quarta-feira, abril 20, 2011

Será (!?) ...

Hoje em dia as pessoas apaixonam-se por uma questão prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão mesmo ali ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato. Por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Miguel Esteves Cardoso "Último Volume"

(mas a mim não me dá jeito esta questão -tão?- prática... vá se lá saber porquê...)



domingo, abril 17, 2011

Procuro (-te)

Procuro a ternura súbita,

os olhos ou o sol por nascer
do tamanho do mundo,
o sangue que nenhuma espada viu,
o ar onde a respiração é doce,
um pássaro no bosque
com a forma de um grito de alegria.

Oh, a carícia da terra,
a juventude suspensa,
a fugidia voz da água entre o azul
do prado e de um corpo estendido.

Procuro-te: fruto ou nuvem ou música.
Chamo por ti, e o teu nome ilumina
as coisas mais simples:
o pão e a água,
a cama e a mesa,
os pequenos e dóceis animais,
onde também quero que chegue
o meu canto e a manhã de maio.

Um pássaro e um navio são a mesma coisa
quando te procuro de rosto cravado na luz.
Eu sei que há diferenças,
mas não quando se ama,
não quando apertamos contra o peito
uma flor ávida de orvalho.

Ter só dedos e dentes é muito triste:
dedos para amortalhar crianças,
dentes para roer a solidão,
enquanto o verão pinta de azul o céu
e o mar é devassado pelas estrelas.

Porém eu procuro-te.
Antes que a morte se aproxime, procuro-te.
Nas ruas, nos barcos, na cama,
com amor, com ódio, ao sol, à chuva,
de noite, de dia, triste, alegre — procuro-te.

Eugénio de Andrade, in "As Palavras Interditas"

sexta-feira, abril 15, 2011

...

(Tem dias em que) não sei o que me dá...

Digo...

Estou treinada (a viver) com a minha solidão...

quinta-feira, abril 14, 2011

...

Fundir-nos no outro não é tarefa fácil...

« Quando duas pessoas sentem uma atracção incondicional e estão prontas a sacrificarem-se uma pela outra, então, amam-se de verdade.»  (Henry Louis Mencken)

Para reflectir...

terça-feira, abril 12, 2011

Pensamento do dia

Hoje em dia valoriza-se mais o Ter que o SER

segunda-feira, abril 11, 2011

Cage aux folles et toutes les misères humaines...

Ahahahaha, o que eu me ri com o "meu Deus grego" ....

Prazo de vida

No meio do mundo faz frio,

faz frio no meio do mundo,
muito frio.

Mandei armar o meu navio.
Volveremos ao mar profundo,
meu navio!

No meio das águas faz frio.
Faz frio no meio das águas,
muito frio.

Marinheiro serei sombrio,
por minha provisão de mágoas.
Tão sombrio!

No meio da vida faz frio,
faz frio no meio da vida.
Muito frio.

O universo ficou vazio,
porque a mão do amor foi partida
no vazio.

Cecília Meireles, in 'Mar Absoluto'

Blue skies from pain...

sexta-feira, abril 08, 2011

Bom fim de semana

Ficou-me no ouvido, desde que  vi ....

quarta-feira, abril 06, 2011

Constatação da noite

Eu sei o que vale a pena (obviamente), mas será que eu a valho a pena?!!!... (...mas por ora vou dormir....)

terça-feira, abril 05, 2011

As (nossas) possibilidades de Felicidade...

É muito mais fácil ser  infeliz

Abandono

Poema Melancólico a não sei que Mulher

Dei-te os dias, as horas e os minutos
Destes anos de vida que passaram;
Nos meus versos ficaram
Imagens que são máscaras anónimas
Do teu rosto proibido;
A fome insatisfeita que senti
Era de ti,
Fome do instinto que não foi ouvido.
Agora retrocedo, leio os versos,
Conto as desilusões no rol do coração,
Recordo o pesadelo dos desejos,
Olho o deserto humano desolado,
E pergunto porquê, por que razão
Nas dunas do teu peito o vento passa
Sem tropeçar na graça
Do mais leve sinal da minha mão...

Miguel Torga, in 'Diário VII'







quarta-feira, março 30, 2011

Broken dreams

Já tive muitos sonhos na vida, hoje são (tão) poucos!... Afinal tudo se resume a um prazo de validade...

segunda-feira, março 28, 2011

Pensamento da noite

Assim é a vida. Um recomeçar contínuo mesmo quando tudo está perdido. (J. Cronin)


(Mas mais vale um momento de plenitude, que uma vida inteira de “nada”)

quinta-feira, março 24, 2011

Time will (never) change ...

Time has changed our secrets

and the pigtails in our hair;
It has changed the silly arguments
and the giggles that we shared.


It has changed our childish happiness
to grown-up make-believe,
And leaving us with little else,
it has slowly changed
Our dreams....

Time has come along and changed
the essence of our world;
Then finally and silently,
it has changed the little girls.
But having taken away the dreams
and the simple things we shared before.

Time has led us to the lasting things
we need each other for...
Memories of moments
that were made for us to share,
The crazy laughter
that's somehow always there,

The hidden corners of our lives
only we will ever know,
And the love that becomes deeper
and sweeter as it grows.

Time changes many things
and some dreams come apart,
But nothing can reach or change
the love for you
that lives within my heart.

by Dianna Barnett



If you missed the last train...

Com ou sem pressa, o tempo passa... Ultrapassa(-nos) ... veloz. É impossível voltar atrás ...
(É preciso ser pontual, nas várias fases da vida, para não perder o comboio (que não costuma atrasar). Além disso, é preciso saber escolher o comboio certo  ...)

Atravesso a rua a correr. Tenho de comprar o bilhete. Há duas pessoas na fila. A primeira sai. Olho o comboio. Está lá! A segunda tira o bilhete. Ouço um sinal sonoro forte. Tenho o homem da biheteira a perguntar-me:
------- Diga...?
Olho o comboio. Está a deslizar.
------- Não é nada, obrigado.

É uma incrível sensação de impotência! Pois é. Acontece ...

quarta-feira, março 23, 2011

Quem não Dava a Vida por um Amor? (Reflexão)

O essencial é amar os outros. Pelo amor a uma só pessoa pode amar-se toda a humanidade. Vive-se bem sem trabalhar, sem dormir, sem comer. Passa-se bem sem amigos, sem transportes, sem cafés. É horrível, mas uma pessoa vai andando.
Apresentam-se e arranjam-se sempre alternativas. É fácil.
Mas sem amor e sem amar, o homem deixa-se desproteger e a vida acaba por matar.
Philip Larkin era um poeta pessimista. Disse que a única coisa que ia sobreviver a nós era o amor. O amor. Vive-se sem paixão, sem correspondência, sem resposta. Passa-se sem uma amante, sem uma casa, sem uma cama. É verdade, sim senhores.
Sem um amor não vive ninguém. Pode ser um amor sem razão, sem morada, sem nome sequer. Mas tem de ser um amor. Não tem de ser lindo, impossível, inaugural. Apenas tem de ser verdadeiro.
O amor é um abandono porque abdicamos, de quem vamos atrás. Saímos com ele. Atiramo-nos. Retraímo-nos. Mas não há nada a fazer: deixamo-lo ir. Mai tarde ou mais cedo, passamos para lá do dia a dia, para longe de onde estávamos. Para consolar, mandar vir, tentar perceber, voltar atrás.
O amor é que fica quando o coração está cansado. Quando o pensamento está exausto e os sentidos se deixam adormecer, o amor acorda para se apanhar. O amor é uma coisa que vai contra nós. É uma armadilha. No meio do sono, acorda. No meio do trabalho, lembra-se de se espreguiçar. O amor é uma das nossas almas. É a nossa ligação aos outros. Não se pode exterminar. Quem não dava a vida por um amor? Quem não tem um amor inseguro e incerto, lindo de morrer: de quem queira, até ao fim da vida, cuidar e fugir, fugir e cuidar?

Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'