terça-feira, setembro 13, 2011

Carta (Esboço)

Lembro-me agora que tenho de marcar um encontro contigo, num sítio em que ambos nos possamos falar, de facto, sem que nenhuma das ocorrências da vida venha interferir no que temos para nos dizer. Muitas vezes me lembrei de que esse sítio podia ser, até, um lugar sem nada de especial, como um canto de café, em frente de um espelho que poderia servir de pretexto para reflectir a alma, a impressão da tarde, o último estertor do dia antes de nos despedirmos, quando é preciso encontrar uma fórmula que disfarce o que, afinal, não conseguimos dizer. É que o amor nem sempre é uma palavra de uso, aquela que permite a passagem à comunicação; mais exacta de dois seres, a não ser que nos fale, de súbito, o sentido da despedida, e que cada um de nós leve, consigo, o outro, deixando atrás de si o próprio ser, como se uma troca de almas fosse possível neste mundo. Então, é natural que voltes atrás e me peças: «Vem comigo!», e devo dizer-te que muitas vezes pensei em fazer isso mesmo, mas era tarde, isto é, a porta tinha-se fechado até outro dia, que é aquele que acaba por nunca chegar, e então as palavras caem no vazio, como se nunca tivessem sido pensadas. No entanto, ao escrever-te para marcar um encontro contigo, sei que é irremediável o que temos para dizer um ao outro: a confissão mais exacta, que é também a mais absurda, de um sentimento; e, por trás disso, a certeza de que o mundo há-de ser outro no dia seguinte, como se o amor, de facto, pudesse mudar as cores do céu, do mar, da terra, e do próprio dia em que nos vamos encontrar, que há-de ser um dia azul, de verão, em que o vento poderá soprar do norte, como se fosse daí que viessem, nesta altura, as coisas mais precisas, que são as nossas: o verde das folhas e o amarelo das pétalas, o vermelho do sol e o branco dos muros.

Nuno Júdice, in “Poesia Reunida”

sexta-feira, setembro 09, 2011

Into the Wild ...

"Há tantas pessoas que vivem infelizes e que no entanto não tomam a iniciativa de alterar a sua situação porque ficam condicionadas a uma vida de segurança, conformismo e conservadorismo. Tudo isto pode parecer conferir-lhes paz de espírito. No entanto, na realidade, nada é mais prejudicial para um espírito aventureiro, no interior de um homem, do que um futuro seguro. O princípio básico do espírito livre de um homem é a sua paixão pela aventura. A alegria de viver provém dos nossos encontros com novas experiências, e por isso não existe maior prazer do que ter um horizonte em eterna mudança, para cada dia ter um sol novo e diferente."

Christopher Johnson McCandless ( Into the Wild- é baseado numa história verídica e no bestselling literário de Jon Krakauer - recomendo este excelente filme)

quinta-feira, setembro 08, 2011

Revelations ...




PS: Enviado por e-mail por G. (fiquei à espera das revelações... ou seriam as de ontem ... :)

quarta-feira, setembro 07, 2011

Auto-conhecimento

Começo a conhecer-me. [finalmente] Não existo. [mas penso sempre que sim]
Sou o intervalo [início] entre o que desejo ser e os outros me fizeram, [fim]
ou metade desse intervalo, [é sempre  8 ou 80 ] porque também há vida ... [e morte...]
Sou isso [fazer o quê?], enfim ... [sei lá...]

Apague a luz, feche a porta e [vens ou demoras?] deixe de ter barulhos de chinelos no corredor. [melhor descalçares os chinelos!]
Fique eu no quarto só [que remédio] com o grande sossego [diria antes desassossego] de mim mesmo. [tem dias] 
É um universo barato. [mas é o que se tem, fazer o quê?! É a maldita crise!]

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa

Nina [entre parênteses - in  "quem não tem que fazer faz colheres" ]

Improvérbios

Não digas o que pensas e dir-te-ei quem (não) és ... ou não digas com quem andas e dir-te-ei quem (não) és! É que depois da bonança, a tempestade vem depressa e quem tem boca,  a língua não lhe pesa, pois devagar se vai a pé! Quem semeia vento não colhe coisa nenhuma!



segunda-feira, setembro 05, 2011

O que ando a ler...

« Escrevi até o princípio da manhã aparecer na janela. O sol a iluminar os olhos dos gatos espalhados na sala, sentados, deitados de olhos abertos. O sol a iluminar o sofá grande, o vermelho ruço debaixo de uma cobertura de pêlo dos gatos. O sol a chegar à escrivaninha e a ser dia nas folhas brancas. Escrevi duas páginas. Descrevi-lhe o rosto, os olhos, os lábios, a pele, os cabelos. Descrevi-lhe o corpo, os seios sob o vestido, o ventre sob o vestido, as pernas. Descrevi-lhe o silêncio. E, quando me parecia que as palavras eram poucas para tanta e tanta beleza, fechava os olhos e parava-me a olhá-la. Ao seu esplendor seguia-se a vontade de a descrever e, de cada vez que repetia este exercício, conseguia escrever duas palavras ou, no máximo, uma frase. Quando a manhã apareceu na janela, levantei-me e voltei para a cama. Adormeci a olhá-la. Adormeci com ela dentro de mim.

Nunca me tinha apaixonado verdadeiramente. A partir dos dezasseis anos, conheci muitas mulheres, senti algo por todas. Quando lhes lia no rosto um olhar diferente, demorado, deixava-me impressionar e, durante algumas semanas, achava que estava apaixonado e que as amava. Mas depois, o tempo. Sempre o tempo como uma brisa. Uma aragem suave, mas definitiva, a empurrar-me os sentimentos, a deixá-los lá ao fundo e a mostrar-me na distância que eram pequenos, muito pequenos e sem valor. E sempre só a solidão. Sempre. Eu sozinho, a viver. Sozinho, a ver coisas que não iriam repetir-se; sozinho, a ver a vida gastar-se na erosão da minha memória. Sozinho, com pena de mim próprio, ridículo, mas a sofrer mesmo. Nunca me tinha apaixonado verdadeiramente. Muitas vezes disse amo-te, mas arrependi-me sempre. Arrependi-me sempre das palavras. »

José Luís Peixoto, in 'Uma Casa na Escuridão'

PS:  Como é que um livro tão atrozmente triste (e sem esperança) consegue ser tão belo? :S
E que nos obriga impreterivelmente a reflectir sobre o  medo que temos do mundo que se aproxima a passos largos e abala o que consideramos ter como certo e garantido,  e o amor, o amor verdadeiro que temos ou ansiamos ter ou perdemos num instante absurdo ...

sexta-feira, setembro 02, 2011

Etimologicamente falando

Um excerto particularmente interessante do especial Etimologia da  Revista Língua Portuguesa:

"Amor não é auto-suficiente, porque tem asas, como é incapaz de bastar a si mesmo, daí querer compartilhar. O amor a dois talvez não esteja num ou noutro campo, não seja alado nem alante, eros ou ptérôs, mas viva na encruzilhada, na intersecção.

Amar não tem sentido só passivo, muito menos ativo, ocupa o meio-campo, conjuga-se em voz média. Dizer que amo alguém é dizer o quanto me amo também. É como quem diz "eu me confesso": no momento mesmo em que me revelo, a revelação é feita a mim também. No momento em que falo a alguém, o que falo me afeta. Sou sujeito da ação e seu alvo. Sou voz média. O mundo dos deuses e dos homens numa só expressão. Amor, humor."

"On the Road" (again)

"Olhei pela janela. Lá estava ele, sozinho no limiar da porta, curtindo a efervescência da rua.
Amarguras, recriminações, conselhos, tristeza - tudo lhe pesava nas costas enquanto à sua frente descortinava-se a alegria esfarrapada e extasiante de simplesmente ser."

Jack Kerouac, "On the Road"

quinta-feira, setembro 01, 2011

Constatação

Quando não nos sentimos bem ou confortáveis é porque é tempo de mudar e tentar outras paragens, novos horizontes, iniciar um outro projecto,  cambiar de ambiances.
Aprendi que o que não nos mata, fortalece-nos! E isso apenas dá mais gana e vontade de evoluir! 

quarta-feira, agosto 31, 2011

Dias ... assim...

Hoje é caso ... para dizer (alto e bom som) P.Q.P.T.

segunda-feira, agosto 29, 2011

...






C´est (toute) une question de ventre mou ??!!...
(Posez votre question signaler ... )

Pensamento do dia

As pessoas nunca me desiludem, apenas me desiludo comigo!
 

What if ...


sexta-feira, agosto 26, 2011

...

Mais logo ... faço-me à estrada ...

quinta-feira, agosto 25, 2011

True♥

Um desenho vale mais que 1000 palavras

Quote

“There is nothing either good or bad, but thinking makes it so.”

– From Shakespere’s Hamlet

The heart may take you left, and the mind may take you right, but  the two combined will take you forward.►►►
 

quarta-feira, agosto 24, 2011

Ouvindo ...

Poderia ser uma conversa casual, que não me era dirigida, mas que estranhamente me pos os cabelos em pé de tamanha irritação  e ... fez-me reflectir porque é que eu me dou com certas pessoas e com outras não!.... Fez-me relembrar porque algumas PERTENCEM ao meu círculo íntímo e outras por mais que intentem ou se esforcem nunca o conseguirão ...  

Reflexões ...

Sofremos pelo que não temos, sofremos pelo que temos, e muitas vezes, pelo que acreditamos ser nosso, e que na verdade, nunca foi ou será.
Sofremos, pela incerteza do amanhã (que não nos pertence, mas que tentamos avidamente controlar).
Sofremos pelo presente e até pelo futuro, antecipadamente...
Sofremos pelas amizades e afinidades que tentamos dominar, possuir sem medidas, e que por qualquer razão (alheia ou não) se afastam de nós.
Sofremos pela doença que podemos (vir a) ter, pela gripe que pode virar bronquite, e deixamos nos abater.
Sofremos pelo medo do imponderável  pelo que não podemos medir, pelo que não vemos, mas que as vezes, podemos ouvir ou sentir e trancamos-nos a sete chaves.
Sofremos pelas nossas faltas e falhas e pelas dos outros ...e  abatemo-nos com as dificuldades que criamos ou nos criam e estagnamos...
Sofremos pelas notas que não tiramos, as provas que não passamos, os amores que não vivemos, o abraço que perdemos, os beijos nunca dados, os sonhos esquecidos, os desamores (não) vividos,  os sorrisos perdidos, as lágrimas (con)vertidas,  as palavras  (não) proferidas e os silêncios obtusos, pelos momentos passados ou pelos que nem chegaram a ser, as fotos amarelecidas, os cheiros da infância, o velhinho diário guardado ou perdido,
São doces lembranças, mas até nelas, sofremos.
Sofremos, porque não queremos nada simples, nem simplesmente viver, nem simplesmente amar.
Temos receio de nos entregar definitiva e genuinamente ao amor,  apenas medo de sofrer uma dor (ainda) maior, por isso, sofremos, até pelo que não sabemos (vir a ser).
E hoje, sabendo que o sofrimento  é uma antecipação da dor que nem sempre viveremos, vou procurar conquistar aquilo que realmente me cabe e mereço e se a dor me quiser visitar (evidentemente), vai me encontrar mais forte, porque conheço a medida exacta de tudo o que (porque) já passei, e sou agora o fruto maduro dessa árvore, chamada VIDA.