Particularidades das minhas singularidades & Singularidades das minhas particularidades...
sexta-feira, abril 22, 2011
quarta-feira, abril 20, 2011
Será (!?) ...
Hoje em dia as pessoas apaixonam-se por uma questão prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão mesmo ali ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato. Por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Miguel Esteves Cardoso "Último Volume"
(mas a mim não me dá jeito esta questão -tão?- prática... vá se lá saber porquê...)
domingo, abril 17, 2011
Procuro (-te)
Procuro a ternura súbita,
os olhos ou o sol por nascer
do tamanho do mundo,
o sangue que nenhuma espada viu,
o ar onde a respiração é doce,
um pássaro no bosque
com a forma de um grito de alegria.
Oh, a carícia da terra,
a juventude suspensa,
a fugidia voz da água entre o azul
do prado e de um corpo estendido.
Procuro-te: fruto ou nuvem ou música.
Chamo por ti, e o teu nome ilumina
as coisas mais simples:
o pão e a água,
a cama e a mesa,
os pequenos e dóceis animais,
onde também quero que chegue
o meu canto e a manhã de maio.
Um pássaro e um navio são a mesma coisa
quando te procuro de rosto cravado na luz.
Eu sei que há diferenças,
mas não quando se ama,
não quando apertamos contra o peito
uma flor ávida de orvalho.
Ter só dedos e dentes é muito triste:
dedos para amortalhar crianças,
dentes para roer a solidão,
enquanto o verão pinta de azul o céu
e o mar é devassado pelas estrelas.
Porém eu procuro-te.
Antes que a morte se aproxime, procuro-te.
Nas ruas, nos barcos, na cama,
com amor, com ódio, ao sol, à chuva,
de noite, de dia, triste, alegre — procuro-te.
Eugénio de Andrade, in "As Palavras Interditas"
os olhos ou o sol por nascer
do tamanho do mundo,
o sangue que nenhuma espada viu,
o ar onde a respiração é doce,
um pássaro no bosque
com a forma de um grito de alegria.
Oh, a carícia da terra,
a juventude suspensa,
a fugidia voz da água entre o azul
do prado e de um corpo estendido.
Procuro-te: fruto ou nuvem ou música.
Chamo por ti, e o teu nome ilumina
as coisas mais simples:
o pão e a água,
a cama e a mesa,
os pequenos e dóceis animais,
onde também quero que chegue
o meu canto e a manhã de maio.
Um pássaro e um navio são a mesma coisa
quando te procuro de rosto cravado na luz.
Eu sei que há diferenças,
mas não quando se ama,
não quando apertamos contra o peito
uma flor ávida de orvalho.
Ter só dedos e dentes é muito triste:
dedos para amortalhar crianças,
dentes para roer a solidão,
enquanto o verão pinta de azul o céu
e o mar é devassado pelas estrelas.
Porém eu procuro-te.
Antes que a morte se aproxime, procuro-te.
Nas ruas, nos barcos, na cama,
com amor, com ódio, ao sol, à chuva,
de noite, de dia, triste, alegre — procuro-te.
Eugénio de Andrade, in "As Palavras Interditas"
quinta-feira, abril 14, 2011
...
Fundir-nos no outro não é tarefa fácil...
« Quando duas pessoas sentem uma atracção incondicional e estão prontas a sacrificarem-se uma pela outra, então, amam-se de verdade.» (Henry Louis Mencken)
terça-feira, abril 12, 2011
segunda-feira, abril 11, 2011
Cage aux folles et toutes les misères humaines...
Ahahahaha, o que eu me ri com o "meu Deus grego" ....
Etiquetas:
Mes salopris
Prazo de vida
No meio do mundo faz frio,
faz frio no meio do mundo,
muito frio.
Mandei armar o meu navio.
Volveremos ao mar profundo,
meu navio!
No meio das águas faz frio.
Faz frio no meio das águas,
muito frio.
Marinheiro serei sombrio,
por minha provisão de mágoas.
Tão sombrio!
No meio da vida faz frio,
faz frio no meio da vida.
Muito frio.
O universo ficou vazio,
porque a mão do amor foi partida
no vazio.
Cecília Meireles, in 'Mar Absoluto'
faz frio no meio do mundo,
muito frio.
Mandei armar o meu navio.
Volveremos ao mar profundo,
meu navio!
No meio das águas faz frio.
Faz frio no meio das águas,
muito frio.
Marinheiro serei sombrio,
por minha provisão de mágoas.
Tão sombrio!
No meio da vida faz frio,
faz frio no meio da vida.
Muito frio.
O universo ficou vazio,
porque a mão do amor foi partida
no vazio.
Cecília Meireles, in 'Mar Absoluto'
sexta-feira, abril 08, 2011
quarta-feira, abril 06, 2011
Constatação da noite
Eu sei o que vale a pena (obviamente), mas será que eu a valho a pena?!!!... (...mas por ora vou dormir....)
terça-feira, abril 05, 2011
Abandono
Poema Melancólico a não sei que Mulher
Dei-te os dias, as horas e os minutos
Destes anos de vida que passaram;
Nos meus versos ficaram
Imagens que são máscaras anónimas
Do teu rosto proibido;
A fome insatisfeita que senti
Era de ti,
Fome do instinto que não foi ouvido.
Agora retrocedo, leio os versos,
Conto as desilusões no rol do coração,
Recordo o pesadelo dos desejos,
Olho o deserto humano desolado,
E pergunto porquê, por que razão
Nas dunas do teu peito o vento passa
Sem tropeçar na graça
Do mais leve sinal da minha mão...
Miguel Torga, in 'Diário VII'
sexta-feira, abril 01, 2011
quarta-feira, março 30, 2011
Broken dreams
Já tive muitos sonhos na vida, hoje são (tão) poucos!... Afinal tudo se resume a um prazo de validade...
segunda-feira, março 28, 2011
Pensamento da noite
Assim é a vida. Um recomeçar contínuo mesmo quando tudo está perdido. (J. Cronin)
(Mas mais vale um momento de plenitude, que uma vida inteira de “nada”)
(Mas mais vale um momento de plenitude, que uma vida inteira de “nada”)
quinta-feira, março 24, 2011
Time will (never) change ...
Time has changed our secrets
and the pigtails in our hair;
It has changed the silly arguments
and the giggles that we shared.
It has changed our childish happiness
to grown-up make-believe,
And leaving us with little else,
it has slowly changed
Our dreams....
Time has come along and changed
the essence of our world;
Then finally and silently,
it has changed the little girls.
But having taken away the dreams
and the simple things we shared before.
Time has led us to the lasting things
we need each other for...
Memories of moments
that were made for us to share,
The crazy laughter
that's somehow always there,
The hidden corners of our lives
only we will ever know,
And the love that becomes deeper
and sweeter as it grows.
Time changes many things
and some dreams come apart,
But nothing can reach or change
the love for you
that lives within my heart.
by Dianna Barnett
and the pigtails in our hair;
It has changed the silly arguments
and the giggles that we shared.
It has changed our childish happiness
to grown-up make-believe,
And leaving us with little else,
it has slowly changed
Our dreams....
Time has come along and changed
the essence of our world;
Then finally and silently,
it has changed the little girls.
But having taken away the dreams
and the simple things we shared before.
Time has led us to the lasting things
we need each other for...
Memories of moments
that were made for us to share,
The crazy laughter
that's somehow always there,
The hidden corners of our lives
only we will ever know,
And the love that becomes deeper
and sweeter as it grows.
Time changes many things
and some dreams come apart,
But nothing can reach or change
the love for you
that lives within my heart.
by Dianna Barnett
If you missed the last train...
Com ou sem pressa, o tempo passa... Ultrapassa(-nos) ... veloz. É impossível voltar atrás ...
(É preciso ser pontual, nas várias fases da vida, para não perder o comboio (que não costuma atrasar). Além disso, é preciso saber escolher o comboio certo ...)
Atravesso a rua a correr. Tenho de comprar o bilhete. Há duas pessoas na fila. A primeira sai. Olho o comboio. Está lá! A segunda tira o bilhete. Ouço um sinal sonoro forte. Tenho o homem da biheteira a perguntar-me:
------- Diga...?
Olho o comboio. Está a deslizar.
------- Não é nada, obrigado.
É uma incrível sensação de impotência! Pois é. Acontece ...
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