sábado, setembro 06, 2008

Revisitar as folhas caídas


Curiosamente, ontem, lembrei-me de ti (como se alguma vez te tivesse verdadeiramente esquecido)! Talvez porque Setembro foi o mês que nos conhecemos... talvez fosse a secreta vontade de ter notícias tuas, uma recaída, masoquismo, curiosidade, talvez por razão nem motivo algum...
Sem saber, como nem porquê, vi-me subitamente a digitar o teu nome no google... Apareceram-me um sem número de resultados! Cliquei, abri... vi que concluiste a tua tese de doutoramento em 19 de junho. Não fiquei surpresa, mas estranha e secretamente feliz por ti, mesmo não tendo notícias tuas há 1300 dias, 1h e 30 minutos! (faltou-me a precisão dos segundos). Dei por mim a descarregar a tua tese de 352 páginas em pdf, li as 3 primeiras. Notei, sem surpresa também, que a dedicaste à tua falecida granny Elsie, agradecimentos à tua mãe e família como não poderia deixar de ser e aos amigos! Interiormente invadiu-me uma tristeza de não estar lá também, mas... sei que não faria qualquer sentido (e porque não?).
Depois entrei numa longa meditação. Dizem que o tempo apaga tudo, que nos faz ver as coisas de outra maneira... Será assim? Então porquê, ainda hoje, não consigo compreender tudo o que (nos) aconteceu?! Que estupidamente da noite para o dia mudaste, tudo terminou sem aviso prévio ou motivo humanamente compreensível? Que não faço puta ideia do que aconteceu, nem na altura nem agora?
Durante o meu "luto", juro-te que tentei entender, raciocinar abstraindo-me dos meus próprios sentimentos, pondo-me de fora como se estivesse a analisar a história de uma outra pessoa. Nada! Nenhuma conclusão! O máximo que cheguei, foi que só poderia ser culpa minha, da personalidade extremamente complexa e complicada que sou, somando o facto, doloroso, custoso e não facilmente assumido, de que nunca me amaste, além de talvez uma outra pessoa pudesse existir (mas nunca tiveste coragem de o assumir), ou ainda da tua carreira académica e profissional não te deixar tempo, disposição e vontade para que alguém entrasse na tua(certinha e rotineira) vidinha (e claro viesse transtorná-la..). Meras suposições e cogitações das quais (SEI) nunca irei saber. Martirizo-me (ainda) por não ter tido a coragem de indagar, ser mais persistente, sei lá... mas nunca fui assim, nunca forcei ninguém a dizer-me o que não queria dizer, sempre preferi ser a avestruz e meter a cabeça na areia do que encarar o que sentia (por ti), fiz o teu jogo, não ver, não sentir, deixar andar até cansar... Confesso para vergonha minha (criancice e cobardia) que te telefonei 2 ou 3 vezes anonimamente, muda e calada, apenas para ouvir a tua voz e saber que pelo menos estarias vivo.
Não sei porque estou aqui a expor tudo isto, é demasiado íntimo (ainda bem que nunca lerás isto, sentiria o teu olhar recriminatório...), mas sei apenas (não me perguntem PORQUÊ)que precisava de fazê-lo.

Onde quer que estejas (e com quem), minha ex-folha caída, que um dia fizeste parte do meu ramo, que se partiu, e voaste para outros ventos abandonando-me... desejo do fundo do meu coração que sejas MUITO FELIZ!

sexta-feira, setembro 05, 2008

The notebook

Uma das músicas de um dos meus filmes mais queridos/ preferidos "the notebook" (O diário da nossa paixão), baseado no livro de Nicholas Sparks, em que um homem lê todos os dias o seu diário a uma mulher num lar de idosos. A história que ele conta relata a vida amorosa de dois jovens, Noah e Allie, separados pelos pais e mais tarde pela 2ª Guerra Mundial. Ficamos a saber no final, que o idoso que todos os dias se aproxima daquela senhora e lhe lê uma linda história de amor, é Noah que vê agora Allie, o amor da sua vida com a terrível doença de Alzheimer (uma doença bastante cruel, na medida em que nos rouba o que de mais bonito existe no ser humano, que é a sua memória e as suas recordações.!), e todos os dias lhe lê a historia de amor deles na esperança de a ajudar nem que seja por uns breves instantes a recordar também ela essa história de amor.
Este romance/ filme mostra-nos duas perspectivas: a de um grande amor e a de uma grande paixão que não acaba com o passar dos anos, mas que tem de se adaptar as diferentes fases da vida, e às partidas que a vida nos prega e das quais não podemos fugir. Por outro lado transmite-nos a esperança de haver a possibilidade de viver em estado de paixão/ amor, mesmo depois de vários anos de convívio. Enfim O verdadeiro Amor, numa história de uma beleza arrebatadora e comovente... Bem, mas acho que já me alonguei demais (entusiasmei-me, não tarda nada irá soar a lamechices!), melhor verem/ lerem o filme/o livro (já o devem ter feito).
Apenas para terminar, era suposto eu estar a escrever sobre esta música (Feels like home) que é da Chantal Kreviazuk, uma cantora que aprecio particularmente e que faz parte da banda sonora do dito filme. Quem não gostaria de se sentir assim "em casa"?

quinta-feira, setembro 04, 2008

Seis biliões ...



"Neste momento há 6 biliões, 470 milhões, 818 mil, 671 pessoas no mundo..
Algumas estão a fugir assustadas.
Algumas estão voltando para casa.
Umas dizem mentiras para suportar o dia.
Outras estão só agora a enfrentar a verdade.
Algumas são más indo contra o bem,
E outras são boas lutando contra o mal.
Seis biliões de pessoas no mundo, seis biliões de almas...
E, na maioria da vezes, tudo que o nós precisamos é de apenas uma!"

[Lucas Scott, One Tree Hill]

Lágrimas ocultas

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

Florbela Espanca

quarta-feira, setembro 03, 2008

Home

Feeling so sad and hopeless... I wanna go home ...


Beleza da alma - cuidados preventivos


A minha sugestão é uma "maquilhagem" bem simples e à base natural (ainda por cima gratuita)! Assim:
No corpo, para arrasar liberte as emoções da alma.
No rosto, cuidados especiais, sorrisos sem culpas camuflam e escondem todas as imperfeições.
Na cabeça, pensamentos despenteados e rebeldes precisam de uma boa hidratação, palavras leves e soltas são uma óptima solução.
Com os olhos, muita atenção, olhar nos olhos dos outros activa a circulação.
Para lábios, a opção é a poesia em forma de beijo, isto é perfeito e provoca uma sensação de bem estar.
Os braços não podem ser esquecidos, não há erro, massagens em forma de abraços é um adeus à flacidez do coração.
Para as mãos, acarinhar outras mãos é uma maneira simples de se garantirem intensas emoções.
Com os pés, redobrada atenção, quem já experimentou sabe e eu recomendo, levantá-los do chão é viajar nos sonhos sem pagar bilhete, é extravasar sem se sentir culpado, é beber a vida sem se embebedar!
E para o resto do corpo, a minha sugestão é uma aplicação diária de granulados de alegria, daqueles que exfoliam todas as células de tristezas e raivas mortas, hidratam a alma e abrem as portas para o infinito, para tudo que é bom e nos possa encharcar de felicidade.

terça-feira, setembro 02, 2008

Mel(ua)

Descobri esta belíssima voz há 3 meses atrás. Fiquei imediatamente fã... Consegui saber o nome e verificar (para surpresa minha) que já possuia uma extensa carreira musical.
KATIE MELUA, uma voz doce, uma presença lindíssima e acima de tudo um reportório de canções com letras fantásticas. Ou não rimasse o nome dela com MEL e LUA (tolices minhas :)

Recomendo para quem não conhece!

segunda-feira, setembro 01, 2008

De volta à voltas ...



Saudades do meu banco de jardim!
Das folhas (soltas) ao vento
Reflexões do momento
Cogitações sem fim
Estórias por alinhavar...
Sentimentos por alinhar
Eu amparada pela minha solidão...
Num bater de coração
No silêncio me escondi
Na mudez eu percebi
Quem fui, quem era, quem sou?
O que faço aqui?
Para onde vou?
Onde estou?

Orfã de mim
Caminho (tão) só
Na garganta um nó
Para que fim?




segunda-feira, fevereiro 25, 2008

CUPIDO


O Cupido desempenhou desde sempre um papel importante nas celebrações do amor e dos amantes. Ele é normalmente retratado como um criança traquina, com asas, que lança setas certeiras aos corações das suas vítimas, fazendo com que estes se apaixonem perdidamente. Uma espécie de anjo da paixão, um ser alado de aparência infantil, que voa por entre as nuvens carregando arcos e flechas, à procura de corações solitários.
Quem já esteve apaixonado conhece bem os sintomas das suas flechadas.
Mas quem é ele? E porque passa a vida a transformar os corações das suas vítimas com as suas setas?
Hoje em dia é frequente vermos, em postais, revistas e anúncios, um ou vários cupidos juntos, como se fossem uma espécie de ser mitológico.
Mas a origem do Cupido remonta à Antiguidade Clássica, mais concretamente, à mitologia greco-romana., onde este é referido como um Deus único.
Na Antiga Grécia ele era conhecido como Eros, o jovem filho de Afrodite, a deusa do amor e da beleza e de Ares, o deus da guerra.
No livro «Mythologie Grecque» (Editions Toubi’s) ele é descrito como um jovem homem nú, de asas douradas, com cabelos encaracolados, munido com um arco que lança flechas mágicas. « Antes de ser adoptado pelos poetas, esculpido pelos escultores e pintado pelos pintores ele era, para os antigos gregos, o filho de Afrodite e de Ares, que trespassava os corações dos mortais. Ele era o mais belo dos deuses já que fazia nascer nos homens os sentimentos mais nobres e ajudava os pares a unirem-se. Para além disso, ficou conhecido por adoçar os temperamentos dos mortais, mesmo os mais duros, por embelezar a sua vida e por lhes dar um sentido.
Já para os romanos, ele era conhecido como Cupido, filho de Mercúrio, o mensageiro alado dos deuses, e de Vénus, a deusa da beleza e do amor.
O que também muitos desconhecerão é que, de acordo com a mitologia, o Cupido viveu um grande amor e enfrentou muitas dificuldades para conseguir que este tivesse um final feliz. Por essa razão ficou conhecido como aquele que une os corações.
Diz a lenda que o seu amor era a bela mortal, Psyché.
Psyché era uma jovem tão bela que suscitava o ciúme de Vénus. Por isso, a deusa deu ordens a Cupido para que este fizesse com que a jovem se apaixonasse por alguma criatura de má aparência. Mas em vez disso, o Cupido apaixonou-se perdidamente por ela e fez dela sua amante. Colocou-a num belo palácio, onde a visitava à noite mas, por ser mortal, ela estava proibida de olhar para ele. Psyché foi feliz até ao momento em que as suas irmãs, movidas pelo ciúme, lhe disseram que ele era um monstro que a iria devorar, convencendo-a a olhar para o seu amado.
Certa noite, Psyché pegou numa lamparina e iluminou o quarto para ver Cupido adormecido. Admirada com a rara beleza do jovem, ela deixou cair sobre o seu corpo uma gota de óleo da lamparina, e ele despertou. Por causa disso, Cupido castigou-a com o seu abandono, ressentido pela desobediência da amada. Com ele desapareceram também o seu encantador castelo, e os magníficos jardins, e ela viu-se sozinha num campo deserto.
Mas ela não desistiu, procurando o amante por toda a terra e acabando por encontrar o templo de Vénus.
Desejando destruí-la, a deusa do amor deu a Psyché uma série de tarefas, cada uma mais dura e arriscada que a anterior.
A primeira destas tarefas consistia em separar, na escuridão da noite, as impurezas de um monte enorme de várias espécies de grãos. Felizmente, as formigas tiveram piedade dela e vieram em grande número ajudá-la nesta empreitada. E assim todas as tarefas foram executadas à excepção da última...
Vénus deu-lhe uma pequena caixa que ela deveria levar até ao mundo dos mortos e onde deveria guardar alguma da beleza de Perséphone, a mulher de Plutão.
Durante a sua viagem, ela recebeu algumas conselhos que lhe diziam para evitar os perigos do reino dos mortos e que a avisavam para não abrir a caixa. Mas a tentação foi mais forte e Psyché abriu-a.
Então, em vez de encontrar aí a beleza, ela encontrou um sono mortal.
Cupido encontra-a tombada e já sem vida. Valendo-se dos seus poderes divinos, ele retira o sono mortal que preenchia o corpo da sua amada e deposita-o novamente na caixa.
Ao ver o seu grande amor voltar à vida, Cupido perdoa-a assim como Vénus. Os Deuses, comovidos pelo amor de Psyché por Cupido fazem dela uma deusa, para que ambos pudessem viver o grande amor que os unia, para toda a eternidade.
O casamento entre os dois realiza-se, finalmente, no céu.
Esta lenda é geralmente considerada como uma história metafórica. A palavra Psyché, que em grego significa borboleta, é geralmente entendida como sinónimo de alma. A borboleta simboliza a imortalidade da alma: depois de estender as asas, desde o túmulo em que estava, depois de uma vida mesquinha e rastejante enquanto lagarta, a borboleta flutua na brisa do dia e transforma-se num dos mais belos e delicados seres da primavera.
Psyché é, portanto a alma humana, purificada pelos sofrimentos e infortúnios, preparada para gozar a pura e verdadeira felicidade. Assim se explica que muito frequentemente, esta mortal feita deusa, seja representada, nas obras de arte, como uma bonita jovem com asas de borboleta juntamente com Cupido.
(retirado de Cupido on-line)

Et voilá parece que o Cupido anda por aí a fazer das suas... E eu... continuo bem atenta (e alerta) a fugir das suas flechadas (até quando?!).


domingo, fevereiro 24, 2008

ANTES IDIOTA QUE INFELIZ!



Hoje nas minhas pesquisas da net encontrei este artigo interessante: ESTAMOS COM FOME DE AMOR by Arnaldo Jamor

http://cristianccss.wordpress.com/category/o-amor-e-essas-coisas/


Não posso deixar de o copiar para aqui! Leiam que dá que pensar, não é?!


"Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas e saem sozinhas.


Empresários, advogados, engenheiros queestudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.


Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos “personal dance”, incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida?


Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão “apenas” dormir abraçados, sabe essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.


Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a “sentir”, só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós.


Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos ORKUT, o número que comunidades como: “Quero um amor pra vida toda!”, “Eu sou pra casar!” até a desesperançada, “Nasci pra ser sozinho!” Unindo milhares ou melhor milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.


Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos acada dia mais belos e mais sozinhos.


Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa.


Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega. Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, “pague mico”, saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso à dois. Quem disse que ser adulto é ser ranzinza, um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele.


Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: “vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida”.



Antes idiota que infeliz! "

sábado, janeiro 19, 2008

Para TI!


«Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.


No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.


Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.


Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.


Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.»



(Belíssimo poema de EUGÉNIO DE ANDRADE... que transmite tudo o que eu queria TE dizer e ... NÃO alcanço :( )

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Coração



Primeiro post do ano! (Saudades de estar aqui, mergulhar, algures entre o perdida e o rendida nesta rede anónima e dispersa...)

Quero dedicá-lo ao meu coração e a todos os corações que batem, descompassadamente, em uníssono, que estremecem e vibram com ou sem razão...

Tinha decidido dar a reforma ao meu coração. Sei que ele não é muito idoso, mas parece que agora é moda a reforma antecipada!

Pensava eu já ter vivido o suficiente, mas pasmem-se parece que ainda estou a meio da vida! Os amores, as paixões (per)seguiram-me durante vários anos e fizeram-me muito feliz, mas as decepções, as desilusões, as lágrimas vertidas, as esperanças vãs feriram-me por sua vez. E, foi, assim que um belo dia decidi descansar de tudo isso, enfim o repouso merecido!

Mas... mas não contava encontrar-te. No início nem dei por nada, pela tua chegada, passos lentos e leves feito plumas de pavão. Pouco a pouco, entraste no meu mundo, pegaste no meu coração e libertaste-o desta "preguiça" e lassidão.

Disse NÃO! Que NÃO, que desse por onde desse o meu coração já estava na reforma, porque eu assim o havia decidido. No entanto... tu soubeste cativá-lo.

Não por palavras, pois essas conheço-as demasiadamente bem (tão bem que por vezes me parecem quase inúteis). Tu aprisionaste o meu coração, sim TU. Tu e tudo aquilo que ÉS: os teus olhos, a tua boca, os teus gestos que dizem mais do que tudo.

Lembras-te quando me comparaste a champanhe francês com trago a espumante português? Sabes que mais... tinhas razão!
Em mim borbulha a vida, fervilha a vontade estonteante e inebriante de te acompanhar, bolhinhas e bolinhas efervescentes que me embriagam e me põem tonta de estar ao teu lado em todo o lado.

E o futuro? Pergunto-me... Não sei!!! Parece-me tão distante e longuínquo. Apenas consigo vislumbrar pequenos carreiros que se apresentam em cada dia e que me dizem que seria bom se percorressemos o mesmo caminho!

E não é que tens razão! Quando dizes que o meu coração é demasiado jovem para se reformar! Conseguiste po-lo novamente a bater fortemente e... confesso que me faz sentir bem.

Para terminar apenas uma confissão: meu coração fica, permanece indefinidamente, porque EU AMO-TE. Meu coração que és fogo, pedra, gelo, gelatina, plasticina, és vermelho, negro, sangue, pus, cura, ferida, doce, por vezes azedo, aridez, oásis, sonho, ou pesadelo, livro fechado, página em branco, amarras, asas, és rude, gentil, generoso, egoísta, ingénuo, puro, outras perverso, selvagem, indomável, fiel, traiçoeiro, sádico, masoquista, mudo, esfuse(i)ante, forte, frágil, chegada, olá, despedida, adeus, és pouco, nada, és tudo, plenitude, és infinito, (até que a) morte (nos separe) e... és sobretudo VIDAAA.
(et mon coeur s'accélére quand tes yeux se posent sur moi!..)


P.S. Um FELIZ 2008 para o meu coração e para todos os CORAÇÕES que se batem pela (na) vida.

segunda-feira, dezembro 31, 2007

Se... Se....




O último poema do ano...

Desaparecida destas "lides" não por não ter nada que escrever, mas porque não consigo expressar tudo o que me suga a alma! As palavras parecem insuficientes para descrever tantos sentimentos escondidos e enterrados em mim... melhor que morram antes de germinarem...


Se ... fosse boca

Seria apenas para te beijar

Se... fosse uma vereda

Seria para nela passeares

Se fosse um perfume

Tu serias a sua essência

Se fosse uma ideia

Tu serias o meu pensamento

Se fosse o céu

Serias o meu azul

Se fosse uma ostra

Serias a minha pérola

Se eu fosse TU

Tu amar-me-ias

Passaria mais tempo comigo

A observar-me amorosa e silenciosamente

Mas... sou APENAS EU...

terça-feira, setembro 25, 2007

"MIMO" GRANDIOSO











"As palavras são desnecessárias para exprimir o que sente o coração"



Marcel Marceau

segunda-feira, setembro 24, 2007

VERSOS NUS



Hoje um post diferente, porque amo a poesia e também porque me foi, gentilmente, pedido pelo autor de "VERSUS NUS", ou seja,TIAGO NENÉ!






A poesia é feita disso mesmo, versos nus, em que despimos todas as emoções, sentimentos, frustações, sofrimentos e ...saudades. É a alma posta a nú sem qualquer "pudor" ainda que hoje em dia seja tão pouco divulgada e no fim de contas ainda existem poetas, trovadores e gente que sente, que sonha e sofre ... (como eu...)




Sendo assim, aqui fica a informação:




No próximo dia 29 de Setembro, pelas 16.00, no Magnolia Caffee (Praça de Londres), em Lisboa, vai ter lugar o lançamento do Versos Nus. Como diz o autor "A poesia deste livro está carregada de influências literárias estrangeiras, tais como Allen Ginsberg, Uberto Stabile ou Charles Bukowski"
Haverá posteriormente uma outra apresentação, na Fnac do Algarve Shopping, em data ainda por designar. Po isso COMPAREÇAM!

DESEJO-LHE MUITO SUCESSO TIAGO!





domingo, setembro 23, 2007

TEUS OLHOS VERDAZUIS



Vejo em ti meu amor, o verde azul
A cor desses olhos cativantes
Deslumbram-me como o mar do sul
Em tardes de brilhos cintilantes

Essa cor, onde tanto me emociono
Faz de mim tua escrava, e senhora
Olhos verdazuis, de quem tu és dono
Olhem p’ra mim, uma "poetisa trovadora"

Para eles, poemas bem imagino
Como um pintor, suas telas coloridas
Fascinam-me como a mesa do casino
Onde há cartas, ganhas e perdidas

Faço poesia, de paixão e felicidade
Para esse lindo verde azul das Caraíbas
Tragos no coração por minha vaidade
Oxalá não me deixam triste, e de fadigas

Teus olhos são a minha primavera
Meu sonho, e a minha fortaleza
São a cor que meu coração venera
Num grande amor, absoluto de pureza

[Para ti, por ti ... SAUDADES de neles me rever e ... perder ...;) ]

sábado, setembro 22, 2007

O amor disse ADEUS

O amor disse ADEUS
E foi embora
Tirou "férias"
E foi por esse mundo fora
Não sei se volta
Ou se demora
E agora? ... E agora...
Passa o tempo hora a hora
A minha alma chora
As minhas entranhas devora
A minha face já não cora
E no meu coração ... já não mora...
O amor disse ADEUS
Foi embora
E agora ... e agora ...

segunda-feira, setembro 10, 2007

ANJO


Anjo! Leva-me nas asas do vento
Muito para lá do pensamento
Por nuvens de sonhos coloridos
Em arco-íris de desejos floridos
Em caminhos iluminados de emoções
Atravesso a distância e o tempo
Por paisagens orvalhadas de luar
Num tapete dourado de estrelas
Esboços que não cabem em telas
Na velocidade do sentimento
Que me impulsiona a te buscar
Sigo nas asas das Fadas, Musas e Anjos Azuis
Que me ensinam poesias
Que guardo para te dar
Na volta dessa viagem
Denoto a mera miragem
Foi apenas um sonho...
Mas ainda sinto no corpo
O perfume das tuas mãos a me acariciar

sexta-feira, agosto 31, 2007

... e nunca te disse!



Foto: Sissi 2006 "As amarras da alma"


Amo-te ... e nunca te disse
Assim o coração o decidiu
Amo-te ... e nunca te disse
Assim a vida o permitiu

Meras palavras soltas ao vento
Sílabas que atravessam o ar
Palavras presas no tempo
Frase suspensa num luar

Sentimento guardado na alma
Sonho fechado no coração
Paixão que jamais se acalma
Amor sem qualquer explicação
Amo-te ... e nunca te disse
Digo agora!

Ao vento que passa,
No ar que respiro,
No tempo inacabado,
Num gesto suspenso,
Num segundo de minuto disperso,
Num simples suspiro,
Num ser de corpo vazio,
Num nada concreto,
Num tudo perverso,
Num sentir absoluto
Num silêncio absurdo ...


... Amo-te ...
... E nunca te disse ...


segunda-feira, agosto 27, 2007

CONFIANÇA


Enviaram-me esta história por email (thanks M.), não conhecia... Gostei muito e deu-me que pensar!



Havia um lenhador que acordava às 6 da manhã, e trabalhava o dia inteiro só parava muito tarde, já de noite. Esse lenhador tinha um filho lindo, e uma raposa sua amiga, tratada como bicho de estimaçao, era de sua total confiança. Todos os dias o lenhador ia trabalhar e deixava a raposa cuidando do seu filho. Ao retomar do trabalho, a raposa ficava feliz e contente com a sua chegada.

Os vizinhos desse lenhador alertavam que a raposa era um bicho selvagem, e portanto não era confiável. Quando ela sentisse fome comeria a criança, o lenhador, sempre retrocando com os vizinhos argumentava que isso era uma parvoíce, a raposa era amiga e jamais faria isso!

Os vizinhos insistiam:

-Lenhador abra os olhos! A raposa vai comer o seu filho!

-Quando sentir fome comerá o seu filho - repetia outro.

Um dia, o lenhador exausto do trabalho, cansado desses comentários, resolveu voltar para casa mais cedo, e ao chegar a casa viu a raposa sorrindo como sempre, e a sua boca suja de sangue... Ele suou frio, e sem pensar duas vezes meteu o machado na cabeça da raposa.

Ao entrar no quarto, desesperado, encontrou o seu filho no berço dormindo tranquilamente, e ao lado do berço, uma cobra morta.

O lenhador amargurado e angustiado, enterrou o machado e a raposa juntos.


Moral da história: se confias em alguém ,não importa o que os outros digam ou pensem a esse respeito. Nunca te deixes influenciar. Sê tu proprio e segue o teu coração ...

domingo, agosto 26, 2007

Rapto

Um dia destes rapto-te ...

Juro que te rapto

E nem peço resgate.

Mas não te preocupes

Rapto-te apenas

Com o teu consentimento...

E escondo-te nos meus sonhos

Nas minhas ilusões,

Nas minhas sensações...

Abro-te as portas

Do meu mundo

E deixo-te entrar...

Sem vendas,

Sem mordaças,

Sem amarras,

Sem algemas,

Apenas tu...

Um dia destes...

Juro que te rapto

Torno-te sonho

Ilusão

Sensação...

E nem vou pedir resgate.

sábado, agosto 25, 2007

ELOGIO AO AMOR

"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas.Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber.Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e é mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática.O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, banançides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.
Já ninguém se apaixona?
Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos.Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.
Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra.A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessýria. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz.Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."

Miguel Esteves Cardoso in Expresso


quinta-feira, agosto 23, 2007

Madeleine - O princípio do fim



Jornalista da RTP pode ser processada pelos McCann


"Os pais de Madeleine querem processar a jornalista da RTP, Sandra Felgueiras, por difamação, afirmando que, num directo, a repórter terá insinuado que Kate teria matado a filha."

(retirado do Sol)

http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=51955&dossier=Madeleine.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspxcontent_id=51955&dossier=Madeleine

Novamente o caso Madeleine na ribalta, acordei hoje inundada com notícias, na TV, nos jornais, nas notícias on-line, nas conversas de café!
Sinceramente, já não há "pachorra"! Até porque cada dia que passa tudo fica mais óbvio e claro, apesar das notícias contraditórias que vão saindo cá para fora, na imprensa nacional e estrangeira (já para não falar nos "sensacionais" jornalistas britânicos, apetece-me dizer: «cresçam e apareçam, ou seja, tenham juízo»! Enfim!).
Comentários à parte, mais os dias passam, mais a "minha teoria" ou cenário parece estar quase a comprovar-se! Aguardam-se mais notícias para este "triste e inacreditável caso policial/ jornalista" tenha FIM (todos sabemos qual é... faltam apenas alguns fios da meada que estão soltos ou emaranhados...).
Tenho pena, se o meu feeling se vier a comprovar (não vou aqui referir qual é, para não ferir susceptibilidades, mas que já tenho desde o primeiro mês do desaparecimento da menina), vão rolar muitas cabeças e dar-nos conta que andámos (mais de) 100 longos dias a fazer figura de URSOS. Como o ser humano continua a ser muito ingénuo!...
Quiçá esta história não dará um bom trailer psico-policial?!

domingo, agosto 19, 2007

Boa sorte/ Good luck

Um bom encontro é de dois ... por isso ... Boa sorte para ti, good luck to me!

«É só isso
Não tem mais jeito
Acabou, boa sorte
Não tenho o que dizer
São só palavras
E o que eu sinto
Não mudará
Tudo o que quer me dar
É demais
É pesado
Não há paz
Tudo o que quer de mim
Irreais
Expectativas
Desleais
That's it
There is no way
It's over, Good luck
I have nothing left to say
It's only words
And what l feel
Won't change
Everything you want to give me
It too much
It's heavy
There is no peace
All you want from me
Isn't real
Expectations
/ Tudo o que quer me dar
É demais
É pesado
Não há paz
Tudo o que quer de mim
Irreais
Expectativas
Desleais
Mesmo, se segure
Quero que se cure
Dessa pessoa
Que o aconselha
Há um desencontro
Veja por esse ponto
Há tantas pessoas especiais
Now even if you hold yourself
I want you to get cured
From this person
Who poisoned you
There is a disconnection
See through this point of view
There are so many special people in the world
so many special people in the world in the world

All you want
All you want
Tudo o que quer me dar /Everything you want to give
me
É demais / It's too muchÉ pesado / It's heavy
Não há paz / There is no peace
Tudo o que quer de mim / All you want from me
Irreais/ isn't real
Expectativas / Expectations
Desleais
Now we're Falling into the night
Um bom encontro é de dois»

Vanessa da Mata Feat Ben Harper

sábado, agosto 18, 2007

ESQUEÇA!

Esqueça..se ele não te ama
Esqueça..se ele não te quer
Não chores mais, não sofra assim
Porque eu posso te dar amor sem fim

Ele não pensa, em querer-te
Te faz sofrer e até chorar

Não chores mais, vem pra mim
Vem, não sofra, não pense..
Não chores mais, meu bem..

Marisa Monte

(Adoro esta música...)

Constatando...


Pior que não te ver

É ver-te

E não te ter...

quinta-feira, agosto 16, 2007

Sou virgem no amor


Não tenhas ciúmes
Do passado
Que passou.
Dos corpos que abracei

Das bocas que beijei
Das pessoas que tive
E que esqueci.

Toma-me.
Sou virgem no amor
Que sinto por ti.
Como rosa branca
Pura, imaculada
Sem mancha
Resguardei-me para ti

Na paixão que (me) arrebata.
No sentir que me amarra
Não tenhas ciúmes.

Como gaivota ao sabor do tempo
Nas dunas batidas pelo vento
Não consegues sentir
Quando unimos os corpos
Que o prazer de te possuir
É a delícia infinita
De quem só conheceu um (único) amor

O (NOSSO) SILÊNCIO


O teu silêncio...
Os dias vazios
Sem a tua presença
Provocam em mim
A insegurança
A eterna angústia
Que me dilacera

No meu silêncio...
[a que me o(a)briguei]
Pressinto o frio da noite
O fim do sonho
O mero engano
A duplicidade
Desta estranha cumplicidade

O misterioso bailar
De quem tem receio de amar
Não sei se me atrevo ...
... a recomeçar
Se te deixo entrar
Se te faço parar...
Não sei se te amo...
Se apenas te desejo...
Neste impulso carnal-divinal
Deveras abismal...

quinta-feira, agosto 09, 2007

Bloody men


Bloody men are like bloody buses -

You wait for about a year
And as soon as one approaches your stop
Two or three others appear.
You look at them flashing their indicators,
Offering you a ride.
You're trying to read the destinations,
You haven't much time to decide.
If you make a mistake, there is no turning back.
Jump off, and you'll stand there and gaze
While the cars and the taxis and lorries go by
And the minutes, the hours, the days.

Wendy Cope

segunda-feira, agosto 06, 2007

LES FEUILLES MORTES



Recordo-me deste poema da minha infância de Jacques Prévert (1945) les Feuilles mortes, que tem tudo a ver comigo. Gosto do outono, das folhas caídas, dos jardins num final de tarde com os seus bancos vazios e as folhas a esvoaçarem como se levassem todos os sentimentos por aí fora sobre o vento, sobre o céu... acho romântico...
Descobri hoje (e esta hein?!!!!) que foi adaptado para o inglês por Johnny Mercer do qual resultou na belíssima canção "Autumn Leaves" (When you went away) cantada por Eva Cassidy. E ainda por cima tenho a canção. Imperdoável não ter reparado :(
Descubram as diferenças ... :)

Oh ! je voudrais tant que tu te souviennes
Des jours heureux où nous étions amis.
En ce temps-là la vie était plus belle,
Et le soleil plus brûlant qu'aujourd'hui.
Les feuilles mortes se ramassent à la pelle.
Tu vois, je n'ai pas oublié...
Les feuilles mortes se ramassent à la pelle,
Les souvenirs et les regrets aussi
Et le vent du nord les emporte
Dans la nuit froide de l'oubli.
Tu vois, je n'ai pas oublié
La chanson que tu me chantais.

[Refrain:]
C'est une chanson qui nous ressemble.
Toi, tu m'aimais et je t'aimais
Et nous vivions tous deux ensemble,
Toi qui m'aimais, moi qui t'aimais.
Mais la vie sépare ceux qui s'aiment,
Tout doucement, sans faire de bruit
Et la mer efface sur le sable
Les pas des amants désunis.

Les feuilles mortes se ramassent à la pelle,
Les souvenirs et les regrets aussi
Mais mon amour silencieux et fidèle
Sourit toujours et remercie la vie.
Je t'aimais tant, tu étais si jolie.
Comment veux-tu que je t'oublie ?
En ce temps-là, la vie était plus belle
Et le soleil plus brûlant qu'aujourd'hui.
Tu étais ma plus douce amie
Mais je n'ai que faire des regrets
Et la chanson que tu chantais,
Toujours, toujours je l'entendrai !

[Refrain]

Encosta-te a mim

Porque sim... porque vale a pena ... porque me apetece... porque estou de férias... porque ando sem inspiração para a "escrita"... porque ando mais virada para a música... porque ando com uma preguicite agudíssima... porque ando encostada ... porque o PC também tem direito ao descanso :) ... aqui deixo o tema principal do novo álbum do "dinossauro" Jorge Palma. Sublimes a letra e a música, para não falar na curiosidade do video clip com o maior número de "gente famosa" por metro quadrado ... reconhecem-nos? ;) Quase todos ligados às artes e amigos do autor, o encontro da velha com a nova geração :)





Encosta-te a mim,
nós já vivemos cem mil anos
encosta-te a mim,
talvez eu esteja a exagerar
encosta-te a mim,
dá cabo dos teus desenganos
não queiras ver quem eu não sou,
deixa-me chegar.
Chegado da guerra,
fiz tudo p'ra sobreviver em nome da terra,
no fundo p'ra te merecer
recebe-me bem,
não desencantes os meus passos
faz de mim o teu herói,
não quero adormecer.
Tudo o que eu vi,
estou a partilhar contigo
o que não vivi, hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.
Encosta-te a mim,
desatinamos tantas vezes
vizinha de mim, deixa ser meu o teu quintal
recebe esta pomba que não está armadilhada
foi comprada, foi roubada, seja como for.
Eu venho do nada porque arrasei o que não quis
em nome da estrada onde só quero ser feliz
enrosca-te a mim, vai desarmar a flor queimada
vai beijar o homem-bomba, quero adormecer.
Tudo o que eu vi,
estou a partilhar contigo o que não vivi,
um dia hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.

Jorge Palma - Encosta-te a mim...

quarta-feira, agosto 01, 2007

Pelo sonho é que vamos


Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.


Chegamos? Não chegamos?


Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.


Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.



Chegamos? Não chegamos?
- Partimos. Vamos. Somos.



( Sebastião da Gama)

sábado, julho 28, 2007

AO VENTO



E se pensas que tive medo
É falso
Apenas dei férias ao meu coração
Um pouco de repouso
E se pensas que me arrependo
Espera
Respira um pouco
O sopro de oiro
Que me empurra para a frente

E…
Faz de conta que rumei ao mar
Que desprendi a vela
Que me fiz ao vento
Encontrei a minha estrela
Faz de conta que deixei a terra
Segui-a por um instante
Sob o vento
E se pensas que acabou
Nunca
É apenas uma pausa, uma repetiçao
Depois do perigo
E se pensas que te esqueci
Escuta
Abre o teu corpo ao vento da noite
E fecha os olhos
E sente
... O vento

quarta-feira, julho 25, 2007

Último Esfuerzo

Por mais que nos esforcemos...de nada vale a pena...tudo (e todos) acaba por nos perseguir como uma sombra no nosso encalço!




By:
Autor da música/ tema: Nuno Peixoto (Beijos e mais não digo só pessoalmente;))
;
Direcção: Sergio San Martin (Parabéns)
Actor: Miguel Presti (boa expressão facial)
Ayte Dir: Sara Pineda (bom trabalho)
Fotografia: Gail Duboi (Excelente, boas perspectivas)
Edition: Paranoix Entertainment

www.sergiosanmartin.com

quinta-feira, julho 19, 2007

MEU OLHAR


O meu olhar triste,
Perdido,
Vazio,
Ferido,
Algo vago
Por vezes frio
Busquei perdão
Busquei afeição
Busquei um sorriso
Encontrei apenas solidão
Não achei o meu sol
Não encontrei o meu céu
Não achei o meu luar
Nem a quem amar
Olhei para ti
Assim que te vi
Perdi-t(m)me no caminho
Quem me chamar
Tem de ser de mansinho
Vai encontrar este estranho olhar
Uma alegria que um dia se acabou
Reflexos de um amor que findou
No meu olhar...
Existe dor
Existe amor
Existe um olá
Existe um adeus....

quarta-feira, julho 18, 2007

IMPULS(O)E...


E se de repente (sem estares à espera!)um Desconhecido te oferecer flores?!
Isso é... impuls(o)e ?...

domingo, julho 15, 2007

Será?

O que eu te quero dizer ...



Quero-te revelar
O meu maior segredo
Sempre te quis amar
Mas tive sempre medo
De me aproximar
Dizer-te aquilo que pensava

Ouço a tua voz
Vinda lá do fundo
Se ficarmos sós
Neste nosso mundo
E agora sei, que o amor
É tudo ou nada

Diz-me que vale a pena
Alma que me condena
Diz-me que vale a pena
Dizer-te o que eu te quero dizer

E o meu coração
Vive num dilema
Será que este amor
Vale mesmo a pena
Ou será melhor
Deixar tudo assim à margem

E a palavra amor
Que nós já gastámos
Fica sempre a dor
Se assim ficarmos
Deste nosso amor
Resta só a tua imagem

(Polo Norte)

(Queria dizer-te ...[ainda bem que não me lês] que estou num dilema, com medo de amar, receio de me aproximar (demasiado), pavor de me magoar, por isso não te disse/ digo nada... nem sei se vale a pena!)
Retomo o meu silêncio no teu!

sexta-feira, julho 13, 2007

Tudo o que eu te dou



Eu não sei, que mais posso ser
Um dia rei, outro dia sem comer
Por vezes forte, coragem de leão
Ás vezes, fraco assim é o coração
Eu não sei, que mais te posso dar
Um dia jóias;
Noutro dia o luar,
Gritos de dor,
Gritos de prazer
Que um homem também chora
Quando assim tem de ser.

Foram tantas as noites
Sem dormir,
Tantos quartos de hotel
Amar é partir...
Promessas perdidas
Escritas no ar
E logo ali eu sei...

Tudo o que eu te dou
Tu me dás a mim
Tudo o que eu sonhei
Tu serás assim
Tudo o que eu te dou
Tu me dás a mim
Tudo o que eu te dou

Sentado na poltrona,
Beijas-me a pele morena
Fazes aqueles truques que,
Aprendeste no cinema
Mais! peço-te eu,
Já me sinto a viajar
Pára, recomeça e faz-me acreditar

Não, dizes tu,
E o teu olhar mentiu,
Enrolados pelo chão no abraço que se viu
É madrugada ou é alucinação,
Estrelas de mil cores, extasy ou paixão
Hum, esse odor, traz tanta saudade
Mata-me de amor,
Dá-me liberdade
Deixa-me voar, cantar e adormecer

Tudo o que eu te dou
Tu me dás a mim
Tudo o que eu sonhei
Tu serás assim
Tudo o que eu te dou
Tu me dás a mim
Tudo o que eu te dou

(Mais uma música sublime do Pedro Abrunhosa... que me traz tanta saudade, mata-me de amor, dá-me liberdade...)

quinta-feira, julho 12, 2007

Ponte da despedida


Existe hoje entre nós
Uma distância colossal
Deveras abismal
Maciça,
Frieza de granito
Porque calamos a voz?

E antes que a saudade me tente
Engulo um grito
A despedida já era
Antes mesmo de o ser
Saudades ...
As evidências
Afinal nem vale a pena
Já se disse tanto!
Já se disse tão pouco!
Não se disse tudo
Não se disse nada

Ah as distâncias...
O espírito... mudo
Saudades...
Já era de prever
A pronta evidência
Que se quiz desapercebida

Não existe ponte nem travessia
Nem tristeza, nem alegria
Estamos tão separados como duas colunas
Ás quais o rio beija o chão à cidade.

quarta-feira, julho 11, 2007

Porta trancada

A permanente e constante necessidade de analisar tudo (e todos) até às profundezas, lá no osso, lá nas entranhas, lá no fundo!
O inevitável cuidado (constante e permanente) de nos defendermos, disfarçando... (quase sempre) sentimentos, calamos emoções, calcamos o peito, trancamos o coração, asfixiamos pensamentos, matamos os sonhos à nascença, tropeçamos nos comportamentos que se querem e não se têm, atitudes que deveríamos ter e fazemos precisamente o contrário ou até procuramos responder (quase sempre) a uma pergunta com uma outra pergunta! Evitam-se desilusões, sofrimentos, respostas, ilações e dá-nos mais tempo para pensar no que vamos dizer/ fazer ... Achamos que temos o controlo da nossa vida.
Em suma, passamos a vida a disfarçar, a driblar e a jogar.... com tudo e todos, com capacete e botas de protecção!
São "defeitos" (?) que acabam (quase sempre) por estorvar, afastar abraços que se querem trocar ou apenas desaproveitar êxtases que se desejariam viver...
Desperdícios... desoportunidades .... mandamos a felicidade ir bater a outra porta ou dar uma curva ou simplesmente recusamo-nos abrir a porta como se ela fosse uma intrusa (indesejável) ...
Pior do que tudo, nem sequer nos damos conta!

Um dia.... um dia ... num momento resolvemos abrir a porta e constatamos (quiça tarde demais) que a felicidade foi embora!

quinta-feira, julho 05, 2007

A ESFERA

Por sinal, essa esfera que me tentava sem me olhar,

Nada mais era do que um som

Que me levava a tentar fugir de ti… sair de ti…
Uma vez mais, sem saber porquê,

Desisti para te dizer:

Não dá mais, quero mais…e não for assim,

Esconde esse sorriso que me faz querer matar por mais!

Mais, mais…

Quero mais…

Mais, mais…

Por isso esconde esse sorriso que me faz querer matar por mais…
Só assim dá para mim conseguir que não doa mais,

Que me deixes ir,

Que me libertes de ti, que não me faças sentir,

E eu não quero cair, não me posso entregar

Sem que percebas que não podes julgar,

E eu quero tentar, poder acreditar

Que o aperto cá dentro

Um dia vai acabar,

E o monstro em mim, não irá sucumbir,

Não desfalece por não conseguir

Que olhes para mim, que me faças existir,

Por isso esconde esse sorriso que me faz querer matar por mais…
Mais, mais...



1.º Álbum de Pedro Khima "A Esfera"

http://www.youtube.com/watch?v=huN7vpydWUQ




O Desejo é Fruto de um Conhecimento Insuficiente

Não existe nada mais estranho e espinhoso do que a relação entre pessoas que só se conhecem de vista - que diariamente, mesmo hora a hora, se encontram, se observam e que têm assim de manter, sem cumprimentos e sem palavras, a aparência de desconhecimento indiferente, devido ao rigor dos costumes ou a caprichos pessoais. Entre elas existe inquietação e curiosidade exacerbada, a histeria da necessidade insatisfeita, anormalmente recalcada, de conhecimento e comunicação e sobretudo também uma forma de consideração tensa. Pois o ser humano ama e respeita o outro ser humano enquanto não está em posição de o julgar e o desejo é produto de um conhecimento insuficiente.

Thomas Mann, in "Morte em Veneza"

terça-feira, julho 03, 2007

A vida que nos escapa por entre os dedos

Volta-se o rico para os prazeres da carne e a maior parte do mundo faz o mesmo. E não sem acerto, porque todas as coisas agradáveis devem ser tidas como inocentes, e até que se provem culpadas todas as presunções pendem a seu favor.
A vida já é bastante penosa para que ainda a agravemos com proibições e obstáculos aos seus deleites; tão arisca se mostra a felicidade que todas as portas por onde ela queira entrar devem permanecer escancaradas. A carne enfraquece muito precocemente - e os olhos olham com melancolia para os prazeres de outrora. Muito rápidamente todas as alegrias perdem a vivacidade - e admiramo-nos de como pudessem ter-nos interessado tanto. O próprio amor torna-se grotesco logo que atinge os seus fins. Guardemos o ascetismo para a estação própria - a velhice.
É este o grande drama do prazer; todas as coisas agradáveis acabam por amargar; todas as flores murcham quando as colhemos, e o amor morre tanto mais depressa quanto é mais retribuído. Por isso o passado parece-nos sempre melhor que o presente; esquecemos os espinhos das rosas colhidas; saltamos por cima dos insultos e injúrias e demoramo-nos sobre as vitórias. O presente parece muito mesquinho diante de um passado do qual só retemos na memória o bom, e diante de um futuro que ainda é sonho. O que alcançamos nunca nos contenta; «olhamos para diante e para trás em procura do que não está ali»; não somos bastante sábios para amar o presente do mesmo modo que o amaremos quando se tornar passado. Quando mergulhamos num prazer, o nosso olhar vai para longe - a felicidade ainda não está alcançada apesar de termos o deleite nos nossos braços. Que mau demónio nos afeiçoou assim?

Will Durant, in "Filosofia da Vida"

quinta-feira, junho 28, 2007

Quebramos os dois

Gosto da sonoridade desta canção e da voz do vocalista dos Toranja. Quanto à interpretação ... bem há quem diga que as letras dos Toranja não têm nexo nenhum! Há que tentar interpretá-las cada qual do seu modo. Esta música poderá falar de uma despedida, dum amor que se "quebrou" mesmo não se querendo, de um amor platónico, quem sabe inconcretizável ... Inclino-me para esta opção, de almas sem corpo, de corpos sem alma... Embora continue a achar a letra intimista demais, apenas perceptível para o (a) ele(a)que o viveram … mas que é sem dúvida um poema belíssimo!
Quanto ao video não é oficial mas achei-o engraçado, singelo e muito bem adaptado!

Eu a convencer-te (de) que gostas de mim,
Tu a convenceres-te de que não é bem assim.
Eu a mostrar-te o meu lado mais puro,
Tu a argumentares os teus inevitáveis.

Eras tu a dançares em pleno dia,
E eu encostado como quem não vê.
Eras tu a falar para esconder a saudade
E eu a esconder-me do que não se dizia.

Afinal,
Quebrámos os dois… (2x)

Desviando os olhos por sentir a verdade,
Juravas a certeza da mentira,
Mas sem queimar de mais,
Sem querer extingir o que já se sabia.

Eu fugia do toque como do cheiro,
Por saber que era o fim da roupa vestida,
Que inventara no meio do escuro onde estava,
Por ver o desespero na cor que trazias.

Afinal,
Quebrámos os dois… (4x)

Era eu a despir-te do que era pequeno,
Tu a puxar-me para um lado mais perto,
Onde se contam histórias que nos atam,
Ao silêncio dos lábios que nos mata.

Eras tu a ficar por não saberes partir,
E eu a rezar para que desaparecesses,
Era eu a rezar para que ficasses,
Tu a ficares enquanto saías.

Não nos tocámos enquanto saías,
Não nos tocámos enquanto saímos,
Não nos tocámos e vamos fugindo,
Porque quebrámos como crianças.

Afinal,
Quebrámos os dois… (4x)

É quase pecado que se deixa.
Quase pecado que se ignora.


quarta-feira, junho 27, 2007

Palavras para quê?



"O problema nem é tanto encontrar alguém com quem apeteça dormir, mas sim... encontrar ALGUÉM com quem apeteça acordar!"


Anónimo
(Palavras para quê? ...)

terça-feira, junho 26, 2007

Um minuto de prazer


"Projecto-me para areia e para o azul do mar
Transbordo de saudade e histórias para contar
Devoro a viagem com a pressa de chegar
Desfoco a tua imagem nos meus olhos a chorar


Ai se eu pudesse andar para trás
Ai queria aquele amor fugaz
Queria mais um minuto de prazer


Convoco o teu corpo para o meu sonho virtual
Despertas do meu fogo um instinto animal
Será isto utopia ou paixão a florescer
Converto o dia a dia num minuto de prazer


Ai se eu pudesse andar para trás
Ai queria aquele amor fugaz
Queria mais um minuto de prazer"


- André Sardet




(Aiiii se eu pudesse andar para trás!!... Ai queria aquele amor fugaz, queria mais... muitoooo mais do que um minuto de prazer... )

sábado, junho 23, 2007

Quem Me Leva Os Meus Fantasmas?


Aquele era o tempo em que as mãos se fechavam
E nas noites brilhantes as palavras voavam
E eu via que o céu me nascia dos dedos
E a Ursa Maior eram ferros acessos
Marinheiros perdidos em portos distantes
Em bares escondidos em sonhos gigantes
E a cidade vazia da cor do asfalto
E alguém me pedia que cantasse mais alto

Quem me leva os meus fantasmas
Quem me salva desta espada
Quem me diz onde é a estrada

Aquele era o tempo em que as sombras se abriam
Em que homens negavam o que outros erguiam
Eu bebia da vida em goles pequenos
Tropeçava no riso abraçava venenos
De costas voltadas não se vê o futuro
Nem o rumo da bala nem a falha no muro
E alguém me gritava com voz de profeta
Que o caminho se faz entre o alvo e a seta

Quem me leva os meus fantasmas
Quem me salva desta espada
Quem me diz onde é a estrada

De que serve ter o mapa se o fim está traçado
De que serve a terra à vista se o barco está parado
De que serve ter a chave se a porta está aberta
De que servem as palavras se a casa está deserta

Quem me leva os meus fantasmas
Quem me salva desta espada
Quem me diz onde é a estrada

(Pedro Abrunhosa)


Poema pouco original do medo









O medo vai ter tudo
pernas

ambulâncias

e o luxo blindado

de alguns automóveis

Vai ter olhos onde ninguém o veja

mãozinhas cautelosas

enredos quase inocentes

ouvidos não só nas paredes

mas também no chão

no tecto

no murmúrio dos esgotos

e talvez até (cautela!)

ouvidos nos teus ouvidos
O medo vai ter tudo

fantasmas na óperas

sessões contínuas de espiritismo

milagres

cortejos

frases corajosas

meninas exemplares

seguras

casas de penhor

maliciosas casas de passe

conferências várias

congressos muitos

óptimos empregos

poemas originais

e poemas como este

projectos altamente porcos

heróis (o medo vai ter heróis!)

costureiras reais e irreais
operários (assim assim)

escriturários (muitos)

intelectuais (o que se sabe)

a tua voz talvez

talvez a minha

com a certeza a deles
Vai ter capitais

países

suspeitas como toda a gente

muitíssimos amigos

beijos

namorados esverdeados

amantes silenciosos

ardentes

e angustiados
Ah o medo vai ter tudo!

tudo (Penso no que o medo vai ter

e tenho medo

que é justamente

o que o medo quer)
O medo vai ter tudo

quase tudo

e cada um por seu caminho

havemos todos de chegar

quase todos

a ratos


(Alexandre O'Neill)





quinta-feira, junho 21, 2007

Em mim...


Em mim habitam
Sonhos coloridos
Perfumados de jasmim
Nascem... Brotam...
Jardins floridos
Sonhos esculpidos
Moldados em marfim
Com toque de cetim
Sonhos imensos
Que não mais têm fim ...

segunda-feira, junho 18, 2007

Cavaleiro Andante


Porque sou o cavaleiro andante
Que mora no teu livro de aventuras
Podes vir chorar no meu peito
As mágoas e as desventuras

Sempre que o vento te ralhe
E a chuva de maio te molhe
Sempre que o teu barco encalhe
E a vida passe e não te olhe

Porque sou o cavaleiro andante
Que o teu velho medo inventou
Podes vir chorar no meu peito
Pois sabes sempre onde estou

Sempre que a rádio diga
Que a américa roubou a lua
Ou que um louco te persiga
E te chame nomes na rua

Porque sou o que chega e conta
Mentiras que te fazem feliz
E tu vibras com histórias
De viagens que eu nunca fiz

Podes vir chorar no meu peito
Longe de tudo o que é mau
Que eu vou estar sempre ao teu lado
No meu cavalo de pau

(Carlos Tê / Rui Veloso)

sábado, junho 16, 2007

GET DRUNK

One should always be drunk. That's all that matters;
that's our one imperative need. So as not to feel Time's
horrible burden one which breaks your shoulders and bows
you down, you must get drunk without cease.

But with what?
With wine, poetry, or virtue
as you choose.
But get drunk.

And if, at some time, on steps of a palace,
in the green grass of a ditch,
in the bleak solitude of your room,
you are waking and the drunkenness has already abated,
ask the wind, the wave, the stars, the clock,
all that which flees,
all that which groans,
all that which rolls,
all that which sings,
all that which speaks,
ask them, what time it is;
and the wind, the wave, the stars, the birds, and the clock,
they will all reply:

"It is time to get drunk!

So that you may not be the martyred slaves of Time,
get drunk, get drunk,
and never pause for rest!
With wine, poetry, or virtue,
as you choose!"

By Charles Baudelaire