sexta-feira, outubro 30, 2009

Requiem

Estes meus tristes pensamentos
vieram d' estrelas desfolhadas
pela boca brusca dos ventos?

Nasceram das encruzilhadas,
onde os espíritos defuntos
põem no presente horas passadas?

Originaram-se de assuntos
pelo raciocínio dispersos,
e depois na saudade juntos?

Subiram de mundos submersos
em mares, túmulos ou almas,
em música, em mármore, em versos?

Cairiam das noites calmas,
dos campos dos luares lisos,
em que o sono abre mansas palmas?

Provêm de fatos indecisos,
acontecidos entre brumas,
na era de extintos paraísos?

Ou de algum cenário de espumas,
onde as almas deslizam frias,
sem aspirações mais nenhumas?

Ou de ardentes e inúteis dias,
com figuras alucinadas
por desejos e covardias?...

Foram as estátuas paradas
em roda da água do jardim...?
Foram as luzes apagadas?

Ou serão feitos só de mim
estes meus tristes pensamentos
que bóiam como peixes lentos
num rio de tédio sem fim?

Cecília Meireles




quinta-feira, outubro 29, 2009

The Day Before The Day bye

Cala-se o grito
Oriundo do peito
Secam-se as lágrimas
Que teimam em cair
Sustem-se a respiração
Já não sou a tua menina
Não sou nada!
Sou de ninguém!

Puta de vida

Tens razão!!!!
Afinal a vida não é mais que uma velha puta que se oferece ao primeiro que se atreve a tratá-la como tal!


Medodiálise

Como drenar o medo que te corre nas veias?
Como estancar a esterilidade oca do tempo?

Falhas ...

Viver é falhar e no entanto avançar, com e/ou sem medo de falhar uma vez mais! Mas só vive quem falha e prossegue a batalha indiferente aos sinais da desistência, porque a vida não é uma ciência exacta que se aprende, mas algo que apenas se entende por mera coincidência!

(...)

Com os pés... no chão... Me distancio... de ti...
Como se num lugar... Longínquo... lá longe...
Te pudesse... Ver de muito... mais perto...
Sim... Percebo... que não me... entendas...
Mas não entendo... que não me... percebas...
Teu sorriso... escondido... até tímido...
Ou envergonhado... sem dares conta... de que também...
Eu... ainda... estou aqui... encantada... a te olhar...
Teu cheiro... Que se evapora... dentro...
De meu coração...
Como nuvens... ao meu redor...
Eterno momento... será... como poesia...
Escrita... descrita...lida
Por humildes... dedos...
Como ao dedilhar... as notas... de um piano...
Como as folhas... que não guardo... mais...
Na gaveta... Sim... a mesma gaveta... cheia... de um vazio...
Que cerrado... em meu peito... acabou... por acabar...
Nunca... se tem direito... a algo...assim...
Como almofada... que aconchega... o pensamento...
Á noite... de tarde... numa manhã... pela madrugada...
Na cúpula... do alto... uma voz... que chama... por ti...
Por mim... Por vozes... que em conjunto... ecoam em salas...Vazias ...
Cheias de preces...vontades e desejos...
Que para... muitos... cumpridos... nunca serão...
Já foram...
Posso esperar... mas não tenho tempo... Pois...
Ele vai partir... E não espera... por mim...
Como eu... posso esperar por ti...

quarta-feira, outubro 28, 2009

Estado de espírito

Hoje sinto-me assim ... uhuhuhu

Pensamento

... E o coração quer alcançar ... Não sei bem o quê! Não sei bem quem nem quando!

Orphan- Esther's Song(The Glory of Love)

Gostei!

terça-feira, outubro 27, 2009

Pensamento do dia

" Um homem nunca sabe aquilo de que é capaz até que o tenta fazer.”
(Charles Dickens)


P.S. Os maiores entraves são aqueles que colocamos a nós mesmos!

quinta-feira, outubro 22, 2009

quarta-feira, outubro 21, 2009

Poema da desilusão

O poema da desilusão não tem rimas, nem alegria
Poema feito de sonhos não alcançados e tristezas
De amores não vividos e vidas desperdiçadas
Poema feio, fraco, pobre e de palavras soltas

De passado nulo, presente ausente e sem futuro
Não há do que se arrepender, nem se recordar
Na verdade não há nada, amnésia talvez
Não há saudade, nostalgia, remorso, dor...

Exista talvez algumas histórias interessantes
Às vezes alguns raios de luz em sonhos
Mas, nunca se sabe o que eles dizem
E o segredo é o que mais consome e sufoca

Na batida de um coração o silêncio do outro
Nas palavras de carinho, nenhuma resposta
num beijo de amor a pueril satisfação
E nada mais que não seja visível ou palpável

Por Luis Henrique Bossi Veloso

Secondhand Serenade





Eu já não sabia ...


Eu já não sabia que era assim
Eu não sabia...
Outrora queimava, outrora sufocava
Agora sufoca, agora queima
Eu já não sabia que era assim
Eu não sabia...

Outrora choro, outrora sorriso
Agora sorrio, agora choro
Eu já não sabia que era assim
Eu não sabia...

Outrora penso, outrora sinto
Outrora sinto, outrora penso
Outrora vivo, outrora morro
Outrora quero, outrora renego
Outrora amo, outrora odeio
Outrora esqueço, outrora lembro
Outrora sou santa, outrora profana
Outrora é o cheio, outrora o vazio
Outrora sonho, outrora páro

Eu já não sabia que era assim
Eu não sabia...
E queima, e sufoca, e choro, e sorrio, e penso, e sinto...
E vivo, e sonho, e minto, e morro e despedaço...
Eu já não sabia que era assim
Este sentir em mim...

terça-feira, outubro 20, 2009

Sometimes, somewhere, someone should say something

Eu gosto muito deles...



Trazem-me boas memórias desse verão...
Gosto e pronto!

Chove, chove sem parar ...




segunda-feira, outubro 19, 2009

Pensée de la nuit…


Prends ce qu'il te suffit de cette vie et contente-toi de cela, même si tu n'as pour toi que la santé… je n'existais pas déja, je m'inventerai...
***

Serai-je capable de me faire comprendre, ... non, decidament, non! Existe t il une personne capable de me faire sortir de la?´NON, decidament, non!


***
P:S.: On croit pouvoir venir à bout des cycles qui frappent le cours de notre vie, au même point, exploitant la même faiblesse, avec la périodicité implacable de la rotation d'un astre; on croit sincèrement au bien-être définitif que l'imagination, féconde, élève devant nous dès qu'un bonheur soudain se présente.

On nie les illusions passées qui nous perdirent au coeur d'un désespoir encore plus inextricable que le maillage serré d'une vie refusée, fuie, elle-même submergée par l'illusion.
On se réfugie dans l'hypocrite amour du soi, diminué à l'idolâtrie de lambeaux de soi.
On surpasse Narcisse, et on écrit.
On prétend ainsi accomplir un acte sublime, héroïque, pour échapper à la réalité d'une prostitution morale égocentrique : dire « je ».
On n'a jamais rien eu à dire, mais on écrit.
On prétend sublimer la forme.
On se complait.
On feint d'ignorer nos crimes d'abandon.
On refuse l'idée de la mort en réfutant la possibilité de vivre (debout).
On regarde ses pieds quand l'amour est en face.
On a l'envie de vomir, mais on attend.
On attend.
On provoque soi-même sa perte, par l'exaspération de la crainte.
On chasse le bonheur hors de nos lieux communs.
On refuse de voir sa chance
Et on pleure.
On se plaint.
On prouve son néant.
On dort.
« Je ne veux plus écrire » :
Tiens, encore, on se ment !

Je ne peux plus écrire.
Je pleure ... pour soulager mon coeur...


Delírio

Mais uma "velhinha" que é puro delírio ...



Nua, mas para o amor
não cabe o pejo
Na minha a sua boca
eu comprimia.
E, em frêmitos
carnais, ela dizia
- Mais abaixo, meu
bem, quero o teu beijo!
Na inconsciência
bruta do meu desejo
Fremente, a minha
boca obedecia,
E os seus seios,
tão rígidos mordia
Fazendo-a arrepiar
em doce arpejo.

Em suspiros de
gozos infinitos
Disse-me ela, ainda
quase em grito:
- Mais abaixo meu
bem! - num frenesi

No seu ventre
pousei a minha boca,
Mais abaixo meu
bem! - disse ela louca,
Moralistas,
perdoai! Obedeci ...

Olavo Bilac