podia
reconstruir o tempo instante a instante
a história desse sofrimento
as confidências da casa grande
- onde se via já velha e sozinha -
o sobressalto das ameaças

O mundo girava muito mais leve
ou teria ela aprendido
como se ultrapassa o medo
sentia-se arrastada
não por palavras duras
antes uma espécie de alegria
em alguma parte
quando se perguntava:
«que foi que perdi?»

Com os olhos fechados, calmos
porque não saberia mais a que ligá-los
sentava-se na penumbra
e esta estranha paz
era diante dos infortúnios
o seu único poder

José Tolentino Mendonça

Ver passar os comboios

Correu desenfreada para a estação. Dirigiu-se à bilheteira, esbaforida pediu e pagou o bilhete. Estava mesmo em cima da hora de embarcar e ainda teria de atravessar para o outro lado da linha. Correu, correu e correu... mas não já conseguiu apanhar o comboio. Gritou num silêncio mudo, chorou, encolheu os ombros, deixou cair os braços. Pousou a mala, confusa sem saber o que fazer, as lágrimas começaram a rolar-lhe pela face inquieta. Caminhou em direcção ao apeadeiro e sentou-se no banco exausta. Abanava a cabeça num silêncio consfrangedor. O que fazer agora? Esperar pelo próximo comboio (e se demorasse... se não fosse directo ou pior cenário ... e se não houvesse...) ou ir embora?
Cerca de uma hora depois já com o corpo dormente e frio, contrastando com o calor que se fazia sentir (era o calafrio da impotência), ouviu ao longe um estremecer, uma vibração cada vez mais forte que se aproximava rapidamente. Inrompeu pela linha e parou, mas ela continuava estática, sem ousar mexer um pé ou o que quer que fosse!
Passados alguns uns minutos decidiu retomar o percurso, levantou-se, pegou na mala e caminhou em passos pequenos em direcção à linha. O inacreditável aconteceu... deram sinal de partida e o comboio arrancou.
Correu, correu apressada, uma criança à janela fazia-lhe carretas, enquanto um homem idoso olhava para ela com ar interrogador e confuso. Impotente ficou ali a ver o comboio a passar.
Novamente de volta ao "seu" banco sentou-se para recuperar o fôlego. E agora?!...
Teve de esperar mais de 50 minutos até por fim ouvir novo sinal sonoro de que um comboio se aproximava! Desta vez não iria ficar sentada à espera! Ah NÃO.

Levantou-se de rompante decidida, caminhando em passos largos e firmes prostando-se como uma sentinela no seu posto. Parou e quando se preparava para subir, ouviu uma voz ao altifalante que informava: "Senhores passageiros este comboio tem paragem em A..., B..., C..., D... Se pretenderem seguir para F..., terão de apanhar ligação em A... etc.. " .
O desespero apossou-se dela novamente, uma vontade inexplicável de chorar, gritar e ... não... poderia apanhar este comboio porque concerteza nem teria ligação imediata em A... e depois o que iria fazer? Pior a emenda que o soneto. Resignada voltou à "sua sala de espera", só lhe restava aguardar, aguardar pelo próximo e ... que fosse directo!
Passada meia hora, recomeçou a ouvir o já tão familiar e desejado som que se aproximava cada vez mais célere. Correu num ápice... parou e aguardou prontíssima pela chegada da embarcação. Surpresa, constatou que (desta vez) o comboio vinha a uma velocidade estonteante, quase a derrubou ... e não parouuu!
Ela ...
... Ficou ali, sozinha ... a ver passar os comboios.

Entretanto numa outra cidade, P. acaba de chegar à estação, olhou e re-olhou em todas as direcções a ver se a via sair das carruagens, se já estava por ali, tinha a certeza que era este o comboio! E tinha chegado à hora prevista contrariamente ao que costumava acontecer a maior parte das vezes. Confuso e com o olhar perdido sentou-se num banco a aguardar por um telefonema. Quase uma hora e nada. Ligou-lhe, o telemóvel nem sequer dava sinal.

Uma jovem mulher a poucos metros dele, fitava-o sem parar, sorriu-lhe. Ele retribuiu o sorriso. Ela veio na sua direcção.
- Reparei que já está aqui há algum tempo. ..
- Pois... estava à espera de uma pessoa, mas nem sinal, pelos vistos mudou de ideias, deixou-me na mão e sem me avisar. Retorquiu-lhe.
- Deixe lá... Também eu! Aguardava uma pessoa e... se calhar mudou de ideias (também)! ... Quer ir tomar um café?
(a simpática desconhecida era muito bonita, pensou para os seus botões...)
- Obrigado, aceito. (estava mesmo a precisar).

Dirigiram-se para a saída, conversando como se fossem velhos conhecidos.

....
Resignada por não haver mais nenhum comboio nesse dia, foi quando se lembrou de que... "Fónix ... esqueci-me de ligar a P., mas... estranho porque não me terá ele ligado?!".
Remexeu a mala à procura do dito e... desligado... "Oh Deus! Será que se foi a bateria?!". E não é que estava sem carga! Bah... Praguejou e procurou uma cabine telefónica. Não tinha moedas, teve que ir trocar e... eis que, quando se preparava para marcar o número, se lembrou de que não sabia o número de P. de cor!. Nada a fazer! O dia estava a ser uma sucessão de azares e fracassos, decididamente o melhor era apanhar um táxi e voltar imediatamente para casa. Quando chegasse poderia carregar o telemóvel e ligar a P. para avisar que só poderia ir amanhã. Sentia-se agastada, à beira de um ataque de nervos, com fome e só agora se dava conta que já era tarde e que ainda não tinha almoçado, tendo apenas um iogurte no estomâgo desde o pequeno-almoço!
Lar doce lar - gritou alto e em bom som enquanto entrava no hall. Pousou a mala, retirou o telemóvel, procurou o carregador e ligou-o à tomada. "Agora já posso telefonar".
Ligou-o. Tinha três chamadas não atendidas, remarcou e finalmente soou o sinal de chamada do outro lado. Porque não atende logo, pensava. À quarta vez atendeu.
- P. desculpa perdi o comboio, ou melhor os comboios (é uma longa história, eu depois conto) e entretanto fiquei em bateria e não pude ligar-te porque não sabia o teu número, para te ligar teria de ter o telélé ligado, etc... sei que parece uma história confusa e absurda mas eu posso explicar... que... olha...
- Ok tudo bem.
- Bem o que te quero dizer é que já estou em casa, só amanhã poderei viajar para aí.
- Ok, não te preocupes...
- Pareces monosilábico... ficas chateado? A culpa não foi minha... bem ... sim ... não ... talvez...
- Ok.
- Com essa alegria que denotas, se calhar é melhor não ir amanhã, não achas?
- Ok... não venhas então.
- ... ? (atónita engoliu em sêco) . OK ENTÃO e desligou o aparelho.
- Olha C. tenho algo para te dizer, desculpa mas apaixonei-me... hoje... sei que parece inacreditável, mas quando te fui esperar conheci uma rapariga fantástica.... foi amor à primeira vista, temos tantas coisas em comum... blá blá blá..(ele falava, falava ininterruptamente sem sequer se ter dado conta que ela já tinha desligado há muito e que não o ouvia ...



Moral da história:
- Os planos traçados por vezes saiem furados.
- Há que saber aproveitar as oportunidades ou correremos o risco de ficar parados a ver passar os comboios.
- Vale mais uma má decisão que uma indecisão.
- Quando os telemóveis são precisos, nunca funcionam. Quando for viajar nunca se esqueça de o carregar primeiro)
- Um azar nunca vem só.
- As pressas dão sempre em vagares.
- Podemos encontrar o amor ao virar de uma esquina.

- O pior surdo é o que não ousa ouvir tudo até ao fim.
- Por vezes damos as pessoas por garantidas.
- Muitas vezes não nos damos conta que falamos para o boneco.
- Nada acontece por acaso... terá tudo um propósito?
- E as coincidências será que existem? Com o destino a fazer das suas? Ou simplesmente seremos nós os senhores e donos do nosso próprio destino? Ou simples marionetas nas mãos dos Deuses? (e até dos outros?)