segunda-feira, dezembro 06, 2010

Divagações...

Costumava responder "não sei", às perguntas sobre o futuro. A questão não estava tanto no conteúdo da pergunta quanto na sua projecção no tempo ...
Talvez por isso ambicionasse uma história de amor. Uma história (não) qualquer. Que tivesse o encanto dos teus olhos e a luminosidade dos meus sonhos.
Queria conhecer as palavras certas. Inventar um código secreto qualquer onde nos reconhecessemos. Queria uma luz qualquer que me iluminasse os passos.
Há crianças perdidas que esperam pela nossa voz. Somos já nelas o que nunca mais seremos. Se eu fosse poeta dava a volta ao texto. Deixaria de procurar o fim da linha. E os meus versos haveriam de conter as tuas mãos. As minhas palavras confundir-se-iam com as tuas. E o sorriso seria já quase um abraço...
Na beira dos teus lábios escreveria os meus, pétalas, rosas, metal fundente, hiato de tempo por cumprir e encontrar.
No ciclo dos teus olhos recordaria os meus, chamas, ventos, oásis perpétuos, doçura rasgada e por rasgar.
Na ânsia das tuas mãos inventaria as minhas, conchas, relâmpagos, o mundo ao contrário, uma lágrima por sorrir, outra por chorar.
No grito do teu amor encontraria o meu, serra, nuvem, céu, ao longe o mar, corpo, alma, sopro… doce respirar ... Mas não sei ... Continuo sem saber ...

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