quarta-feira, novembro 19, 2008

Con(tra)dições

"Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar."

Fernando Pessoa

terça-feira, novembro 18, 2008

1998

Sem nada a dizer hoje ... Sinto-me assim ... seria bom que já fosse 6.ª feira ...

segunda-feira, novembro 17, 2008

Pensamento do dia

“O medo da desgraça é pior que a desgraça.” E porquê? Porque nos impede de arriscar e de lutar por tudo aquilo que desejamos e merecemos.

Rito moçárabe ou hispano-visigótico




Há muito tempo que não assistia a uma missa, ou sequer entrava numa igreja.
No sábado pelas 18h teve inicio na Sé Velha (Coimbra) a missa em rito moçárabe.
Os bancos estavam repletos de gente fascinada, tal como eu, e muitos tiveram de assistir de pé à missa da Virgem Santa Maria em rito moçárabe, acompanhada com música medieval a cargo do Coro Alberto Seiça. Senti-me em paz comigo mesma, com os outros, teletransportada para outra época, durante uma hora e trinta minutos o mundo actual que eu conheço (?) deixou de existir viajei até à idade média!
Fechei os olhos embalada pelo canto divinal...

[A primeira iniciativa do programa comemorativo dos 500 anos do retábulo gótico da Catedral Histórica de Coimbra serviu de chamariz para um povo que se percebeu não estar habituado a frequentar o templo, tantas foram as cabeças viradas para o tecto e os olhos fascinados com a rara beleza do espaço de culto.
Os «300 e tal livros», que tinham na capa a Iluminura Moçárabe do Apocalipse de Lorvão, datada do século X e guardada no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, preparados para a cerimónia esgotaram num ápice. Estiveram, seguramente, mais de 400 pessoas dentro de um espaço, por norma, pouco frequentado à hora da eucaristia. «Uma moldura humana condizente com o valor histórico da Sé Velha» ouviu-se entre os presentes.
Após monsenhor João Evangelista, pároco da Sé Velha, ter explicado não ser a missa que muda, mas a forma externa de a apresentar, o frei Geraldo Coelho Dias, que presidiu a celebração, sublinhou que «apesar do aparato que aqui vemos, não é para, verdadeiramente, fazer ou ver um espectáculo». De seguida, o monge beneditino deu conta que onde se ergue, desde há 824 anos, a Sé Velha, que disse ser uma «jóia de arte românica», existia uma pequena igreja moçárabe.
O beneditino revelou que «o rito moçárabe surgiu depois da conversão dos visigodos ao cristianismo, no período entre os séculos VI e XII». Geraldo Coelho Dias afirmou que «a Igreja tem passado e tem futuro», lembrando que «a Igreja antiga, além de defender a unidade, privilegiava as características dos povos e as suas origens». Segundo a organização do programa comemorativo, a missa em rito moçárabe representa, também, «a preocupação de uma liturgia de qualidade».
Atenta à realidade histórica, a Sé Velha, ao promover a celebração da missa de Santa Maria de Coimbra em rito moçárabe, pretendeu, «simbolicamente, enaltecer este período que antecedeu a formação do reino de Portugal e que marcou, profundamente, a nossa identidade». «Homenagear todos quantos dedicaram as suas vidas à administração, ao exercício do poder e à sociedade em geral numa exemplar afirmação de cidadania», foi outra pretensão alcançada.
Ontem, no livro distribuído aos fiéis podia ler-se a seguinte nota: «O rito moçárabe, ou hispano-visigótico, foi abolido no Concílio de Burgos no ano de 1080. A Sé Velha de Coimbra - o templo actual - abriu aos fiéis em 1184. É assim de admitir que nesta igreja, como hoje a conhecemos, nunca tenha sido celebrada uma missa em rito moçárabe». Por tudo isto, o dia 15 de Novembro de 2008 entrou para a história da Catedral Histórica de Coimbra, que deu, ontem, mais um passo rumo à sua dignificação e valorização.]

João Henriques in "Diário de Coimbra"

Próximos eventos para quem quiser ir:
  • 25 de Novembro Conferência: "Retábulo Gótico – 500 Anos" Pato Macedo - 18h30
    1 de Dezembro Concerto de Natal “9.ª Sinfonia”Ludwig Van Beethoven" - 18h30
  • 7 de Dezembro Homenagem à Rainha Santa - 11h00


sexta-feira, novembro 14, 2008

Areia das pedras salgadas

Hoje acordei com vontade de sol, calor, praia, verão e de SAL, contrastando com o frio que se faz sentir.... brrrr... Por isso deixo esta linda balada dos Alcoolémia, (praticamente desconhecidos do público em geral) o vídeo não é lá grande coisa, mas não encontrei nenhum outro... fixem-se apenas na música e na letra!)
Tive a sorte de poder ouvir (vezes sem conta :) esta música ainda muito tempo antes de ser editada, pois foi-me enviada pelo Manelito, o guitarrista desta banda rock, um amigo muito cool.
Fica aqui registado o regresso, em grande estilo, dos Alcoolémia aos palcos nacionais, depois de muitos anos à sombra. Votos de muito sucesso, que bem merecem!




... E já agora, há por aí, alguém que se lembra do velhinho êxito (1995 acho) "Não sei se mereço" ?

quinta-feira, novembro 13, 2008

Day one, day one, start over again ... Not As We

Porque há dias em que precisamos tão simplesmente de um abraço, um colo, um mimo, um ponto de repouso ... (Ser criança tem (pelo menos) esta grande vantagem).
Esta nova música da Alanis transmite-me essa sensação! Ansiosa por ouvir o (novo) álbum completo "Flavors of Entanglement" .... adoro esta mulher ... é da minha geração

quarta-feira, novembro 12, 2008

Duplo vírus

Há anos que não sabia o que era uma gripe! Gabava-me sempre de escapar ilesa, mas este ano já está! (e ainda não estamos no inverno). O vírus instalou-se e veio para ficar. Sinto-me como se tivesse sido atropelada por um camião. E como não bastasse, o meu PC (fixo) também ficou (en)gripado com vírus!! (Será coincidência ou é mesmo azar, mas todos os Novembros é a mesma coisa... 3 anos seguidos!!!!). Pura e simplesmente não arranca e não consigo configurar a internet móvel no portátil. Grrr.... malditas máquinas infernais!

sábado, novembro 08, 2008

Rosa da Vitória

Para ouvir calmamente, fechar os olhos e relaxar... uma banda islandesa chamada SIGUR RÓS, que significa "rosa da vitória", pouco conhecida entre nós, mas que eu adoro...




Tenho dificuldade em escolher...




E me decidir... por isso deixo três, enquanto vou colocar o cd ...

sexta-feira, novembro 07, 2008

Butterfly on a Wheel


Sempre me questionei... quando uma borboleta deixa a segurança do seu casulo, aperceber-se-á o quão bela se tornou?! ... Ou continuará a ver-se como uma lagarta?!....

Quando era miúda, sabia o segredo para uma vida feliz. Seguir as regras, trabalhar "arduamente" na escola... E se trabalhares arduamente na escola, a tua recompensa será... mais escola. E depois de mais escola dão-te o melhor que a vida pode dar, um emprego, dinheiro e um futuro... cheio de percentagens inacreditáveis de .... vazio. E a isso chamam uma vida feliz! Sempre invejei aqueles que nunca a questionaram! Independentemente de que o futuro traga... não o posso mudar, mas às vezes as coisas que não posso mudar, acabam por me mudar a mim!...
Quando somos crianças a vida dá-nos tudo (pelo menos para aquelas que são afortunadas), quando crescemos vai-nos retirando pouco a pouco o que nos deu!
Por vezes pensas que é suposto aprenderes alguma coisa... Sobre paciência e distância, mas no final é tudo uma questão de disciplina.
Ver as coisas que não queres ver... e seguir em frente. Após uns tempos as coisas ficam mais fáceis.
A rotina impede a tua mente de divagar. Começas a aceitar as coisas como são (os conformistas), ou como achas que deveriam ser? (os idealistas e sonhadores)...

quinta-feira, novembro 06, 2008

Devia morrer-se de outra forma...


Devia morrer-se de outra maneira. Transformarmo-nos em fumo, por exemplo. Ou em nuvens.

Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos os amigos mais íntimos com um cartão de convite para o ritual do Grande Desfazer: "Fulano de tal comunica a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hoje às 9 horas. Traje de passeio". E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos escuros, olhos de lua de cerimónia, viríamos todos assistir à despedida. Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio."Adeus! Adeus!" E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento, numa lassidão de arrancar raízes...(primeiro, os olhos... em seguida, os lábios... depois os cabelos... ) a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se em fumo...tão leve... tão sutil... tão pólen...como aquela nuvem além (vêem?) — nesta tarde de Outono ainda tocada por um vento de lábios azuis...

José Gomes Ferreira

terça-feira, novembro 04, 2008

Teu aniversário

Deixei de fazer anos há anos, não porque me recuso a enfrentar a idade e todas as "maleitas", que daqui advêm... (O mundo é feito para os jovens, idade já não é sinónimo de sabedoria, mas de trapos velhos e gastos, é a sociedade em todo o seu esplendor!), mas porque não vejo ou sinto nada para festejar desde há doze anos, parei suspensa no tempo, numa era de outros tempos... tão simplesmente não sei o que comemorar! Eis-me aqui com mais um ano em cima.
Parei um minuto para pensar nos meus mortos, enquanto os "meus" vivos pensavam em mim... Obrigado amigos (poucos, mas excepcionais) pela lembrança, pelas mensagens de feliz aniversário, que sempre me surpreendem!

Pediste-me rindo, ó minha flor do deserto
Uns versos às três décadas e tal de (um) Novembro
Trinta e tal anos!... não creio, estás equivocado...
Enganas-te. (redondamente)
Que o teu o corpo já fez trinta,
Mas a alma, não, essa só fez quatro! ...

quinta-feira, outubro 30, 2008

O cancro da MAMA(N)

Porque hoje é o Dia Nacional da Prevenção do Cancro da Mama e nunca é demais alertar para a necessidade da prevenção ...
Porque hoje é o dia em que faz, precisamente, 12 anos que a minha Mamy (que falta nos fazes todos os dias, haveria tanto que te dizer mas não consigo...) nos deixou , justamente por culpa desta maldita doença que teima em afectar milhares de mulheres (e homens), todos os anos, deixando atrás de si um rasto de destruição, um sem número vítimas, as que são directamente afectadas pela doença e as indirectas que ficam sem mães, filhas, irmãs, netas, esposas, etc... um eterno espinho cravado no coração.
O laço Cor-de-Rosa é o rosto da campanha, não é somente um símbolo para o cancro da mama, mas também um símbolo para a marcha de Dime e do seu esforço na luta dos nascimentos prematuros para salvar os bébés e descobrir a cura para deficiências após o nascimento. O Laço Cor-de-Rosa representa também os pais biológicos e o cancro nas crianças. É também comum que os documentos entregues a um advogado inglês sejam amarrados com um laço cor-de-rosa e é também a flor (rosa) que geralmente se oferece a quem se ama...
Como esquecer este fatídico dia de 30 de Outubro?...

"Pas san toi"! Esta música é especialmente para TI ... e para todo(a)s aquele(a)s que ficaram sem alguém




P.S.: Tu es ma n°1 baby
Je te suis jusqu'au bout
...
Tu seras la seule, je l'avoue

terça-feira, outubro 28, 2008

Pedra filosofal

Hoje passou esta música do António Gedeão na rádio local ... Sempre adorei esta música e a letra em particular, um bonito poema. Simplesmente BELO, pelo que resolvi partilhar (para quem conhece, para quem não conhece, espero que apreciem)

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

In Movimento Perpétuo, 1956

olá, cá estamos nós outra vez

Sublime esta letra de Jorge Palma

"Quero dar-te um beijo a cinquenta e tal graus " e "Ganhei o vicío da estrada nesta outra encruzilhada"


segunda-feira, outubro 27, 2008

Pensamento do dia

Por vezes tenho a sensação de que ando a ver passar os comboios... ou será, antes, eles a passarem e sem dar por mim? ...

Just like heaven em versão soft

Ontem vi o filme "Just like heaven", uma comédia romântica, relembrando um pouco a história da bela adormecida conjugada com a vida para além da morte. Gostei e ainda por cima começa com a música com o mesmo nome numa versão bem conseguida (muito diferente da original, mas a letra está lá...) pela voz doce de Katie Melua e termina com a versão original dos "Cure", um dos meus grupos favoritos. Quantas e tantas memórias me trespassaram o espírito...

sábado, outubro 25, 2008

Catch The Rainbow

Arco-íris urbano 18/09/2008 (Coimbra)

When evening falls
She'll run to me
Like whispered dreams
Your eyes can't see

Soft and warm
She'll touch my face
A bed of straw
Against the lace

We believed we'd catch the rainbow
Ride the wind to the sun
Sail away on ships of wonder
But life's not a wheel

With chains made of steel
So bless me

Come the dawn
Come the dawn
Come the dawn
Come the dawn

We believed we'd catch the rainbow
Ride the wind to the sun
And sail away on ships of wonder

But life's not a wheel
With chains made of steel
So bless me, oh bless me, bless me

Come the dawn
Come the dawn
Come the dawn
Come the dawn

By Tapio Keihänen

sexta-feira, outubro 24, 2008

Green light

Gosto desta luz verde... gosto da voz de John Legend




Waiting for a green light :)
I'm ready to go nown
Pull me down from below
Give me a place

Pensamentos do dia (masoquismo ou maturidade?)

Não tenho decepções, pois a quem só espera sofrimentos, a mínima alegria o surpreende.
(Santa Teresa do Menino Jesus)

Deus sussurra e fala à consciência através do prazer, mas grita-lhe por meio da dor: a dor é o seu megafone para despertar um mundo adormecido.
(C.S. Lewis)

Quando a sorte é adversa, descobre-se o génio; na prosperidade, ele oculta-se.
(Horácio)


Para se ser feliz até um certo ponto é preciso ter-se sofrido até esse mesmo ponto.
(Edgar Poe)


Quanto mais elevado é o espírito mais ele sofre.
(Schopenhauer)


Sabendo sofrer, sofre-se menos.
(Anatole France)

Sinal de maturidade humana é aceitar o desafio do sofrimento.
(Jacques Maritain)


Resumindo e concluindo:

Se a tua dor te aflige,
Transforma-a num poema
A vida assim o exige
Prepara a próxima cena!
Hoje o sofrimento é o tema
Mas amanhã poderá ser a açucena!

quinta-feira, outubro 23, 2008

A voz da esperança

Se algum dia te sentires só e a solidão te continuar a pesar
Fecha os olhos e pede ao céu um minuto de silêncio
Procura a noite para descansar
Faz dos sonhos a próxima realidade
Repete mil e uma vez a voz da tranquilidade.
Que tudo tem uma razão, tudo acontece, tudo passa.
Tudo passou e se tranformou
Lá fora o que vês?
O ar pode até estar pesado, o coração abafado
Mas o desejo maior é de (pros)seguir, amar e respeitar.
Libertação! Salvação!
Sair por aí, ir passear, fintar a frustação, ironizar essa amargura
Fazer dela uma sombra invisível num momento imprevisível.
Não tenhas medo, porque a vida é mesmo assim. Tudo acaba demasiado cedo!
Mas existe um ponto de saída, um ponto de partida para um amanhã de chegada.
Observa-te no espelho! O que vês?
Tu tens tanto para dar!
Aquela que viu, ouviu, chorou e adorou.
Tantas oportunidades para amar!
Aquela que tantas mazelas sofreu. Anima-te em simples ansejos dee de algum dia... alguém ... virá de encontro aos teus desejos, mais maduros, mais fortes e melhores.
Afinal tudo parte de nós! Afinal tudo faz parte de nós!
E se um dia em algum lugar, alguém se lembrar de ti (nem que seja por escassos segundos) fica feliz por ainda existires!
Ri por ainda conseguires sorrir!
Ergue os ombros!
Levanta a cabeça!
Segue em frente
Respira o puro ar, inala o sabor da maresia.
Sente o vento no rosto, nos ossos, olha as estrelas, fixa o luar, diz obrigado ao sol e a todas as criaturas de Deus.
Impõe no rosto uma expressão feliz e tudo ficará mais fácil
O que vês?
Abre a janela e presta atenção às avezinhas tão livres, que voam no céu...
O que se avizinha? Tudo pode acontecer! Tudo pode ser!
PAZ, fraternidade, liberdade, naturalidade, serenidade, tranquilidade, franqueza, beleza.
Porquê esta melancolia? Frustação, inacção, solidão e perdição?
Lembra-te do sonho [Alguém que está sempre ao teu lado, mesmo tu não estando, e que sente...]!
Como fica tão mais fácil ser feliz, quando a voz doce da esperança nos canta ao ouvido, nos abraça a alma, nos embala os sonhos e beija nosso coração!

quarta-feira, outubro 22, 2008

Reciclagem precisa-se


Se te sentes como lata
Vazia, usada e gasta
E até pontapeada
Acredita
E não é fita!
Que há salvação
Existe a reciclagem
Deposita no embalão
E verás a vantagem
De uma nova viagem
Em segunda mão

Nin(h)o


Hoje acordei assim ...
Sem ter mão em mim
Quiz sentir teus braços ternos
A prenderem-me num forte abraço.
Teus lábios carnudos
A calarem-me com um beijo
Absorvendo o (nosso) silêncio
Aspirando nosso desejo
Apeteceu-me afogar-me no teu olhar ...
Quiz que fosses mar
Para invadir minha praia,
Quiz ser lua eclipsada pelo teu sol
Cascata caindo no teu regato
Ou passarinho enroscado no teu ninho ...
Hoje, o que queria mesmo, ...
Era um carinho ...

segunda-feira, outubro 20, 2008

Soneto imperfeito (presente envenenado)

Com que lágrimas chorarei o meu triste fado,
Que em tão duras penas me deixou,
O amor que com sua dor me matou
O tempo, meu Amor é presente envenenado?
Para quê chegar a este estado,
Quem eu amei nunca aproveitou;
triste é o viver do meu coração duro
Da tristeza que era alegria no passado.

Passo assim, a vida descontente,
Ao som do silêncio surdo e mudo
Que agonia é de quem sofre e sente!

Por causa de um amor puro
Por culpa de quem me deixou
Por alguém que de mim se ausentou...

13 Linhas Para Viver

1. Amo-te, não por quem és, mas por quem sou quando estou contigo.
2. Ninguém merece tuas lágrimas, e quem as merece não te fará chorar.
3. Só porque alguém não te ama como tu queres, não significa que esse alguém não te ame com todo o seu ser.
4. Um verdadeiro amigo é aquele que te pega na mão e te toca o coração.
5. A pior forma de sentir falta de alguém é estar sentado a seu lado e saber que nunca vais poder tê-lo.
6. Nunca deixes de sorrir, nem mesmo quando estiveres triste, porque nunca se sabe quem se pode apaixonar pelo teu sorriso.
7. Pode ser que tu sejas somente uma pessoa para o mundo, mas para uma pessoa tu és o mundo.
8. Não passes o tempo com alguém que não esteja disposto a passar o tempo contigo.
9. Quem sabe Deus queira que conheças muitas pessoas erradas antes que conheças a pessoa certa, para que quando afinal conheças esta pessoa saibas estar agradecido.
10. Não chores porque já terminou, sorrie porque aconteceu.
11. Sempre haverá gente que te magoe, assim que o que tu tens a fazer é seguir confiando e só ser mais cuidadoso em quem confies duas vezes.
12. Converte-te numa pessoa melhor e que tenhas a certeza de saber quem és antes de conhecer alguém e esperar que essa pessoa saiba quem tu és.
13. Não te esforces tanto, as melhores coisas acontecem quando menos esperamos.

Gabriel García Marquez

domingo, outubro 19, 2008

Outros tempos


Eram outros os tempos
Quando me abraçavas...
Eu nem sabia para onde me levavas
O meu coração saltava
A minha alma voava..
O meu corpo se libertava
Eram outros os tempos
E eu… céus...
Como te amava!

sexta-feira, outubro 17, 2008

Adivinha quanto eu gosto de ti

A Pequena Lebre Castanha, que se ia deitar, agarrou-se bem agarrada às orelhas muito compridas da Grande Lebre Castanha. Quis ter a certeza de que a Grande Lebre Castanha estava a ouvir.
- Adivinha quanto eu gosto de ti - disse ela.
- Ora bem, acho que não consigo adivinhar isso- disse a Grande Lebre Castanha.
- Gosto assim- disse a Pequena Lebre Castanha, esticando os braços o mais que podia. A Grande Lebre Castanha tinha uns braços ainda maiores. Mas eu gosto de TI assim- disse ela.
«Humm, é muito», pensou a Pequena Lebre Castanha.
- Gosto de ti esta altura toda- disse a Pequena Lebre Castanha.
- E eu gosto de ti esta altura toda- disse a Grande Lebre Castanha.
«É mesmo alto», pensou a Pequena Lebre Castanha. «Quem me dera ter uns braços assim.»
Então a Pequena Lebre Castanha teve uma boa ideia. Fez o pino, encostada ao tronco muito esticadinha.
- Gosto de ti até à ponta dos pés!- disse ela.
- E eu gosto de ti até à ponta dos teus pés- disse a Grande Lebre Castanha, fazendo-a girar por cima da cabeça.
- Gosto de ti até onde eu consigo SALTAR! Riu-se a Pequena Lebre Castanha, dando pulos e mais pulos.
- Mas eu gosto de ti até onde eu consigo saltar- sorriu a Grande Lebre Castanha, e saltou tão alto que as orelhas tocaram no ramo da árvore.
«Isto é que é saltar», pensou a Pequena Lebre Castanha. «Quem me dera saltar assim.»
- Gosto de ti o caminho todo até ao rio- gritou a Pequena Lebre Castanha.
- E eu gosto de ti até depois do rio e dos montes- disse a Grande Lebre Castanha.
«É mesmo longe», pensou a Pequena Lebre Castanha. Tinha tanto sono que já quase nem conseguia pensar. Então olhou para além das moitas, para a grande noite escura. Nada podia ser mais longe do que o céu.
- Gosto de ti até à LUA- disse ela, e fechou os olhos.
- Ora, se isso é longe- disse a Grande Lebre Castanha.- É mesmo, mesmo longe.
A grande Lebre Castanha deitou a Pequena Lebre Castanha na caminha de folhas. Inclinou-se e deu-lhe um beijo de boas-noites.
Depois deitou-se muito pertinho e murmurou sorrindo:
- E eu gosto de ti até à Lua... e de volta até cá abaixo."

"Adivinha quanto eu gosto de ti", Sam McBratney (uma bonita história para mais tarde contar à futura Marianinha ou será Francisco? :)



OBS: Porque o amor não obedece a unidades de medida, não tem explicação... Será que o Sardet se inspirou neste pequeno conto? :)

"Gosto de ti desde aqui até à lua,
gosto de ti desde a lua até aqui.
Gosto de ti (...) porque sim
e gosto de viver assim."

Fim-de-semana

Finalmente o final da semana (quase) à porta, passe o redondismo!
Avizinha-se um fds com muita chuva e cinzento. Excelente para ficar a sirandar por casa, embrulhadinha numa manta enquanto desfruto de um bom filme ou som! Os planos já estão traçados e os dados lançados...

quarta-feira, outubro 15, 2008

(in) Conscientemente

Inconscientemente escrevo
Conscientemente medito
Sobre a minha vida
O meu destino.
Da minha falta de tino
Sobre os fungos do passado
Com sabor a futuro
Do que amo e odeio
Ou apenas tolero e aturo
Do tempo gasto à toa
De tudo o que em mim destoa
Do que me fa(e)z sorrir
Daquilo me fe(a)z chorar
Do sentido íntimo
No íntimo sentido
Displicentemente,
Sem saber porquê.
Sem razão aparente
Ironicamente sorrio …
E quase rio
De que matéria será feito o amanhã?

terça-feira, outubro 14, 2008

Non sense ...


Na distância com que te escrevo
Na ténue esperança (ainda) te busco
Mesmo quando penso que desisto,
Mais uma vez cedo …
E me concedo
Em oposição a mim
Ou, oposição a ti
Como poema naufragado
Busco a palavra
Em alcateia de lobos
Encoberta pelos silvados

O teu nome
Corre-me nas veias
Atravessa-me da alma ao ventre
E, de novo,
Na costura rasgada da minha saia,
Sem qualquer esforço ou custo
Tão só ... relva ou musgo.

Neste momento,
Rodo em ventos desgovernados
Entro em parafuso
Giro na roda dos ventos,
Das noras e dos engenhos
E a água grita, uiva e chora
Cristalina
Pura
Dura
É demora ...
É oxigénio
Fonte que move a vida
- verbo de ser e sentir
É cansaço
Vontade de fugir
É fracasso
Lume mortiço de mim mesma
Fraca candeia de curto pavio
Que se apaga …
Presa por um fio


OBS: Porque há dias que nada faz sentido, nem sequer o que escrevemos...

segunda-feira, outubro 13, 2008

Que as lágrimas nunca nos separem...

De volta aos anos 80/ 90 e uma banda que me marcou profundamente - a de Michael Hutchence "INXS", que viveu e morreu (sempre) em excesso, dono de uma voz possante e inconfundível, presença provocatória (comparável talvez ao grande Jim Morrison). Morreu no auge quando tinha ainda muito para dar!...
Lembram-se de "New Sensation", "Need You Tonight", "Mystify", "Original Sin", "Devil Inside", "By My Side" e "Beautiful girl"?!
Difícil para mim escolher, mas vou deixar esta para recordar...

sábado, outubro 11, 2008

Triste fado


Nada existe no meu dia pardo
Que que não seja desalento
Destino... sina ...ou fardo?
Inacção e esmorecimento?
Rascunho pré-desenhado
De um tempo desfiado
Que desaba lento e cardo
Estropiado e esfarrapado

Desdenho a traço largo
O tempo inusitado
Que na bagagem carrego
Será karma?
Será carga?
Sina?
Fardo?
Ou triste fado?

segunda-feira, outubro 06, 2008

Que importa?!.....


Faço do sonho um barco à deriva
Nele deposito a minha alma
Sofrida, vazia e perdida
Na esperança de ficar mais calma
E nesta febre que me assola
Memórias em reboliço…
Já nada me consola
Nada me importa
… Não passa de um mero delírio

quinta-feira, outubro 02, 2008

All by myself

Porque há dias em que nos sentimos inseguros, indiferentes, diferentes, distantes, obscuros... sei lá... assim ... enfim há dias assim ...

Marcando passo

Passo a passo
Neste compasso
Marco o passo
Passo? Não Passo?
O que é que eu faço?
Busco um regaço
Quero um abraço
Ser a dona do paço
Que é feito do laço?
A vida é gélida como aço
O futuro é um fino traço
O presente é tão baço
O passado já era... bagaço

terça-feira, setembro 30, 2008

Pensamento do dia

O único tirano que aceito neste mundo é a voz silenciosa dentro de mim: a consciência.

Adieu tristesse



Tristesse, adieu tristesse un soir de carnaval
Oui mais le bonheur n'est qu'une larme
Qui tremble sur le bord de chaque fleur
Brillant dans l'ombre, à la fin elle tombe



Ce sont les premiers pleurs de notre coeur
Le bonheur du pauvre est vraiment dans l'ivresse
Que va lui donner le carnaval
Le pauvre travaille sans cesse, sans cesse,



Pour oublier sa misère, au milieu de la lumière
Il est comme un prince à l'allure fière
Mais son bonheur finit après la nuit
Tristesse, adieu tristesse un soir de carnaval



On doit profiter de sa jeunesse
Pour rire et pour s'aimer tout simplement
Il faut bien vivre avant que disparaisse
L'envie de s'amuser quand il est temps


L'envie de s'amuser quand il est temps
Tristesse, adieu tristesse.

O Sorriso de Mona Lisa lol...
Lasso Gloria

segunda-feira, setembro 29, 2008

Jóia



Quem és tu menina?

Alguém que se perdeu

E que por destino eu encontrei?

Serás tu uma jóia preciosa?

Um diamante em bruto

Acaso imaginavas ...

Não mais voltar a brilhar

Por teres sido usada

Por alguém sem qualquer valor!

O que eu mais queria

Era ver o brilho que dantes tinhas

Ser o número da tua vida

E me deixar enfeitiçar

Com o brilho da pureza

Que um dia perdeste

Com alguém que não te amou

E te magoou com tanta crueza

Meu tesouro, minha jóia

Serás sempre preciosa

Olha em frente

Esquece o passado

Vive o presente

Sonha com um futuro risonho

Porque eu gosto de ti

E vou fazer de novo

O teu olhar brilhar

E assim reavivar

Essa capacidade de amar




P.S. Para todas as pessoas que perderam a esperança ... Somos sempre o "tesouro" de alguém mesmo que não o saibamos... Um dia o sol brilhará sem nuvens...

Qual é coisa qual é ela?

Verde que verde nasceu,
deita sangue sem ter dor,
faz três mudanças no ano
sem nenhuma ser de amor.

O que será?...

domingo, setembro 28, 2008

A carta (as palavras que eu nunca te direi..)

Normalmente não gosto de livros que toda a gente (lê) gosta (é o meu lado rebelde e do contra), mas esse livro foi especial.
Li-o numa altura boa da minha vida e fez-me muito bem. Compreendi cada palavra dele para além do que deveria, cada sentimento, cada significado; para no fim tirar uma conclusão: O amor pode ser muito grande, mas nem sempre temos a força ou capacidade para o "prender". Mais cedo ou mais tarde acabamos por o perder! ...




“Querida Catherine:
Lamento não te ter falado durante tanto tempo. Sinto que andei perdido……sem rota, nem bússola.
Estava sempre a esbarrar nas coisas, talvez por carolice. Nunca me tinha sentido perdido. Tu eras o meu verdadeiro Norte. Quando tu eras o meu porto, sabia sempre voltar para casa. Perdoa ter ficado tão zangado quando partiste. Continuo a achar que foram cometidos alguns erros……e estou à espera que Deus os corrija. Mas já ando melhor.
O trabalho ajuda-me. Acima de tudo, tu ajudas-me.
Ontem apareceste-me num sonho, com aquele teu sorriso……que sempre me prendeu a ti……e me consolou.
Tudo que me lembro do sonho……foi uma sensação de paz. Acordei com essa sensação……e tentei conservá-la tanto quanto me foi possível.
Escrevo para te dizer que estou a trabalhar para alcançar essa paz. E para te dizer que lamento tantas coisas. Lamento não ter tratado melhor de ti. ..…para que não passasses minuto algum doente, com frio ou com medo.
Lamento não me ter esforcado mais……por te dizer aquilo que sentia.
Lamento nunca ter arranjado a guarda da porta. Arranjei-a agora.
Lamento as discussões que tive contigo.
Lamento não te ter pedido mais vezes desculpa.
.…por ser demasiado orgulhoso.
Lamento não ter elogiado……tudo aquilo que vestias e todos os teus penteados.
Lamento não te ter agarrado com tanta forca……que nem Deus te pudesse arrancar de mim. “

“Com todo o meu amor, G. “

By Nicholas Sparks in "Message in a Bottle"

Reencontro

Foto: Serra da Boa Viagem - 2007

Eu sei que só me pedes por agora

algum esforço de imaginação.

Quanta modéstia. A manhã é doce,
a praia mais clara onde volto a aprender
a lição: o futuro é sustentado

por coincidências como a nossa. Encontro

o livro aberto na página certa - lá dentro

tu estendes para mim as tuas mãos

com o sol na cabeça e a serra a toda a volta.


Rui Pires Cabral, in Praças e Quintais



Porque a vida é feita de encontros, desencontros e por vezes alguns reencontros, que muitas vezes não passam de encontros, mas que nos dão a sensação de déjà vu ... coincidências, partidas da nossa mente, recordações, fragmento do passado ou tão simplesmente uma (estranha sensação de) conexão com alguém ou algo?!

sábado, setembro 27, 2008

Há palavras que nos beijam


«Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.


Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.


(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte
. »

Alexandre O'Neill
OBS: Dizem que este poema foi inspirado na surrealista francesa, Nora Mitrani, a paixão dorida da sua vida. A partida de Mitrani para França causa um enorme alvoroço na vida de O' Neill, já que os seus familiares, conscientes desta relação, interpõem-se, chegando a utilizar um agente da P.I.D.E para lhe retirar o passaporte, impedindo assim o poeta de visitar a amada. É neste período turbulento que Alexandre O´Neill escreve o poema Um Adeus Português, expressando aqui toda a sua mágoa, verbalizando toda a sua revolta interior: “Nos teus olhos altamente perigosos/ vigora ainda o mais rigoroso amor/ a luz de ombros puros e a sombra/ de uma angústia já purificada/(...) Nesta curva tão terna e lancinante/ que vai ser que já é o teu desaparecimento/ digo-te adeus/ e como um adolescente/ tropeço de ternura/ por ti”. Nora Mitrani suicidou-se em 1961 e O´Neill perde aqui a sua mais absoluta concretização do amor: "Para ti o tempo já não urge/ Amiga/ Agora és morta/ (Suicida?) Se eu pudesse dizer-te: - Senta-te aqui/ nos meus joelhos, deixa-me alisar-te, / Ó amável bichinho, o pêlo fino“. Conta-se que o poeta nunca mais encontraria Nora Mitrani ­ “quando a fui procurar em Paris, já tinha morrido”- mas que esta chegou a ler o Um Adeus Português. A resposta que esta lhe deixou terá sido: “Li o teu Adeus. Fiquei atrozmente comovida”.
Todos temos uma paixão dorida e nunca esquecida!

quinta-feira, setembro 25, 2008

Retrato

«Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
A minha face? »

(Cecília Meireles)

P.S.: É estranho como certos poemas nos assentam que nem luvas...revejo-me neste poema a cada palavra, cada frase, cada soneto, na interrogação "em que espelho ficou perdida a minha face?", meu rosto sempre tão triste, o olhar vazio e o coração feito navio, sem rota, vagueando sem destino, aguardando ir ao fundo...?!

domingo, setembro 21, 2008

Rascunho de mim...


Tive a pretensão
De querer ser abecedário
De A a Z
Não fui além do bê
Quis ser livro
Não formei palavra
Nem frase, nem nada
Não passei de letra
Solta, morta…
Página em branco
De um simples projecto
Que não passou de rascunho
Uma qualquer história
Que não chegou a nascer
Que acabou por perecer
Quis ser quadro pintado
Belo, iluminado e imoldurado
Com a pretensão de acabado
Não passei de rabisco
Mal feito, delineado …
Projecto fechado a cadeado ...

sexta-feira, setembro 19, 2008

Baile de finalistas

Esta música traz-me SEMPRE boas sensações e recordações!...
Nina (ainda) no liceu, dançou esta música na noite do baile de finalistas, toda aperaltada, era a primeira vez que usava um vestido de gala com bolsinha a condizer... :)
Outros tempos e tantos sonhos ... e a sólida esperança de um futuro feliz e de tantos outros (sonhos) por concretizar... (Santa ingenuidade da juventude).

In fact... I felt wonderful in that night

Mais evidências ...

Os anos ensinam-nos muitas coisas que os dias desconhecem... é o aprendizado da vida ... mas também vamos esquecendo muitas coisas, neste nosso caminhar pelo mundo, porque a nossa memória é falível, subjectiva, relativa e selectiva!

quinta-feira, setembro 18, 2008

Intervalo

Uma música simplesmente L.I.N.DA. e tão doce para os meus ouvidos... um intervalo sublime de sentidos!
(O grupo chama-se Per7ume e tem a participação "especial" de Rui Veloso)

En dessinant

Foto: Figueira da Foz (Junho de 2008)



Je veux écrire tes douleurs

Dessiner ta solitude

Griffonner tes angoisses

Utiliser tes larmes

Et remplir l'imense vide

Imprimé dans ces feuilles froides


Je veux ouvrir les lettres fermées

Étouffées dans ton coeur

Et les ouvrir calmement,

Je veux les voir heureuses

En s'approchant, en souriant, en pleurent...


Je veux la vie naître

Dans ces confuses formes

Tantôt légères, tantôt forts, vont se poser

Inconséquents dans une place quelconque.


Je veux tes douleurs, angoisses, solitude, larmes

Transformées dans un immense dessin vivant,

Avec tous les vides remplis.

Et te retourner le plaisir du sourire.


(Auteur inconnu, mais de toute façon, c'est beau hein ?)

quarta-feira, setembro 17, 2008

Evidências

Hoje sinto-me triste... Porque é que há pessoas que só estão bem a f... os outros?Ficam contentes, apenas, por fazerem mal ao próximo e com a desgraça dos outros... Cambada de energúmes egoístas e sem consciência nem sentimentos...

segunda-feira, setembro 15, 2008

???

Busco as respostas e já não as encontro.
Lamentei tantas vezes a solidão;
Acreditava estar só, tendo apenas a solidão como companheira, outras mormente era tão só a solidão (pres)sentida no meio da multidão.
... Hoje já não consigo nem me lamentar.
Hoje percebo que (con)vivo bem (?) com a solidão;
Escolhida por mim, ou tão simplesmente porque a isso terei sido obrigada ou ainda, talvez, porque seja mais confortável e menos complicado ...
Estarei resignada? Terei medo? Andarei acossada?
O que antes me protegia e me fazia feliz, já não anda mais ao meu lado.
Perco-me no vazio dos meus pensamentos ... à procura de respostas que não encontro, num turbilhão de perguntas miseráveis com respostas insondáveis ...

domingo, setembro 14, 2008

Dever de sonhar



Eu tenho uma espécie de dever, dever de sonhar, de sonhar sempre, pois sendo mais do que um espectáculo de mim mesmo, eu tenho que ter o melhor espectáculo que posso.
E, assim, me construo a ouro e sedas, em salas supostas, invento palco, cenário para viver o meu sonho entre luzes brandas e músicas invisíveis.

Fernando Pessoa


E é por isso que eu sonho, sou uma eterna e compulsiva sonhadora, vivendo e coexistindo entre dois mundos (sobrepostos, paralelos e antagónicos): o real e o imaginário.
Faço do primeiro uma ilusão e uma espécie de presente; do segundo, minha redenção, substância e a ponte de passagem para o futuro (que sempre se quer risonho e real).
Viver a vida sem sonhos, não vale a pena, seria a mesma coisa que um pássaro trancado na gaiola, com asas, mas sem liberdade para poder voar.
Assim:

"Que nada nos limite

Que nada nos defina

Que nada nos sujeite

Que a liberdade seja

a nossa própria substância."

(Simone Beauvoir)

sexta-feira, setembro 12, 2008

quinta-feira, setembro 11, 2008

Beauty and The Beast

Hoje acordei com esta interrogação... Preferirias o belo(a) ou o monstro(a)? Vou explicar melhor, um belo(a) e perfeito(a) exemplar físico, mas interiormente monstruoso(a)e oco(a)? Ou o(a) "feinho(a) monstrinho(a)" com um repleto coração de oiro? Eu sei qual escolheria, mas não irei dizer para não influenciar. Muito a propósito lembrei-me da série que vi (no século passado) e de que era fã, com a Linda Hamilton e Ron Perlman (vi-o recentemente no excelente filme Hell Boy II).
Lembram-se... ou estarei já a ficar velhota.

terça-feira, setembro 09, 2008

Reggae night ...

Uma das músicas que tenho ouvido ultimamente e que me põe MUITO bem disposta (a par da "Viva la vida" dos Coldplay e de "Mercy" da Duffy... nada a ver o género musical!). Dá-me vontade de cantar até à Jamaica e de fazer trancinhas por todo o cabelo. Lol! Mas eu sempre "curti" o estilo de música Reggae

Reflexo

Há dias
Em que se reflecte no espelho
O olhar perdido de cão sem dono ...

segunda-feira, setembro 08, 2008

Súplica


Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

Miguel Torga

Eremita

"Quem conhece a arte de viver consigo próprio, ignora o aborrecimento, porque nunca estamos mais acompanhados do que quando apreciamos a companhia de nós mesmos!"

domingo, setembro 07, 2008

Reasons (Autumn In My Heart)

O verão parece estar a despedir-se e a dar lugar ao Outono.
Os dias parecem-me mais pequenos e as noites maiores.
As árvores ainda vestidas de verde, brevemente ficarão nuas e de tonalidades castanhas, amarelas e vermelhas, as cores da desolação e morte.
E os dias ensolarados ... substituídos pelos cinzentos, chuvosos e frios.
Lá se vão as roupas alegres, leves e frescas, trocadas por vestimentas pesadas e quentes.
(pelo menos teremos o cheirinho das castanhas quentes na rua, do chá ou um chocolate quente, antes de dormir... também sabe bem).
Enfim a natureza tem o seu ritmo e tempo próprio. (até nós!)



sábado, setembro 06, 2008

Revisitar as folhas caídas


Curiosamente, ontem, lembrei-me de ti (como se alguma vez te tivesse verdadeiramente esquecido)! Talvez porque Setembro foi o mês que nos conhecemos... talvez fosse a secreta vontade de ter notícias tuas, uma recaída, masoquismo, curiosidade, talvez por razão nem motivo algum...
Sem saber, como nem porquê, vi-me subitamente a digitar o teu nome no google... Apareceram-me um sem número de resultados! Cliquei, abri... vi que concluiste a tua tese de doutoramento em 19 de junho. Não fiquei surpresa, mas estranha e secretamente feliz por ti, mesmo não tendo notícias tuas há 1300 dias, 1h e 30 minutos! (faltou-me a precisão dos segundos). Dei por mim a descarregar a tua tese de 352 páginas em pdf, li as 3 primeiras. Notei, sem surpresa também, que a dedicaste à tua falecida granny Elsie, agradecimentos à tua mãe e família como não poderia deixar de ser e aos amigos! Interiormente invadiu-me uma tristeza de não estar lá também, mas... sei que não faria qualquer sentido (e porque não?).
Depois entrei numa longa meditação. Dizem que o tempo apaga tudo, que nos faz ver as coisas de outra maneira... Será assim? Então porquê, ainda hoje, não consigo compreender tudo o que (nos) aconteceu?! Que estupidamente da noite para o dia mudaste, tudo terminou sem aviso prévio ou motivo humanamente compreensível? Que não faço puta ideia do que aconteceu, nem na altura nem agora?
Durante o meu "luto", juro-te que tentei entender, raciocinar abstraindo-me dos meus próprios sentimentos, pondo-me de fora como se estivesse a analisar a história de uma outra pessoa. Nada! Nenhuma conclusão! O máximo que cheguei, foi que só poderia ser culpa minha, da personalidade extremamente complexa e complicada que sou, somando o facto, doloroso, custoso e não facilmente assumido, de que nunca me amaste, além de talvez uma outra pessoa pudesse existir (mas nunca tiveste coragem de o assumir), ou ainda da tua carreira académica e profissional não te deixar tempo, disposição e vontade para que alguém entrasse na tua(certinha e rotineira) vidinha (e claro viesse transtorná-la..). Meras suposições e cogitações das quais (SEI) nunca irei saber. Martirizo-me (ainda) por não ter tido a coragem de indagar, ser mais persistente, sei lá... mas nunca fui assim, nunca forcei ninguém a dizer-me o que não queria dizer, sempre preferi ser a avestruz e meter a cabeça na areia do que encarar o que sentia (por ti), fiz o teu jogo, não ver, não sentir, deixar andar até cansar... Confesso para vergonha minha (criancice e cobardia) que te telefonei 2 ou 3 vezes anonimamente, muda e calada, apenas para ouvir a tua voz e saber que pelo menos estarias vivo.
Não sei porque estou aqui a expor tudo isto, é demasiado íntimo (ainda bem que nunca lerás isto, sentiria o teu olhar recriminatório...), mas sei apenas (não me perguntem PORQUÊ)que precisava de fazê-lo.

Onde quer que estejas (e com quem), minha ex-folha caída, que um dia fizeste parte do meu ramo, que se partiu, e voaste para outros ventos abandonando-me... desejo do fundo do meu coração que sejas MUITO FELIZ!

sexta-feira, setembro 05, 2008

The notebook

Uma das músicas de um dos meus filmes mais queridos/ preferidos "the notebook" (O diário da nossa paixão), baseado no livro de Nicholas Sparks, em que um homem lê todos os dias o seu diário a uma mulher num lar de idosos. A história que ele conta relata a vida amorosa de dois jovens, Noah e Allie, separados pelos pais e mais tarde pela 2ª Guerra Mundial. Ficamos a saber no final, que o idoso que todos os dias se aproxima daquela senhora e lhe lê uma linda história de amor, é Noah que vê agora Allie, o amor da sua vida com a terrível doença de Alzheimer (uma doença bastante cruel, na medida em que nos rouba o que de mais bonito existe no ser humano, que é a sua memória e as suas recordações.!), e todos os dias lhe lê a historia de amor deles na esperança de a ajudar nem que seja por uns breves instantes a recordar também ela essa história de amor.
Este romance/ filme mostra-nos duas perspectivas: a de um grande amor e a de uma grande paixão que não acaba com o passar dos anos, mas que tem de se adaptar as diferentes fases da vida, e às partidas que a vida nos prega e das quais não podemos fugir. Por outro lado transmite-nos a esperança de haver a possibilidade de viver em estado de paixão/ amor, mesmo depois de vários anos de convívio. Enfim O verdadeiro Amor, numa história de uma beleza arrebatadora e comovente... Bem, mas acho que já me alonguei demais (entusiasmei-me, não tarda nada irá soar a lamechices!), melhor verem/ lerem o filme/o livro (já o devem ter feito).
Apenas para terminar, era suposto eu estar a escrever sobre esta música (Feels like home) que é da Chantal Kreviazuk, uma cantora que aprecio particularmente e que faz parte da banda sonora do dito filme. Quem não gostaria de se sentir assim "em casa"?

quinta-feira, setembro 04, 2008

Seis biliões ...



"Neste momento há 6 biliões, 470 milhões, 818 mil, 671 pessoas no mundo..
Algumas estão a fugir assustadas.
Algumas estão voltando para casa.
Umas dizem mentiras para suportar o dia.
Outras estão só agora a enfrentar a verdade.
Algumas são más indo contra o bem,
E outras são boas lutando contra o mal.
Seis biliões de pessoas no mundo, seis biliões de almas...
E, na maioria da vezes, tudo que o nós precisamos é de apenas uma!"

[Lucas Scott, One Tree Hill]

Lágrimas ocultas

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

Florbela Espanca

quarta-feira, setembro 03, 2008

Home

Feeling so sad and hopeless... I wanna go home ...


Beleza da alma - cuidados preventivos


A minha sugestão é uma "maquilhagem" bem simples e à base natural (ainda por cima gratuita)! Assim:
No corpo, para arrasar liberte as emoções da alma.
No rosto, cuidados especiais, sorrisos sem culpas camuflam e escondem todas as imperfeições.
Na cabeça, pensamentos despenteados e rebeldes precisam de uma boa hidratação, palavras leves e soltas são uma óptima solução.
Com os olhos, muita atenção, olhar nos olhos dos outros activa a circulação.
Para lábios, a opção é a poesia em forma de beijo, isto é perfeito e provoca uma sensação de bem estar.
Os braços não podem ser esquecidos, não há erro, massagens em forma de abraços é um adeus à flacidez do coração.
Para as mãos, acarinhar outras mãos é uma maneira simples de se garantirem intensas emoções.
Com os pés, redobrada atenção, quem já experimentou sabe e eu recomendo, levantá-los do chão é viajar nos sonhos sem pagar bilhete, é extravasar sem se sentir culpado, é beber a vida sem se embebedar!
E para o resto do corpo, a minha sugestão é uma aplicação diária de granulados de alegria, daqueles que exfoliam todas as células de tristezas e raivas mortas, hidratam a alma e abrem as portas para o infinito, para tudo que é bom e nos possa encharcar de felicidade.

terça-feira, setembro 02, 2008

Mel(ua)

Descobri esta belíssima voz há 3 meses atrás. Fiquei imediatamente fã... Consegui saber o nome e verificar (para surpresa minha) que já possuia uma extensa carreira musical.
KATIE MELUA, uma voz doce, uma presença lindíssima e acima de tudo um reportório de canções com letras fantásticas. Ou não rimasse o nome dela com MEL e LUA (tolices minhas :)

Recomendo para quem não conhece!

segunda-feira, setembro 01, 2008

De volta à voltas ...



Saudades do meu banco de jardim!
Das folhas (soltas) ao vento
Reflexões do momento
Cogitações sem fim
Estórias por alinhavar...
Sentimentos por alinhar
Eu amparada pela minha solidão...
Num bater de coração
No silêncio me escondi
Na mudez eu percebi
Quem fui, quem era, quem sou?
O que faço aqui?
Para onde vou?
Onde estou?

Orfã de mim
Caminho (tão) só
Na garganta um nó
Para que fim?




segunda-feira, fevereiro 25, 2008

CUPIDO


O Cupido desempenhou desde sempre um papel importante nas celebrações do amor e dos amantes. Ele é normalmente retratado como um criança traquina, com asas, que lança setas certeiras aos corações das suas vítimas, fazendo com que estes se apaixonem perdidamente. Uma espécie de anjo da paixão, um ser alado de aparência infantil, que voa por entre as nuvens carregando arcos e flechas, à procura de corações solitários.
Quem já esteve apaixonado conhece bem os sintomas das suas flechadas.
Mas quem é ele? E porque passa a vida a transformar os corações das suas vítimas com as suas setas?
Hoje em dia é frequente vermos, em postais, revistas e anúncios, um ou vários cupidos juntos, como se fossem uma espécie de ser mitológico.
Mas a origem do Cupido remonta à Antiguidade Clássica, mais concretamente, à mitologia greco-romana., onde este é referido como um Deus único.
Na Antiga Grécia ele era conhecido como Eros, o jovem filho de Afrodite, a deusa do amor e da beleza e de Ares, o deus da guerra.
No livro «Mythologie Grecque» (Editions Toubi’s) ele é descrito como um jovem homem nú, de asas douradas, com cabelos encaracolados, munido com um arco que lança flechas mágicas. « Antes de ser adoptado pelos poetas, esculpido pelos escultores e pintado pelos pintores ele era, para os antigos gregos, o filho de Afrodite e de Ares, que trespassava os corações dos mortais. Ele era o mais belo dos deuses já que fazia nascer nos homens os sentimentos mais nobres e ajudava os pares a unirem-se. Para além disso, ficou conhecido por adoçar os temperamentos dos mortais, mesmo os mais duros, por embelezar a sua vida e por lhes dar um sentido.
Já para os romanos, ele era conhecido como Cupido, filho de Mercúrio, o mensageiro alado dos deuses, e de Vénus, a deusa da beleza e do amor.
O que também muitos desconhecerão é que, de acordo com a mitologia, o Cupido viveu um grande amor e enfrentou muitas dificuldades para conseguir que este tivesse um final feliz. Por essa razão ficou conhecido como aquele que une os corações.
Diz a lenda que o seu amor era a bela mortal, Psyché.
Psyché era uma jovem tão bela que suscitava o ciúme de Vénus. Por isso, a deusa deu ordens a Cupido para que este fizesse com que a jovem se apaixonasse por alguma criatura de má aparência. Mas em vez disso, o Cupido apaixonou-se perdidamente por ela e fez dela sua amante. Colocou-a num belo palácio, onde a visitava à noite mas, por ser mortal, ela estava proibida de olhar para ele. Psyché foi feliz até ao momento em que as suas irmãs, movidas pelo ciúme, lhe disseram que ele era um monstro que a iria devorar, convencendo-a a olhar para o seu amado.
Certa noite, Psyché pegou numa lamparina e iluminou o quarto para ver Cupido adormecido. Admirada com a rara beleza do jovem, ela deixou cair sobre o seu corpo uma gota de óleo da lamparina, e ele despertou. Por causa disso, Cupido castigou-a com o seu abandono, ressentido pela desobediência da amada. Com ele desapareceram também o seu encantador castelo, e os magníficos jardins, e ela viu-se sozinha num campo deserto.
Mas ela não desistiu, procurando o amante por toda a terra e acabando por encontrar o templo de Vénus.
Desejando destruí-la, a deusa do amor deu a Psyché uma série de tarefas, cada uma mais dura e arriscada que a anterior.
A primeira destas tarefas consistia em separar, na escuridão da noite, as impurezas de um monte enorme de várias espécies de grãos. Felizmente, as formigas tiveram piedade dela e vieram em grande número ajudá-la nesta empreitada. E assim todas as tarefas foram executadas à excepção da última...
Vénus deu-lhe uma pequena caixa que ela deveria levar até ao mundo dos mortos e onde deveria guardar alguma da beleza de Perséphone, a mulher de Plutão.
Durante a sua viagem, ela recebeu algumas conselhos que lhe diziam para evitar os perigos do reino dos mortos e que a avisavam para não abrir a caixa. Mas a tentação foi mais forte e Psyché abriu-a.
Então, em vez de encontrar aí a beleza, ela encontrou um sono mortal.
Cupido encontra-a tombada e já sem vida. Valendo-se dos seus poderes divinos, ele retira o sono mortal que preenchia o corpo da sua amada e deposita-o novamente na caixa.
Ao ver o seu grande amor voltar à vida, Cupido perdoa-a assim como Vénus. Os Deuses, comovidos pelo amor de Psyché por Cupido fazem dela uma deusa, para que ambos pudessem viver o grande amor que os unia, para toda a eternidade.
O casamento entre os dois realiza-se, finalmente, no céu.
Esta lenda é geralmente considerada como uma história metafórica. A palavra Psyché, que em grego significa borboleta, é geralmente entendida como sinónimo de alma. A borboleta simboliza a imortalidade da alma: depois de estender as asas, desde o túmulo em que estava, depois de uma vida mesquinha e rastejante enquanto lagarta, a borboleta flutua na brisa do dia e transforma-se num dos mais belos e delicados seres da primavera.
Psyché é, portanto a alma humana, purificada pelos sofrimentos e infortúnios, preparada para gozar a pura e verdadeira felicidade. Assim se explica que muito frequentemente, esta mortal feita deusa, seja representada, nas obras de arte, como uma bonita jovem com asas de borboleta juntamente com Cupido.
(retirado de Cupido on-line)

Et voilá parece que o Cupido anda por aí a fazer das suas... E eu... continuo bem atenta (e alerta) a fugir das suas flechadas (até quando?!).


domingo, fevereiro 24, 2008

ANTES IDIOTA QUE INFELIZ!



Hoje nas minhas pesquisas da net encontrei este artigo interessante: ESTAMOS COM FOME DE AMOR by Arnaldo Jamor

http://cristianccss.wordpress.com/category/o-amor-e-essas-coisas/


Não posso deixar de o copiar para aqui! Leiam que dá que pensar, não é?!


"Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas e saem sozinhas.


Empresários, advogados, engenheiros queestudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.


Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos “personal dance”, incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida?


Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão “apenas” dormir abraçados, sabe essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.


Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a “sentir”, só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós.


Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos ORKUT, o número que comunidades como: “Quero um amor pra vida toda!”, “Eu sou pra casar!” até a desesperançada, “Nasci pra ser sozinho!” Unindo milhares ou melhor milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.


Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos acada dia mais belos e mais sozinhos.


Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa.


Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega. Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, “pague mico”, saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso à dois. Quem disse que ser adulto é ser ranzinza, um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele.


Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: “vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida”.



Antes idiota que infeliz! "

sábado, janeiro 19, 2008

Para TI!


«Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.


No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.


Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.


Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.


Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.»



(Belíssimo poema de EUGÉNIO DE ANDRADE... que transmite tudo o que eu queria TE dizer e ... NÃO alcanço :( )

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Coração



Primeiro post do ano! (Saudades de estar aqui, mergulhar, algures entre o perdida e o rendida nesta rede anónima e dispersa...)

Quero dedicá-lo ao meu coração e a todos os corações que batem, descompassadamente, em uníssono, que estremecem e vibram com ou sem razão...

Tinha decidido dar a reforma ao meu coração. Sei que ele não é muito idoso, mas parece que agora é moda a reforma antecipada!

Pensava eu já ter vivido o suficiente, mas pasmem-se parece que ainda estou a meio da vida! Os amores, as paixões (per)seguiram-me durante vários anos e fizeram-me muito feliz, mas as decepções, as desilusões, as lágrimas vertidas, as esperanças vãs feriram-me por sua vez. E, foi, assim que um belo dia decidi descansar de tudo isso, enfim o repouso merecido!

Mas... mas não contava encontrar-te. No início nem dei por nada, pela tua chegada, passos lentos e leves feito plumas de pavão. Pouco a pouco, entraste no meu mundo, pegaste no meu coração e libertaste-o desta "preguiça" e lassidão.

Disse NÃO! Que NÃO, que desse por onde desse o meu coração já estava na reforma, porque eu assim o havia decidido. No entanto... tu soubeste cativá-lo.

Não por palavras, pois essas conheço-as demasiadamente bem (tão bem que por vezes me parecem quase inúteis). Tu aprisionaste o meu coração, sim TU. Tu e tudo aquilo que ÉS: os teus olhos, a tua boca, os teus gestos que dizem mais do que tudo.

Lembras-te quando me comparaste a champanhe francês com trago a espumante português? Sabes que mais... tinhas razão!
Em mim borbulha a vida, fervilha a vontade estonteante e inebriante de te acompanhar, bolhinhas e bolinhas efervescentes que me embriagam e me põem tonta de estar ao teu lado em todo o lado.

E o futuro? Pergunto-me... Não sei!!! Parece-me tão distante e longuínquo. Apenas consigo vislumbrar pequenos carreiros que se apresentam em cada dia e que me dizem que seria bom se percorressemos o mesmo caminho!

E não é que tens razão! Quando dizes que o meu coração é demasiado jovem para se reformar! Conseguiste po-lo novamente a bater fortemente e... confesso que me faz sentir bem.

Para terminar apenas uma confissão: meu coração fica, permanece indefinidamente, porque EU AMO-TE. Meu coração que és fogo, pedra, gelo, gelatina, plasticina, és vermelho, negro, sangue, pus, cura, ferida, doce, por vezes azedo, aridez, oásis, sonho, ou pesadelo, livro fechado, página em branco, amarras, asas, és rude, gentil, generoso, egoísta, ingénuo, puro, outras perverso, selvagem, indomável, fiel, traiçoeiro, sádico, masoquista, mudo, esfuse(i)ante, forte, frágil, chegada, olá, despedida, adeus, és pouco, nada, és tudo, plenitude, és infinito, (até que a) morte (nos separe) e... és sobretudo VIDAAA.
(et mon coeur s'accélére quand tes yeux se posent sur moi!..)


P.S. Um FELIZ 2008 para o meu coração e para todos os CORAÇÕES que se batem pela (na) vida.