quinta-feira, abril 19, 2012

Isto hoje... anda assim...

Narciso

Dentro de mim me quis eu ver. Tremia, 
Dobrado em dois sobre o meu próprio poço...
Ah, que terrível face e que arcabouço
Este meu corpo lânguido escondia!

Ó boca tumular, cerrada e fria,
Cujo silêncio esfíngico bem ouço!
Ó lindos olhos sôfregos, de moço,
Numa fronte a suar melancolia!

Assim me desejei nestas imagens.
Meus poemas requintados e selvagens,
O meu Desejo os sulca de vermelho:

Que eu vivo à espera dessa noite estranha,
Noite de amor em que me goze e tenha,
...Lá no fundo do poço em que me espelho!

José Régio

terça-feira, abril 17, 2012

Divagações ...

Há dias em que o tudo desaparece, para dar lugar ao nada. E é este nada que me incomoda. Porque sendo nada, ele é tudo. Tudo o que é desconfortante. Incerto. Arrepiante. Intimidante. Frustante ... Tudo acabado em ante, mas adiante. O pior é que nada extraio do nada. Nada concluo do vazio. Irrita-me este cinzento. Não é branco nem preto, nem de nenhuma cor do arco-íris perfeito que imagino (com mais tonalidades do que alguém conseguiria nomear) e sinto em tantos outros momentos, mas simplesmente cinzento. Este cinzento... E por isso tão assustador.
Mas depois  tudo regressa ... ao que era dantes, completando o círculo e até já se imaginam planos futuros ...

sábado, abril 14, 2012

Dias assim

Porque há dias assim...
Em que o sorriso se retrai, as mãos gelam, o peito contraído mal respira, o (sempre) nó na garganta e as lágrimas rolam copiosamente pela face com a facilidade de um simples suspirar.


Porque há dias assim...
Em que a saudade bate à porta, voraz e avassaladora.


Porque há dias assim...
Em que nos sentirmos sós para além do que realmente precisamos de estar e isso é ... dilacerante.
Porque é em dias assim, que mergulhamos profundamente nos nossos erros e (re)analisamos a nossa vida de fio a pavio, com a permanente dúvida a assaltar-nos de quem é que realmente está ao nosso lado para o que der e vier.


Porque há dias assim, na esperança de que o sorriso volte por estes dias a acariciar os meus lábios, na necessidade de me perdoar pelos erros que comet(i)o...
E lembro-me de sentimentos perdidos, de ilusões e vontades esquecidas, para que não volte a esquecer e a abster-me de sentir, numa (minha) catarse automática guardo as dúvidas, escondo hesitações, mas  sem recear as dificuldades.


Sou como sou, de corpo e alma, não somo frustrações, apenas porque o meu corpo é imperfeito e a minha alma uma manta retalhada, ou  a minha pele irregular e o meu coração desgovernado...
Sou a eterna criança em corpo de mulher, sou a imperfeição (única e sublime) da minha própria existência...

segunda-feira, abril 02, 2012

O que importa é partir, não é chegar ...


Aparelhei o barco da ilusão
E reforcei a fé de marinheiro.
Era longe o meu sonho, e traiçoeiro
O mar...
(Só nos é concedida
Esta vida
Que temos;
E é nela que é preciso
Procurar
O velho paraíso
Que perdemos).

Prestes, larguei a vela
E disse adeus ao cais, à paz tolhida.
Desmedida,
A revolta imensidão
Transforma dia a dia a embarcação
Numa errante e alada sepultura...
Mas corto as ondas sem desanimar.
Em qualquer aventura.
O que importa é partir, não é chegar.

Miguel Torga,Viagem




terça-feira, março 27, 2012

domingo, março 25, 2012

Blue skies from pain...

Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser, que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti.

Alexandre O'Neill

***

 
«Toda despedida é dor... tão doce todavia, que eu te diria boa noite até q amanhecesse o dia.»
William Shakespeare


sexta-feira, março 23, 2012

Constatação da noite

É tempo de renascer e, para isso, preciso abraçar a noite que precede o dia, aceitar as minhas limitações e as daqueles que me rodeiam, aprender a lidar melhor com as decepções, os dias cinzentos, as falhas, as faltas e a incompletude da vida.
É tempo de recomeçar  e para isso preciso (re)avaliar o que espero da vida e das pessoas... Ter coragem de me desapegar, aceitar que certas coisas têm que terminar e que o passado não voltará...


PS: Não me deixo enganar, sou um esboço a ser continuamente retocado...

quinta-feira, março 22, 2012

Pensamento do dia

(Pensativamente, com muita cautela e prudência) ontem dei o seguinte conselho:

"Não exijas dos outros aquilo que eles não podem, ou não querem dar. Não tentes mudar personalidades, apenas apoia, protege e respeita o tempo e espaço de cada um. Isso sim é amor!"

terça-feira, março 20, 2012

Cada Primavera é (como) um regresso ...

Oculta pelo vermelho sangue da dor, (a)guardo o momento exacto para me manifestar, o raio de luz concreto e correcto para oferecer (ou afastar) o tom melancólico da memória onde o momento é um regresso a um outro momento (qualquer).
Enquanto as ondas se quebram contra as rochas, salpicando com lágrimas de sal teimosas, o tempo ingrato e ímpar abandona-se em turbilhão no oceano escuro e profundo (do) que (eu) fui um dia...
Quanto mais vivo, mais me afasto, mais regresso, pois cada primavera que passa perde a originalidade da anterior, toda...via adquire um tom mais familiar que me envolve sem (muitos) receios como uma tarde calorosa passada à sombra de um sobreiro onde o único movimento perceptível é o viajar constante das nuvens e a cor sempre a mudar... a mudar no silêncio que é só meu... o céu, as árvores, as searas e até o chão da estrada que pisei antes.. variam de cor conforme o sol se atravessa do esplendor ao abandono do entardecer ...

segunda-feira, março 19, 2012

Incontornável

Vejo olhos. Sem contexto, sem tempo castrador. Alguns acolhem-me com o sorriso de quem abre a porta a um amigo há muito desaparecido, outros afastam-se e escondem-se entre o espaço vazio, porém inequívoco, que nos separa.
Vejo olhos, que saltam no escuro, lançando-se no abraço de outro olhar, outros ofuscados com a luz do contacto humano, procurando as sombras e evitando a vida sempre com medo.
Vejo olhos. Singulares ou comuns, banais não vejo nenhuns.
Vejo olhos. Olhos tacteantes e curiosos de sentir cores e amores variegados. Outros anseiam ser olhados, murmurados entre sorrisos de desejo. Alguns procuram no horizonte as palavras que gostariam ouvir de quem amam, sorvendo o belo dissipado pela imagem como um gelado saboroso que se derrete antes de ser provado.
Vejo olhos... vejo olhos...Inclinada sobre aquele portão que dava para uma série de prados onde as cores ondulavam, mas este ser não me respondeu. Não me ofereceu oposição. Não tentou construir qualquer frase. Nem sequer cerrou os punhos. Esperei. Escutei. Nada surgiu, nada. Possuída pela sensação de ter sido abandonada, soltei um grito.
Vejo olhos... Agora, nada mais existe. Não há pensamento ou barbatana que quebre a fixidez deste mar imenso. A vida destruiu-me. As palavras que digo já não têm qualquer eco... ou destinatário 
Vejo olhos...  sou figura enfaixada, e ocupo pouquíssimo espaço.
Vejo os meus, nos teus olhos... Teus nos meus ...
Não vejo... não vejo nada ...

PS: Os meus relacionamentos são sempre baseados na confiança...

sexta-feira, março 16, 2012

edadinutropo

Dar oportunidade versus facilitar as coisas.
“Dar oportunidade” a alguém significa permitir que esse alguém mostre seu valor, que é capaz de fazer ou aprender algo.
"Facilitar as coisas” é remover os obstáculos".
À primeira leitura parece muito diferente, mas no fundo é semelhante. A questão é que muitas pessoas ficam à espera que a oportunidade deite abaixo a porta e ... entre!... Mas, hoje não fiquei à espera e decidi dar(me) uma oportunidade e deixar de lado a tendência à minha obtusidade estúpida e natural e facilitar as coisas ... e deixar-me surpreender, porque eu também mereço!
Na melhor das hipóteses descubro o quanto tenho andado enganada e deixo de ser tão otária, quiçá? :)

***
"Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida."
Desconhecido

***
"No meio da dificuldade encontra-se a oportunidade".
Albert Einstein

quarta-feira, março 14, 2012

Na aresta indi(vi)zível do lusco-fusco ...

No obscuro desejo,
no incerto silêncio,
nos vagares repetidos,
na súbita canção

que nasce como a sombra
do dia agonizante,
quando empalidece
o exterior das coisas,

e quando não se sabe
se por dentro adormecem
ou vacilam, e quando
se prefere não chegar

a sabê-lo, a não ser,
pressentindo-as, ainda
um momento, na aresta
indizível do lusco-fusco.

Vasco Graça Moura, in "Antologia dos Sessenta Anos"



Constatações

Faça-se o que se fizer, reconstroí-se sempre o monumento à nossa maneira. Mas já é muito empregar somente pedras autênticas.

MARGUERITE YOURCENAR - Apontamentos sobre as MEMÓRIAS DE ADRIANO.

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" Como toda gente, só disponho de três meios para avaliar a existência humana: o estudo de nós próprios, o mais difícil e o mais perigoso, mas também o mais fecundo dos métodos; a observação dos homens, que na maior parte dos casos fazem tudo para nos esconder os seus segredos ou de nos convencer que os têm; os livros, com os erros particulares de perspectiva que nascem entre as suas linhas."

***
“A memória da maior parte dos homens é um cemitério abandonado, onde jazem sem honras, mortos que eles deixaram de amar. Toda a dor prolongada insulta o seu esquecimento.”

Memórias de Adriano by Marguerite Yourcenar


segunda-feira, março 12, 2012

Primeiro estranha-se, depois estranha-se ainda mais ...

Há 1 mês e meio que tenho a PJ à perna!!! Duhh 

Acordei assim ...



PS Não tão glamorosa, esplendorosa, nem tão bela (porque o que nasce torto jamais se endireita, e sei bem do que falo!), apenas "on fire" ou a ferro e fogo...

sexta-feira, março 09, 2012

Dá-te ...

Abraça. Esconde nos teus braços a pessoa que amas. Abraça-a hoje, agora. Nunca adies esse abraço. O abraço que deres mais tarde já será outro. Um abraço adiado é um abraço perdido. É um abraço a menos. Um abraço que ficará em falta para sempre, por mais abraços que dês.
Aperta-a contra ti como se fosse a última vez. Protege-a do mundo, dos outros, da tua falta. Ancora-a em ti. Deixa nela o máximo de ti e fica dela com tudo o que puderes. Quando a libertares já não serão os mesmos. Tu serás menos tu e ela será menos ela. Tu ficarás mais ela e ela ficará mais tu. Como se tivessem sido misturados e não fosse possível separá-los na inteireza que tinham antes, sem trazerem uns pozinhos um do outro. Um abraço muda as coisas. O teu abraço, aquele abraço, muda tudo.
Beija. Oculta os lábios dela com os teus. Beija-a hoje, agora. Sente o mundo todo na tua boca. Beija-a de olhos fechados. Não deixes que outro sentido ocupe o teu cérebro. Concentra toda a tua energia na magia ímpar de a teres para ti. Experimenta a comunhão única que o beijo encerra. Sente o cheiro, o sabor, o tacto, o som do enlace e a revelação daquela face perfeita quando os lábios se interrompem e os olhos voltam a ganhar vida. Um beijo é o princípio de tudo. O princípio do resto que falta. Da vida que damos um ao outro. Um beijo também pode ser o fim. Às vezes porque um beijo basta, outras porque é só um beijo que resta. Um beijo é tudo, mesmo para quem não tem nada. Ter tudo menos um beijo é a mesma coisa que não ter nada. Um beijo muda as coisas. Um beijo teu, aquele beijo, muda tudo.
Ama. Ilumina a vida dela com o amor que lhe tens. Ama-a hoje, agora. Conquista-a todos os dias. Surpreende-a com o que sentes por ela. Diz-lho na cara. Não te escondas numa mensagem, num e-mail, num like ou num twitte. Corre riscos. Corre atrás dela sem medo de capitular. Obriga-a a cair-te nos braços ou a negar-te nos olhos. Um não doí menos que um sim que não se procurou. Fá-la sentir, todos os dias, o que sentes por ela, mas não deixes de lho dizer amiúde. Ama-a como nunca, ainda que não venhas a amá-la para sempre. Ama-a se é isso que sentes, mesmo que não seja isso que queiras. Não deixes de a amar, mesmo que o queiras, se ainda o o sentes. O amor muda as coisas. O teu amor, aquele amor, muda tudo.
A vida é um abraço, um beijo, um amor. Abraça, beija e ama.
Vive um amor. O amor muda tudo! Quando amas és capaz de tudo. Sem amor não consegues mudar nada.
Dá-te! Tu podes mudar tudo!

[Nina, 14/02/2012]