Particularidades das minhas singularidades & Singularidades das minhas particularidades...
quinta-feira, fevereiro 24, 2011
quarta-feira, fevereiro 23, 2011
terça-feira, fevereiro 22, 2011
Lições de vida
“Para celebrar o meu envelhecimento, certo dia eu escrevi as 45 lições que a vida me ensinou. É a coluna mais solicitada que eu já escrevi.”
1. A vida não é justa, mas ainda assim é boa.
2. Quando estiver em dúvida, dê somente o próximo passo, pequeno.
3. A vida é muito curta para desperdiçá-la odiando alguém.
4. Seu trabalho não cuidará de você quando você ficar doente. Seus amigos e familiares cuidarão. Permaneça em contato.
5. Pague mensalmente seus cartões de crédito.
6. Você não tem que ganhar todas às vezes. Concorde em discordar.
7. Chore com alguém. Cura melhor do que chorar sozinho.
8. É bom ficar bravo com Deus Ele pode suportar isso.
9. Economize para a aposentadoria começando com seu primeiro salário.
10. Quando há chocolate, é inútil resistir.
11. Faça as pazes com seu passado, assim ele não atrapalha o presente.
12. É bom deixar suas crianças verem que você chora.
13. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem idéia do que é a jornada deles.
14. Se um relacionamento tiver que ser um segredo, você não deveria entrar nele.
15. Tudo pode mudar num piscar de olhos Mas não se preocupe; Deus nunca pisca.
16. Respire fundo. Isso acalma a mente.
17. Livre-se de qualquer coisa que não seja útil, bonito ou alegre.
18. Qualquer coisa que não o matar o tornará realmente mais forte.
19. Nunca é muito tarde para ter uma infância feliz. Mas a segunda vez é por sua conta e ninguém mais.
20. Quando se trata do que você ama na vida, não aceite um não como resposta.
21. Acenda as velas, use os lençóis bonitos, use roupa chic. Não guarde isto para uma ocasião especial. Hoje é especial.
22. Prepare-se mais do que o necessário, depois siga com o fluxo.
23. Seja excêntrico agora. Não espere pela velhice para vestir roxo.
24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.
25. Ninguém mais é responsável pela sua felicidade, somente você .
26. Enquadre todos os assim chamados “desastres” com estas palavras ‘Em cinco anos, isto importará?’
27. Sempre escolha a vida.
28. Perdoe tudo de todo mundo.
29. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.
30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo ao tempo.
31. Não importa quão boa ou ruim é uma situação, ela mudará.
32. Não se leve muito a sério. Ninguém faz isso.
33. Acredite em milagres.
34. Deus ama você porque ele é Deus, não por causa de qualquer coisa que você fez ou não fez.
35. Não faça auditoria na vida. Destaque-se e aproveite-a ao máximo agora.
36. Envelhecer ganha da alternativa — morrer jovem.
37. Suas crianças têm apenas uma infância.
38. Tudo que verdadeiramente importa no final é que você amou.
39. Saia de casa todos os dias. Os milagres estão esperando em todos os lugares.
40. Se todos nós colocássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos todos os outros como eles são, nós pegaríamos nossos mesmos problemas de volta.
41. A inveja é uma perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.
42. O melhor ainda está por vir.
43. Não importa como você se sente, levante-se, se vista bem e apareça.
44. Produza!
45. A vida não está amarrada com um laço, mas ainda é um presente.
:) Escrito por Regina Brett, 90 anos de idade, assina uma coluna no The Plain Dealer, Cleveland, Ohio :)
Talvez houvesse uma flor
Talvez houvesse uma flor
aberta na tua mão.
e foi apenas traição.
É tão negro o labirinto
que vai dar à tua rua. . .
Ai de mim, que nem pressinto
a cor dos ombros da Lua!
Talvez houvesse a passagem
de uma estrela no teu rosto.
Era quase uma viagem:
foi apenas um desgosto.
É tão negro o labirinto
que vai dar à tua rua...
Só o fantasma do instinto
na cinza do céu flutua.
Tens agora a mão fechada;
No rosto, nenhum fulgor.
Não foi nada, não foi nada:podia ter sido amor.
David Mourão Ferreira
À Guitarra e à Viola (1954-1960)
segunda-feira, fevereiro 21, 2011
Por vezes ...
E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos
David Mourão-Ferreira
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos
David Mourão-Ferreira
Por vezes fingimos que lembramos e por vezes lembramos que não esquecemos... fingimos
sábado, fevereiro 19, 2011
Pensamento da noite
"Somos o que pensamos. Tudo o que somos surge dos nossos pensamentos. Com os nossos pensamentos, fazemos o nosso mundo.”
(Buda)
sexta-feira, fevereiro 18, 2011
Estar só (é estar no íntimo do mundo)
Por vezes cada objecto se ilumina
do que no passar é pausa íntima
entre sons minuciosos que inclinam
a atenção para uma cavidade mínima
E estar assim tão breve e tão profundo
como no silêncio de uma planta
é estar no fundo do tempo ou no seu ápice
ou na alvura de um sono que nos dá
a cintilante substância do sítio
O mundo inteiro assim cabe num limbo
e é como um eco límpido e uma folha de sombra
que no vagar ondeia entre minúsculas luzes
E é astro imediato de um lúcido sono
fluvial e um núbil eclipse
em que estar só é estar no íntimo do mundo
António Ramos Rosa, in "Poemas Inéditos"
do que no passar é pausa íntima
entre sons minuciosos que inclinam
a atenção para uma cavidade mínima
E estar assim tão breve e tão profundo
como no silêncio de uma planta
é estar no fundo do tempo ou no seu ápice
ou na alvura de um sono que nos dá
a cintilante substância do sítio
O mundo inteiro assim cabe num limbo
e é como um eco límpido e uma folha de sombra
que no vagar ondeia entre minúsculas luzes
E é astro imediato de um lúcido sono
fluvial e um núbil eclipse
em que estar só é estar no íntimo do mundo
António Ramos Rosa, in "Poemas Inéditos"
quarta-feira, fevereiro 16, 2011
terça-feira, fevereiro 15, 2011
Ça, c' est moi!...
"Rien ne sert de paraître ce que l'on est pas,
rien ne sert d'exagérer ce que l'on a peu,
rien ne sert de cacher ce que l'on doit montrer...
si la sensibilité n'existait pas,
nous ne serions pas si nombreux,
à essayer de comprendre ce qu'il peut nous arriver..."
François de La Rochefoucauld
Grande Rêveuse... J'ai la tête dans les nuages mais mes pieds sont bien posés sur terre!! :))
rien ne sert d'exagérer ce que l'on a peu,
rien ne sert de cacher ce que l'on doit montrer...
si la sensibilité n'existait pas,
nous ne serions pas si nombreux,
à essayer de comprendre ce qu'il peut nous arriver..."
François de La Rochefoucauld
Grande Rêveuse... J'ai la tête dans les nuages mais mes pieds sont bien posés sur terre!! :))
domingo, fevereiro 13, 2011
No Amor é a alma aquilo que mais nos toca
As mesmas paixões são bastante diferentes nos homens. O mesmo objecto pode-lhes agradar por aspectos opostos; suponho que vários homens podem prender-se a uma mesma mulher; uns a amam pelo seu espírito, outros pela sua virtude, outros pelos seus defeitos, etc. E pode até acontecer que todos a amem por coisas que ela não tem, como quando se ama uma mulher leviana a quem se julga séria. Pouco importa, a gente prende-se à idéia que se tem prazer em fazer dela; e é mesmo apenas essa idéia que se ama, não é a mulher leviana. Assim, não é o objeto das paixões que as degrada ou as enobrece, mas a maneira como a gente o encara.
Ora, eu disse que era possível que se buscasse no amor algo mais puro do que o interesse dos nossos sentidos. Eis o que me faz pensar assim. Vejo todos os dias no mundo que um homem cercado de mulheres com as quais nunca falou, como na missa, no sermão, nem sempre se decide pela mais bonita, ou mesmo pela que lhe pareça tal. Qual a razão disso? É que cada beleza exprime um carácter bem particular, e preferimos aquele que melhor se encaixa no nosso. É pois o carácter que nos determina algumas vezes; é então a alma que procuramos: não me podem negar isso. Portanto, tudo o que se oferece aos nossos sentidos só nos agrada como a imagem daquilo que se esconde à vista deles; portanto, só gostamos então das qualidades sensíveis como órgãos do nosso prazer, e com subordinação às qualidades imperceptíveis aos sentidos, de que elas são a expressão; portanto, pelo menos é verdade que a alma é aquilo que mais nos toca. Ora, não é aos sentidos que a alma é agradável, mas ao espírito: assim, o interesse do espírito torna-se o principal, e se o interesse dos sentidos lhe fosse oposto, nós o sacrificaríamos. Basta pois nos persuadirmos de que ele lhe é verdadeiramente oposto, que é uma nódoa para a alma. Eis o amor puro.
Amor no entanto verdadeiro, que não se deve confundir com a amizade; porque na amizade, é o espírito que é o orgão do sentimento; aqui, são os sentidos. E como as idéias que vêm pelos sentidos são infinitamente mais poderosas do que as vistas da reflexão, o que elas inspiram é a paixão. A amizade não vai tão longe.
Luc de Clapiers Vauvenargues, in 'Das Leis do Espírito'
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Reflexão; cenas da vida; almas
sexta-feira, fevereiro 11, 2011
Janela do Sonho
Abri as janelas
que havia dentro de ti
e entrei abandonado
nos teus braços generosos.
Senti dentro de mim
o tempo a criar silêncio
para te beber altiva e plena.
Mil vezes
repeti teu nome,
mil vezes,
de forma aveludada
e era a chave
que se expunha
e fecundava dentro de mim.
Já não se sonha,
deixei de sonhar,
o sonho é poeira dos tempos
é a voz da extensão
é a voz da pureza
que dardejava na nossa doçura.
Quando abri as tuas janelas
e despi teus braços
perdi a vaidade
e a pressa,
amei a partida
e em silêncio abri,
(sem saber que abria)
uma noite húmida
em combustão secreta
desmaiado no teu ombro
de afrodite.
Carlos Melo Santos, in "Lavra de Amor"
Blue valentine
Quem dera que a minha mão aberta coubesse fechada na tua, mas sou tão pequena que não t(m)e alcanço (e tão grande, na verdade que ninguém desconfia ... até eu...)
Pensamento da noite
Uma boa história começa tudo de novo, do princípio.
Sopra o vento e faz a folha rodopiar ao ser levada ...
Palavras são como folhas de plátano, soltas ao vento,em direcção a novos horizontes. Deixá-las voar irreverentes, sem cordas para serem puxadas e sem lugar determinado para pousarem, sempre a favor do vento... Assim sou eu quando (me) deixo (in)fluir os pensamentos nas palavras que, voando devagar, ao cair, alcançarão terras distantes...
segunda-feira, fevereiro 07, 2011
Love and others drugs ou Rir é o melhor remédio
Um filme que me deixou absolutamente KO pelo turbilhão de emoções que me afloraram à flor da pele/ espírito...
Facilmente me identifiquei e deixei embrenhar no mundo de Maggie, um espírito livre e de Jamie, um sedutor inveterado.
Acima de tudo fez-me pensar nas relações (complicadas), nas tipificações das "drogas" (quem disse que o amor não é uma (verdadeira) droga?), sorrir, rir e por fim até chorar...
PS: "Parar de tudo querer controlar, permite que o belo, o imprevisível nos atinja". Aliás uma bela frase para transmitir a verdadeira essência do filme...
sábado, fevereiro 05, 2011
sexta-feira, fevereiro 04, 2011
quinta-feira, fevereiro 03, 2011
Dream a lot, speak little
até hoje penso nessa luz vermelha
envolvendo a tarde de um lado e de outro.
E nas verdes ramas, com chuvas guardadas,
e em nuvens beijando os azuis e os roxos.
Perguntava a sombra: “Quem há pelo teu rosto?”
“Que há pelos teus olhos?” – a água perguntava.
E eu pisando a estrada, e eu pisando a estrada,
vendo o lago denso, vendo a terra de ouro,com pingos de chuva numa luz vermelha…
E eu não respondendo nada.
Sonho muito, falo pouco.
Tudo são riscos de louco
e estrelas da madrugada…
Cecília Meireles
segunda-feira, janeiro 31, 2011
Antes que seja tarde ...
O simples facto de amar
não te dá segurança para o futuro...
Assim como atirar uma semente no chão
não garante que florescerá uma rosa!
Amar vai além das tuas expectativas
O coração tem sua própria lógica,
Suas regras ainda não foram compreendidas
O caminho é sempre traiçoeiro...
A dor é companheira daquele que ama
Amar significa abrir mão de suas convicções
Significa tomar novos rumos
Tornar-se tolo e ridículo se preciso for!
Não acreditar nos conselhos
de quem já percorreu o caminho
Cada um terá que fazer o percurso
e experimentar o gosto doce e ácido
da alegria e dá desilusão...
Porque a vida é assim
Aproveita o tempo que ainda tens
Hoje pode estar tudo bem
Amanhã, talvez, não haja mais tempo!
Não deixes nada para depois
Não acumules sentimentos no peito
Desejos são para serem realizados
Segue em paz contigo mesmo!
Antes que seja tarde...
***
Eduardo Baqueiro
"Abraça tua loucura antes que seja tarde demais." [Caio Abreu]
PS: O melhor mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e vencer com ousadia... porque a vida é demasiado preciosa para a vivermos de forma insignificante!!!...
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Introspecção; Tempo parado,
meditar
domingo, janeiro 30, 2011
...
...“Às vezes é preciso não dizer tudo, nem tudo ver. Isso chama-se indulgência, e todos temos necessidade dela.”
(August Strindberg in “La danse de mort”)
sábado, janeiro 29, 2011
quinta-feira, janeiro 27, 2011
Para viver um grande amor
Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher… — não tem nenhum valor.
Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o “velho amigo”, que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.
Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.
Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.
É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor…
Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?
Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer “baixo” seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.
É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.
Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.
Vinicius de Moraes
PS: Ora nem mais!!!..
quarta-feira, janeiro 26, 2011
terça-feira, janeiro 25, 2011
segunda-feira, janeiro 24, 2011
Fímbria de Melancolia
Fímbria de melancolia,
memória incerta da dor,
ouço-a no gravador,
no fado que não se ouvia
quando ouvia o seu clamor.
Porque era já no passado
o presente dessa hora
e que me ressoa agora
a um outro mais alongado.
Assim a dor que se sente
no outro obscuro de nós
nunca fala a nossa voz
mas de quem de nós ausente,
só a nós próprios consente
quando não estamos nós
mas mais sós do que ao estar sós.
Onde então estamos nós?
Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 1'
memória incerta da dor,
ouço-a no gravador,
no fado que não se ouvia
quando ouvia o seu clamor.
Porque era já no passado
o presente dessa hora
e que me ressoa agora
a um outro mais alongado.
Assim a dor que se sente
no outro obscuro de nós
nunca fala a nossa voz
mas de quem de nós ausente,
só a nós próprios consente
quando não estamos nós
mas mais sós do que ao estar sós.
Onde então estamos nós?
Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 1'
quinta-feira, janeiro 20, 2011
...
De repente apeteceu-lhe acender um cigarro.
Fê-lo sem pensar e ficou a olhar para o tecto perdida em pensamentos. E o que usualmente tinha o cheiro, a forma e a textura de milagre dentro do seu coração, tinha hoje, como em outros momentos, o sabor amargo de um vazio quase próximo do deserto que é a solidão.
O cigarro chegava ao fim, bem como a vontade de pensar ... aninhou-se na cama certa de que o sono, esse seu amigo, chegaria breve, breve ...
Divagações ...
Temos tendência a imaginar o amor como algo que existe independentemente de nós. Como algo que nos acontece de fora para dentro e não de dentro para fora. Mas só o amor que temos dentro de nós se pode exteriorizar e só aquilo que já temos podemos encontrar.
Amar não é tanto desejar ser amada – o que pode conduzir, se é que não conduz sempre, a uma forma perversa de amor – quanto desejar amar. Só podemos receber aquilo que temos e só temos o que damos. A solidão não é apenas efeito do desamor, é também condição do amor. Só o amor que alimentamos dentro de nós, a sós connosco próprios, se pode exteriorizar e tocar o outro. O Cupido existe fora de nós, ou assim o imaginamos, mas como todos os "deuses", Cupido não tem existência real fora do espaço simbólico dentro do qual adquire significado. Todos estamos expostos às suas setas do amor, mas depende de nós próprios prolongar o efeito da sua droga. Os templos que construímos fora de nós e onde objectivamos o nosso coração são apenas pó e coisa nenhuma que o tempo reduzirá a nada. Mas o templo que construímos no coração, tem a dimensão do nosso ser e do nosso amor, e mesmo que acabe onde nós acabamos, a luz que dele irradia é provavelmente a nossa única oportunidade de tocar o Eterno...
PS: Ensinaram-nos a amar não tanto quem amamos ou quem nos ama, mas quem devemos amar e nos deve amar. Ensinaram-nos que o amor era uma predisposição natural, que já lá estava antes que nós pudéssemos decidir ou escolher. Ensinaram-nos que nada podíamos, não contra o seu poder, apenas loucura passageira, mas contra o argumento natural da sua presença. O amor já estava antes que soubéssemos amar. A estrutura estava montada e as variáveis definidas e limitadas. Cúpido tinha as suas setas e a sua sabedoria, mas o seu carácter aleatório era visto com medo e com pudor. Era impossível amar quem não estava dentro dos limites do amor ou não amar quem lá estava. Ensinaram-nos que o amor era um hábito que tínhamos de aceitar e a que tínhamos de nos adaptar. Ama(va)-se por obrigação, ou por procuração, raramente por vocação. Éramos escravos de um amor que evitava o amor, que nos protegia do amor. De um amor que matava o amor. As expressões efusivas de carinho e ternura eram reduzidas ao máximo. Não era preciso provar a existência de um amor que não poderia não existir. Tudo estava previsto. Evitavam-se desvios. Encurtavam-se caminhos. Fechavam-se labirintos. Sabíamos quem devíamos amar e quem nos devia amar. Não sabíamos quem amávamos nem quem nos amava. E essa ignorância era a única justificação desse amor...Mas não nos ensinaram, que só poderíamos contar connosco ...
quarta-feira, janeiro 19, 2011
terça-feira, janeiro 18, 2011
Divagações...
É no silêncio das palavras, que procuro encontrar as respostas dos sentidos, das coisas que não entendo.
É no silêncio das palavras, que descanso da tormenta, que é viver em constante procura.
É no silêncio das palavras que te amo, na ânsia de ser amada. Que te quero na esperança de ser querida.
É no silêncio das palavras, talvez daquelas que nunca direi, que fica a mulher que se esconde.
É no silêncio dessas mesmas palavras, que habita a vontade de ser, de viver, de sentir que tudo vale a pena.
É no silêncio das palavras que me entrego com paixão, que me dou por inteiro...
É no silêncio das palavras que habita a alma repleta de ternura sem dono...
É no silêncio das palavras que tenho o coração a transbordar de carinho vadio.
É, por fim, no silêncio das palavras, no murmúrio do mar, no som de um suspiro, que te quero!
segunda-feira, janeiro 17, 2011
sexta-feira, janeiro 14, 2011
quinta-feira, janeiro 13, 2011
quinta-feira, janeiro 06, 2011
terça-feira, janeiro 04, 2011
Divagações
“Passamos muitas vezes do amor à ambição, mas raramente regressamos da ambição ao amor.”
Tristemente, estas são as tais linhas ténues que tão facilmente ultrapassamos, mas que, depois dificilmente conseguimos retroceder. Fazemos opções, às vezes até de forma inconsciente, e quando paramos para pensar, é tarde. Quando paramos percebemos que já perdemos coisas, situações ou pessoas que nos eram tão queridas...
No mundo em que vivemos somos (muitas vezes), impelidos a usar e abusar do nosso ser racional. Talvez porque ainda não estamos todos no mesmo grau de desenvolvimento, existe gente “pequenina” que nos tenta espezinhar e isso faz com que reagimos e nos defendamos ferozmente. Para agravar ainda mais, temos registado na nossa memória todos os erros do passado e os imutáveis medos do presente que nos bloqueiam e paralisam.
E no meio de tudo isto está a nossa intuição, tantas vezes asfixiada que mal se ouve... o grito mudo ...A maior dificuldade surge quando de tanto nos tentarmos proteger contra os outros, acabamos por nos fechar às sete chaves no nosso “castelo”... onde nada entra e nada sai...
PS: Metade dos nossos erros na vida, vem do facto de que sentimos quando devemos pensar e pensamos quando devemos sentir. (Lhurton Collins)
sábado, janeiro 01, 2011
sexta-feira, dezembro 31, 2010
quinta-feira, dezembro 30, 2010
Adeus 2010
Que as lágrimas se transformem em sorrisos; O amargo em doce; As derrotas em vitórias; As amarras em liberdade; O instável em constante e que os amores efémeros possam ser dura/vindouros!
FELIZ 2011!!!
quarta-feira, dezembro 29, 2010
Divagações...
É tão fodid@ aquela (tão velha e conhecida) sensação (certeza) do copo meio vazio ...
PS: é assim cada final de ano ...
PS: é assim cada final de ano ...
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barco encalhado; mágoas e desventuras
Seulement beau ...
«Toi, mon tendre amour
Ma seule lumière
Ma seule raison
De rester sur terre
La douce prison
Où je peux me plaire
Toi, mon tendre amour
Mon seul Univers
Le temps qui court
Ne peut rien défaire
Je veux toujours
Être ta prisonnièeere
Seulement l'amour
Pour qu'il guide nos pas
Seulement l'amour
Pour le temps qu'il voudra
Je peux tout faire
Si tu restes avec moi
Même l'enfer ne me brûlera pas
Toi, ma raison d'être
De tout abandonner
Mon envie de renaître
Pour apprendre à t'aimer
Tout l'temps qu'i me reste
Je veux te le donner
Toi, ma raison d'vivre
De tout abandonner
Mon envie de te suivre
Pour apprendre à t'aimer
Tout l'temps qu'il me reste
Je veux te le donner
Seulement l'amour
Pour qu'il guide nos pas
Seulement l'amour
Pour le temps qu'il voudra
Je peux tout faire
Si tu restes avec moi
Même l'enfer ne me brûlera pas
Seulement l'amour
Jusqu'au bout de nos nuits
Qu'il nous emmène pour ne pas qu'on oublie
Que par amour on donnerait nos vies
Pardon à ceux qui n'auraient pas compris
Seulement l'amour
Pour qu'il guide nos pas
Seulement l'amour
Pour le temps qu'il voudra
Je peux tout faire
Si tu restes avec moi
Même l'enfer ne me brûlera pas
Seulement l'amour
Jusqu'au bout de nos nuits
Qu'il nous emmène pour ne pas qu'on oublie
Que par amour on donnerait nos vies
Pardon à ceux qui n'auraient pas compris»
Seulement l'amour
PS: Mon dieu! C'est tellement beau...
Adorava ter assistido ao vivo a este musical!!! Mas vou vê-lo hoje em DVD...
Ma seule lumière
Ma seule raison
De rester sur terre
La douce prison
Où je peux me plaire
Toi, mon tendre amour
Mon seul Univers
Le temps qui court
Ne peut rien défaire
Je veux toujours
Être ta prisonnièeere
Seulement l'amour
Pour qu'il guide nos pas
Seulement l'amour
Pour le temps qu'il voudra
Je peux tout faire
Si tu restes avec moi
Même l'enfer ne me brûlera pas
Toi, ma raison d'être
De tout abandonner
Mon envie de renaître
Pour apprendre à t'aimer
Tout l'temps qu'i me reste
Je veux te le donner
Toi, ma raison d'vivre
De tout abandonner
Mon envie de te suivre
Pour apprendre à t'aimer
Tout l'temps qu'il me reste
Je veux te le donner
Seulement l'amour
Pour qu'il guide nos pas
Seulement l'amour
Pour le temps qu'il voudra
Je peux tout faire
Si tu restes avec moi
Même l'enfer ne me brûlera pas
Seulement l'amour
Jusqu'au bout de nos nuits
Qu'il nous emmène pour ne pas qu'on oublie
Que par amour on donnerait nos vies
Pardon à ceux qui n'auraient pas compris
Seulement l'amour
Pour qu'il guide nos pas
Seulement l'amour
Pour le temps qu'il voudra
Je peux tout faire
Si tu restes avec moi
Même l'enfer ne me brûlera pas
Seulement l'amour
Jusqu'au bout de nos nuits
Qu'il nous emmène pour ne pas qu'on oublie
Que par amour on donnerait nos vies
Pardon à ceux qui n'auraient pas compris»
Seulement l'amour
PS: Mon dieu! C'est tellement beau...
Adorava ter assistido ao vivo a este musical!!! Mas vou vê-lo hoje em DVD...
Pensamento do dia
"A maior parte das coisas que dizemos e fazemos não é necessária; quem as eliminar da própria vida será mais tranquilo e sereno.”
PS: Tudo podia ser tão mais simples… mas nós estamos sempre a fazer tempestades em copos de água!
PS: Tudo podia ser tão mais simples… mas nós estamos sempre a fazer tempestades em copos de água!
terça-feira, dezembro 28, 2010
Constatação
A inexistência de vida amorosa prende-se essencialmente com duas questões: ou não somos capazes de cativar ou não nos apetece cativar ...
Vai para fora, cá dentro ...
Existe uma história antiga, muito interessante, sobre os Deuses, que diz assim:
Temendo que os humanos, fossem perfeitos e não precisassem mais deles, reuniram-se para decidir o que fazer. O mais sábio dos deuses disse:
- Vamos dar-lhes tudo, menos o segredo da felicidade.
- Mas se os humanos são tão inteligentes, vão acabar por descobrir esse segredo também! - disseram os outros deuses em coro.
- Não, respondeu o sábio. Vamos esconder num lugar onde eles nunca vão achar: DENTRO DELES MESMOS!
segunda-feira, dezembro 27, 2010
Balanço
Afinal "a verdade surge mais facilmente do erro do que da confusão" (Francis Bacon)
domingo, dezembro 26, 2010
L’Amour c’est mieux à deux (O Amor É Melhor a Dois)
Cada pessoa tem a sua forma de sonhar/ imaginar o encontro perfeito, com o momento em que vai encontrar a tal pessoa… Michel (Clovis Cornillac) espera que as coisas lhe corram como é tradição na família, como aconteceu aos pais e aos avós: um puro acaso. Já Vincent (Manu Payet) é daqueles que só pensam em sexo. Mas estes dois amigos de infância vão mudar a sua forma de encarar o amor e tudo o que está à sua volta assim que conhecerem Angèle (Virginie Efira) e Nathalie (Annelise Hesme).
"L’Amour C’est Mieux á Deux" faz-nos voltar a ter fé num regresso do cinema europeu como alternativa ao mainstream exclusivamente norte-americano, à diversão e humor puros sem falsos moralismos e a uma maior identificação por parte do público.
PS: Há muito tempo que não me ria tanto a ver um filme. Recomendo! E é claro que o Amor é (sempre) melhor a dois, ou então será tudo menos Amor... Elementar meu caro Watson!
...A saudade e a esperança ...
Dois horizontes fecham nossa vida:
Um horizonte, — a saudade
Do que não há de voltar;
Outro horizonte, — a esperança
Dos tempos que hão de chegar;
No presente, — sempre escuro,—
Vive a alma ambiciosa
Na ilusão voluptuosa
Do passado e do futuro.
Os doces brincos da infância
Sob as asas maternais,
O vôo das andorinhas,
A onda viva e os rosais;
O gozo do amor, sonhado
Num olhar profundo e ardente,
Tal é na hora presente
O horizonte do passado.
Ou ambição de grandeza
Que no espírito calou,
Desejo de amor sincero
Que o coração não gozou;
Ou um viver calmo e puro
À alma convalescente,
Tal é na hora presente
O horizonte do futuro.
No breve correr dos dias
Sob o azul do céu, — tais são
Limites no mar da vida:
Saudade ou aspiração;
Ao nosso espírito ardente,
Na avidez do bem sonhado,
Nunca o presente é passado,
Nunca o futuro é presente.
Que cismas, homem? – Perdido
No mar das recordações,
Escuto um eco sentido
Das passadas ilusões.
Que buscas, homem? – Procuro,
Através da imensidade,
Ler a doce realidade
Das ilusões do futuro.
Dois horizontes fecham nossa vida.
Machado de Assis, in 'Crisálidas'
sexta-feira, dezembro 24, 2010
Visto ontem ...
"Nothing Personal" - Um filme muito bom...inquietante, intenso e perturbador, aconselhável só para pessoas com uma sensibilidade muito apurada e/ou quem não curte o cinema a granel...
A natureza humana e os seus traumas estão lá ... O desejo do silêncio, da solidão, a exigência do respeito pelo “eu”, o amor sem expectativas e/ou de quem nada espera em troca, magistralmente interpretados pelos dois actores.
quinta-feira, dezembro 23, 2010
Boas festas
Oxalá pudéssemos meter o espírito de natal em jarros e abrir um jarro em cada mês do ano (Harlan Miller)

Mensagens Para Orkut

Mensagens Para Orkut
terça-feira, dezembro 21, 2010
Gotas de incompatibilidades
Noite fria de outono, o desencontro, o desagrado, um cálice de vinho sobre a mesa e no ar a certeza de amar por toda uma vida. Uma fresta nessa verdade abala as juras de amor.
Há o cheiro da saudade, não se sabe de onde, nem de quando. Veio de mansinho com o vento, deixando inquietude. Um intumescimento, a todo o tempo, denuncia as ansiedades do corpo.
Na expressão confusa, das necessidades dos abusos. Um assume, o outro recusa, as atitudes.
Uma lágrima cadente, deixa-me antever o protesto e deito-me descontente.
Os desejos tornam-se lassos, esmorece o meu manifesto.
O cansaço, o desabraço ... e sempre o vazio.
A alvorada, por esse nada, tentará desfazer o laço. E até nos acharmos vai ser fácil enfrentar o vazio, de nos dividirmos em cacos. Aquietamos...
Se arrependimento matasse, provavelmente, morreríamos abraçados em juras de amor para sempre.... Mas a sensação é de que as paisagens secaram e que não encontro ninho...
sexta-feira, dezembro 17, 2010
quinta-feira, dezembro 16, 2010
quarta-feira, dezembro 15, 2010
Olhares
Há olhares que se tocam,
Movidos por invísiveis fios de teia prateada.
Há olhares que se cruzam,
Ponteados pela mesma luz,
Há olhares que se tocam, no silêncio das palavras
nunca ditas, mas sempre repetidas.
E nunca oferecidas ..
O meu olhar, o teu olhar
São flores de um mesmo jardim
- O jardim da Solidão
segunda-feira, dezembro 13, 2010
Verdade, verdadinha
Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.
E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!
Sinto os passos de Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!
E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!
Florbela Espanca
O primeiro dia do resto da minha vida ...
Nascer de novo. Todos precisamos nascer de novo. Todos os dias. Constantemente. Permanentemente. Dormir é como morrer. Acordar é como nascer. O amor talvez nem outra coisa seja. Por isso precisamos dele, por isso o procuramos. O desejo de nascer de novo. Se não nascermos de novo não poderemos almejar o paraíso porque sem nascer de novo não saímos do Inferno. Pior ainda, nem nos apercebemos que estamos no Inferno, e embriagados por essa ignorância tornamo-nos o nosso próprio inferno. É necessário nascer de novo. Nem para outra coisa fazemos amor, senão para morrer, senão para nascer. Viver e morrer são a mesma coisa quando se nasce, quando se sabe, quando se ganha mesmo que se perca, quando se ama... Hoje é o primeiro dia. Este é o primeiro beijo. Esta é a (minha) primeira vez....
Pensamento do dia
Quero recomeçar a zero e fazer tábua rasa do ano que está a findar!!! Limpa de qualquer letra e sem ideia nenhuma. Novos sonhos, novas perspectivas...
Nesse momento crucial da (minha) vida tudo é (re)construção.
PS: hoje é daqueles dias em que dava muito jeito ter um (grande) botão RESET
domingo, dezembro 12, 2010
Hoje estou mais que escorpiã ... e deu-me para isto
«A MULHER - A mulher de Escorpião tem uma beleza profunda, misteriosa. É atraente, orgulhosa e totalmente confiante. Mas tem uma mágoa secreta. Não nasceu homem. Esta perigosa mulher fatal pode ocultar o seu poder sob um sorriso trêmulo, modos gentis, e a mais angelical das vozes. Ela é capaz de odiar amargamente e de amar com um total abandono.
Esta mulher tem uma certa intimidade que você jamais tocará, uma parte de sua mente e alma que pertence somente a ela e onde ninguém entra. Ela não é falsa, com efeito na maior parte das vezes é brutalmente sincera, mas haverá sempre aqueles pensamentos e sentimentos especiais que jamais confiará a você ou a quem quer que seja.
O natural interesse dela pelo sexo oposto pode dar-lhe tanta razão para ter ciúmes dela quanto ela de você. Talvez ela seja um pouco perigosa, mas é inegavelmente excitante. »
(texto retirado da net)
sábado, dezembro 11, 2010
quinta-feira, dezembro 09, 2010
Remexendo no baú
Um desejo irreprimível, que não se concretiza.Uma atracção que não explico. Fico com as mãos suadas, faces coradas, lábios quentes, tremo.
Olho para ti como para uma figura de cera. Sorris, como estátua perfeita que entrou de mansinho nos meus sonhos.
Murmuraste a tua fascinação, não acreditei, sou demasiado banal para estimular ou encantar quem quer que seja.
Defendi-me de ti, com ironia trocista, confiando na minha intuição que me dizia que tudo não passava de um equívoco, mas fico desconcertada.
Sorriste, com esse tão teu sorriso triste, escreveste, telefonaste com respeito, subtileza, com classe.
Dizes-te tímido, eu não acredito. Trazes nos olhos o desespero e na boca um traço de solidão (tal como eu)
Transportas contigo uma força invulgar que me faz sentir serena.
Quando estamos juntos é como se estivessemos num bosque sagrado, rasgando o silêncio, com a segurança de quem aferrolha uma paixão calada, condenada ao isolamento.
Eu vagueio, recuo por pudor, temendo a surpresa, enquanto vejo as horas passarem até que o dia rompa a penumbra do quarto triste. Sinto que já não sou dona de mim, quando anseio ouvir a tua voz quente, grave, modelada, sensual.Tu tens uma vida estável, sem sobressaltos, como eu tinha, até sentir por ti uma extraordinária mistura de emoção física, desejo e até identificação de espírito.
Conhecemo-nos há 1 ano, mas parece que foi há mais tempo, mas está posta da parte de ambos, qualquer decisão que possa afectar o futuro. Contigo, homem de nome vulgar, sinto-me bem, embora tenha a sensação, que me possas pedir algo, que não te posso dar.
Tomámos café juntos. Apenas sorvi o afecto quente e doce de um só trago em chávena de porcelana. Uma corrente de sentimentos intensos e contraditórios, estabeleceram-se entre medos e verdades, mexidas com um pauzinho de canela.
Eu não quero entender que me tenho colocado em posições falsas para escapar às censuras e paixões.Tu abalaste o meu desejo egoísta de uma vida tranquila
Visto da minha janela molhada pela humidade Outonal, o dia ameaça raiar.
Tu não sabes, mas estou a falsear o jogo, um perigoso jogo de sedução, que não pode ser mais do que isso.
Toquei-te ao de leve na mão e percebi que já não és para mim uma estátua morta, mas uma estátua de sal, sangue e vida.
Gostaria de caminhar contigo à beira mar, à beira rio, como dois adolescentes irrequietos, rindo de tudo e nada, ou apenas dar-te a mão como fazem os amantes antigos, no silêncio das palavras.
Tu ousaste! Sonhaste beijar-me ao de leve e confessaste, eu corei, por constrangimento ou mesmo inexperiência; sem dissimular o que me vai na alma.
Contigo sinto-me estranhamente calma. Não te peço nada, tu também não.
Recordo agora as tuas palavras carinhosas, és quase um desconhecido ainda, mas acho-te encantador, discreto, perspicaz, sensível, bem formado.
Vejo-te para a semana (se der...)
Talvez tu já não me aches graça nenhuma, agora que me conheces sem a máscara do mistério, sinto-me insegura.
Tenho vontade de partir, para longe dos meus fantasmas, quero sair do escuro desta alvorada. Quero lançar-me de cabeça erguida no vento e na água. Com as mãos rasgar nuvens e memórias. Queria estar contigo por uma hora apenas, vestida de sonhos e segredos transparentes.
Deixo que caia uma lágrima, única e perfeita como uma pérola.
Acabo esta carta que nunca ousarei enviar, mandando-te ternamente um beijo do tamanho da Lua; daquela lua a que chamas Poesia!
Coimbra, 05/11/04
PS: Por muitos anos que passem continuo assim... ainda... demasiado banal para estimular ou encantar quem quer que seja .... ingénua, humilde, teimosa e demasiado distraída ... continuo a defender-me de mim e dos outros, com ironia trocista, confiando na minha intuição que me diz que afinal tudo não passa de um enorme equívoco! ... Continuo a saborear o afecto quente e doce de uma só chavena de café, remexendo com a colher uma corrente de sentimentos intensos e contraditórios, a estabeleceram-se entre medos e verdades, mas com muita cautela. Continuo vestida de sonhos, rasgados de uma pretensa (trans)aparência... A anormalidade é lixada!!! Tudo em mim é desacordo.O que sou e o que faço, o que queria fazer e o que vou fazendo. As minhas próprias ambições se contradizem. Quero viver no Céu, mas mergulhar nas profundezas do mar. É difícil! Sinto-me violentamente puxada, para um lado e para outro, estilhaçada sem poder decidir. Quero viver tudo, mau ou bom, pouco importa; Quero experimentar tudo o que faz bem, como o que faz mal. Haverá algo mais frágil e mais sagrado que a vida? Aceitar que é assim, é aceitar o desacordo. Se não fosse assim, eu seria apenas uma coisa com contornos, peso e medida... Seria como este sofá onde me sento; e não é possível a um sofá sentar-se num sofá ...
PS: Por muitos anos que passem continuo assim... ainda... demasiado banal para estimular ou encantar quem quer que seja .... ingénua, humilde, teimosa e demasiado distraída ... continuo a defender-me de mim e dos outros, com ironia trocista, confiando na minha intuição que me diz que afinal tudo não passa de um enorme equívoco! ... Continuo a saborear o afecto quente e doce de uma só chavena de café, remexendo com a colher uma corrente de sentimentos intensos e contraditórios, a estabeleceram-se entre medos e verdades, mas com muita cautela. Continuo vestida de sonhos, rasgados de uma pretensa (trans)aparência... A anormalidade é lixada!!! Tudo em mim é desacordo.O que sou e o que faço, o que queria fazer e o que vou fazendo. As minhas próprias ambições se contradizem. Quero viver no Céu, mas mergulhar nas profundezas do mar. É difícil! Sinto-me violentamente puxada, para um lado e para outro, estilhaçada sem poder decidir. Quero viver tudo, mau ou bom, pouco importa; Quero experimentar tudo o que faz bem, como o que faz mal. Haverá algo mais frágil e mais sagrado que a vida? Aceitar que é assim, é aceitar o desacordo. Se não fosse assim, eu seria apenas uma coisa com contornos, peso e medida... Seria como este sofá onde me sento; e não é possível a um sofá sentar-se num sofá ...
terça-feira, dezembro 07, 2010
De onde me chegam estas palavras?
Porque escondes a noite no teu ventre?
Nesse país de sombra onde se calam as palavras.
Aí, no escuro lago onde estremece a flor da amendoeira
E onde vão morrer todos os cisnes.
Eu desvendo a tua dor, o teu mistério
De caminhares assim calada e triste,
Quando viajo em ti com as mãos nuas e o coração louco
No mais fundo de ti, onde só tu existes.
Oh, eu percorro as tuas coxas devagar
Dobrando-as lentamente contra o peito
E penetro em delírio a tua noite
Esporeando éguas no teu sangue.
De onde me chegam estas palavras?
Joaquim Pessoa
segunda-feira, dezembro 06, 2010
Hoje ...
Despertei hoje com nódoas rasgadas e negras na alma, na nudez das minhas palavras onde o silêncio é soberano, ausente de cor ou sentido, esquartejado apenas pela melancolia.
Sacio-me de sorrisos esboçados e olhares enclausurados. Sinto-me estranhamente nua e crua, com a carne rasgada... as palavras! Ah as palavras.... essas, soltam-se estéreis, ocas, vazias e frias, porque tudo morre na vida.
Queria ver-nos hoje, porque o amanhã pode nunca (mais) chegar.
Tenho o ar dentro das mãos porque sei tantas coisas e depois não sei responder às perguntas mais simples. É este o absurdo dos estranhos dias que vivo.
...
Hoje foi um dia dedicado exclusivamente à psicologia ... [ e se algum desconhecido desabafar contigo... isto é i(nat)o ... isso sou eu ... ]
Divagações...
Costumava responder "não sei", às perguntas sobre o futuro. A questão não estava tanto no conteúdo da pergunta quanto na sua projecção no tempo ...
Talvez por isso ambicionasse uma história de amor. Uma história (não) qualquer. Que tivesse o encanto dos teus olhos e a luminosidade dos meus sonhos. Queria conhecer as palavras certas. Inventar um código secreto qualquer onde nos reconhecessemos. Queria uma luz qualquer que me iluminasse os passos.
Há crianças perdidas que esperam pela nossa voz. Somos já nelas o que nunca mais seremos. Se eu fosse poeta dava a volta ao texto. Deixaria de procurar o fim da linha. E os meus versos haveriam de conter as tuas mãos. As minhas palavras confundir-se-iam com as tuas. E o sorriso seria já quase um abraço...
Na beira dos teus lábios escreveria os meus, pétalas, rosas, metal fundente, hiato de tempo por cumprir e encontrar.
No ciclo dos teus olhos recordaria os meus, chamas, ventos, oásis perpétuos, doçura rasgada e por rasgar.
Na ânsia das tuas mãos inventaria as minhas, conchas, relâmpagos, o mundo ao contrário, uma lágrima por sorrir, outra por chorar.
No grito do teu amor encontraria o meu, serra, nuvem, céu, ao longe o mar, corpo, alma, sopro… doce respirar ... Mas não sei ... Continuo sem saber ...
quinta-feira, dezembro 02, 2010
Constatação da noite
A felicidade é (sempre) muito frágil porque as (nossas) expectativas acabam (sempre) por ser frustadas ...
quarta-feira, dezembro 01, 2010
Constatação
Há coisas que não percebo e que gostaria de entender e há outras que entendo e que preferia não perceber ...
terça-feira, novembro 30, 2010
Acreditava...
Aquilo que se procura nem sempre se encontra. E aquilo que se encontra nem sempre é o que se procura. E às vezes sim e nem vemos. E às vezes não e nem percebemos. Ora parece que sim, ora parece que não.
Há um sorriso doce e uma lágrima amarga, e um sorriso triste e uma lágrima de alegria. E o contrário do que é nem sempre é o oposto do que não é. Palmilhamos e tacteamos e tentamos adivinhar. Mas, o enigma começa depois de o termos resolvido (ou não). Caixinha chinesa de emoções indecifráveis. Ninguém tem o mapa dos caminhos por fazer. O futuro é o presente à procura de si próprio e o passado são os passos que damos para lá chegar. Mas não se aprende a lição que outros nos podem ensinar. Não se encontra sem perder, nem se perde sem encontrar. Na verdade, acreditava no amor e também não acreditava... No entanto hoje já nem sei ....
segunda-feira, novembro 29, 2010
Caminho ...
I
Tenho sonhos cruéis; n'alma doente
Sinto um vago receio prematuro.
Vou a medo na aresta do futuro,
Embebido em saudades do presente...
Saudades desta dor que em vão procuro
Do peito afugentar bem rudemente,
Devendo, ao desmaiar sobre o poente,
Cobrir-me o coração dum véu escuro!...
Porque a dor, esta falta d_harmonia,
Toda a luz desgrenhada que alumia
As almas doidamente, o céu d'agora,
Sem ela o coração é quase nada:
Um sol onde expirasse a madrugada,
Porque é só madrugada quando chora.
II
Encontraste-me um dia no caminho
Em procura de quê, nem eu o sei.
d Bom dia, companheiro, te saudei,
Que a jornada é maior indo sozinho
É longe, é muito longe, há muito espinho!
Paraste a repousar, eu descansei...
Na venda em que poisaste, onde poisei,
Bebemos cada um do mesmo vinho.
É no monte escabroso, solitário.
Corta os pés como a rocha dum calvário,
E queima como a areia!... Foi no entanto
Que choramos a dor de cada um...
E o vinho em que choraste era comum:
Tivemos que beber do mesmo pranto.
III
Fez-nos bem, muito bem, esta demora:
Enrijou a coragem fatigada...
Eis os nossos bordões da caminhada,
Vai já rompendo o sol: vamos embora.
Este vinho, mais virgem do que a aurora,
Tão virgem não o temos na jornada...
Enchamos as cabaças: pela estrada,
Daqui inda este néctar avigora!...
Cada um por seu lado!... Eu vou sozinho,
Eu quero arrostar só todo o caminho,
Eu posso resistir à grande calma!...
Deixai-me chorar mais e beber mais,
Perseguir doidamente os meus ideais,
E ter fé e sonhar d encher a alma.
Camilo Pessanha, in 'Clepsidra'
Figueira da Foz 07/11/10
sábado, novembro 27, 2010
Sometimes II
Sometime I'm quiet
Sometimes I'm bold
Sometimes I feel young
Sometimes I feel old
Sometimes I do the opposite
Sometimes do what's told
Sometimes I buckle
But rarely do I ever fold
Sometimes I'm great
Sometimes I'm small
But lately I'm humble
If I'm anything at all
Sometimes I worry
Sometimes joke, jokes that are wry
Sometimes, often, I ask 'why? '
Sometimes I cry
Sometimes I wander
Sometimes I'm lost
Sometimes I feel the bitter lonliness
Of the cold winter frost
Sometimes I tremble
Sometimes I burn
Sometimes I stumble
Sometimes I yearn
Sometimes I dream
Sometimes I feel it's getting late
Sometimes I surmise
I must learn to rely on fate
(James T.Adair)
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