domingo, março 13, 2011

O Amor é (in)evitável?

« O amor é de outro reino. (...) Da amizade, do amor, do encontro de duas pessoas que se sentem bem uma ao lado da outra, fazendo amor, falando de amor, trocando amor, conversando de amor, falando de nada, falando de pequenas histórias código de ministros com aventuras de aventuras sem ministros conversa alta e baixa de livros e de quadros de compras e de ninharias conversas trocadas em miúdos ouvindo música sem escutar música que ajuda o amor o amor precisa de ajudas de ir às cavalitas de andas de muita coisa simples amor é um segredo que deve ser alimentado nas horas vagas alimentado nas horas de trabalho nas horas mais isoladas amor é uma ocupação de vinte e quatro horas com dois turnos pela mesma pessoa com desconfianças e descobertas com cegueiras e lumineiras amor de tocar no mais íntimo na beleza de um encanto escondido recôndito que todos no mundo fizeram pais de padres mães de bispos avós de cardeais amor agarrado intrometido de falus com prazer de alegria amor que não se sabe o que vai dar que nunca se sabe o que vai dar amor tão amor.
(O Amor) É inevitável, faz parte da combustão da natureza, é força, mar, elemento, água, fogo, destruição, é atmosfera, respira-se, quando se morre abandona-se, o amor deixa, fica isolado, é um elemento, come-se, bebe-se, sustenta pão, pão diário para rico e pobre, pão que ilumina o forno do amassador, aparece nas condições mais estranhas, bicho que nasce, copula dentro de si mesmo, paira, espermatozóide e óvulo, as duas coisas ao mesmo tempo, amor é assim outro elemento fundamental da natureza, as pessoas vivem tanto com o amor, ou tão alheias do amor, que nem notam, raro percebem que o amor existe, raro percebem que respiram, que a água está, é indispensável, ninguém pode viver alheio aos elementos, ao amor. »

Ruben Andresen Leitão, in 'Silêncio para 4'

sexta-feira, março 11, 2011

Alcançar a estrela inatingível: a minha busca

« Quando se sonha sozinho é apenas um sonho. Quando se sonha juntos é o começo da realidade.»

D. Quixote

quarta-feira, março 09, 2011

sexta-feira, março 04, 2011

(su-po-si-ção)

Significado de Suposição

s. f. Acto ou efeito de supor; conjectura, hipótese.
Opinião formada sem provas certas e positivas: suposição gratuita.
Aquilo que se pensa sem ter a certeza: uma suposição errada
«Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto »

 Álvaro de Campos in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa

Des(sintonia) ?

Uma coisa é o amor, outra é a relação. Não sei se, quando duas pessoas estão na cama, não estarão, de facto, quatro: as duas que estão mais as duas que um e outro imaginam.

António Lobo Antunes

Amores perfeitos





Os meus!!!


E a não minha papoila ...

quinta-feira, março 03, 2011

quarta-feira, março 02, 2011

Constatação

(sei que) Não sou  a princesa de alguém, mas no meu reino sou rainha ...

terça-feira, março 01, 2011

Sem mais quero (apenas) dormirrrr ...
.. e Sonharrrrr ...

Divagações sobre... pessoas

As três qualidades que me agradam mais: gentileza, moderação e humildade...
(não sou por isso de meias-tintas ou meias-verdades... daí o ser tudo tão previsível...)

Sabe bem...

Nunca lidei muito bem com elogios, não sei porquê mas fico sempre sem saber o que dizer, como agir a seguir, ou melhor confrangida, no entanto confesso que passado este primeiro impasse - a minha falta de jeito - fazem-me sentir bem na minha completa simplicidade diacrónica ...

segunda-feira, fevereiro 28, 2011

Why not?

Bora lá festejar o 31 de Julho !

(des)Sincronia

O amor (não) existe até prova em contrário ...

domingo, fevereiro 27, 2011

Contrariar as Contrariedades

« Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de.
Apesar de, se deve comer.
Apesar de, se deve amar.
Apesar de, se deve morrer.
Inlcusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente.
Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora da minha própria vida. »


Clarice Lispector, in 'Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres'









Ouvindo ...

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

O Feio Tem Mais Encanto

« Por vezes existe nas pessoas ou nas coisas um charme invisível, uma graça natural que não pôde ser definida, a que somos obrigados a chamar o «não sei o quê». Parece-me que é um efeito que deriva principalmente da surpresa. Sensibiliza-nos o facto de uma pessoa nos agradar mais do que deveria inicialmente e somos agradavelmente surpreendidos porque superou os defeitos que os nossos olhos nos mostravam e que o coração já não acredita. Esta é a razão porque as mulheres feias possuem muitas vezes encantos que raramente as mulheres belas possuem, porque uma bela pessoa geralmente faz o contrário daquilo que esperávamos; começa a parecer-nos menos estimável. Depois de nos ter surpreendido positivamente, surpreende-nos negativamente; mas a boa impressão é antiga e a do mal, recente: assim, as pessoas belas raramente despertam grandes paixões, quase sempre restringidas às que possuem encantos, ou seja, dons que não esperaríamos de modo nenhum e que não tinhamos motivos para esperar.
Os encantos encontram-se muito mais no espírito do que no rosto, porque um belo rosto mostra-se logo e não esconde quase nada, mas o espírito apenas se mostra gradualmente, quando quer e do modo que quer; pode esconder-se para surgir de novo e proporcionar essa espécie de surpresa que constitui os encantos. »

Baron de Montesquieu, in "Ensaio Sobre o Gosto"


PS: Lá diz o ditado "Quem ama o feio bonito lhe parece"

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Nas mãos do pintor


Nicoletta Tomas "Lovers 27" Acrylic / Board 54x64 cm.





Nas palavras do poeta II

Eu cantaria mesmo que tu não existisses,
faria amor, assim, com as palavras.
Eu cantaria mesmo que tu não existisses
porque haveria de doer-me a tua ausência.

Por isso canto. Alegre ou triste, canto.
Como se, cantando, tocasse a tua boca,
ainda antes da tua presença.
Direi mesmo, depois da tua morte.

Eu cantaria mesmo que tu não existisses,
ó minha amiga, doce companheira.
Eu festejo o teu corpo como um rio,
onde, exausto, chegarei ao mar.

Sim, eu cantaria mesmo que tu não existisses,
porque nada eu direi sem o teu nome.
Porque nada existe além da tua vida,
da tua pele macia, dos teus olhos magoados.

Assim quero cantar-te, meu amor,
para além da morte, para além de tudo.

Joaquim Pessoa

Nas palavras do poeta

« ...ando às voltas que nem um pião, nas circunvizinhanças do teu coração gastei minhas solas em vão...»