segunda-feira, janeiro 31, 2011

Antes que seja tarde ...

O simples facto de amar
não te dá segurança para o futuro...
Assim como atirar uma semente no chão
não garante que florescerá uma rosa!

Amar vai além das tuas expectativas
O coração tem sua própria lógica,
Suas regras ainda não foram compreendidas
O caminho é sempre traiçoeiro...

A dor é companheira daquele que ama
Amar significa abrir mão de suas convicções
Significa tomar novos rumos
Tornar-se tolo e ridículo se preciso for!

Não acreditar nos conselhos
de quem já percorreu o caminho
Cada um terá que fazer o percurso
e experimentar o gosto doce e ácido
da alegria e dá desilusão...

Porque a vida é assim
Aproveita o tempo que ainda tens
Hoje pode estar tudo bem
Amanhã, talvez, não haja mais tempo!

Não deixes nada para depois
Não acumules sentimentos no peito
Desejos são para serem realizados
Segue em paz contigo mesmo!
Antes que seja tarde...

***
Eduardo Baqueiro



"Abraça tua loucura antes que seja tarde demais." [Caio Abreu]


PS: O melhor mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e vencer com ousadia... porque a vida é demasiado preciosa para a vivermos de forma insignificante!!!...

domingo, janeiro 30, 2011

...

...“Às vezes é preciso não dizer tudo, nem tudo ver. Isso chama-se indulgência, e todos temos necessidade dela.”


(August Strindberg in “La danse de mort”)

sábado, janeiro 29, 2011

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Para viver um grande amor

Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher… — não tem nenhum valor.
Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o “velho amigo”, que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.
Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.
Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.
É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor…
Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?
Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer “baixo” seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.
É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.
Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.

Vinicius de Moraes


PS: Ora nem mais!!!..

 


quarta-feira, janeiro 26, 2011

...

Esperamos sempre algo acontecer para que encontremos a n...





segunda-feira, janeiro 24, 2011

Fímbria de Melancolia

Fímbria de melancolia,
memória incerta da dor,
ouço-a no gravador,
no fado que não se ouvia
quando ouvia o seu clamor.

Porque era já no passado
o presente dessa hora
e que me ressoa agora
a um outro mais alongado.

Assim a dor que se sente
no outro obscuro de nós
nunca fala a nossa voz
mas de quem de nós ausente,
só a nós próprios consente
quando não estamos nós
mas mais sós do que ao estar sós.

Onde então estamos nós?

Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 1'

quinta-feira, janeiro 20, 2011

...

De repente apeteceu-lhe acender um cigarro.
Fê-lo sem pensar e ficou a olhar para o tecto perdida em pensamentos. E o que usualmente tinha o cheiro, a forma e a textura de milagre dentro do seu coração, tinha hoje, como em outros momentos, o sabor amargo de um vazio quase próximo do deserto que é a solidão.
O cigarro chegava ao fim, bem como a vontade de pensar ... aninhou-se na cama certa de que o sono, esse seu amigo, chegaria breve, breve ...

Divagações ...

Temos tendência a imaginar o amor como algo que existe independentemente de nós. Como algo que nos acontece de fora para dentro e não de dentro para fora. Mas só o amor que temos dentro de nós se pode exteriorizar e só aquilo que já temos podemos encontrar.
Amar não é tanto desejar ser amada – o que pode conduzir, se é que não conduz sempre, a uma forma perversa de amor – quanto desejar amar. Só podemos receber aquilo que temos e só temos o que damos. A solidão não é apenas efeito do desamor, é também condição do amor. Só o amor que alimentamos dentro de nós, a sós connosco próprios, se pode exteriorizar e tocar o outro. O Cupido existe fora de nós, ou assim o imaginamos, mas como todos os "deuses", Cupido não tem existência real fora do espaço simbólico dentro do qual adquire significado. Todos estamos expostos às suas setas do amor, mas depende de nós próprios prolongar o efeito da sua droga. Os templos que construímos fora de nós e onde objectivamos o nosso coração são apenas pó e coisa nenhuma que o tempo reduzirá a nada. Mas o templo que construímos no  coração, tem a dimensão do nosso ser e do nosso amor, e mesmo que acabe onde nós acabamos, a luz que dele irradia é provavelmente a nossa única oportunidade de tocar o Eterno...


PS: Ensinaram-nos a amar não tanto quem amamos ou quem nos ama, mas quem devemos amar e nos deve amar. Ensinaram-nos que o amor era uma predisposição natural, que já lá estava antes que nós pudéssemos decidir ou escolher. Ensinaram-nos que nada podíamos, não contra o seu poder, apenas loucura passageira, mas contra o argumento natural da sua presença. O amor já estava antes que soubéssemos amar. A estrutura estava montada e as variáveis definidas e limitadas. Cúpido tinha as suas setas e a sua sabedoria, mas o seu carácter aleatório era visto com medo e com pudor. Era impossível amar quem não estava dentro dos limites do amor ou não amar quem lá estava. Ensinaram-nos que o amor era um hábito que tínhamos de aceitar e a que tínhamos de nos adaptar. Ama(va)-se por obrigação, ou por procuração, raramente por vocação. Éramos escravos de um amor que evitava o amor, que nos protegia do amor. De um amor que matava o amor. As expressões efusivas de carinho e ternura eram reduzidas ao máximo. Não era preciso provar a existência de um amor que não poderia não existir. Tudo estava previsto. Evitavam-se desvios. Encurtavam-se caminhos. Fechavam-se labirintos. Sabíamos quem devíamos amar e quem nos devia amar. Não sabíamos quem amávamos nem quem nos amava. E essa ignorância era a única justificação desse amor...Mas não nos ensinaram, que só poderíamos contar connosco ...

quarta-feira, janeiro 19, 2011

...

Tudo é efémero ...

terça-feira, janeiro 18, 2011

Divagações...

É no silêncio das palavras, que procuro encontrar as respostas dos sentidos, das coisas que não entendo.
É no silêncio das palavras, que descanso da tormenta, que é viver em constante procura.
É no silêncio das palavras que te amo, na ânsia de ser amada. Que te quero na esperança de ser querida.
É no silêncio das palavras, talvez daquelas que nunca direi, que fica a mulher que se esconde.
É no silêncio dessas mesmas palavras, que habita a vontade de ser, de viver, de sentir que tudo vale a pena.
É no silêncio das palavras que me entrego com paixão, que me dou por inteiro...
É no silêncio das palavras que habita a alma repleta de ternura sem dono...
É no silêncio das palavras que tenho o coração a transbordar de carinho vadio.
É, por fim, no silêncio das palavras, no murmúrio do mar, no som de um suspiro, que te quero!

segunda-feira, janeiro 17, 2011

sexta-feira, janeiro 14, 2011

quinta-feira, janeiro 13, 2011

terça-feira, janeiro 04, 2011

Divagações

“Passamos muitas vezes do amor à ambição, mas raramente regressamos da ambição ao amor.”
Tristemente, estas são as tais linhas ténues que tão facilmente ultrapassamos, mas que, depois dificilmente conseguimos retroceder. Fazemos opções, às vezes até de forma inconsciente, e quando paramos para pensar, é tarde. Quando paramos percebemos que já perdemos coisas, situações ou pessoas que nos eram tão queridas...
No mundo em que vivemos somos (muitas vezes), impelidos a usar e abusar do nosso ser racional. Talvez porque ainda não estamos todos no mesmo grau de desenvolvimento, existe gente “pequenina” que nos tenta espezinhar e isso faz com que reagimos e nos defendamos ferozmente. Para agravar ainda mais, temos registado na nossa memória todos os erros do passado e os imutáveis medos do presente que nos bloqueiam e paralisam.
E no meio de tudo isto está a nossa intuição, tantas vezes asfixiada que mal se ouve... o grito mudo ...
A maior dificuldade surge quando de tanto nos tentarmos proteger contra os outros, acabamos por nos fechar às sete chaves no nosso “castelo”... onde nada entra e nada sai...


PS: Metade dos nossos erros na vida, vem do facto de que sentimos quando devemos pensar e pensamos quando devemos sentir. (Lhurton Collins)

sábado, janeiro 01, 2011

...



SEJAM MELHORES... SEJAM MAIS... SEJAM TUDO O QUE PUDEREM.... EM 2011

sexta-feira, dezembro 31, 2010

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Adeus 2010


Que as lágrimas se transformem em sorrisos; O amargo em doce; As derrotas em vitórias; As amarras em liberdade; O instável em constante  e que os amores efémeros possam ser dura/vindouros!
FELIZ 2011!!!

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Divagações...

É tão fodid@ aquela (tão velha e conhecida) sensação (certeza) do copo meio vazio ...






PS: é assim cada final de ano ...

Seulement beau ...

«Toi, mon tendre amour
Ma seule lumière
Ma seule raison
De rester sur terre
La douce prison
Où je peux me plaire

Toi, mon tendre amour
Mon seul Univers
Le temps qui court
Ne peut rien défaire
Je veux toujours
Être ta prisonnièeere

Seulement l'amour
Pour qu'il guide nos pas
Seulement l'amour
Pour le temps qu'il voudra
Je peux tout faire
Si tu restes avec moi
Même l'enfer ne me brûlera pas

Toi, ma raison d'être
De tout abandonner
Mon envie de renaître
Pour apprendre à t'aimer
Tout l'temps qu'i me reste
Je veux te le donner

Toi, ma raison d'vivre
De tout abandonner
Mon envie de te suivre
Pour apprendre à t'aimer
Tout l'temps qu'il me reste
Je veux te le donner

Seulement l'amour
Pour qu'il guide nos pas
Seulement l'amour
Pour le temps qu'il voudra
Je peux tout faire
Si tu restes avec moi
Même l'enfer ne me brûlera pas

Seulement l'amour
Jusqu'au bout de nos nuits
Qu'il nous emmène pour ne pas qu'on oublie
Que par amour on donnerait nos vies
Pardon à ceux qui n'auraient pas compris

Seulement l'amour
Pour qu'il guide nos pas
Seulement l'amour
Pour le temps qu'il voudra
Je peux tout faire
Si tu restes avec moi
Même l'enfer ne me brûlera pas

Seulement l'amour
Jusqu'au bout de nos nuits
Qu'il nous emmène pour ne pas qu'on oublie
Que par amour on donnerait nos vies
Pardon à ceux qui n'auraient pas compris»

Seulement l'amour

PS: Mon dieu! C'est tellement beau...




Adorava ter assistido ao vivo a este musical!!! Mas vou vê-lo hoje em DVD...

Pensamento do dia

"A maior parte das coisas que dizemos e fazemos não é necessária; quem as eliminar da própria vida será mais tranquilo e sereno.”



PS: Tudo podia ser tão mais simples… mas nós estamos sempre a fazer tempestades em copos de água!

terça-feira, dezembro 28, 2010

Constatação

A inexistência de vida amorosa prende-se essencialmente com duas questões: ou não somos capazes de cativar ou não nos apetece cativar ...

Vai para fora, cá dentro ...

Existe uma história antiga, muito interessante, sobre os Deuses, que diz assim:
Temendo que os humanos, fossem perfeitos e não precisassem mais deles, reuniram-se para decidir o que fazer. O mais sábio dos deuses disse:
- Vamos dar-lhes tudo, menos o segredo da felicidade.
- Mas se os humanos são tão inteligentes, vão acabar por descobrir esse segredo também! - disseram os outros deuses em coro.
- Não, respondeu o sábio. Vamos esconder num lugar onde eles nunca vão achar: DENTRO DELES MESMOS!

Thought of the night

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Balanço

Em cada final do ano é regra geral fazer planos para o ano seguinte ... Mas será que é regra também fazer um balanço de como a vida está e o que é possível melhorar?! Eu tenho este hábito terrível que é fazer um balanço da minha vida (quase diariamente) e tentar acertar as coisas que estão fora dos eixos... E este ano (só para não variar) são tantas, assim ... continuo a perseguir os objectivos (ainda) traçados em 2008! Se é certo que alguns já foram alcançados faltam ainda cinco!.... O ano a findar e ... trouxe algumas coisas boas, outras menos... mas no fundo fica a certeza que há muito mais por alcançar... em 2011 haverá mais! E se a enfase deste foi a nível profissional, espero que o próximo possa ser bem melhor a nível pessoal ... e quiçá... o desejo ávido (e sereno) de ser muito menos exigente comigo mesma... baixar a fasquia e ser mais tolerante com as minhas falhas ...
Afinal "a verdade surge mais facilmente do erro do que da confusão" (Francis Bacon)   



domingo, dezembro 26, 2010

L’Amour c’est mieux à deux (O Amor É Melhor a Dois)

Cada pessoa tem a sua forma de sonhar/ imaginar o encontro perfeito, com o momento em que vai encontrar a tal pessoa… Michel (Clovis Cornillac) espera que as coisas lhe corram como é tradição na família, como aconteceu aos pais e aos avós: um puro acaso. Já Vincent (Manu Payet) é daqueles que só pensam em sexo. Mas estes dois amigos de infância vão mudar a sua forma de encarar o amor e tudo o que está à sua volta assim que conhecerem Angèle (Virginie Efira) e Nathalie (Annelise Hesme).
"L’Amour C’est Mieux á Deux" faz-nos voltar a ter fé num regresso do cinema europeu como alternativa ao mainstream exclusivamente norte-americano, à diversão e humor puros sem falsos moralismos e a uma maior identificação por parte do público. 


PS: Há muito tempo que não me ria tanto a ver um filme. Recomendo! E é claro que o Amor é (sempre) melhor a dois, ou então será tudo menos Amor... Elementar meu caro Watson!

...A saudade e a esperança ...

Dois horizontes fecham nossa vida:

Um horizonte, — a saudade
Do que não há de voltar;
Outro horizonte, — a esperança
Dos tempos que hão de chegar;
No presente, — sempre escuro,—
Vive a alma ambiciosa
Na ilusão voluptuosa
Do passado e do futuro.

Os doces brincos da infância
Sob as asas maternais,
O vôo das andorinhas,
A onda viva e os rosais;
O gozo do amor, sonhado
Num olhar profundo e ardente,
Tal é na hora presente
O horizonte do passado.

Ou ambição de grandeza
Que no espírito calou,
Desejo de amor sincero
Que o coração não gozou;
Ou um viver calmo e puro
À alma convalescente,
Tal é na hora presente
O horizonte do futuro.

No breve correr dos dias
Sob o azul do céu, — tais são
Limites no mar da vida:
Saudade ou aspiração;
Ao nosso espírito ardente,
Na avidez do bem sonhado,
Nunca o presente é passado,
Nunca o futuro é presente.

Que cismas, homem? – Perdido
No mar das recordações,
Escuto um eco sentido
Das passadas ilusões.
Que buscas, homem? – Procuro,
Através da imensidade,
Ler a doce realidade
Das ilusões do futuro.

Dois horizontes fecham nossa vida.

Machado de Assis, in 'Crisálidas'
 

sexta-feira, dezembro 24, 2010

...Haunt me...in my dreams

Visto ontem ...

"Nothing Personal" - Um filme muito bom...inquietante, intenso e perturbador, aconselhável só para pessoas com uma sensibilidade muito apurada e/ou quem não curte o cinema a granel...
A natureza humana e os seus traumas estão lá ... O desejo do silêncio, da solidão, a exigência do respeito pelo “eu”, o amor sem expectativas e/ou de quem nada espera em troca, magistralmente interpretados pelos dois actores.


quinta-feira, dezembro 23, 2010

Boas festas

Oxalá pudéssemos meter o espírito de natal em jarros e abrir um jarro em cada mês do ano (Harlan Miller)

recados, poemas, mensagens de feliz natal para orkut
Mensagens Para Orkut

terça-feira, dezembro 21, 2010

Gotas de incompatibilidades

Noite fria de outono, o desencontro, o desagrado, um cálice de vinho sobre a mesa e no ar a certeza de amar por toda uma vida. Uma fresta nessa verdade abala as juras de amor.
Há o cheiro da saudade, não se sabe de onde, nem de quando. Veio de mansinho com o vento, deixando inquietude. Um intumescimento, a todo o tempo, denuncia as ansiedades do corpo.
Na expressão confusa, das necessidades dos abusos. Um assume, o outro recusa, as atitudes.
Uma lágrima cadente, deixa-me antever o protesto e deito-me descontente.
Os desejos tornam-se lassos, esmorece o meu manifesto.
O cansaço, o desabraço ... e sempre o vazio.
A alvorada, por esse nada, tentará desfazer o laço. E até nos acharmos vai ser fácil enfrentar o vazio, de nos dividirmos em cacos. Aquietamos...
Se arrependimento matasse, provavelmente, morreríamos abraçados em juras de amor para sempre.... Mas a sensação é de que as paisagens secaram e que não encontro ninho...

sexta-feira, dezembro 17, 2010

...

Escolher é fazer com que o destino possa caminhar...

quinta-feira, dezembro 16, 2010

quarta-feira, dezembro 15, 2010

Olhares

Há olhares que se tocam,
Movidos por invísiveis fios de teia prateada.
Há olhares que se cruzam,
Ponteados pela mesma luz,
Há olhares que se tocam, no silêncio das palavras
nunca ditas, mas sempre repetidas.
E nunca oferecidas ..
O meu olhar, o teu olhar
São flores de um mesmo jardim
- O jardim da Solidão



segunda-feira, dezembro 13, 2010

Verdade, verdadinha

Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.
E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!

Sinto os passos de Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!

E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!

Florbela Espanca

O primeiro dia do resto da minha vida ...

Nascer de novo. Todos precisamos nascer de novo. Todos os dias. Constantemente. Permanentemente. Dormir é como morrer. Acordar é como nascer. O amor talvez nem outra coisa seja. Por isso precisamos dele, por isso o procuramos. O desejo de nascer de novo.
Se não nascermos de novo não poderemos almejar o paraíso porque sem nascer de novo não saímos do Inferno. Pior ainda, nem nos apercebemos que estamos no Inferno, e embriagados por essa ignorância tornamo-nos o nosso próprio inferno. É necessário nascer de novo. Nem para outra coisa fazemos amor, senão para morrer, senão para nascer. Viver e morrer são a mesma coisa quando se nasce, quando se sabe, quando se ganha mesmo que se perca, quando se ama... Hoje é o primeiro dia. Este é o primeiro beijo. Esta é a (minha) primeira vez....

Pensamento do dia

Quero recomeçar a zero e fazer tábua rasa do ano que está a findar!!!  Limpa de qualquer letra e sem ideia nenhuma. Novos sonhos, novas perspectivas...
Nesse momento crucial da (minha) vida tudo é (re)construção.


PS: hoje é daqueles dias em que dava muito jeito ter um (grande) botão RESET

Constatação da noite

Curioso como tudo (me) parece inevitavelmente (tão) previsível...

domingo, dezembro 12, 2010

Hoje estou mais que escorpiã ... e deu-me para isto

«A MULHER - A mulher de Escorpião tem uma beleza profunda, misteriosa. É atraente, orgulhosa e totalmente confiante. Mas tem uma mágoa secreta. Não nasceu homem. Esta perigosa mulher fatal pode ocultar o seu poder sob um sorriso trêmulo, modos gentis, e a mais angelical das vozes. Ela é capaz de odiar amargamente e de amar com um total abandono.
Esta mulher tem uma certa intimidade que você jamais tocará, uma parte de sua mente e alma que pertence somente a ela e onde ninguém entra. Ela não é falsa, com efeito na maior parte das vezes é brutalmente sincera, mas haverá sempre aqueles pensamentos e sentimentos especiais que jamais confiará a você ou a quem quer que seja.
O natural interesse dela pelo sexo oposto pode dar-lhe tanta razão para ter ciúmes dela quanto ela de você. Talvez ela seja um pouco perigosa, mas é inegavelmente excitante. »

(texto retirado da net)

Mais  aqui , ui também que exagero ... :)

sábado, dezembro 11, 2010

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Remexendo no baú

Um desejo irreprimível, que não se concretiza.Uma atracção que não explico. Fico com as mãos suadas, faces coradas, lábios quentes, tremo.
Olho para ti como para uma figura de cera. Sorris, como estátua perfeita que entrou de mansinho nos meus sonhos.
Murmuraste a tua fascinação, não acreditei, sou demasiado banal para estimular ou encantar quem quer que seja.
Defendi-me de ti, com ironia trocista, confiando na minha intuição que me dizia que tudo não passava de um equívoco, mas fico desconcertada.
Sorriste, com esse tão teu sorriso triste, escreveste, telefonaste com respeito, subtileza, com classe.
Dizes-te tímido, eu não acredito. Trazes nos olhos o desespero e na boca um traço de solidão (tal como eu)
Transportas contigo uma força invulgar que me faz sentir serena.
Quando estamos juntos é como se estivessemos num bosque sagrado, rasgando o silêncio, com a segurança de quem aferrolha uma paixão calada, condenada ao isolamento.
Eu vagueio, recuo por pudor, temendo a surpresa, enquanto vejo as horas passarem até que o dia rompa a penumbra do quarto triste. Sinto que já não sou dona de mim, quando anseio ouvir a tua voz quente, grave, modelada, sensual.
Tu tens uma vida estável, sem sobressaltos, como eu tinha, até sentir por ti uma extraordinária mistura de emoção física, desejo e até identificação de espírito.
Conhecemo-nos há 1 ano, mas parece que foi há mais tempo, mas está posta da parte de ambos, qualquer decisão que possa afectar o futuro. Contigo, homem de nome vulgar, sinto-me bem, embora tenha a sensação, que me possas pedir algo, que não te posso dar.
Tomámos café juntos. Apenas sorvi o afecto quente e doce de um só trago em chávena de porcelana. Uma corrente de sentimentos intensos e contraditórios, estabeleceram-se entre medos e verdades, mexidas com um pauzinho de canela.
Eu não quero entender que me tenho colocado em posições falsas para escapar às censuras e paixões.Tu abalaste o meu desejo egoísta de uma vida tranquila
Visto da minha janela molhada pela humidade Outonal, o dia ameaça raiar.
Tu não sabes, mas estou a falsear o jogo, um perigoso jogo de sedução, que não pode ser mais do que isso.
Toquei-te ao de leve na mão e percebi que já não és para mim uma estátua morta, mas uma estátua de sal, sangue e vida.
Gostaria de caminhar contigo à beira mar, à beira rio, como dois adolescentes irrequietos, rindo de tudo e nada, ou apenas dar-te a mão como fazem os amantes antigos, no silêncio das palavras.
Tu ousaste! Sonhaste beijar-me ao de leve e confessaste, eu corei, por constrangimento ou mesmo inexperiência; sem dissimular o que me vai na alma.
Contigo sinto-me estranhamente calma. Não te peço nada, tu também não.
Recordo agora as tuas palavras carinhosas, és quase um desconhecido ainda, mas acho-te encantador, discreto, perspicaz, sensível, bem formado.
Vejo-te para a semana (se der...)
Talvez tu já não me aches graça nenhuma, agora que me conheces sem a máscara do mistério, sinto-me insegura.
Tenho vontade de partir, para longe dos meus fantasmas, quero sair do escuro desta alvorada. Quero lançar-me de cabeça erguida no vento e na água. Com as mãos rasgar nuvens e memórias. Queria estar contigo por uma hora apenas, vestida de sonhos e segredos transparentes.
Deixo que caia uma lágrima, única e perfeita como uma pérola.
Acabo esta carta que nunca ousarei enviar, mandando-te ternamente um beijo do tamanho da Lua; daquela lua a que chamas Poesia!

Coimbra, 05/11/04


PS: Por muitos anos que passem continuo assim... ainda... demasiado banal para estimular ou encantar quem quer que seja .... ingénua, humilde, teimosa e demasiado distraída ... continuo a defender-me de mim e dos outros, com ironia trocista, confiando na minha intuição que me diz que afinal tudo não passa de um enorme equívoco! ... Continuo a saborear o afecto quente e doce de uma só chavena de café, remexendo com a colher uma corrente de sentimentos intensos e contraditórios, a estabeleceram-se entre medos e verdades, mas com muita cautela. Continuo vestida de sonhos, rasgados de uma pretensa (trans)aparência... A anormalidade é lixada!!! Tudo em mim é desacordo.O que sou e o que faço, o que queria fazer e o que vou fazendo. As minhas próprias ambições se contradizem. Quero viver no Céu, mas mergulhar nas profundezas do mar. É difícil! Sinto-me violentamente puxada, para um lado e para outro, estilhaçada sem poder decidir. Quero viver tudo, mau ou bom, pouco importa; Quero experimentar tudo o que faz bem, como o que faz mal. Haverá algo mais frágil e mais sagrado que a vida? Aceitar que é assim, é aceitar o desacordo. Se não fosse assim, eu seria apenas uma coisa com contornos, peso e medida... Seria como este sofá onde me sento; e não é possível a um sofá sentar-se num sofá ...

terça-feira, dezembro 07, 2010

De onde me chegam estas palavras?

Porque escondes a noite no teu ventre?
Nesse país de sombra onde se calam as palavras.
Aí, no escuro lago onde estremece a flor da amendoeira
E onde vão morrer todos os cisnes.

Eu desvendo a tua dor, o teu mistério
De caminhares assim calada e triste,
Quando viajo em ti com as mãos nuas e o coração louco
No mais fundo de ti, onde só tu existes.

Oh, eu percorro as tuas coxas devagar
Dobrando-as lentamente contra o peito
E penetro em delírio a tua noite
Esporeando éguas no teu sangue.

De onde me chegam estas palavras?


Joaquim Pessoa

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Hoje ...

Despertei hoje com nódoas rasgadas e negras na alma, na nudez das minhas palavras onde o silêncio é soberano, ausente de cor ou sentido, esquartejado apenas pela melancolia.
Sacio-me de sorrisos esboçados e olhares enclausurados. Sinto-me estranhamente nua e crua, com a carne rasgada... as palavras! Ah as palavras.... essas, soltam-se estéreis, ocas, vazias  e frias, porque tudo morre na vida.
Queria ver-nos hoje, porque o amanhã pode nunca (mais) chegar.
Tenho o ar dentro das mãos porque sei tantas coisas e depois não sei responder às perguntas mais simples. É este o absurdo dos estranhos dias que vivo.

...

Hoje foi um dia dedicado exclusivamente à psicologia ... [ e se algum desconhecido desabafar contigo... isto é i(nat)o ... isso sou eu ... ]

Divagações...

Costumava responder "não sei", às perguntas sobre o futuro. A questão não estava tanto no conteúdo da pergunta quanto na sua projecção no tempo ...
Talvez por isso ambicionasse uma história de amor. Uma história (não) qualquer. Que tivesse o encanto dos teus olhos e a luminosidade dos meus sonhos.
Queria conhecer as palavras certas. Inventar um código secreto qualquer onde nos reconhecessemos. Queria uma luz qualquer que me iluminasse os passos.
Há crianças perdidas que esperam pela nossa voz. Somos já nelas o que nunca mais seremos. Se eu fosse poeta dava a volta ao texto. Deixaria de procurar o fim da linha. E os meus versos haveriam de conter as tuas mãos. As minhas palavras confundir-se-iam com as tuas. E o sorriso seria já quase um abraço...
Na beira dos teus lábios escreveria os meus, pétalas, rosas, metal fundente, hiato de tempo por cumprir e encontrar.
No ciclo dos teus olhos recordaria os meus, chamas, ventos, oásis perpétuos, doçura rasgada e por rasgar.
Na ânsia das tuas mãos inventaria as minhas, conchas, relâmpagos, o mundo ao contrário, uma lágrima por sorrir, outra por chorar.
No grito do teu amor encontraria o meu, serra, nuvem, céu, ao longe o mar, corpo, alma, sopro… doce respirar ... Mas não sei ... Continuo sem saber ...

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Constatação da noite

A felicidade é (sempre) muito frágil porque as (nossas) expectativas acabam (sempre) por ser frustadas ...

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Constatação

Há coisas que não percebo e que gostaria de entender e há outras que entendo e que preferia não perceber ...

terça-feira, novembro 30, 2010

Acreditava...

Acreditava no amor e não acreditava. Às vezes sim... Às vezes não... É como tudo. Não há grande diferença. É como acordar a sorrir porque se sonhou com o paraíso. Ou acordar a chorar porque se viu o inferno. A vida é mesmo assim! É normal que sim e é normal que não. Nunca se sabe ao certo.
Aquilo que se procura nem sempre se encontra. E aquilo que se encontra nem sempre é o que se procura. E às vezes sim e nem vemos. E às vezes não e nem percebemos. Ora parece que sim, ora parece que não.
Há um sorriso doce e uma lágrima amarga, e um sorriso triste e uma lágrima de alegria. E o contrário do que é nem sempre é o oposto do que não é. Palmilhamos e tacteamos e tentamos adivinhar. Mas, o enigma começa depois de o termos resolvido (ou não). Caixinha chinesa de emoções indecifráveis. Ninguém tem o mapa dos caminhos por fazer. O futuro é o presente à procura de si próprio e o passado são os passos que damos para lá chegar. Mas não se aprende a lição que outros nos podem ensinar. Não se encontra sem perder, nem se perde sem encontrar. Na verdade, acreditava no amor e também não acreditava... No entanto hoje já nem sei ....

segunda-feira, novembro 29, 2010

Caminho ...

I


Tenho sonhos cruéis; n'alma doente
Sinto um vago receio prematuro.
Vou a medo na aresta do futuro,
Embebido em saudades do presente...
Saudades desta dor que em vão procuro
Do peito afugentar bem rudemente,
Devendo, ao desmaiar sobre o poente,
Cobrir-me o coração dum véu escuro!...
Porque a dor, esta falta d_harmonia,
Toda a luz desgrenhada que alumia
As almas doidamente, o céu d'agora,
Sem ela o coração é quase nada:
Um sol onde expirasse a madrugada,
Porque é só madrugada quando chora.

II

Encontraste-me um dia no caminho
Em procura de quê, nem eu o sei.
d Bom dia, companheiro, te saudei,
Que a jornada é maior indo sozinho
É longe, é muito longe, há muito espinho!
Paraste a repousar, eu descansei...
Na venda em que poisaste, onde poisei,
Bebemos cada um do mesmo vinho.
É no monte escabroso, solitário.
Corta os pés como a rocha dum calvário,
E queima como a areia!... Foi no entanto
Que choramos a dor de cada um...
E o vinho em que choraste era comum:
Tivemos que beber do mesmo pranto.

III

Fez-nos bem, muito bem, esta demora:
Enrijou a coragem fatigada...
Eis os nossos bordões da caminhada,
Vai já rompendo o sol: vamos embora.
Este vinho, mais virgem do que a aurora,
Tão virgem não o temos na jornada...
Enchamos as cabaças: pela estrada,
Daqui inda este néctar avigora!...
Cada um por seu lado!... Eu vou sozinho,
Eu quero arrostar só todo o caminho,
Eu posso resistir à grande calma!...
Deixai-me chorar mais e beber mais,
Perseguir doidamente os meus ideais,
E ter fé e sonhar d encher a alma.


Camilo Pessanha, in 'Clepsidra'

Figueira da Foz 07/11/10








sábado, novembro 27, 2010

Sometimes II

Sometime I'm quiet
Sometimes I'm bold
Sometimes I feel young
Sometimes I feel old

Sometimes I do the opposite
Sometimes do what's told
Sometimes I buckle
But rarely do I ever fold

Sometimes I'm great
Sometimes I'm small
But lately I'm humble
If I'm anything at all

Sometimes I worry
Sometimes joke, jokes that are wry
Sometimes, often, I ask 'why? '
Sometimes I cry

Sometimes I wander
Sometimes I'm lost
Sometimes I feel the bitter lonliness
Of the cold winter frost

Sometimes I tremble
Sometimes I burn
Sometimes I stumble
Sometimes I yearn

Sometimes I dream
Sometimes I feel it's getting late
Sometimes I surmise
I must learn to rely on fate

(James T.Adair)


Sometimes

Sometimes I feel alive
sometimes I feel dead
sometimes my heart hurts
sometimes it's all in my head

Sometimes I feel lonely
sometimes I need my space
sometimes there are no problems
sometimes I've got too much to face

Sometimes things go right
sometimes things go wrong
sometimes I fit right in
sometimes I just don't belong

Sometimes I want to laugh
sometimes I want to cry
sometimes I want to live
sometimes I want to die

Sometimes I want to face life
sometimes I want to be gone from sight
sometimes I want to run
sometimes I want to fight

Sometimes I want to sing
sometimes I want to shout
sometimes I know the asnwer
sometimes I'm in doubt

Sometimes I'm happy
sometimes I'm sad
sometimes I'm scared
sometimes I'm mad

Sometimes I want to win
sometimes I want to lose
sometimes I listen to music
sometimes I watch the news

Sometimes I make decisions
sometimes I'm told what to do
sometimes I find life hard
sometimes so do you.....

(True Pain)


quinta-feira, novembro 25, 2010

E diz...

Por vezes a mulher tinha luz nos olhos. Ou se não era luz era qualquer coisa parecida.
Dançava com as estrelas e fazia amor de madrugada. Contava histórias improváveis de vidas passadas. Tinha sido sereia num mar de encantos. As mãos tocavam por dentro da carne. O sangue inundava-a de esperança desamparada. Havia uma fuga incerta na doçura dos seus beijos. Uma promessa suave de paraíso perdido. Foi lá que se conheceram antes de se encontrarem.
Os corpos escondem a alma que os dedos desnudam. Lentamente. Na estranha dimensão do encanto. Há um abrigo onde aprendemos a ressuscitar. As palavras não alcançam, mas o silêncio sabe. E diz.




 

quarta-feira, novembro 24, 2010

Do outro lado do espelho

Tiro a roupa e olho-me ao espelho. Que corpo é este? Não sei. Houve tempos em que o meu corpo era só o meu corpo. Hoje é uma mistura de todos os corpos que já tive e, por isso, não o reconheço.
Mas afinal, penso, não foi o meu corpo que mudou, sendo certo que o meu corpo (também) mudou.
Fui eu que mudei e mudo e mudarei; eu que penso, eu que sinto, eu que acordo a cada dia e reparo que o meu sorriso está diferente, ou que as minhas mãos estão diferentes, ou que a casa já não é a mesma.
No entanto, nunca fui tão feliz por saber tão pouco ...
Porque deste lado do espelho pouca coisa há. Mas alguma coisa se há-de arranjar, por pouco que seja. Um sorriso, um afago, uma luz qualquer, talvez difusa.
Deste lado do espelho as flores dançam e o mar agita-se, levemente.
Deste lado do espelho há um abrigo, um caminho novo por trilhar, uma vida inteira para inventar.
Deste lado do espelho há uma verdade que não magoa, antes ilumina, como a mão tranquila que conduz uma criança ao outro lado da vida.
Deste lado do espelho há a bonomia dos dias perdidos e a nostalgia das noites por haver. Há um espanto original ante a diversidade das coisas e do que nelas e por elas se pensa, se vive, se sente, se imagina, apenas.
Deste lado do espelho há uma travessia renovada, um corpo agitado à procura do silêncio primordial que apazigua o seu inexorável desassossego.
Deste lado do espelho há uma espiral de cores e de sons, de palavras e de traços incertos, artisticamente redimidos na firmeza do instante.
Deste lado do espelho fica aquilo que tu procuras, mas não sabes definir. O palpitar doce e suave do coração, a claridade licorosa dos olhos e a abertura amigável que o sorriso rasga, renova e oferece.
Deste lado do espelho há uma criança que brinca nos jardins da imaginação, uma mulher que aprendeu a doar e um ser humano que se arrependeu da irracionalidade intempestiva dos seus medos.
Deste lado do espelho há uma brisa que te acaricia a face como um beijo improvável numa noite fria. Uma lua que se derrama num céu de estrelas e a paleta ainda intacta do pintor desconhecido.
Deste lado do espelho há um sonho ancestral que ficou por cumprir. Uma mão aberta à ternura que passa e se demora e aprende a ficar.
Deste lado do espelho está aquilo que somos e nos ajudaram a esquecer em falsos trejeitos de memória.
Deste lado do espelho há fragilidades de infância que desabrocham em peitos desencantados.
Deste lado do espelho há um caminho, um sonho, uma vida. E a certeza do tempo (des)reencontrado.


Picasso-  Mulher em frente ao espelho - 1932






Sabes?

Sabes?
Baralhas-me.
Se nos teus olhos não vejo os meus olhos.
Se as tuas mãos de repente se tornam oblíquas ao invés de quadradas.
Se o mar, que foi sempre vermelho, é agora azul.

Sabes?
Nem sempre entendo a geometria da nossa relação.
Se eu penso em pássaros e tu me falas de Kant.
Se me reservas sorrisos enigmáticos e poucas palavras.
Se decides, sem eu saber, que a partir de amanhã só comes pastilhas gorila.

Sabes?
Queria rir hoje como sei que vamos rir amanhã,
Estatelar-me na relva e voar contigo até ao centro da terra,
Os cabelos ao vento, o medo a gritar-nos aos ouvidos,
E uma súbita e inesperada estalada de cores.
A açoitar-me a face

Sabes?
Não?
Mas, gostava que soubesses...

Love 1 (Hoang Giap)

...

CONVERSAS COM CASCAS DE ÁRVORE. TU,
tira a casca, anda,
tira-me, feito casca, da minha palavra.

É tarde já, mas nós
queremos estar nus e à beira
da navalha.



Paul Celan in A Morte é uma Flor

terça-feira, novembro 23, 2010

Dizem que ...

Amor pede Identidade com Diferença

O amor pede identidade com diferença, o que é impossível já na lógica, quanto mais no mundo. O amor quer possuir, quer tornar seu o que tem de ficar fora para ele saber que se torna seu e não é. Amar é entregar-se. Quanto maior a entrega, maior o amor. Mas a entrega total entrega também a consciência do outro. O amor maior é por isso a morte, ou o esquecimento, ou a renúncia - os amores todos que são os absurdiandos do amor.

(...) O amor quer a posse, mas não sabe o que é a posse. Se eu não sou meu, como serei teu, ou tu minha? Se não possuo o meu próprio ser, como possuirei um ser alheio? Se sou já diferente daquele de quem sou idêntico, como serei idêntico daquele de quem sou diferente? O amor é um misticismo que quer praticar-se, uma impossibilidade que só é sonhada como devendo ser realizada.

Fernando Pessoa in O Rio da Posse


Kiss (Nikolay Antonov)

Flavours of entanglement...

segunda-feira, novembro 22, 2010

(P)rosas

Triste Sina

… trago o gosto de pecado de tua boca,
e o perfume de tua pele macia e alva.
Não te esqueço porque sou maldito.

Não te esqueço porque nada foi perfeito…
Restando ainda a vontade de invadir
por inteiro o teu íntimo.

(Antonio Carlos Menezes)





O mundo estava no rosto da amada

O mundo estava no rosto da amada -
E logo converteu-se em nada, em
mundo fora do alcance, mundo-além.

Por que não o bebi quando o encontrei
no rosto amado, um mundo à mão, ali,
aroma em minha boca, eu só seu rei?

Ah, eu bebi. Com que sede eu bebi.
Mas eu também estava pleno de
mundo e, bebendo, eu mesmo transbordei.

(Antonio Carlos Menezes)

Tudo é breve como um sopro ...

domingo, novembro 21, 2010

On my own...

Foi um fds calmo e por conta própria. É tão raro conseguir ter tempo para mim... sem horários, obrigações, preocupações ou suposições ... sem pensar em nada ou ninguém que pudesse afectar o meu precioso espaço ...
Simplesmente esvaziei o cérebro por um dia e aproveitei para fazer tudo (ou quase) o que me dá prazer... (zenai!)
E estou renovada para enfrentar mais uma semana!

sexta-feira, novembro 19, 2010

Bom fds

(Apenas) Para descontrair, relaxar  e descambar ... :P




Nunca tal me tinha ocorrido!!! ahahah

Divagações...

Penso que o mais importante na vida é ser coerente e permanecer  fiel a si mesmo e isto muitas vezes cria um conflito e uma ambiguidade do ser fiel a si e ser fiel aos outros. Ultrapassada esta condição, ou uma maneira de agir com o outro, é importante ser fiel a este outro, demarcando no entanto as próprias limitações. E é exactamente por isto, que ser coerente é tão difícil ... Porque é necessário estarmos atentos a nós mesmos, aos nossos pensamentos e sobretudo estar atento às escolhas que fazemos.
Porque é que dizer "não" às vezes é tão difícil? Porque na pressa e veleidade de agradar ao outro, colocamos o nosso eu abaixo do contexto, em detrimento de algo que possa vir a nos beneficiar ou não. E isto é como a receita de um bolo... Se sigo os passos certinhos, faço a mistura como deve ser, mexo do modo correcto, "pastoreio" o cozedura da massa, concerteza o bolo sairá de acordo com a receita. Caso contrário, o bolo sai uma merda....
As relações podem descarrilhar por excesso de fermento ou farinha... Podem ficar doces demais por causa do açúcar... Podem ainda ficar duras, sem a fofura própria de uma massa... Não deixando o ar circular, apenas porque não se respeitou o espaço pessoal e o espaço do outro.

quinta-feira, novembro 18, 2010

Concerteza

A verdade é que não se pode agradar a Gregos e a Troianos!


Esta frase tem muito que se lhe diga e n de situações em que se aplica ...
Somos o que somos e mais nada!
Há quem goste assim, há quem goste assim assim e há quem não goste (mesmo) nada... e então?!! É por isso mesmo que nunca me preocupei muito com este assunto e como costumo dizer quem gosta de mim, terá de gramar comigo como sou, com as qualidades e os cem (i)números de defeitos que trago embrulhada!  
É tudo uma questão de aceitação (ou não) ... WTF.