terça-feira, novembro 30, 2010

Acreditava...

Acreditava no amor e não acreditava. Às vezes sim... Às vezes não... É como tudo. Não há grande diferença. É como acordar a sorrir porque se sonhou com o paraíso. Ou acordar a chorar porque se viu o inferno. A vida é mesmo assim! É normal que sim e é normal que não. Nunca se sabe ao certo.
Aquilo que se procura nem sempre se encontra. E aquilo que se encontra nem sempre é o que se procura. E às vezes sim e nem vemos. E às vezes não e nem percebemos. Ora parece que sim, ora parece que não.
Há um sorriso doce e uma lágrima amarga, e um sorriso triste e uma lágrima de alegria. E o contrário do que é nem sempre é o oposto do que não é. Palmilhamos e tacteamos e tentamos adivinhar. Mas, o enigma começa depois de o termos resolvido (ou não). Caixinha chinesa de emoções indecifráveis. Ninguém tem o mapa dos caminhos por fazer. O futuro é o presente à procura de si próprio e o passado são os passos que damos para lá chegar. Mas não se aprende a lição que outros nos podem ensinar. Não se encontra sem perder, nem se perde sem encontrar. Na verdade, acreditava no amor e também não acreditava... No entanto hoje já nem sei ....

segunda-feira, novembro 29, 2010

Caminho ...

I


Tenho sonhos cruéis; n'alma doente
Sinto um vago receio prematuro.
Vou a medo na aresta do futuro,
Embebido em saudades do presente...
Saudades desta dor que em vão procuro
Do peito afugentar bem rudemente,
Devendo, ao desmaiar sobre o poente,
Cobrir-me o coração dum véu escuro!...
Porque a dor, esta falta d_harmonia,
Toda a luz desgrenhada que alumia
As almas doidamente, o céu d'agora,
Sem ela o coração é quase nada:
Um sol onde expirasse a madrugada,
Porque é só madrugada quando chora.

II

Encontraste-me um dia no caminho
Em procura de quê, nem eu o sei.
d Bom dia, companheiro, te saudei,
Que a jornada é maior indo sozinho
É longe, é muito longe, há muito espinho!
Paraste a repousar, eu descansei...
Na venda em que poisaste, onde poisei,
Bebemos cada um do mesmo vinho.
É no monte escabroso, solitário.
Corta os pés como a rocha dum calvário,
E queima como a areia!... Foi no entanto
Que choramos a dor de cada um...
E o vinho em que choraste era comum:
Tivemos que beber do mesmo pranto.

III

Fez-nos bem, muito bem, esta demora:
Enrijou a coragem fatigada...
Eis os nossos bordões da caminhada,
Vai já rompendo o sol: vamos embora.
Este vinho, mais virgem do que a aurora,
Tão virgem não o temos na jornada...
Enchamos as cabaças: pela estrada,
Daqui inda este néctar avigora!...
Cada um por seu lado!... Eu vou sozinho,
Eu quero arrostar só todo o caminho,
Eu posso resistir à grande calma!...
Deixai-me chorar mais e beber mais,
Perseguir doidamente os meus ideais,
E ter fé e sonhar d encher a alma.


Camilo Pessanha, in 'Clepsidra'

Figueira da Foz 07/11/10








sábado, novembro 27, 2010

Sometimes II

Sometime I'm quiet
Sometimes I'm bold
Sometimes I feel young
Sometimes I feel old

Sometimes I do the opposite
Sometimes do what's told
Sometimes I buckle
But rarely do I ever fold

Sometimes I'm great
Sometimes I'm small
But lately I'm humble
If I'm anything at all

Sometimes I worry
Sometimes joke, jokes that are wry
Sometimes, often, I ask 'why? '
Sometimes I cry

Sometimes I wander
Sometimes I'm lost
Sometimes I feel the bitter lonliness
Of the cold winter frost

Sometimes I tremble
Sometimes I burn
Sometimes I stumble
Sometimes I yearn

Sometimes I dream
Sometimes I feel it's getting late
Sometimes I surmise
I must learn to rely on fate

(James T.Adair)


Sometimes

Sometimes I feel alive
sometimes I feel dead
sometimes my heart hurts
sometimes it's all in my head

Sometimes I feel lonely
sometimes I need my space
sometimes there are no problems
sometimes I've got too much to face

Sometimes things go right
sometimes things go wrong
sometimes I fit right in
sometimes I just don't belong

Sometimes I want to laugh
sometimes I want to cry
sometimes I want to live
sometimes I want to die

Sometimes I want to face life
sometimes I want to be gone from sight
sometimes I want to run
sometimes I want to fight

Sometimes I want to sing
sometimes I want to shout
sometimes I know the asnwer
sometimes I'm in doubt

Sometimes I'm happy
sometimes I'm sad
sometimes I'm scared
sometimes I'm mad

Sometimes I want to win
sometimes I want to lose
sometimes I listen to music
sometimes I watch the news

Sometimes I make decisions
sometimes I'm told what to do
sometimes I find life hard
sometimes so do you.....

(True Pain)


quinta-feira, novembro 25, 2010

E diz...

Por vezes a mulher tinha luz nos olhos. Ou se não era luz era qualquer coisa parecida.
Dançava com as estrelas e fazia amor de madrugada. Contava histórias improváveis de vidas passadas. Tinha sido sereia num mar de encantos. As mãos tocavam por dentro da carne. O sangue inundava-a de esperança desamparada. Havia uma fuga incerta na doçura dos seus beijos. Uma promessa suave de paraíso perdido. Foi lá que se conheceram antes de se encontrarem.
Os corpos escondem a alma que os dedos desnudam. Lentamente. Na estranha dimensão do encanto. Há um abrigo onde aprendemos a ressuscitar. As palavras não alcançam, mas o silêncio sabe. E diz.




 

quarta-feira, novembro 24, 2010

Do outro lado do espelho

Tiro a roupa e olho-me ao espelho. Que corpo é este? Não sei. Houve tempos em que o meu corpo era só o meu corpo. Hoje é uma mistura de todos os corpos que já tive e, por isso, não o reconheço.
Mas afinal, penso, não foi o meu corpo que mudou, sendo certo que o meu corpo (também) mudou.
Fui eu que mudei e mudo e mudarei; eu que penso, eu que sinto, eu que acordo a cada dia e reparo que o meu sorriso está diferente, ou que as minhas mãos estão diferentes, ou que a casa já não é a mesma.
No entanto, nunca fui tão feliz por saber tão pouco ...
Porque deste lado do espelho pouca coisa há. Mas alguma coisa se há-de arranjar, por pouco que seja. Um sorriso, um afago, uma luz qualquer, talvez difusa.
Deste lado do espelho as flores dançam e o mar agita-se, levemente.
Deste lado do espelho há um abrigo, um caminho novo por trilhar, uma vida inteira para inventar.
Deste lado do espelho há uma verdade que não magoa, antes ilumina, como a mão tranquila que conduz uma criança ao outro lado da vida.
Deste lado do espelho há a bonomia dos dias perdidos e a nostalgia das noites por haver. Há um espanto original ante a diversidade das coisas e do que nelas e por elas se pensa, se vive, se sente, se imagina, apenas.
Deste lado do espelho há uma travessia renovada, um corpo agitado à procura do silêncio primordial que apazigua o seu inexorável desassossego.
Deste lado do espelho há uma espiral de cores e de sons, de palavras e de traços incertos, artisticamente redimidos na firmeza do instante.
Deste lado do espelho fica aquilo que tu procuras, mas não sabes definir. O palpitar doce e suave do coração, a claridade licorosa dos olhos e a abertura amigável que o sorriso rasga, renova e oferece.
Deste lado do espelho há uma criança que brinca nos jardins da imaginação, uma mulher que aprendeu a doar e um ser humano que se arrependeu da irracionalidade intempestiva dos seus medos.
Deste lado do espelho há uma brisa que te acaricia a face como um beijo improvável numa noite fria. Uma lua que se derrama num céu de estrelas e a paleta ainda intacta do pintor desconhecido.
Deste lado do espelho há um sonho ancestral que ficou por cumprir. Uma mão aberta à ternura que passa e se demora e aprende a ficar.
Deste lado do espelho está aquilo que somos e nos ajudaram a esquecer em falsos trejeitos de memória.
Deste lado do espelho há fragilidades de infância que desabrocham em peitos desencantados.
Deste lado do espelho há um caminho, um sonho, uma vida. E a certeza do tempo (des)reencontrado.


Picasso-  Mulher em frente ao espelho - 1932






Sabes?

Sabes?
Baralhas-me.
Se nos teus olhos não vejo os meus olhos.
Se as tuas mãos de repente se tornam oblíquas ao invés de quadradas.
Se o mar, que foi sempre vermelho, é agora azul.

Sabes?
Nem sempre entendo a geometria da nossa relação.
Se eu penso em pássaros e tu me falas de Kant.
Se me reservas sorrisos enigmáticos e poucas palavras.
Se decides, sem eu saber, que a partir de amanhã só comes pastilhas gorila.

Sabes?
Queria rir hoje como sei que vamos rir amanhã,
Estatelar-me na relva e voar contigo até ao centro da terra,
Os cabelos ao vento, o medo a gritar-nos aos ouvidos,
E uma súbita e inesperada estalada de cores.
A açoitar-me a face

Sabes?
Não?
Mas, gostava que soubesses...

Love 1 (Hoang Giap)

...

CONVERSAS COM CASCAS DE ÁRVORE. TU,
tira a casca, anda,
tira-me, feito casca, da minha palavra.

É tarde já, mas nós
queremos estar nus e à beira
da navalha.



Paul Celan in A Morte é uma Flor

terça-feira, novembro 23, 2010

Dizem que ...

Amor pede Identidade com Diferença

O amor pede identidade com diferença, o que é impossível já na lógica, quanto mais no mundo. O amor quer possuir, quer tornar seu o que tem de ficar fora para ele saber que se torna seu e não é. Amar é entregar-se. Quanto maior a entrega, maior o amor. Mas a entrega total entrega também a consciência do outro. O amor maior é por isso a morte, ou o esquecimento, ou a renúncia - os amores todos que são os absurdiandos do amor.

(...) O amor quer a posse, mas não sabe o que é a posse. Se eu não sou meu, como serei teu, ou tu minha? Se não possuo o meu próprio ser, como possuirei um ser alheio? Se sou já diferente daquele de quem sou idêntico, como serei idêntico daquele de quem sou diferente? O amor é um misticismo que quer praticar-se, uma impossibilidade que só é sonhada como devendo ser realizada.

Fernando Pessoa in O Rio da Posse


Kiss (Nikolay Antonov)

Flavours of entanglement...

segunda-feira, novembro 22, 2010

(P)rosas

Triste Sina

… trago o gosto de pecado de tua boca,
e o perfume de tua pele macia e alva.
Não te esqueço porque sou maldito.

Não te esqueço porque nada foi perfeito…
Restando ainda a vontade de invadir
por inteiro o teu íntimo.

(Antonio Carlos Menezes)





O mundo estava no rosto da amada

O mundo estava no rosto da amada -
E logo converteu-se em nada, em
mundo fora do alcance, mundo-além.

Por que não o bebi quando o encontrei
no rosto amado, um mundo à mão, ali,
aroma em minha boca, eu só seu rei?

Ah, eu bebi. Com que sede eu bebi.
Mas eu também estava pleno de
mundo e, bebendo, eu mesmo transbordei.

(Antonio Carlos Menezes)

Tudo é breve como um sopro ...

domingo, novembro 21, 2010

On my own...

Foi um fds calmo e por conta própria. É tão raro conseguir ter tempo para mim... sem horários, obrigações, preocupações ou suposições ... sem pensar em nada ou ninguém que pudesse afectar o meu precioso espaço ...
Simplesmente esvaziei o cérebro por um dia e aproveitei para fazer tudo (ou quase) o que me dá prazer... (zenai!)
E estou renovada para enfrentar mais uma semana!

sexta-feira, novembro 19, 2010

Bom fds

(Apenas) Para descontrair, relaxar  e descambar ... :P




Nunca tal me tinha ocorrido!!! ahahah

Divagações...

Penso que o mais importante na vida é ser coerente e permanecer  fiel a si mesmo e isto muitas vezes cria um conflito e uma ambiguidade do ser fiel a si e ser fiel aos outros. Ultrapassada esta condição, ou uma maneira de agir com o outro, é importante ser fiel a este outro, demarcando no entanto as próprias limitações. E é exactamente por isto, que ser coerente é tão difícil ... Porque é necessário estarmos atentos a nós mesmos, aos nossos pensamentos e sobretudo estar atento às escolhas que fazemos.
Porque é que dizer "não" às vezes é tão difícil? Porque na pressa e veleidade de agradar ao outro, colocamos o nosso eu abaixo do contexto, em detrimento de algo que possa vir a nos beneficiar ou não. E isto é como a receita de um bolo... Se sigo os passos certinhos, faço a mistura como deve ser, mexo do modo correcto, "pastoreio" o cozedura da massa, concerteza o bolo sairá de acordo com a receita. Caso contrário, o bolo sai uma merda....
As relações podem descarrilhar por excesso de fermento ou farinha... Podem ficar doces demais por causa do açúcar... Podem ainda ficar duras, sem a fofura própria de uma massa... Não deixando o ar circular, apenas porque não se respeitou o espaço pessoal e o espaço do outro.

quinta-feira, novembro 18, 2010

Concerteza

A verdade é que não se pode agradar a Gregos e a Troianos!


Esta frase tem muito que se lhe diga e n de situações em que se aplica ...
Somos o que somos e mais nada!
Há quem goste assim, há quem goste assim assim e há quem não goste (mesmo) nada... e então?!! É por isso mesmo que nunca me preocupei muito com este assunto e como costumo dizer quem gosta de mim, terá de gramar comigo como sou, com as qualidades e os cem (i)números de defeitos que trago embrulhada!  
É tudo uma questão de aceitação (ou não) ... WTF.


Amor (im)perfeito - o ideal


Nas ruas de Paris dos finais do século passado, raparigas e velhotas vendiam raminhos de violetas e amores-perfeitos para os cavalheiros oferecerem às damas. Hoje em dia oferecem-se outras flores, e as violetas e os amores-perfeitos ficaram esquecidos (são as minhas preferidas)

É a flor do amor por excelência e na linguagem das flores quer dizer “penso em ti”.


 
 
E se, de repente, o meu coração explodisse e o teu olhar, contra o meu olhar, fosse a razão dessa cor-luz, início e fim, em si mesmos, exacto momento da celebração do nosso amor, cratera, vale, precipício, novamente olhar e cor-luz, finito, infinito, campo desbravado e por desbravar, floresta, cheiro, madrugada sempre adiada, o gesto cego de ver, o milésimo de segundo em que depositas um beijo nas minhas mãos, o desejo aqui, salpicado por nuances carmim, a aridez da pele e dos dias, sorrisos, a maneira precisa com que me segredas o caminho, a beleza serena que me fazes sentir.

E se, de repente, o teu coração explodisse e o meu olhar, contra o teu olhar, fosse a razão dessa luz-cor, início e fim, em si mesmos, exacto momento em que nos encontramos, monte, planalto, encosta plana, novamente olhar e luz-cor, aqui, agora, o princípio e o fim do que vem depois, búzio, flor, cacto, vinho tinto a cheirar a fruta madura, a certeza do acto, o gesto certo de ver, o milésimo de segundo em que deposito um beijo nas tuas pálpebras, o desejo pontilhado de violetas e lírios azuis, a lentidão da pele e dos dias, sorrisos, a maneira indecisa como te sussurro o teu nome, o mistério profundo da tua imensidão e do teu carinho.

E se, de repente, o tempo se transformasse numa linha vertical contínua, e o teu olhar, contra o meu olhar, fosse hora-minuto-segundo ou segundo-minuto-hora, forma inversa do desejo, aqui, ali, o desejo aqui e ali, um riacho a correr, um riacho parado, ou uma parede a abrir brechas, pequenas, uma parede a abrir brechas maiores, a respiração lenta e pesada, o corpo louco de ti, e de mim, a soma de dois, a divisão de um, tudo o que há e não há, a pequena-grande loucura da felicidade.

E se, de repente, o tempo se transformasse na ausência de si mesmo, e o meu olhar, contra o teu olhar, fosse o teu olhar, contra o meu olhar, forma precisa do desejo, universo, árvore ao vento, seixo redondo, figura geométrica infinita, os corpos opacos, as almas translúcidas, o gesto, a leveza, o contrário do gesto e da leveza, os sinais, as linhas, os caminhos, a beatitude de não ter que os percorrer, a soma de dois, a divisão de um, tudo o que há e não há, o princípio, o fim...


P.S.: O stress causa-me incontinência "verbal", meros distúrbios mentais e/ou será que é a (minha) intensidade à flor da pele e na ponta dos dedos ... :S