domingo, novembro 14, 2010

Cinema

Vi ontem um filme fabuloso: - Ondine - uma fábula moderna com os cenários lindíssimos da Irlanda (fez-me ficar ainda com mais vontade de ir lá...), actores talentosos (Colin Farrel arrasa mesmo),  uma história que poderia muito bem ser a de qualquer pessoa (a solidão, a falta de esperança e de amor, a família quebrada, o trabalho duro, as dependências e as dificuldades económicas, enfim a vida fodida, tal como ela é...), os seres mitológicos e ricos do folclore Irlandês e Escocês e a cereja no topo bolo com música dos Sigur Ros... NOTA DEZ!




Como diz o "Tree", numa altura do filme, ao protagonista: "A infelicidade é fácil, difícil é fazermos a felicidade... porque esta dá muito trabalho..."

sábado, novembro 13, 2010

Não tenhas medo de amar a vida




« Não tenhas medo de amar a vida
De lhe entregares
Toda a força dos teus sonhos,
Dos anseios escondidos

No sacrário dos teus pensamentos.
Ama-me
Como se hoje fosse o último dia
E nunca mais nos encontrássemos.

Somos os dois fogo, terra e mar
E incapazes de nos saciar
Viveremos na eternidade
Ligados um ao outro. »

(autor desconhecido)


Saiu para a rua

«...

Saiu para a rua insegura
Vageou sem direcção
Sorriu a um homem com tremura
E sentiu escorrer do coração
A humidade quente da loucura »


 
 
PS: Saiu de manhã para chegar (só) de madrugada...

sexta-feira, novembro 12, 2010

Empty room




Pensamentos na noite

« Um homem, que, disse: - "Eu prefiro ter sorte do que ser bom" - viu profundamente a vida.
As pessoas têm medo de encarar, que uma grande parte da vida está dependente da sorte. É assustador pensar que tanto está fora de uma e não tem qualquer controlo. Há momentos, num jogo, quando a bola atinge o topo da rede e por uma fracção de segundo ela pode avançar ou retroceder. Com um pouco de sorte ela vai em frente e você ganha. Ou será que não e você perde.»
P.S: Cada dia que passa, mais me convenço que uma percentagem considerável da nossa existência depende unicamente do factor sorte/ azar... E ponto final!

quinta-feira, novembro 11, 2010

Canção perfeita para hoje ...



Por agora só me resta abrandar o ritmo, dormir e... sonhar...

quarta-feira, novembro 10, 2010

Ouvindo ...

Prosa sem prosa

A noite cerra-se sob o meu olhar
Instável e abandonado ao sabor do fado
Onde caiem punhais ao mar
E a névoa dos namorados.
À superficie das coisas, apenas o pó
Inquietude da vida, e de seus impropérios
Um eterno fumo branco
E o descoroar da juventude
Que assobia canções contundentes.
Muita coisa começou assim...
Um punhal
A matar os sonhos, uma pedra a esmagar
O meu amor contra o mundo.

Mais tarde, e sempre mais tarde,
O silêncio da morte
Como o inferno,
Começa sempre com os outros.
Encosto o rosto às quimeras da infância,
Para exorcizar a inocência perdida
E rodopiar, sobre os sonhos,
A valsa solitária da criança
Que sempre fui ...
Quando as minhas mãos, antes quentes do sol,
Eram ninhos de aves de múltiplas cores.
Páro no tempo do tempo
Para todos os relógios escutar
A respiração ofegante dos dias (sempre iguais)
E, como uma actriz que se esgota na personagem,
Rasgo o cenário e danço, danço
Como uma louca, ao seu redor,
Com fitas entrelaçadas nos meus pulsos.

Trago nas mãos o frio da ausência
E os olhos opacos, sem qualquer brilho ...
Não há saida mais para este beco,
Tudo perdido, tudo consumado...
O que há sob esta máscara é um pranto seco...

terça-feira, novembro 09, 2010

Divagações

Conheço cada vez melhor aquilo que de mim se despede e não regressa, e aquilo que nasce algures onde já não estou ...


segunda-feira, novembro 08, 2010

On my own...

The city goes to bed
And I can live inside my head

On my own
Pretending...

Murmúrios

Murmúrios ao vento e/ou o vento a murmurar-me...

Fácil ou difícil?

"É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!

Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo."

Fernando Pessoa


PS: Daí que qualquer semelhança só poderá ser pura coincidência ...

domingo, novembro 07, 2010

Folhas caídas...



E o fim de semana passou num ápice...

Comer, orar, amar

Hoje vi este filme que achei absolutamente delicioso! A história, as personagens, as paisagens magníficas, a mensagem do filme, e a juntar, a tudo isto dois grandes actores que eu tanto admiro!!!
Fez-me pensar que há situações e pessoas que passam pela nossa vida que podem nos provocar desequilíbrios, no entanto esse é essencial para nos levar ao (nosso) equilíbrio, porque afinal não há equilíbrio sem desequilíbrio e vice-versa!! A aceitação destas situações evita muito sofrimento e ressentimento, assim como dar espaço a nós próprios para que consigamos encontrar o equilibrio junto dos outros!
Mais ainda,  vivemos numa sociedade tremendamente egoísta e que tem uma extrema dificuldade para compreender o conceito de AMAR. As pessoas confundem Amor com a necessidade de preencher vazios, por receio de terminarem sozinhas, mas as mágoas, as frustrações e as escolhas erradas do passado e do presente acabam muitas vezes por revelar que afinal, não havia sentimentos assim tão profundos. No entanto, nada fazem, nenhuma atitude tomam, e passam a viver em função de algo ou alguém, mas quando o objecto do seu apego desaparece, perdem o norte, parecendo que lhes tiraram o tapete debaixo dos pés, quando afinal foi apenas o Universo que resolveu tirar a bengala e gritar: agora levanta-te e caminha sozinho/a!
De facto, tudo é fácil, excepto quando complicamos. A felicidade não depende, MESMO, do dinheiro, muito menos de andar a viajar. O filme mostra o caminho que essa mulher tomou, mas, isto não significa que todos devam seguir a mesma via. Não existe um manual para encontrar a felicidade. A protagonista no final, pensando ter encontrado o equilíbrio, quase deixou escapar a possibilidade de ficar com o homem que amava!
O que nos enriquece é o viver, neste processo, lidarmos com muitas pessoas, e estas relações irão ensinar-nos no futuro a saber quem somos e para onde desejamos caminhar...
De tanto querer o ideal (dinheiro, trabalho, sucesso, viagens, etc), a maioria de nós acaba se esquecendo do mais importante, que é: -  simplesmente viver.
Quando saírem hoje à rua, tomem atenção ao mundo... Parem de buscar a felicidade e sejam (apenas) felizes. Quem sabe no próximo desequilíbrio não encontrem o vosso equilíbrio?!! Porque afinal comer, orar e amar fazem partem do nosso (des)equilíbrio!!! São três formas essenciais e magníficas de dar alimento ao corpo, à alma e ao espírito...

"Amemos porque o Amor é um santo escudo".
 (Autor desconhecido)

sábado, novembro 06, 2010

sexta-feira, novembro 05, 2010

Living life...

O que ando a ouvir ...



« Daydream, delusion, limousine, eyelash
Oh baby with your pretty face
Drop a tear in my wineglass
Look at those big eyes
See what you mean to me
Sweet-cakes and milkshakes
I'm delusion angel
I'm fantasy parade
I want you to know what I think
Don't want you to guess anymore
You have no idea where I came from
We have no idea where we're going
Latched in life
Like branches in a river
Flowing downstream
Caught in the current
I'll carry you
You'll carry me
That's how it could be
Don't you know me?
Don't you know me by now? »

November 4th

Hoje esteve um dia radioso.
O Outono em todo o seu esplendor!
A estação das avelãs...
As andorinhas voam por todo o lado,
É a estação das castanhas,
Das romãs,
Dos marmelos,
Das folhas coloridas,
Das castanhas assadas.
Das roupas mais quentes
Das lareiras,
Das mantas mais fofinhas e quentinhas,
Os pardais voando de ramo em ramo
Às vezes fazendo
Com que as folhas caiam ao chão..
E foi o mês que me deu o bater do coração...


PS: O grãozito de pó teve um dia soberbo... Como é bom e gratificante ter amigo(a)s assim. (muito obrigada pelas mensagens e pela lembrança.
Mil beijinhos levados pelo vento ;) :) 


Por vezes uma pessoa esquece, mas acaba percebendo que as grandes amizades estão mais perto do que se pensa...

quinta-feira, novembro 04, 2010

Grão de pó ...

Escuto-me no caos da (in)constância que me grita laivos de silêncio, importunando-me o aparente (desa)sossego reinante na bolha côncava, da existência em que me refugio, escondendo-me desta minha perturbante insatisfação, que, sempre que me (acom)apanha, me queima desde as entranhas até ao avesso da razão...
Sei-me e sinto-me, muitas vezes, incapaz perante a perspectiva da criação da obra que nunca será... que não passará de um atabalhoado esboço na sebenta onde se amontoam os riscos e os rabiscos da minha insignificância.

Mas, ainda assim, sinto-me grande quando me penso, sentada na pequenez de um grão de pó onde ainda me permito sonhar....

quarta-feira, novembro 03, 2010

(não) Escrevo ...

Não escrevo para me ler(em).
Temo que as palavras me escapem por entre os dedos
Feito areia fina do deserto
Que fujam a sete pés ou que apenas flutuem à superfície;
Que se esgueirem por entre as brechas da minha memória
E desatentas resolvam chamar-me à razão
Me digam as verdades escondidas que tanto quero calar
Me ralhem e me desnudem e possam dizer-me o que não quero escutar
Por isso, a maior parte dos dias fecho-as placidamente a sete chaves
E alimento-as, tão só, a pão e água para que definhem nas masmorras profundas e escuras.
Quero-as fracas, quebradiças e resignadas à sua sorte.
Encarceradas e prisioneiras
Condenadas à própria morte
Para que não se amotinem em assaltos nas minhas entranhas
Nem  desfaçam as minhas amarras que tanto trabalho me deram a tecer
E onde me contenho a muito custo e esforço.
A ferro e fogo, a sangue e lágrimas
Não escrevo para me ler(em).
Calo-me às letras: evito as profundezas das frases
Nas quais tendo a estender-me e perder-me
Contorno as palavras, escrevo, dito, falo e faço tudo ao contrário
Do que habitualmente faria
E faço de conta que não estou em casa.
Enxoto adjectivos, sujeitos e complementos,
Como pedintes que espreitam à socapa pelo óculo da porta.
Desactivei-me temporariamente.
Deletei-me por fim
E fiz um restart
Receio que as palavras, matreiras, rafeiras
Me fintem, me levem ao engano, ao absurdo
Ou pior ainda, me encantem feito sereias dançantes,
Estendendo-me na mão conchas, flores e colares
Oferecendo-me a bandeira branca da paz
Ou que me deiem a sua outra face.
Não suporto quando se insinuam,
Nem que se dispam e rodopiem no varão da minha imaginação demente.
Feito stripers sensuais que seduzem, aquecem e depois desaparecem
Tenho medo do que possa encontrar de mim, nelas.
Tenho medo de  procurar nelas, em mim
Tenho medo de me encontrar a mim, nelas
Não escrevo para me ler(em)...
Escrevo para não me ler(em)...