terça-feira, novembro 23, 2010

Dizem que ...

Amor pede Identidade com Diferença

O amor pede identidade com diferença, o que é impossível já na lógica, quanto mais no mundo. O amor quer possuir, quer tornar seu o que tem de ficar fora para ele saber que se torna seu e não é. Amar é entregar-se. Quanto maior a entrega, maior o amor. Mas a entrega total entrega também a consciência do outro. O amor maior é por isso a morte, ou o esquecimento, ou a renúncia - os amores todos que são os absurdiandos do amor.

(...) O amor quer a posse, mas não sabe o que é a posse. Se eu não sou meu, como serei teu, ou tu minha? Se não possuo o meu próprio ser, como possuirei um ser alheio? Se sou já diferente daquele de quem sou idêntico, como serei idêntico daquele de quem sou diferente? O amor é um misticismo que quer praticar-se, uma impossibilidade que só é sonhada como devendo ser realizada.

Fernando Pessoa in O Rio da Posse


Kiss (Nikolay Antonov)

Flavours of entanglement...

segunda-feira, novembro 22, 2010

(P)rosas

Triste Sina

… trago o gosto de pecado de tua boca,
e o perfume de tua pele macia e alva.
Não te esqueço porque sou maldito.

Não te esqueço porque nada foi perfeito…
Restando ainda a vontade de invadir
por inteiro o teu íntimo.

(Antonio Carlos Menezes)





O mundo estava no rosto da amada

O mundo estava no rosto da amada -
E logo converteu-se em nada, em
mundo fora do alcance, mundo-além.

Por que não o bebi quando o encontrei
no rosto amado, um mundo à mão, ali,
aroma em minha boca, eu só seu rei?

Ah, eu bebi. Com que sede eu bebi.
Mas eu também estava pleno de
mundo e, bebendo, eu mesmo transbordei.

(Antonio Carlos Menezes)

Tudo é breve como um sopro ...

domingo, novembro 21, 2010

On my own...

Foi um fds calmo e por conta própria. É tão raro conseguir ter tempo para mim... sem horários, obrigações, preocupações ou suposições ... sem pensar em nada ou ninguém que pudesse afectar o meu precioso espaço ...
Simplesmente esvaziei o cérebro por um dia e aproveitei para fazer tudo (ou quase) o que me dá prazer... (zenai!)
E estou renovada para enfrentar mais uma semana!

sexta-feira, novembro 19, 2010

Bom fds

(Apenas) Para descontrair, relaxar  e descambar ... :P




Nunca tal me tinha ocorrido!!! ahahah

Divagações...

Penso que o mais importante na vida é ser coerente e permanecer  fiel a si mesmo e isto muitas vezes cria um conflito e uma ambiguidade do ser fiel a si e ser fiel aos outros. Ultrapassada esta condição, ou uma maneira de agir com o outro, é importante ser fiel a este outro, demarcando no entanto as próprias limitações. E é exactamente por isto, que ser coerente é tão difícil ... Porque é necessário estarmos atentos a nós mesmos, aos nossos pensamentos e sobretudo estar atento às escolhas que fazemos.
Porque é que dizer "não" às vezes é tão difícil? Porque na pressa e veleidade de agradar ao outro, colocamos o nosso eu abaixo do contexto, em detrimento de algo que possa vir a nos beneficiar ou não. E isto é como a receita de um bolo... Se sigo os passos certinhos, faço a mistura como deve ser, mexo do modo correcto, "pastoreio" o cozedura da massa, concerteza o bolo sairá de acordo com a receita. Caso contrário, o bolo sai uma merda....
As relações podem descarrilhar por excesso de fermento ou farinha... Podem ficar doces demais por causa do açúcar... Podem ainda ficar duras, sem a fofura própria de uma massa... Não deixando o ar circular, apenas porque não se respeitou o espaço pessoal e o espaço do outro.

quinta-feira, novembro 18, 2010

Concerteza

A verdade é que não se pode agradar a Gregos e a Troianos!


Esta frase tem muito que se lhe diga e n de situações em que se aplica ...
Somos o que somos e mais nada!
Há quem goste assim, há quem goste assim assim e há quem não goste (mesmo) nada... e então?!! É por isso mesmo que nunca me preocupei muito com este assunto e como costumo dizer quem gosta de mim, terá de gramar comigo como sou, com as qualidades e os cem (i)números de defeitos que trago embrulhada!  
É tudo uma questão de aceitação (ou não) ... WTF.


Amor (im)perfeito - o ideal


Nas ruas de Paris dos finais do século passado, raparigas e velhotas vendiam raminhos de violetas e amores-perfeitos para os cavalheiros oferecerem às damas. Hoje em dia oferecem-se outras flores, e as violetas e os amores-perfeitos ficaram esquecidos (são as minhas preferidas)

É a flor do amor por excelência e na linguagem das flores quer dizer “penso em ti”.


 
 
E se, de repente, o meu coração explodisse e o teu olhar, contra o meu olhar, fosse a razão dessa cor-luz, início e fim, em si mesmos, exacto momento da celebração do nosso amor, cratera, vale, precipício, novamente olhar e cor-luz, finito, infinito, campo desbravado e por desbravar, floresta, cheiro, madrugada sempre adiada, o gesto cego de ver, o milésimo de segundo em que depositas um beijo nas minhas mãos, o desejo aqui, salpicado por nuances carmim, a aridez da pele e dos dias, sorrisos, a maneira precisa com que me segredas o caminho, a beleza serena que me fazes sentir.

E se, de repente, o teu coração explodisse e o meu olhar, contra o teu olhar, fosse a razão dessa luz-cor, início e fim, em si mesmos, exacto momento em que nos encontramos, monte, planalto, encosta plana, novamente olhar e luz-cor, aqui, agora, o princípio e o fim do que vem depois, búzio, flor, cacto, vinho tinto a cheirar a fruta madura, a certeza do acto, o gesto certo de ver, o milésimo de segundo em que deposito um beijo nas tuas pálpebras, o desejo pontilhado de violetas e lírios azuis, a lentidão da pele e dos dias, sorrisos, a maneira indecisa como te sussurro o teu nome, o mistério profundo da tua imensidão e do teu carinho.

E se, de repente, o tempo se transformasse numa linha vertical contínua, e o teu olhar, contra o meu olhar, fosse hora-minuto-segundo ou segundo-minuto-hora, forma inversa do desejo, aqui, ali, o desejo aqui e ali, um riacho a correr, um riacho parado, ou uma parede a abrir brechas, pequenas, uma parede a abrir brechas maiores, a respiração lenta e pesada, o corpo louco de ti, e de mim, a soma de dois, a divisão de um, tudo o que há e não há, a pequena-grande loucura da felicidade.

E se, de repente, o tempo se transformasse na ausência de si mesmo, e o meu olhar, contra o teu olhar, fosse o teu olhar, contra o meu olhar, forma precisa do desejo, universo, árvore ao vento, seixo redondo, figura geométrica infinita, os corpos opacos, as almas translúcidas, o gesto, a leveza, o contrário do gesto e da leveza, os sinais, as linhas, os caminhos, a beatitude de não ter que os percorrer, a soma de dois, a divisão de um, tudo o que há e não há, o princípio, o fim...


P.S.: O stress causa-me incontinência "verbal", meros distúrbios mentais e/ou será que é a (minha) intensidade à flor da pele e na ponta dos dedos ... :S

Rascunhos...

Tenho no blogger 174 postagens guardadas em rascunho... que não posto por uma série de razões... Algumas sei que nunca verão a luz do dia, outras quem sabe...


Hoje (finalmente) abri o báu e dei com esta "pérola" datada de 14/02/08.

Naquele dia podia ter-te dito que o meu amor por ti já me fazia viver e respirar, mas ao invés preferi o silêncio e o veneno da ignorância. Não sei porquê! Há coisas em nós que desconhecemos ou que queremos desconhecer, como se um outro eu, poderoso, comandasse mais do que nós. Deve ser o medo, ou esta educação filha da puta que tivemos, ou as duas coisas. Também nunca te disse - ou disse ?- que sempre me enervou o teu ar picuinhas, as tuas respostas evasivas e fugitivas, a tua casa.  O que não gostei foi de viver no teu egoísmo, nas tuas desculpas, nas expectativas criadas, em mim, por ti... Não sei como é que se entende que aquele, que supomos amar, nos olhe com tanto ódio e desprezo e deixamos, em nome desse amor, que alguém nos faça tanto mal. Claro que a verdade tem dois caminhos, dirás tu. Quanto a mim, sei-o agora, confundi solidão com estar-se só. E, de certa maneira, morri. Morri lentamente. Morri ao longo de três intermináveis anos. Longos, tão longos. Se calhar, pensas que te culpo. Agora já não. Nem a mim. Agora também já não me culpo a mim. A capacidade de nos perdoarmos é a única forma que temos de nos libertarmos. Assim é. E tu? Já te perdoaste?


Adenda: Sabes, às vezes dói-me a boca, ou a pele, ou a alma tanto faz, e as madrugadas tornam-se sombrias e frias. E mesmo quando as minhas mãos vêm ao meu encontro, a memória do caos e da dor insiste em permanecer, cruel, solitária, a (re)lembrar-me o medo e o desespero das horas vazias. E choro. E se finalmente adormeço no calor da minha cama, fica-me a sensação amarga de ter (sido) amado(a) tão pouco...

quarta-feira, novembro 17, 2010

Time To Wake Up ...

Hoje acordei ao som desta música... Ficou a "embriagar-me" os sentidos todo o resto do dia...



PS: Grande SENHOR, excelente música e video!

All right

terça-feira, novembro 16, 2010

Divagações...

O que eu (não) conheço é o que eu busco. E eu... só procuro o todo ...O que (me) toca (bem no) fundo, o que tem/me faz sentido.
Meio termo, meio passo, meia viva, meio nada ... O meio faz-me mal... (sempre fui do oito ao oitenta...)
Quem não se conhece, aceita qualquer coisa ... eu não... eu, não sei do mundo, não sei dos outros, mas sei de mim: conheço-me...

PS: O livro é excelente! Tece considerações sobre a vida presente, do protagonista/ narrador, e as memórias e os momentos marcantes da sua existência. Apresentando-se no início  como um longo monólogo interior  ganha no final contornos de diálogo quando o narrador/ protagonista enceta uma conversa imaginária com a sua filha.

Pensamento do dia

 
Bem no fundo do meu coração, apesar de (querer sentir) tantas coisas boas por acontecer, existe um incómodo, como se algo estivesse escapando de mim, como areia nas mãos.

segunda-feira, novembro 15, 2010

...

Tenho cada vez mais a nítida e acentuada sensação que não pertenço a este mundo, como se vivesse num entremeio, num universo paralelo com um pé neste e o outro pé noutro mundo qualquer (que nem sei bem qual), por vezes chego a estar com os dois pés juntos, mas de repente lá me chama o outro e ando assim de permeio... de um lado para o lado...
No fundo sei que não pertenço a lado nenhum...
(Sinal de) Pertença - palavra que há muitos anos desapareceu do meu vocabulário!...
Dizia-me a minha outra Nina, no outro dia "deve ser triste não pertencer a lado nenhum..."
- Não é nada de especial, afinal vamo-nos habituando, mais vale nunca teres pertencido, do que de repente deixares de pertencer, respondi eu , na outra versão Nina..

E no entanto é essa mesma (pretensa) liberdade, que acaba por nos amarrar...como se tivessemos grilhões nos pés e nas mãos...que nos tolhe os movimentos... e nos dificulta (todos) os acontecimentos...

To Sleep

O soft embalmer of the still midnight,
Shutting, with careful fingers and benign,
Our gloom-pleas'd eyes, embower'd from the light,
Enshaded in forgetfulness divine:
O soothest Sleep! if so it please thee, close
In midst of this thine hymn my willing eyes,
Or wait the "Amen," ere thy poppy throws
Around my bed its lulling charities.
Then save me, or the passed day will shine
Upon my pillow, breeding many woes,--
Save me from curious Conscience, that still lords
Its strength for darkness, burrowing like a mole;
Turn the key deftly in the oiled wards,
And seal the hushed

John Keats


domingo, novembro 14, 2010

O que ando a ler...

ENTRE O SONO E O SONHO

Entre o sono e o sonho,
Entre mim e o que em mim me suponho,
Corre um rio sem fim.

Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.

Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
e desperto, passou.

E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre -
Esse rio sem fim.

Fernando Pessoa

Cinema

Vi ontem um filme fabuloso: - Ondine - uma fábula moderna com os cenários lindíssimos da Irlanda (fez-me ficar ainda com mais vontade de ir lá...), actores talentosos (Colin Farrel arrasa mesmo),  uma história que poderia muito bem ser a de qualquer pessoa (a solidão, a falta de esperança e de amor, a família quebrada, o trabalho duro, as dependências e as dificuldades económicas, enfim a vida fodida, tal como ela é...), os seres mitológicos e ricos do folclore Irlandês e Escocês e a cereja no topo bolo com música dos Sigur Ros... NOTA DEZ!




Como diz o "Tree", numa altura do filme, ao protagonista: "A infelicidade é fácil, difícil é fazermos a felicidade... porque esta dá muito trabalho..."