segunda-feira, fevereiro 12, 2007

HEAVENLY BODIES WITH ...

E se tudo fosse assim tão simples e singelo?!...

Que o desencontro desse lugar ao encontro?

Tenho a certeza que seria (tão só) ... assim :)

[Porque será que esta pintura me faz lembrar

"O Principezinho" ?! - que saudades ...]








Pintura de Brenda Harthill
Heavenly Bodies with Moonstruck Lovers
Collagraph with silver leaf in collaboration with Mychael Barratt
76cm x 60cm 30” x 23”





Pintura de Brenda Harthill
Heavenly Bodies with Moondance
Collagraph with silver leaf in collaboration with Trevor Price
76cm x 60cm 30” x 23”







Pintura de Brenda Harthill
Heavenly Bodies with Angel
Collagraph with silver leaf, in collaboration with Anita Klein
76cm x 60cm 30” x 23”










S
I
M
P
L
I
C
I
D
A
D
E
!


APRENDENDO


sexta-feira, fevereiro 09, 2007

UTOPIA

Ao sabor da corrente
Sumiê – 23X16 cm – 1998



Hei de tocar o teu sonho
E fazer-me abstrato
Em teu mundo
Transpor os umbrais
De teu corpo
Conduzir-te ao
Delírio noturno
Sentir o teu cálido cheiro
Tornar-me teu deus
E teu homem
Manchar teu pudor
Com desejo
Fazer-te implorar
Por meu nome
Hei de invadir teu silêncio
Cantar-te
Inocentes mentiras
Olhar-te e calar o teu medo
Dar-te de mim outra vida
Hei de velar o teu sono
Cobrir-te na noite mais fria
Deixar-te sem servo
Nem dono
E tornar-me
A mais bela utopia.

(Sanderson Alex)

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

SÓ CONHEÇO O AMOR EM IDO


Só conheço o amor perdido

De nunca o ter tido

Só conheço o amor ferido

Aquele nunca vivido

Só conheço o amor sem sentido

O que foi em tempos ido

Só conheço o amor imerecido

No meu coração ardido

Só conheço o amor despido

Do teu corpo nunca tido

Só conheço o amor "fodido"

No meu corpo mordido

Só conheço o amor sofrido

Por tanto tempo mantido

Só conheço o amor envelhecido
Do passado amarelecido
Só conheço o amor sumido

Nem tido nem vivido
Só conheço o amor oprimido
No meu peito imprimido















SE EU FOSSE ...

Foto: Jomar


Se eu fosse um bicho
Seria um gato
Felino ... em cio
Cioso e
arredio
Independente
e ágil
Elegante e selvagem
Por vezes virando fera
Outras ficando afável


Se eu fosse um bicho
Seria uma coruja (das neves)
Perscrutadora e agoirenta
Observadora e inquisidora
Habitante das sombras e da lua
Companheira da noite misteriosa
Visão raio-X, astuta, fria e poderosa
Aparentemente quieta e silenciosa

Se eu fosse bicho
Seria um pato
Tímido e desengonçado

Trapalhão e assustado
Simples e pachorrento

Um patinho feio
Que nem sonha virar cisne

Se fosse um bicho
Seria uma corça
Livre e indomável
Perseguida e solitária
Filha do vento
Rebelde e graciosa
Ágil, esquiva e magestosa

Se eu fosse um bicho
Seria um golfinho
Dócil e brincalhão

Maternal e amigo

Inteligente rindo
Mergulhando e valsando
Na espuma do mar


terça-feira, fevereiro 06, 2007

PALAVRAS




Escrevo missivas

Da qual sou mera destinatária

Nas minhas neuroses passivas

Busco mares e ilhas lendárias

Nas entrelinhas um frio de desespero

Junto palavras a palavras

Nem sei porque o faço ou espero

Das "poesias" faço arrados e lavras

Nada semeio a não ser o meu anseio

Um jardim que nunca chega a vingar.

Deserto, imenso, seco e árido

Sem primavera para se anunciar

Tempestades de areia num vento tórrido

Nada faz sentido em mim

Somente as palavras ...

Negras ou em branco

Escritas ou apenas imaginadas

A maior parte nem publicadas

Pedaços de mim em mim

Teias, laços, sangue, lágrimas, entranhas
Vendaval de cogitações estranhas

Assim sou eu ...

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

PENSAMENTO/ REFLEXÃO

Ambiguidade e Acção

A Mentira é a recriação de uma Verdade. O mentidor cria ou recria. Ou recreia.
A fronteira entre estas duas palavras é ténue e delicada. Mas as fronteiras entre as palavras são todas ténues e delicadas.
Entre a recriação e o recreio assenta todo o jogo. O que não quer dizer que o jogo resulta sempre. Resulte seja o que for ou do que for.
A Ambiguidade é a Arte do Suspenso. Tudo o que está suspenso suspende ou equilibra. Ou instabiliza. Mas tudo é instável ou está suspenso. Pelo menos ainda. Ainda é uma questão de tempo.
Tudo depende da noção de tempo ou duração ou extensão. A aceleração do tempo pode traduzir-se pela imobilidade pois que a imobilidade pode traduzir-se por um máximo de aceleração ou um mínimo de extensão: aceleração tão grande que já não se veja o movimento ou o espaço ou a duração.
Tudo está sempre a destruir tudo. Ou qualquer coisa. Ou alguém. Mas estamos sempre a destruir tudo ou qualquer coisa. Ou alguém. Os construtores demolem.
No lugar onde estava o sopro, pormos pedras ou palavras: sinónimo de construção. Ou destruição. Ou acção.
Ana Hatherly, in 'O Mestre'

O PASTOR E O LOBO


Todos os dias, um jovem pastor levava um rebanho de ovelhas às montanhas perto da aldeia.

Um dia, por brincadeira, ele correu de lá de cima gritando:

- Um lobo! Um lobo!

Os Habitantes da aldeia trataram de apanhar pedaços de pau para caçar o lobo.

E encontraram o pastorinho às gargalhadas, dizendo:

- Eu só queria brincar com vocês!

E, vendo que a brincadeira realmente assustava os aldeões, gritou no dia seguinte:

- Um lobo! Um lobo!

E novamente os moradores da aldeia trataram de apanhar as suas armas de madeira.

Tantas vezes o fez que os habitantes da aldeia não ligavam mais aos seus gritos. Até que certo dia o jovem voltou a gritar:

- Um lobo! Um lobo! Socorro!

Um dos homens disse aos outros:

- Já não acredito. Ele não nos engana mais.

Desta vez era mesmo um lobo, que dizimou todo o rebanho do pastorinho.

terça-feira, janeiro 30, 2007

***


O FIM DO COITO




Agora que temos novo referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez, ocorre relembrar antes de 11/02, o poema de Natália Correia.

"O acto sexual é para ter filhos" - disse na Assembleia da República, no dia 03 de Abril de 1982, o então deputado do CDS João Morgado num debate sobre a legalização do aborto.
A resposta de Natália Correia, em poema - publicado depois pelo Diário de Lisboa em 5 de Abril desse mesmo ano - fez rir todas as bancadas parlamentares, sem excepção, tendo os trabalhos sido interrompidos por essa razão:



Já que o coito - diz Morgado -

tem como fim cristalino,

preciso e imaculado

fazer menina ou menino;

e cada vez que o varão

sexual petisco manduca,

temos na procriação

prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,

lógica é a conclusão

de que o viril instrumento

só usou - parca ração!

- uma vez. E se a função

faz o órgão - diz o ditado -

consumada essa excepção,

ficou capado o Morgado.

(Natália Correia - 3 Abril 1982).

domingo, janeiro 28, 2007

TEÇO, SOFRO E SONHO


Sozinha
TEÇO

Silêncios...
Lembranças...
Ausências...
Distâncias...
Penitências
Mudanças...

SOFRO
Sem rede...
Com febre
Sem remo...
Sem rumo...
Sem rota...
Sem rosto...
Sem rasto...

SONHO

terça-feira, janeiro 23, 2007

CLOSED DOOR





Partiste...
Outra é a boca que tu beijas
Outros os braços que te enlaçam
Um novo corpo que tu desejas
Outras as mãos que te tocam
Partiste...
Teus olhos já não reflectem os meus
A tua voz calou-se para mim
Os meus desejos já não sao teus
Fiquei apenas eu ... no fim
Partiste...
Mas, sabes que mais?
Pouco me importa!
Fechou-se a porta!
Não queiras mais entrar
Ninguém mora nesse lugar
PARTI
Segui viagem
Uma nova viragem
Na busca da minha MIRAGEM



SE AS PEDRAS FALASSEM

Numa conferência, um consultor especialista em gestão do tempo tirou de baixo da mesa um frasco grande de boca larga.
Colocou-o em cima da mesa,junto a uma bandeja com pedras do tamanho do punho, e perguntou:
"Quantas pedras vocês acham que cabem neste frasco?"
Depois dos presentes fazerem suas conjecturas, começou a colocar as pedras até que encheu o frasco. Depois perguntou:
"Está cheio?"
Todos olharam para o frasco e assentiram que sim.
Então, o consultor tirou debaixo da mesa um saco com gravilhão (pedrinhas pequenas, menores que a brita). Colocou parte do gravilhão dentro do frasco e o agitou. As pedrinhas penetraram pelos espaços que deixavam as pedras grandes. O consultor sorriu e repetiu:
“Está cheio?"
A maioria disse que sim. Então, pousou na mesa um saco com areia e começou a despejar no frasco. A areia infiltrava-se nos pequenos buracos deixados pelas pedras e pela gravilha.
"Está cheio?" perguntou de novo. Algumas pessoas exclamaram: "agora está!"
Então, o consultor pegou uma jarra de água e começou a derramar para dentro do frasco. O frasco absorvia a água sem transbordar.
"Bom, o que acabamos de demonstrar?", indagou o consultor.
Um ouvinte respondeu:
"Que não importa o quão cheia esta a nossa agenda, se quisermos, conseguimos sempre fazer com que caibam mais coisas".
"Não", concluiu o especialista. "o que esta lição nos ensina é que se não colocarmos as pedras grandes primeiro, nunca poderemos coloca-las depois... E quais são as grandes pedras da vida? A pessoa amada, os nossos filhos, os amigos, os nossos sonhos e desejos, a nossa saúde. AMIGOS, Se as grandes pedras da vida são estas, então, lembrem-se: ponham-nas sempre em primeiro plano, o resto, encontrará o seu lugar"
(Autor desconhecido)

quarta-feira, janeiro 17, 2007

LUA ADVERSA


Tenho fases, como a lua

Fases de andar escondida,

fases de vir para a rua...

Perdição da minha vida!

Perdição da vida minha!

Tenho fases de ser tua,

tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e que vêm,

no secreto calendário

que um astrólogo arbitrário

inventou para meu uso.

E roda a melancolia

seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém

(tenho fases, como a lua...)

No dia de alguém ser meu

não é dia de eu ser sua...E,

quando chega esse dia,

o outro desapareceu...

Cecília Meireles

terça-feira, janeiro 16, 2007

VOANDO


Nas asas do vento

Viajo pelo mistério do mar

Perdendo-me no labirinto do tempo

Encontro o brilho de teu olhar

segunda-feira, janeiro 15, 2007

ESPERA

Aqui estou

De corpo e asas feridas

Mãos e alma abertas

Para ti...

Não sei para onde vou!


Nem sequer quem sou ...

sexta-feira, janeiro 12, 2007

SONHO ARCO-ÍRIS




Há em teus olhos


Uma tristeza azul.


Esperança e desejo


De um sonho arco-íris.


Diante de ti


Distante do teu coração.


Desencanto com o sol


Desencontro dos dias de inverno.


Menina...


Sabes a razão disso tudo?


Porque é assim tão diferente?


Talvez um dia...


Encontrarás um pote de ouro


No fim do teu sonho arco-íris.





"My heart leaps up when I behold A Rainbow in the sky"



- William Wordsworth




quinta-feira, janeiro 11, 2007

BORBOLETA



Borboletinha

Que voas e redopias sem parar

Tua beleza gera encanto

Outras vira um pranto

Borboletinha

Não queiras subir tão alto

Perto da luz que te seduz

E a cinzas te reduz!

Borboletinha

Não te deixes enganar

Não penses em te aproximar

E as tuas asas queimar!

Que te impediçam de voar!

Borboleta

De que te servirá a luz

Se não puderes voar?

A vida é uma roleta ...
(Faite vous jeux Messieurs!)
De que te servem as asas

Se não puderes sonhar?


terça-feira, janeiro 09, 2007

NOITE SOMBRIA

Caminho errante e solitária
Pela avenida fria e deserta

Em passos mecânicos

Sigo sem rumo

Aspiro o fumo

Milhares de pensamentos

Bombardeiam a minha mente

Perscruto os meus lamentos

Sem destino sigo em frente

Oiço ao longe ...

Uma melodia que ecoa

Sob o luar sombrio

Perco-me pela noite fora

Nos ossos sinto o frio

O coração a chorar

E sem ninguém para me amar.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

LETTERA AMOROSA

Eugénio de Andrade é um dos meus Poetas preferidos.
Ainda por cima da minha "zona" («As pessoas são a sua região» tal como ele dizia, concordo totalmente!).
A sua poesia caracteriza-se pela importância dada à palavra, os seus poemas, geralmente curtos, mas de grande densidade, e aparentemente simples, privilegiam a evocação da energia física, material, a plenitude da vida e dos sentidos, com forte presença dos temas do erotismo e da natureza, o «poeta do corpo», tal como ele se intitulava.
EUGÉNIO... POETA DE GÉNIO!!!




Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
a sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.


Foto: in Público, 18/3/90
As palavras



São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade

OBS: Para quem ficou com "apetite":

http://boticelli.no.sapo.pt/eugenio_de_andrade.htm