sexta-feira, abril 27, 2012

Whatever words I say...

Tiro a camisola e olho-me ao espelho. Que corpo é este? Não sei. Houve tempos em que o meu corpo era só o meu corpo. Hoje é uma mistura de todos os corpos (estranhos) que já tive e, por isso, não o reconheço. Mas afinal, penso, não foi o meu corpo que mudou, sendo certo que o meu corpo mudou...
Fui eu que mudei e mudo e mudarei; eu que penso, eu que sinto, eu que acordo a cada dia e reparo que o teu sorriso está diferente, ou que as minhas mãos estão diferentes, ou que a casa já não é a mesma.
Sabes, nunca fui tão feliz por saber tão pouco. Não há nada como a nossa casa!

Por cá

"Não tiro ninguém da minha vida, apenas reorganizo as posições e inverto as prioridades".

Eneias

quinta-feira, abril 26, 2012

quarta-feira, abril 25, 2012

Pensamentos à deriva...

Agora tudo acabou por dentro do medo dos meus dedos, resta apenas o vulto da memória e este frio amargo do desespero onde o silêncio abissal me ultrapassa neste pulsar de sangue em que a alma se perde e o grito que se quer mudo cala a  boca asfixiando o nó da garganta... o nó, sempre o eterno nó...

terça-feira, abril 24, 2012

Constatação

Dizem que a mentira tem perna curta porque não costuma ir muito longe (eu acrescento que tem pernas bambas!). Mais cedo ou mais tarde, ela cambaleia, tropeça e acaba cair estatelando-se no chão! 

segunda-feira, abril 23, 2012

Devaneios


A tua beleza não se apaga
É fogo que arde incessantemente
É a tua alma que se mostra
E que (me) encanta docemente...


quinta-feira, abril 19, 2012

Isto hoje... anda assim...

Narciso

Dentro de mim me quis eu ver. Tremia, 
Dobrado em dois sobre o meu próprio poço...
Ah, que terrível face e que arcabouço
Este meu corpo lânguido escondia!

Ó boca tumular, cerrada e fria,
Cujo silêncio esfíngico bem ouço!
Ó lindos olhos sôfregos, de moço,
Numa fronte a suar melancolia!

Assim me desejei nestas imagens.
Meus poemas requintados e selvagens,
O meu Desejo os sulca de vermelho:

Que eu vivo à espera dessa noite estranha,
Noite de amor em que me goze e tenha,
...Lá no fundo do poço em que me espelho!

José Régio

terça-feira, abril 17, 2012

Divagações ...

Há dias em que o tudo desaparece, para dar lugar ao nada. E é este nada que me incomoda. Porque sendo nada, ele é tudo. Tudo o que é desconfortante. Incerto. Arrepiante. Intimidante. Frustante ... Tudo acabado em ante, mas adiante. O pior é que nada extraio do nada. Nada concluo do vazio. Irrita-me este cinzento. Não é branco nem preto, nem de nenhuma cor do arco-íris perfeito que imagino (com mais tonalidades do que alguém conseguiria nomear) e sinto em tantos outros momentos, mas simplesmente cinzento. Este cinzento... E por isso tão assustador.
Mas depois  tudo regressa ... ao que era dantes, completando o círculo e até já se imaginam planos futuros ...

sábado, abril 14, 2012

Dias assim

Porque há dias assim...
Em que o sorriso se retrai, as mãos gelam, o peito contraído mal respira, o (sempre) nó na garganta e as lágrimas rolam copiosamente pela face com a facilidade de um simples suspirar.


Porque há dias assim...
Em que a saudade bate à porta, voraz e avassaladora.


Porque há dias assim...
Em que nos sentirmos sós para além do que realmente precisamos de estar e isso é ... dilacerante.
Porque é em dias assim, que mergulhamos profundamente nos nossos erros e (re)analisamos a nossa vida de fio a pavio, com a permanente dúvida a assaltar-nos de quem é que realmente está ao nosso lado para o que der e vier.


Porque há dias assim, na esperança de que o sorriso volte por estes dias a acariciar os meus lábios, na necessidade de me perdoar pelos erros que comet(i)o...
E lembro-me de sentimentos perdidos, de ilusões e vontades esquecidas, para que não volte a esquecer e a abster-me de sentir, numa (minha) catarse automática guardo as dúvidas, escondo hesitações, mas  sem recear as dificuldades.


Sou como sou, de corpo e alma, não somo frustrações, apenas porque o meu corpo é imperfeito e a minha alma uma manta retalhada, ou  a minha pele irregular e o meu coração desgovernado...
Sou a eterna criança em corpo de mulher, sou a imperfeição (única e sublime) da minha própria existência...

segunda-feira, abril 02, 2012

O que importa é partir, não é chegar ...


Aparelhei o barco da ilusão
E reforcei a fé de marinheiro.
Era longe o meu sonho, e traiçoeiro
O mar...
(Só nos é concedida
Esta vida
Que temos;
E é nela que é preciso
Procurar
O velho paraíso
Que perdemos).

Prestes, larguei a vela
E disse adeus ao cais, à paz tolhida.
Desmedida,
A revolta imensidão
Transforma dia a dia a embarcação
Numa errante e alada sepultura...
Mas corto as ondas sem desanimar.
Em qualquer aventura.
O que importa é partir, não é chegar.

Miguel Torga,Viagem




terça-feira, março 27, 2012

domingo, março 25, 2012

Blue skies from pain...

Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser, que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti.

Alexandre O'Neill

***

 
«Toda despedida é dor... tão doce todavia, que eu te diria boa noite até q amanhecesse o dia.»
William Shakespeare


sexta-feira, março 23, 2012

Constatação da noite

É tempo de renascer e, para isso, preciso abraçar a noite que precede o dia, aceitar as minhas limitações e as daqueles que me rodeiam, aprender a lidar melhor com as decepções, os dias cinzentos, as falhas, as faltas e a incompletude da vida.
É tempo de recomeçar  e para isso preciso (re)avaliar o que espero da vida e das pessoas... Ter coragem de me desapegar, aceitar que certas coisas têm que terminar e que o passado não voltará...


PS: Não me deixo enganar, sou um esboço a ser continuamente retocado...

quinta-feira, março 22, 2012

Pensamento do dia

(Pensativamente, com muita cautela e prudência) ontem dei o seguinte conselho:

"Não exijas dos outros aquilo que eles não podem, ou não querem dar. Não tentes mudar personalidades, apenas apoia, protege e respeita o tempo e espaço de cada um. Isso sim é amor!"

terça-feira, março 20, 2012

Cada Primavera é (como) um regresso ...

Oculta pelo vermelho sangue da dor, (a)guardo o momento exacto para me manifestar, o raio de luz concreto e correcto para oferecer (ou afastar) o tom melancólico da memória onde o momento é um regresso a um outro momento (qualquer).
Enquanto as ondas se quebram contra as rochas, salpicando com lágrimas de sal teimosas, o tempo ingrato e ímpar abandona-se em turbilhão no oceano escuro e profundo (do) que (eu) fui um dia...
Quanto mais vivo, mais me afasto, mais regresso, pois cada primavera que passa perde a originalidade da anterior, toda...via adquire um tom mais familiar que me envolve sem (muitos) receios como uma tarde calorosa passada à sombra de um sobreiro onde o único movimento perceptível é o viajar constante das nuvens e a cor sempre a mudar... a mudar no silêncio que é só meu... o céu, as árvores, as searas e até o chão da estrada que pisei antes.. variam de cor conforme o sol se atravessa do esplendor ao abandono do entardecer ...

segunda-feira, março 19, 2012

Incontornável

Vejo olhos. Sem contexto, sem tempo castrador. Alguns acolhem-me com o sorriso de quem abre a porta a um amigo há muito desaparecido, outros afastam-se e escondem-se entre o espaço vazio, porém inequívoco, que nos separa.
Vejo olhos, que saltam no escuro, lançando-se no abraço de outro olhar, outros ofuscados com a luz do contacto humano, procurando as sombras e evitando a vida sempre com medo.
Vejo olhos. Singulares ou comuns, banais não vejo nenhuns.
Vejo olhos. Olhos tacteantes e curiosos de sentir cores e amores variegados. Outros anseiam ser olhados, murmurados entre sorrisos de desejo. Alguns procuram no horizonte as palavras que gostariam ouvir de quem amam, sorvendo o belo dissipado pela imagem como um gelado saboroso que se derrete antes de ser provado.
Vejo olhos... vejo olhos...Inclinada sobre aquele portão que dava para uma série de prados onde as cores ondulavam, mas este ser não me respondeu. Não me ofereceu oposição. Não tentou construir qualquer frase. Nem sequer cerrou os punhos. Esperei. Escutei. Nada surgiu, nada. Possuída pela sensação de ter sido abandonada, soltei um grito.
Vejo olhos... Agora, nada mais existe. Não há pensamento ou barbatana que quebre a fixidez deste mar imenso. A vida destruiu-me. As palavras que digo já não têm qualquer eco... ou destinatário 
Vejo olhos...  sou figura enfaixada, e ocupo pouquíssimo espaço.
Vejo os meus, nos teus olhos... Teus nos meus ...
Não vejo... não vejo nada ...

PS: Os meus relacionamentos são sempre baseados na confiança...

sexta-feira, março 16, 2012

edadinutropo

Dar oportunidade versus facilitar as coisas.
“Dar oportunidade” a alguém significa permitir que esse alguém mostre seu valor, que é capaz de fazer ou aprender algo.
"Facilitar as coisas” é remover os obstáculos".
À primeira leitura parece muito diferente, mas no fundo é semelhante. A questão é que muitas pessoas ficam à espera que a oportunidade deite abaixo a porta e ... entre!... Mas, hoje não fiquei à espera e decidi dar(me) uma oportunidade e deixar de lado a tendência à minha obtusidade estúpida e natural e facilitar as coisas ... e deixar-me surpreender, porque eu também mereço!
Na melhor das hipóteses descubro o quanto tenho andado enganada e deixo de ser tão otária, quiçá? :)

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"Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida."
Desconhecido

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"No meio da dificuldade encontra-se a oportunidade".
Albert Einstein