segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Constatação

Tudo leva um certo tempo para nascer, para criar raízes ...

sábado, fevereiro 19, 2011

Pensamento da noite

"Somos o que pensamos. Tudo o que somos surge dos nossos pensamentos. Com os nossos pensamentos, fazemos o nosso mundo.”

(Buda)

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Estar só (é estar no íntimo do mundo)

Por vezes cada objecto se ilumina
do que no passar é pausa íntima
entre sons minuciosos que inclinam
a atenção para uma cavidade mínima
E estar assim tão breve e tão profundo
como no silêncio de uma planta
é estar no fundo do tempo ou no seu ápice
ou na alvura de um sono que nos dá
a cintilante substância do sítio
O mundo inteiro assim cabe num limbo
e é como um eco límpido e uma folha de sombra
que no vagar ondeia entre minúsculas luzes
E é astro imediato de um lúcido sono
fluvial e um núbil eclipse
em que estar só é estar no íntimo do mundo

António Ramos Rosa, in "Poemas Inéditos"

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Dizem que ...

Se quero, se gosto, invisto!!

terça-feira, fevereiro 15, 2011

Ça, c' est moi!...

"Rien ne sert de paraître ce que l'on est pas,
rien ne sert d'exagérer ce que l'on a peu,
rien ne sert de cacher ce que l'on doit montrer...
si la sensibilité n'existait pas,
nous ne serions pas si nombreux,
à essayer de comprendre ce qu'il peut nous arriver..."

François de La Rochefoucauld


Grande Rêveuse... J'ai la tête dans les nuages mais mes pieds sont bien posés sur terre!! :))


domingo, fevereiro 13, 2011

No Amor é a alma aquilo que mais nos toca

As mesmas paixões são bastante diferentes nos homens. O mesmo objecto pode-lhes agradar por aspectos opostos; suponho que vários homens podem prender-se a uma mesma mulher; uns a amam pelo seu espírito, outros pela sua virtude, outros pelos seus defeitos, etc. E pode até acontecer que todos a amem por coisas que ela não tem, como quando se ama uma mulher leviana a quem se julga séria. Pouco importa, a gente prende-se à idéia que se tem prazer em fazer dela; e é mesmo apenas essa idéia que se ama, não é a mulher leviana. Assim, não é o obje­to das paixões que as degrada ou as enobrece, mas a ma­neira como a gente o encara.
Ora, eu disse que era pos­sível que se buscasse no amor algo mais puro do que o interesse dos nossos sentidos. Eis o que me faz pensar assim. Vejo todos os dias no mundo que um homem cer­cado de mulheres com as quais nunca falou, como na missa, no sermão, nem sempre se decide pela mais boni­ta, ou mesmo pela que lhe pareça tal. Qual a razão disso? É que cada beleza exprime um carácter bem particular, e preferimos aquele que melhor se encaixa no nosso. É pois o carácter que nos determina algumas vezes; é então a alma que procuramos: não me podem negar isso. Por­tanto, tudo o que se oferece aos nossos sentidos só nos agrada como a imagem daquilo que se esconde à vista deles; portanto, só gostamos então das qualidades sensí­veis como órgãos do nosso prazer, e com subordinação às qualidades imperceptíveis aos sentidos, de que elas são a expressão; portanto, pelo menos é verdade que a alma é aquilo que mais nos toca. Ora, não é aos sentidos que a alma é agradável, mas ao espírito: assim, o interes­se do espírito torna-se o principal, e se o interesse dos sentidos lhe fosse oposto, nós o sacrificaríamos. Basta pois nos persuadirmos de que ele lhe é verdadeiramente oposto, que é uma nódoa para a alma. Eis o amor puro.
Amor no entanto verdadeiro, que não se deve con­fundir com a amizade; porque na amizade, é o espírito que é o orgão do sentimento; aqui, são os sentidos. E como as idéias que vêm pelos sentidos são infinitamente mais poderosas do que as vistas da reflexão, o que elas inspiram é a paixão. A amizade não vai tão longe.

Luc de Clapiers Vauvenargues, in 'Das Leis do Espírito'

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Janela do Sonho

Abri as janelas
que havia dentro de ti
e entrei abandonado
nos teus braços generosos.

Senti dentro de mim
o tempo a criar silêncio
para te beber altiva e plena.

Mil vezes
repeti teu nome,
mil vezes,
de forma aveludada
e era a chave
que se expunha
e fecundava dentro de mim.

Já não se sonha,
deixei de sonhar,
o sonho é poeira dos tempos
é a voz da extensão
é a voz da pureza
que dardejava na nossa doçura.

Quando abri as tuas janelas
e despi teus braços
perdi a vaidade
e a pressa,
amei a partida
e em silêncio abri,
(sem saber que abria)
uma noite húmida
em combustão secreta
desmaiado no teu ombro
de afrodite.

Carlos Melo Santos, in "Lavra de Amor"

Blue valentine

Quem dera que a minha mão aberta coubesse fechada na tua, mas sou tão pequena que não t(m)e alcanço (e tão grande, na verdade que ninguém desconfia ... até eu...)


Pensamento da noite

Uma boa história começa tudo de novo, do princípio.
Sopra o vento e faz a folha rodopiar ao ser levada ...



Palavras são como folhas de plátano, soltas ao vento,em direcção a novos horizontes. Deixá-las voar irreverentes, sem cordas para serem puxadas e sem lugar determinado para pousarem, sempre a favor do vento... Assim sou eu quando (me) deixo (in)fluir os pensamentos nas palavras que, voando devagar, ao cair, alcançarão terras distantes...




terça-feira, fevereiro 08, 2011

Parece que andam a flartar comigo ...

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Love and others drugs ou Rir é o melhor remédio

Um filme que me deixou absolutamente KO pelo turbilhão de emoções que me afloraram à flor da pele/ espírito...
Facilmente me identifiquei e deixei embrenhar no mundo de Maggie, um espírito livre e de Jamie, um sedutor inveterado.
Acima de tudo fez-me pensar nas relações  (complicadas),  nas tipificações das "drogas" (quem disse que o amor não é uma (verdadeira) droga?), sorrir, rir e por fim até chorar...


PS: "Parar de tudo querer controlar, permite que o belo, o imprevisível nos atinja". Aliás uma bela frase para transmitir a verdadeira essência do filme...

sábado, fevereiro 05, 2011

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Dream a lot, speak little




O denso lago e a terra de ouro:
até hoje penso nessa luz vermelha
envolvendo a tarde de um lado e de outro.

E nas verdes ramas, com chuvas guardadas,
e em nuvens beijando os azuis e os roxos.
Perguntava a sombra: “Quem há pelo teu rosto?”

“Que há pelos teus olhos?” – a água perguntava.
E eu pisando a estrada, e eu pisando a estrada,
vendo o lago denso, vendo a terra de ouro,
com pingos de chuva numa luz vermelha…


E eu não respondendo nada.
Sonho muito, falo pouco.
Tudo são riscos de louco
e estrelas da madrugada…

Cecília Meireles

segunda-feira, janeiro 31, 2011

Antes que seja tarde ...

O simples facto de amar
não te dá segurança para o futuro...
Assim como atirar uma semente no chão
não garante que florescerá uma rosa!

Amar vai além das tuas expectativas
O coração tem sua própria lógica,
Suas regras ainda não foram compreendidas
O caminho é sempre traiçoeiro...

A dor é companheira daquele que ama
Amar significa abrir mão de suas convicções
Significa tomar novos rumos
Tornar-se tolo e ridículo se preciso for!

Não acreditar nos conselhos
de quem já percorreu o caminho
Cada um terá que fazer o percurso
e experimentar o gosto doce e ácido
da alegria e dá desilusão...

Porque a vida é assim
Aproveita o tempo que ainda tens
Hoje pode estar tudo bem
Amanhã, talvez, não haja mais tempo!

Não deixes nada para depois
Não acumules sentimentos no peito
Desejos são para serem realizados
Segue em paz contigo mesmo!
Antes que seja tarde...

***
Eduardo Baqueiro



"Abraça tua loucura antes que seja tarde demais." [Caio Abreu]


PS: O melhor mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e vencer com ousadia... porque a vida é demasiado preciosa para a vivermos de forma insignificante!!!...

domingo, janeiro 30, 2011

...

...“Às vezes é preciso não dizer tudo, nem tudo ver. Isso chama-se indulgência, e todos temos necessidade dela.”


(August Strindberg in “La danse de mort”)

sábado, janeiro 29, 2011

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Para viver um grande amor

Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher… — não tem nenhum valor.
Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o “velho amigo”, que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.
Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.
Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.
É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor…
Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?
Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer “baixo” seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.
É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.
Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.

Vinicius de Moraes


PS: Ora nem mais!!!..

 


quarta-feira, janeiro 26, 2011

...

Esperamos sempre algo acontecer para que encontremos a n...