«Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
A minha face? »
(Cecília Meireles)
P.S.: É estranho como certos poemas nos assentam que nem luvas...revejo-me neste poema a cada palavra, cada frase, cada soneto, na interrogação "em que espelho ficou perdida a minha face?", meu rosto sempre tão triste, o olhar vazio e o coração feito navio, sem rota, vagueando sem destino, aguardando ir ao fundo...?!