segunda-feira, dezembro 18, 2006



QUANTO MAIS, MENOS

Quanto mais te conheço
Maior o desencontro
Quanto mais te procuro
Mais me desconheço
Quanto mais te desejo
Menos te vislumbro
Quanto mais te lembro
Mais e mais ... te sonho
Quanto mais... Quanto mais...
Menos... Nada ... Menos

sábado, dezembro 16, 2006



OLHARES

Palavras inaudíveis aos ouvidos
Olhares que não se trocam
Nem se cruzam
Gestos perdidos
Carícias à solta pelos ventos
Percorrendo o intocável
Como num sonho volátil
Buscando o improvável
Beijando os teus cabelos
De dedos transparentes
Na pele do teu rosto
Por desvendar

Não penses num minuto escapar
Não sonhes num segundo procurar
Nem sismes no futuro que te fará chorar
Não sigas caminhos sinuosos e torturosos
Nem pretendas saber as regras do que não sabes
Não tentes o segundo na fracção de tempo imediato
Nem sabes onde o consultar para dizeres

Tudo o que me digas não será nada
E chega de rir e sorrir
Coisas tão vãs como trocamos
Não serão nada
Porque nos meandros dos teus olhos
Habitam os meus....




Não quero sonhar
Quero despertar!

Deixar de te pensar
Para te tocar
Deixar de te pressentir
Para te sentir

terça-feira, novembro 14, 2006

sexta-feira, novembro 10, 2006


AH! SE EU PUDESSE ...

Se eu pudesse
Fixar-te na minha retina
Ofuscar-me na tua luz
Sem ter medo de virar menina
És o sol que me seduz
Se eu pudesse
Imprimir-te no meu coração
Absorver-te de mansinho
Cair em tentação
Saborear-te devagarinho
Se eu pudesse
Envolver-te num abraço
Prender-te num laço
Se eu pudesse
Roçar os lábios... e a boca
Roubar-te um beijo
Desorientada e louca
Matar-te de desejo
Se eu pudesse
Em ti amanhecer
Em ti anoitecer
Se eu pudesse
Em ti adormecer
E deixar (apenas) a vida acontecer

quinta-feira, novembro 09, 2006



EM BRANCO


Brindo à "nossa" história
Livro em branco por escrever
Dançando na bruma da minha memória
Ansiando por te percorrer
Somos tela vazia por colorir
Pauta sem nota nem melodia
Rosa em botão, por abrir
Quem sabe ... um dia ...

terça-feira, outubro 24, 2006


SAUDADE
Saudade!
Onde começa e termina?
Depois do amor, na cama?
Na despedida, quando alguém diz que nos ama
Ou afogada num copo de bar, na esquina?
Duma lágrima de (in) felicidade
A brotar num olhar perdido e lasso
Sinto da mesma proporção com que amo.
Meu começo, meu fim
Término e recomeço
Acontecem dentro de mim
Até consigo vê-la, em cada lágrima que derramo!
Chega sempre do mesmo jeito
Invade-me sorrateiramente
E toma conta do meu peito
Altera-me o sorriso
Entristece-me o olhar!
Tolha-me os movimentos
Tolda-me os sentidos
Derruba-me os planos
Enaltece-me os desejos
Faz-me sonhar com o roçar de corpos
Carícias ... carinhos ... mimos e .. beijos...
Saudade, que me leva a pensar em ti
Tu que nem sequer existes em mim
Princípio do fim
Nem percorrido, nem iniciado
A saudade...
Do que já se viveu
Do que no futuro se almeja
Do que um dia morreu
Da chama que em mim flameja
A saudade ...
Refeita de dor
Pintada, mas sem cor
Com um brilho lento
Esvoaçando pelo vento
Que teima em queimar...

domingo, outubro 01, 2006



CANSAÇO
Tudo o que faço
É escasso
Compasso
Erro crasso
No espaço
Mas sigo a passo
Refaço
Sem qualquer traço
Disfarço
Este cansaço
E desfaço
Um abraço

sexta-feira, setembro 29, 2006




DEVANEIOS

A sua pulsação está a subir
Está repleta de desânimo
De vontade de escrever
Até quase amanhecer
Ainda não se vislumbra
Nenhuma calamidade na penumbra
Apenas o desejo de fugir e sair
Algumas horas antes de dormir
Então... então...
Assim voa o pensamento
E num bater de asas para lá do firmamento
Sonha com um (nunca dado) beijo
Puro, simples e naive devaneio...

PERDIDA
Onde foi que me perdi
Onde terei deixado os meus brocados
E o meu coração feito aos bocados
Onde está o que eu já vivi
Onde terei deixado
Ficar tudo para tás
Meu ser está petrificado
A alma ferida e voraz
Onde ficaram os sonhos
A alegria e a paixão
O meu manto e castelos
Foram-se embora sem razão
Perdeu-se a esperança
Veio habitar a dor e o vazio
Matou-se a criança
Permaneceu apenas este frio
Secaram as flores do jardim
Queimei as asas da transparência
Quando (e onde) me terei perdido de mim
Que me deixou esta ausência...

quinta-feira, setembro 28, 2006




FLORESTA MÁGICA

Este sentimento desgovernado...
Que corre sem destino
Sem qualquer rumo
Atravessa as ruas da paixão
Sem freio e num perfeito desatino
Ultrapassa o farol da razão.
Sem controle.
Sem medo... ela vai...
Viajando por lugares outrora visitados
Descobertas que não têm fim.
Avistando ao longe as florestas mágicas da ilusão
Que de tão empolgantes, chegam a arrebatá-la
Num momento que parece quase eterno.
A avenida do prazer é curta demais
Para a sua sede obsessiva!
Passa por ela
Porém o desejo de voltar é constante.
A emoção cala a dor do coração.
Não há tempo a perder.
Mas de repente percebe que o cenário não é mais o mesmo.
Não há mais a alegria das florestas mágicas
Nem a excitação da avenida do prazer.
Nem toda aquela euforia
O soprar dos ventos torna-se audível
E o bosque do medo apresenta-se
Com suas árvores dançantes
Ao soprar e cantar dos ventos
Conferindo-lhe uma certa torpeza...
Mas, segue constante.
Insiste!
Não há tempo a perder
Passeia pelas praças tortuosas do pesadelo
Onde o lúdico e o real
Caminham sobre uma linha ténue
E ao debater-se contra criaturas estranhas
Cai no mar dos sonhos...
Deleita-se nas suas ondas.
Neste encantamento
Sente-se amiga dos seres marinhos
A água a tranquiliza
E o oscilar das ondas a leva
Para a terra do amor.
Uma terra fértil
Observa ao seu redor
Toda aquela imensidão
Porém, só existe terra, mar e céu.
Não há frutos?!
Não poderia ser o bosque do medo.
Pois não havia árvores dançantes.
Já havia passado pelos pesadelos e suas criaturas...
Terra, mar e céu.
Não existia a volúpia da avenida do prazer
Nem a alegria inocente das florestas mágicas...
Terra, mar e céu.
Percebeu ..
Que esses sentimentos não poderiam ser isolados.
Pois na terra do amor
Eles seriam um só.

quarta-feira, setembro 27, 2006


PARA Ti * (R...)

Segura na minha mão
Ainda que só por uma vez
Não finjas sentir coisa alguma
E muito menos coisa nenhuma
Não leves timidez
Nem tragas rigidez

Segura na minha mão
Para que eu possa...
Além de te ver
Sentir as vibrações do teu corpo
Da tua verdade e querer

Segura na minha mão
Que é finda, a luz do meu dia
Que é doce o arfar do teu beijo
Quente a vontade e o desejo
Infinita a dor que me prendia
Agora não sinto mais nada
Então segura a minha mão
Alcança com ela a força da alma
E os sonhos do meu coração
Peço, uma vez ainda!
Que não a largues, nem que te peça!

Segura minha mão firmemente
Agora! Segura, depressa!
Segura a minha mão ...
Encosta a cabeça no meu colo
Quero falar-te do meu mundo
Das coisas que nele adoro...
E do meu sentir profundo

Segura a minha mão
E não te apresses a largar
Segura nas minhas mãos docemente
Enquanto nelas podes segurar...
Sinto-me trémula e dormente
Deixa-as repousar assim
Suavemente nas tuas... até ao fim
Não te interrogues sobre ... o amanhã
Não faças muito caso
Não me questiones sobre ... o agora
Deixa apenas ... nas mãos do acaso

quinta-feira, setembro 14, 2006

MORRI
(Re)Lembro hoje...
Não sei bem porquê
O tempo que foge
E que um dia...
Não sei bem como, nem porquê
Morri
No meio dos teus sorrisos
Das tuas artimanhas mágicas, artes e traições
Algo me atordoou
Algo me despedaçou
Mas não sei bem o quê
Fiz-me cacos, em pedaços
Algo se tornou dor
De que matéria se faz o amor que ninguém vê?
Morri
No meio das minhas (salgadas e) teimosas lágrimas
Que cairam no meu livro de desgostos
De que se faz o amor que não se lê?
No meu conto de desassossegos
Continuo a virar as páginas
Tentando apagar o teu rosto
Procurando descobrir o meu rasto
Morri
No meio do que era teu
Do que pensava ser eu
No limiar do tempo e do mundo
Entre o céu e o mar
Ainda continuo a nascer
Num furioso Tsunami
津波
(Significando literalmente onda de porto
Ou uma série delas que ocorrem após perturbações abruptas
E que deslocam verticalmente a coluna de água)
Continuo a renascer
Num sangue de esperança
Que só actua no papel ... por escrever
Morri
Nas palavras que ficaram por dizer
No caos e estilhaços que juntei, colei e uni
Até que mão desatenta e descuidada
Me tente, afague e pegue outra vez
Me solte a mente, me desenhe o corpo
Me afaste, largue e me parta de novo
Que sentido terá o amor que não se crê?
Mas mesmo que me sinta perdida
E ainda ressentida
Tantas vezes incentivada
Outras tantas desmotivada
Ainda me sinto ... VIVA

segunda-feira, setembro 11, 2006


VIDA ...
A vida é injusta
Por mais que insista
Não vale de nada sonhar!
Não serve de nada lutar!
E muito menos chorar
É este meu triste fado
Que me persegue para todo o lado
Desisto...
Não resisto!
Não espero!
Só... desespero...

sábado, setembro 09, 2006


SÓ EU SEI MEU SONHO AZUL

Não estar aqui

Não ser assim
EU
Ser sem sentir
SEI
Ter um viver
MEU
Voar em pleno
SONHO
Viajar pelas nuvens do céu
AZUL

sexta-feira, setembro 01, 2006


TEUS OLHOS

Trazes nos olhos o vazio
Da tristeza de anos a fio
Que não se vê
Sequer se lê
Mas que se sente
Profundidade de mar
Que se pressente
Mistérios por desvendar
Caminhos por desbravar
Le(a)vas no olhar sombrio (e opaco)
Tantas vezes (des)encontrado
Veludo azul
Azul bebé
Azul do mar
Azul do céu
Disfarçando a crueza da vida
De uma infância sofrida
Retinas que aparentam frieza
Mero... e puro engano
Tentas apagar a tristeza
No meio de tanta gente
Que tantas vezes te mente
Outras nem te sente
Tentas ludibriar
O teu dia-a-dia de solidão
Num corre corre sem coração
Tentas ocultar
Os teus traumas, medos e receios
Os sonhos, fantasias e devaneios
Das tuas noites sem razão
Tentas disfarçar
Essa tua insana natureza
De espírito inquieto
Nos teus tiques nervosos
De quem não consegue ficar quieto

segunda-feira, agosto 14, 2006




LOUCURA?

Tenho um sonho e um grito
Aqui dentro de mim
Tenho um cansaço e um abraço
Em tudo o que faço assim
Tenho a loucura do desejo
De ver o que não vejo
De sentir o que não sinto
De ser o que não sou
Tenho uma vontade louca
De tirar a roupa
Andar por aí
E abrir a janela
Ascender uma vela
E contar as estrelas
Tenho este sonho que invento
Que se perde no espaço
Soprado pelo vento
Tenho nos lábios um conto
Que me faz feliz e encanta
Tenho um poema que me diz
Que poeta eu não sou
Que mulher também não
Sou um pedaço do céu
Um grito do coração
Tenho o nada e o tudo
Que não me contenta
Mas que foge de mim
E se ausenta ...

domingo, agosto 13, 2006


DUALIDADES II

Prazer.
Ardor.
Arder.
Amor.
Foder
Atar.
Beijar.
Acariciar.
Fundir.
Gemer.
Unir.
Assar.
Partir.
Amassar.
Doer.
Trepar.
Castigar.
Enlouquecer.
Bater.
Roçar.
Morder.
Libertar.
Soltar: a vida; o espírito; o corpo; o tudo.
Chorar.
Sofrer.
Acreditar.
Desejar.
Querer.
Ser.
Estar.
Parecer.
Crer.
Sonhar.
Elevar: o vício; a mente; a alma; o vazio.
Sorrir.
Ficar.
Resistir.
Acarinhar.
Permanecer.
Cruzar.
Fugir.
Gritar.
Sorver.
Enroscar.
Desaparecer.
Fumar.
Embriagar.
Zarpar.
Libertar: o coração; a razão; a tesão; o nada.

sábado, agosto 12, 2006


DUALIDADES

Para quê possuir o sol
Se existe a lua
Desejar o luar
Quando se tem a luz
O sol não é sempre igual
É aurora no despertar
É radioso ao meio dia
É implacável, arrogante e enfadonho no pico
Quando já vai alto
É romântico e quase mágico no entardecer
E já em jeito de despedida
Se prepara para adormecer
E ceder lugar à lua
Essa poderosa mentirosa
Nas suas diversas faces
É invejosa em quarto minguante
É generosa em quarto crescente
É renovadora quando lua nova
É voluptuosa em lua cheia
Repleta de sensações e pecado
Recheada de vontades carnais
Esboço de desejos
Fazedora de sonhos
Trampolim de excitações
Inimiga do sono
Aliada das paixões
Companheira dos amantes
Ganhadora de corpos
Eu também, meu amor
Sou assim ...
Sou noite, sou dia
Sou sol, sou lua
E no sol.. trago mil soís a brilhar
E na lua... mil faces de luar
Pertenço-te, mas não sou tua
Gosto de ti, mas sem te amar
Pois é meu amor
Eu sempre te disse...
Depois das trevas, vem o que reluz
Na própria luz esconde-se a escuridão
Por vezes sou anjo celestial e puro
Outras vezes demónio cru e duro
Se vivo na luz desejo as trevas
Se habito na escuridão (pers) sigo a luz
Se estou no inferno quero o céu
Se fico na condenação do breu
Busco o paraíso e a redenção

quarta-feira, agosto 09, 2006


DELPHINA

Delphina de nome
Delphina de corpo
Pequenina, delgada e fina

Lembro-me de Ti
De teu corpo tão pequenino
De mulher criança
Espalhando mimo
De criança mulher
Buscando uma nova esperança

Lembro-me de Ti
Da tua pele curtida pelo sol
No teu rosto as marcas deixadas pelo tempo
Pelas tristezas e alegrias
Pela vida, passado e presente dos anos

Lembro-me de Ti
Das tuas mãos calejadas das lides e do campo
Mãos pequeninas e contudo fortes
Engelhadas e àsperas
Mas prontas para trabalhar e lutar
Sempre para dar e receber

Lembro-me de Ti
Do teu sorriso harmonioso
Quase tímido e sempre tão calado
Mas contudo radioso

Lembro-me de Ti
Do brilho do teu olhar
Que tentava ocultar a dor
O luto e a morte espantar
Nessas cortinas castanhas e opacas
A realidade da vida ofuscar

Lembro-me de Ti
Do teu cheiro a terra
Pinheiros, sol e a ceara
Do leite acabado de ferver
Da cevada pronta a beber

Lembro-me de Ti
Dos teus abraços tão ternos
Na minha doce infância
Dos teus pquenos presentes eternos
Nas mãos de uma criança

Não me lembro
Do som e entoação
Que tinha a tua voz
Imagino que fosse doce como o mel
Na tentativa de disfarçar
O permanente travo a fel
Que trazias e que querias evitar
E também aquele grito na garganta
Que pretendias calar

Lembro-me de ti
De quando te penteavas frente espelho
Cabelo longo, enfraquecido e branco como a neve
Desembaraçavas os fios esbranquiçados
Com a ajuda de uma "travessa"
Num gesto sábio e experiente
Fazias um belo chinó
E voltavas a colocar o lenço preto
Ficava a matutar o porquê de alguém
"Perder tempo" a arranjar o cabelo
Para logo a seguir o esconder!

Lembro-me de Ti
Sempre trajada de negro
Em homenagem à morte
Para recordar a dor e o sofrimento
Um dia perguntei-te o porquê
Desse teu vestir de preto
"Estou de luto"
Mas passaram mais de 20 anos retorqui eu
«Para mim não passaram...
É como se fosse hoje» respondeu-me
Com um tom grave e enigmático
O olhar perdido e vazio
Notei os olhos a ficarem opacos
Ia jurar que tinha contado uma lágrima
«Não há nada que apague a dor
Da morte de um filho... quanto mais de dois...»
E como isto olhou-me com ar sério e de enfado
Como quem dizia
"Nina, não são contas do teu rosário"
Nunca mais a inquiri
Sobre o estranho fado
De vestir de negro
Soube ali que seria até ao fim
Na vida e na morte

Lembro-me de Ti
Lutadora, corajosa
Dura, séria e grave
Meiga e verdadeira
Vencedora das agruras da vida

Lembro-me de Ti
Esposa, mãe, avó
Mas sobretudo MULHER
Com fibra beirã
Mulher das serras

Lembro-me de Ti
Sei que sonho na mente
Sei que te levo na alma
Sei que te guardo no coração
Sei que te tranco no peito
Sei que te transporto nos genes
E não é sem razão
Que te trago no sangue
Que corres nas minhas veias
E enquanto eu viver
Vou lembrar-me de ti
MULHER, minha Delphininha