quarta-feira, maio 09, 2007

HAPPY BIRTHDAY BABE



Nada acontece nesta vida por acaso. Ninguém chega até nós por um simples acaso.
Existe um ditado popular que diz: " As pessoas não se encontram por mero acaso nem permanecem na nossa vida por causa desse simples acaso "

Obrigado P..... por fazeres parte da minha vida. PARABÉNS e que tenhas um dia muitooooo feliz :) MIL BEIJOS


P.S. E esta hein? Confessa que não estavas à espera de tanto "protagonismo" lol (e guarda lá uma fatia de bolo, ou duasssssss ... os beijos dou-os ao vivo e a cores ;) ATÉ JÁ!)



KENNY LATTIMORE lyrics

MADDIE IS MISSING





Maddie McCann’s

Desapareceu a MADDIE.Com apenas 3 anos de idade, desapareceu do seu quarto no dia 3 de Maio de 2007 (na Praia da Luz - Algarve) a pequena MADDIE.Por favor, ajudem a distribuir as fotos da pequena Maddie.. para ajudarem a encontra-la . .. passem ao maior numero de pessoas possível.. para que todos os portugueses decorem a cara da menina.. se possível para outros países da Europa.. para que com sorte alguém consiga reconhecer esta linda menina.. e leva-la para onde ela deve estar.. junto dos seus pais.. POR FAVOR AJUDEM.. Façam como se fosse vossa irmã.. vossa filha.. POR FAVOR
Quem tiver algum sinal desta menina, ligue para um destes números de
telefone: 00351 289 884 500 , 00351 282 405 400 , 00351 218 641 000 , 112
MADDIE IS MISSING
With 3 years old, she disappeared from her bedroom (in Praia da Luz - Algarve - Portugal) Please, distribute this fotos to help find her.
If you have any news, please call: 00351 289 884 500 , 00351 282 405 400 , 00351 218 641 000 , 112
Tiene 3 años y disapareció de su habitación (en Praia da Luz - Algarve - Portugal). Por favor, distribui estas fotos para ayudar a encontrarla.
Si tienes alguna información, llama: 00351 289 884 500 , 00351 282 405 400 , 00351 218 641 000 , 112

Quem tiver algum sinal desta menina (que vai aparecer certamente) ligue para um destes números de telefone: 289 884 500 , 282 405 400 , 218 641 000 , 112

Com certeza a MADDIE vai aparecer.. se todos nós nos juntarmos na sua procura.. e no conhecimento ao povo da sua linda carinha.. AJUDEM POR FAVOR.. Não fiquem indiferentes.

IF YOU HAVE ANY SIGN OF THIS LITTLE GIRL, PLEASE CALL (+351 289 884 500 / +351 282 405 400 / +218 641 000)

PLEASE HELP

terça-feira, maio 08, 2007

What Do Guys Like About You?

Guys Like That You're Sensitive

And not in that "cry at a drop of a hat" sort of way
You just get most guys - even if you're not trying to
Guys find it is easy to confide in you and tell you their secrets
No wonder you tend to get close quickly in relationships!



Pois ... Elementar meu Caro Watson

segunda-feira, maio 07, 2007

Meu mundo


As coisas são como são,
Dizem.
Nada é como parece,
Penso.
Deixa-te dessas coisas,
Repito.
Sonho, com a razão.
Insisto.
Esquece
Reza uma prece,
Dizem.
Qual, o ser das coisas,
Duvido.
Estou forte,
Mas sinto-me fraca
Sonho com a realidade,
Ou com o que ela se parece
Será que é?
Quero outro mundo.
Outra Lua.
Outro sol.
Mundo sem fel
Mundo de mel.
Longa vai a prece.
Longe e nada acontece
O mundo que parece não é.
Mas, infelizmente é ...
Dos canalhas.
E tu porque falhas?
Sonho com a razão,
Insisto
Duvido.
Se calhar não é.
Se quiseres não é.
Se quisermos não é.
Procura a tua lua
Encontra o teu sol
Escolhe o teu mundo.
O teu mundo é só teu
... E meu

CONSTATAÇÃO II


Para se ser feliz nada melhor em que pensar em sê-lo.

domingo, maio 06, 2007

MÃE



Meu
Amor
Eterno

My
O
nly
Tresor
Heaven
Even
Rainbow

sexta-feira, maio 04, 2007

CONSTATAÇÃO


Quanto mais depressa caminhava, mais depressa tropeçava nas pedras da calçada!

quarta-feira, maio 02, 2007

Anarquista





Que personagem do Seinfeld é você?
Trazido a você por Soul Fire




Sempre soube que havia em mim uma anarquista camuflada. :)

terça-feira, maio 01, 2007

EU SEI MAS NÃO DEVIA


E porque hoje é o Dia do Trabalhador - Um direito universal que custou tanto a ser conseguido e que actualmente perdeu o verdadeiro significado!.
Direito "universal" apenas de alguns, os mais privilegiados, os restantes continuam a labutar nas grandes catedrais do consumo, outros nos serviços indispensáveis (porque há trabalhos que não podem mesmo parar).
O ser humano acostuma-se a tudo, não deveria, mas acostuma-se como retrata (e muito bem) Marina Colasanti:


Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos
e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor.

E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado.
A ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá pra almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.
E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja número para os mortos.
E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz,
aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.

E a ganhar menos do que precisa.
E a fazer filas para pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e a ver cartazes.
A abrir as revistas e a ver anúncios.
A ligar a televisão e a ver comerciais.
A ir ao cinema e engolir publicidade.
A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição.

As salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
A luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias da água potável.
A contaminação da água do mar.
A lenta morte dos rios.

Se acostuma a não ouvir o passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães,
a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer.

Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor aqui,
um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se a praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do corpo.

Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo
e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se
da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta,
de tanto acostumar, se perde de si mesma.

segunda-feira, abril 30, 2007

(IM)POSSIBILIDADES


Vagueava pela rua, os passos solitários iluminados apenas pela luz da lua, quando a viu ... ao longe, debruçaçada, recortada por entre o luar. Aproximou-se.
- Menina que és tão bela, atira-me as tuas tranças, quero subir até à tua janela!
A menina baixou os olhos, corou e sorriu. Feliz preparava-se para atirar as suas belas tranças, quando se lembrou que ... não tinha tranças há muitos e muitos anos, nem sequer cabelos compridos, pois tinha-os cortado há uma semana atrás!
Triste, retorquiu:
- Não posso... não possuo tranças, não terás (por acaso) tu nenhuma escada ou uma corda?
...(silêncio)
- Não, respondeu desconsolado o rapaz.
- Se ao menos tivesses uma escada, ou uma corda, poderias subir...
- Se tivesses tranças não seria preciso! Ou se não morasses num sítio tão alto ...
Desolados tomaram consciência que se deparavam com um amor impossível...
Ele afastou-se com o coração em pedaços, depois de a vislumbrar por uma derradeira e última vez. Era linda, bela, doce, suave, entrecortada pela luz da lua...
A menina ouvia os passos dele cada vez mais longe e a sombra que se tornava cada vez mais ténue no horizonte.
- Se ao menos não tivesse cortado os meus longos cabelos... se ao menos ele tivesse uma escada... ou uma corda ...se ao menos eu morasse no r/ chão... se ao menos ... se ao menos ... (repetia melancólica, tristonha e inconformada).

domingo, abril 29, 2007

sábado, abril 28, 2007

SONRISO




Pinto-te num sorriso
Desenho, no ar, um abraço
É tudo o que eu preciso
Para afastar este cansaço

quinta-feira, abril 26, 2007

SOMEWHERE OVER THE RAINBOW


Hoje ... Sinto-me um arco-íris ...
Trajada de sete cores
Um brilho colorido na íris
Buscando o Vale dos Amores ...
Feita pequena Dorothy, que o tornado
Me leve para um mundo mágico e encantado
Pleno de luz, sons e colibrís
Onde possa achar finalmente meu pote de ouro


Somewhere, over the rainbow, way up high.
There's a land that I heard of Once in a lullaby.
Somewhere, over the rainbow,
skies are blue.
And the dreams that you dare to dream
Really do come true.
Someday I'll wish upon a star and wake up where the clouds are far Behind me.
Where troubles melt like lemon drops,
Away above the chimney tops.
That's where you'll find me.
Somewhere, over the rainbow, bluebirds fly.
Birds fly over the rainbow,
Why then - oh, why can't I?
If happy little bluebirds fly beyond the rainbow,
Why, oh, why can't I?

(Arlen-Harburg)

MORE THAN A MEMORY



(E porque há músicas/ letras "simplesmente" tão fantásticas com que nos identificamos...)

I’ve become tired of wasting my time,
thinking about choises that I’ve made.
Because I can’t move forward while looking behind,
The only thing I can do now is change yhe way I used to be.
Because now it seems crystal clear to me ...
That you’re so much more than a memory.
You’re so much more than a memory ...
It wasn’t fair for me just to go and act like I know what you’ve been throught,
Because I wasn’t there and I’ll never know.
I couldn’t see from your point of view,
But I’m doing all I can for you to see that I understand…
That you’re so much more than a memory,
yeah you’re so much more than a memory.
So don’t close the door on what still can be on you and me,
Cause you’re so much more than a memory…
Please don’t go,
Because I finally know that the past is gone and I know that I was wrong,
Please don’t go,
Because I finally know that the past is gone and I know that I was wrong,
I was wrong ...

By Hoobastank

terça-feira, abril 24, 2007

AS PORTAS QUE ABRIL ABRIU


(Foto de Victor Valente)


O 25 de Abril trouxe a LIBERDADE, mas às mulheres trouxe algo mais: trouxe os DIREITOS que antes nos eram vedados, serem finalmente reconhecidos - a IGUALDADE de direitos entre homens e mulheres foi finalmente consagrada na Constituição, que entraria em vigor no dia 2 de Abril de 1976, e que consagrou, no artigo 13º, o princípio da IGUALDADE: “Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a Lei” e “ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica ou condição social”. Penso que esta foi a PEDRA FILOSOFAL e o legado que os nossos pais nos deixaram, apesar de passados 33 anos persistirem ainda tantas desigualdades politico-economico-sociais!.
Pasmem-se aqueles que tiveram o privilégio de nascer no pós 25 de Abril, e que acham que estes acontecimentos são do século passado, mas havia: muitos livros, filmes e canções proibidos, a comunicação social era reprimida pela censura, o divórcio não era permitido, não havia direito de manifestação ou greve, a maior parte da população não dispunha de frigorífico, telefone, televisor ou casa de banho (bens de 1.ª necessidade hoje em dia), não se podia criticar o poder, era preciso licença para ter isqueiro ou rádio a pilhas, a Coca-Cola era de contrabando, a taxa de mortalidade infantil era de 37,9%, 36,2 % das casas não tinha electricidade, 52,6% não tinha água canalizada, a taxa de analfabetismo era de 33,7%, a P.I.D.E. encarregava-se de manter o país bem vigiado, eram proibidas as manisfestações de carinho e beijar em público (punido até com multa, dá para acreditar??!!!), porque era uma ofensa grave aos bons usos e costumes), outra coisa que se vivia no dia a dia nas escolas era a proibição de as mulheres usarem calças e a imposição de usar sempre soquete (mesmo nos meses de mais calor), as mulheres necessitavam de ter uma autorização por escrito do marido, para poderem trabalhar, não podiam fumar em público nem ir ao café, a não ser que fossem acompanhadas pelo marido, a emigração em massa (mais de um milhão de portugueses que sairam de Portugal em busca do El Dorado ou para fugir à guerra do Ultramar, ou ao regime) e tantas coisas mais, que actualmente nos parecem tão absurdas e obsoletas!!!.
Não esquecendo a GUERRA DO ULTRAMAR, em que chegaram a estar mobilizados para o combate (do lado português) cerca de 150 mil homens. Na Guiné (1963/1974), em Angola (1961/1974) e Moçambique (1964/1974), a Guerra Colonial fez cerca de 8.800 mortos e deixou com deficiência permanente cerca de 15.500 portugueses. Muitos homens que foram mobilizados para a Guerra: ali combateram, sofreram, sonharam com o regresso, fizeram amizades que o tempo não apagou, muitos morreram e nunca mais regressaram, alguns nem sequer chegaram a conhecer/ ver os filhos que entretanto nasceram, tantos orfãos, famílias desmembradas e enlutadas, os que tiveram a sorte de regressar vieram com presentes envenenados de tantos traumas de guerra, alguns não se adaptaram à nova realidade, foram esquecidos porque era TABU falar do passado esquecido e ostracizado. Não esquecendo os milhares de "RETORNADOS" que viram as suas vidas desfeitas, terem de recomeçar do zero num país "estranho e mais atrasado", com uma cultura que já nada lhes dizia e um povo "diferente" que os olhava com "maus olhos", porque vinham na certa "roubar-lhes" a terra, o pão, o trabalho, as casas e traziam costumes estranhos, gentes de "cor diferente", que os miravam com desconfiança e sempre de pé atrás.
Ainda bem que tudo isto e muito mais mudou, mesmo se este cantinho à beira-mar plantado não é o País das maravilhas.
A revolução dos Cravos faz-me sempre meditar sobre estas PEQUENAS GRANDES coisas, porque para mim foi o SOPRO DOS VENTOS DA MUDANÇA. Ainda bem que pude crescer num país LIVRE e que o espírito da REVOLUÇÃO se mantenha!.

Deixo aqui um excerto (o original é muito longo) de um poema de José Carlos Ary dos Santos - Lisboa, Julho-Agosto de 1975.

http://www.pcp.pt/actpol/temas/25abril/30anos/portas-abril-abriu.htm

«...
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
um menino que sorriu
uma porta que se abrisse
um fruto que se expandiu
um pão que se repartisse
um capitão que seguiu
o que a história lhe predisse
e entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo que levantava
sobre um rio de pobreza
a bandeira em que ondulava
a sua própria grandeza!
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
e só nos faltava agora
que este Abril não se cumprisse.
Só nos faltava que os cães
viessem ferrar o dente
na carne dos capitães
que se arriscaram na frente
... »

AO LONGE


« Sei de um olhar sorrateiro que se esconde atrás do sol, fingindo vergonha quando sorri, felina, a criatura deambuleia entre as ondas do mar, vê-se que gosta dos salpicos da água no paredão, que sustenta seu corpo dourado pelos raios de luz.
Só a consigo ver de longe, se me aproximo desaparece; não pode ser, vejo-a de braços abertos abraçando o mar, falar às ondas, trautear canções de embalar...
- Quem sois menina?
- Sou riso!... Sou sombra do teu olhar!
Sempre que me queiras ver, olha o sol,lá estarei para te sorrir e acenar!»

(Carlos Reis)

segunda-feira, abril 23, 2007

OPIADA


Opiada de ti
Percorres-me os nervos todos
Inundas-me as veias todas
Como papoilas vermelhas
Meu corpo entrança-te em sonhos
Sinto-te a caminhar adentro
Aspiro-te
Como se me faltasse o ar
E os perfumes ganzam-me
Os teus batimentos atordoam-me
Como qualquer droga bem forte
Sinto-te
Olhos pedrados nas órbitas dos teus
Púpilas dilatadas no encanto dos teus
Revisto-me deles todos os dias
Revejo-me neles até nas noites mais frias
Vestida de papoilas
Com muito sol com luas por dentro
Com muitas luas trepassadas por muitos sóis
A mastigar estes sonhos
Reais como mandrágoras
Sou papoila em sangue esvoaçante
Inebriada por memórias do teu fragmento
Embalada pelas lembranças do vento
Opiada por ti
Sempre, para sempre ...
("Lost in your eyes" como diz a nossa canção)

sexta-feira, abril 20, 2007

(Lost and) DELIRIUS

Hoje (particularmente) apetece-me afogar-me ... na chuva ...




Constato dia após dia o quanto me desconheço, fruto de muitas e inúmeras personalidades que guardo em mim como se de um tesouro se tratasse e que nunca poderá/ será descoberto. Não as deixo emergir, mato-as logo à nascença... Tudo isso, é para deitar no lixo.



Sinto-me como se fosse uma doçaria conventual! Poderia ser uma mistura de "papos- de-anjo, manjar dos deuses, toucinho do ceú, barriga de freira, suspiros, baba de camelo, um simples arroz doce, pão-de-ló ou até um pastel de NATA" (tenho muito em comum com este).... O único problema é que sou uma mera salada de frutas!

quinta-feira, abril 19, 2007

PLANO


" Trabalho o poema sobre uma hipótese: o amor que se despeja no copo da vida, até meio, como se o pudéssemos beber de um trago. No fundo, como o vinho turvo, deixa um gosto amargo na boca. Pergunto onde está a transparência do vidro, a pureza do líquido inicial, a energia de quem procura esvaziar a garrafa; e a resposta são estes cacos que nos cortam as mãos, a mesa da alma suja de restos, palavras espalhadas num cansaço de sentidos. Volto, então, à primeira hipótese. O amor. Mas sem o gastar de uma vez, esperando que o tempo encha o copo até cima, para que o possa erguer à luz do teu corpo e veja, através dele, o teu rosto inteiro."

Nuno Júdice

(Palavras para quê?! Belíssimo)

Tuti quanti

Mais que a dor que magoa
Mais que o espanto ou tristeza
É ter a mente à toa
De tamanha desilusão
Por constatar quanta frieza
Se esconde num coração
Disfarçada de gentileza
À tona ... o visível
Farrapos de desilusão previsível


"Recoloca no contador um desejo: abre-o, em seu lugar, encontrarás uma desilusão"
Luigi Pirandello

quarta-feira, abril 18, 2007

NO, THANKS


I do NOT want do dance
Your strange beat
Because you do NOT NO
How beat my heart.

You do NOT NO nothing
About me
You just fear what i do
And can NOT trust my heart.

So, bye bye
Good sky
I do NOT want to show
I just want to now.

To now the true
Can you do?
NO........., that´s what i think
So......................., alone can DO.

Appear or desapear
The ball is yours
Pass carefully
To make shoot successfully.

By Ricardo (Apaixonado)

terça-feira, abril 17, 2007

PASSOS ERRANTES


Sempre caminhei sozinha
Passos errantes ao sabor do vento
Nas vielas frias e confusas
Nas ruas estreitas e escuras
Independente face ao tempo
Destaco-me, nas sombras, solitária
Em horas mortas (sem ser tua)
Caminho sem passos medidos
Traço o caminho da lua
As sombras é que me guiam
As estrelas me alumiam
só os lobos me acompanham
Aguardando uma fraqueza final
Fraqueja a vontade, mas não o passo
Solitária sigo o meu caminho
Nas sombras vestígios da tua figura
No meu olhar triste a desventura
Sorriso irónico ao canto da boca
Nunca tive ninguém que me guiasse
Só, continuarei... em desgaste
A levar os meus passos e a roupa
A calar a minha voz, mouca
Apenas eu... coisa pouca
Passos rasgados e perdidos
Pisando a minha sombra, já morta

CANÇÃO DA MENTIRA


Foi numa serra nevada
em Vila Franca de Xira
que um lagarto me ensinou
esta canção da mentira.

Ia um rei a cavalgar
na sua pulga preferida,
em cada salto saltava
uma légua bem medida.

Encontrou uma princesa
que chiava de aflição
ao ver um gato com garfo
e faca a comer um cão.

Como era um rei corajoso
puxou da espada de pau
para fugir a sete pés
mas tropeçou num lacrau.

Passou por baixo da ponte
quando chegou junto ao rio.
Tanto apertava o calor
que ele tremia de frio.

Visitou uma cidade
que andava a fazer o pino,
onde as igrejas dançavam
equilibradas no sino.

Quando voltou ao castelo
no meio do olival
viu carapaus a voarem
e nuvens a chover sal.

Veio o pai abrir-lhe a porta
quando ele bateu - truz, truz.
Estava a mãe a nascer
do ovo duma avestruz.

Como um disco voador
colhia flores no jardim,
embarcaram todos três
e a história chegou ao fim.

"Luisa Ducla Soares"

segunda-feira, abril 16, 2007

Tudo ou nada



Viver nos extremos é cansativo! Ora estamos muito bem, super felizes e motivados, achando que estamos no topo de mundo, ora batemos no fundo, achando que tudo corre mal, que não há salvação possível e que não há luz ao fundo do túnel!

sexta-feira, abril 13, 2007

TO BE OR NOT TO BE


Foto de Kelvin Wilson - AHORA LHO ENTIENDO (2002)/ INSOMNIUM - SUENOS E PARANOIA


Nem tudo o que parece é! (Sonhos, sugestões, insónias ou paranóias?!!
Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência... Pois é...

quinta-feira, abril 12, 2007

CATEDRAL




Passeio pelo labirinto do teu corpo.
Desço escadas suaves, feitas de pregas de pele
E procuro o centro do teu prazer.
Faço do teu corpo uma catedral imponente!
Faço do meu corpo uma arquitectura impossível!
Pernas - colunas de alabastro, espelhos do teu olhar
Coxas - que te acolhem em arcos coloridos
A minha face em claraboia
Minha boca abre-se em vitrais cristalinos
Meus olhos candelabros de luzes brancas
Que iluminam nossos corpos em formas labirínticas.
Encontro-te ao fim das escadas impossíveis.
Subo e desço e chego por fim ao teu êxtase total.

- Sabes que te amo?
- Sei. Mas agora dorme... Sonha com os anjos.

quarta-feira, abril 11, 2007

COMO DESTRUIR UM ROMANCE!




Pois é, dizem que "o ciúme é o tempero da relação" e que "as brigas ajudam a aproximar o casal". Se acredita nestas parvoices e acha que felicidade a mais é um tédio, não se preocupe! Saiba como destruir uma relação em três tempos...Lol. Receita infalível segundo os especialistas! Ah, pois é, parece que as características negativas do nosso signo podem-nos ajudar na emocionante missão de detonar qualquer relação amorosa (Rs Rs). É só deixar que os nossos defeitos aflorem com força total... e aí está... não vai haver coração apaixonado que resista...

Se for CARNEIRO, comece a fazer o género ariano (a) autoritário(a). Que tal obrigar (a) parceiro(a) a se vestir de Pokémon para ir a uma festa de fantasia? Apelar para a brutalidade também funciona. Dê umas palmadinhas bem fortes nas costas dele(a) e despeje todo o seu arsenal de palavrões todas as vezes que se encontrarem. E, ao vê-lo(a) estrear um modelito novo, trate logo de lhe apontar o dedo e cair na gargalhada!

Se for TOURO, mostre logo que é um(a) guloso(a) da carteirinha. Devore pratos e pratos de comida e, no final da refeição, abra o botão superior das calças. Ele(a) vai achar esse gesto de uma elegância ímpar! Além disso, use e abuse da famosa preguiça taurina: peça-lhe para ir ao banco, à farmácia, ao supermercado... enquanto você fica esticadinho (a) no sofá e de olhos vidrados na TV!

Se for GÊMEOS, pode fazer o género super ocupado(a) - e mostrar para o(a) amado(a) que não tem tempo a "perder" com ele(a)! Experimente olhar para o relógio a toda a hora, sempre que estiverem a conversar. Ligar a TV quando ele(a) estiver a falar consigo sobre algo importante ou interrompê-lo(a) para ir telefonar a um amigo também são tácticas infalíveis!

Se for CARANGUEJO, deixe o seu lado protector aflorar - da pior maneira possível. O primeiro passo é tratar o(a) amado(a) como se ele(a) fosse uma criancinha imberbe - ou um(a) atrasado(a) (mental). Corrija-o(a) sempre e não se esqueça de dizer que SÓ VOCÊ sabe o que é melhor para ele(a). Mas nada é mais eficiente do que o "grude total": cole no pé dele(a) dia e noite, não tome nenhuma decisão sem o consultar primeiro e "discuta a vossa relação" pelo menos umas duas vezes por semana.

Se for LEÃO, mostre para o(a) amado(a) que é você quem "manda". Isso significa, dar-lhe ordens na frente dos amigos e parentes e não deixá-lo(a) fazer nada do que ele(a) quiser. Use e abuse do snobismo, dizendo a todo o momento que os seus antepassados eram de sangue azul, que você só usa roupas de marca e não entra numa tasca nem morto(a)!

Se for VIRGEM, deixe vir ao de cima o seu lado hipocondríaco. Não perca uma única oportunidade de se queixar de dores imaginárias e doenças inexistentes. Além disso, obrigue-o(a) a participar das suas dietas e dos seus programas de exercícios diários, além de proibi-lo(a) terminantemente de comer guloseimas. E, como você é super crítico(a, analítico, exigente e perfeito, esteja o tempo todo a apontar-lhe os erros.

Para os BALANÇA, deixe a pessoa amada perceber que a solidão é aquilo que você mais teme na vida. Pendure-se nele(a)a todas as horas, telefone pelo menos dez vezes ao dia e questione-o(a)de duas em duas horas se ele(a) realmente o(a) ama. Também vale a pena deixar que ele(a) perceba que você não é nada do tipo fiel: quando saírem juntos, vá espionando à sua volta e dê vários sorrisinhos para este ou aquele(a) gato(a) da mesa ao lado.

Se for ESCORPIÃO, revele os seus ciúmes e possessividade em enchentes e torrrentes de cobranças: vigie cada passo do(a) amado(a), exija que ele(a) dê satisfação de tudo e mais alguma coisa, abra a correspondência dele(a)... e, se tiver oportunidade, siga-o(a) de carro pelo menos três vezes por semana. Fazer cara feia e tentar afastá-lo(a) dos amigos dele(a) também é uma táctica eficientíssima!

Se for SAGITÁRIO, insista na ideia de que ele(a) precisa aceitar-lo(a) da forma que você é - comece a vestir-se com desleixo quando forem se encontrar e a fale tudo (mas tudo mesmo!) o que lhe vier à cabeça. Critique a família dele(a), os amigos, as roupas que ele(a) usa... E, como você adora ser livre e independente, desmarque os compromissos à última da hora, sempre que marcarem algo importante.

Se é CAPRICÓRNIO, teime e teime sempre! Jamais ceda no que quer que seja, nunca lhe dê razão, mesmo se souber que você está errado(a) - e faça-o(a) obedecer a todos os seus caprichos. Tratá-lo(a) com frieza e esquecer-se das datas importantes também são boas tácticas para causar mágoas, principalmente se também soltar a clássica frase: "Estas coisas são uma autêntica parvoíce!".

Se for AQUÁRIO, experimente fazer o género "folgado(a) e espaçoso(a)" - abusado. Coma em casa dele(a) e deixe tudo no maior caos total, o jornal que acabou de ler epalhado pela sala e pendure-se no telefone dele(a) e fale com os seus amigos, de preferência em chamadas internacionais. Se ele(a) entretanto reclamar de alguma coisa, faça um discurso "construtivo(a)", acusando-o(a) de não estar espiritualmente preparado(a) para a Era de Aquário.

Se finalmente for PEIXES, permita que o seu lado melancólico se manifeste na sua força total. Diga sempre que as coisas vão dar mal e, por isso mesmo, nem vale a pena tentar. Tenha também bastante autopiedade, pois não há homem ou mulher nesse planeta que tolere o(a) eterno(a) "coitadinho(a)". E, sempre que ele estiver num mau dia, comece a analisá-lo(a) e a apontar as fraquezas dele(a). Garantido que o seu romance não vai nem resistir uma única semana!

Viu? Afinal acabar com a felicidade é fácil, fácil e tão facil. Agora, claro que se quiser ficar com o seu amor numa boa, faça exactamente o contrário de todas essas dicas - e aproveite! Boa sorte! Lol

terça-feira, abril 10, 2007

The Heart Asks Pleasure First

Um dos meus filmes preferidos e a música de Michael Nyman - The Heart Asks Pleasure First: The Promise/ The Sacrifice - para quem não sabe, inspirada no belíssimo poema de Emily Dickinson. (Será que "Pleasure", "promise" and "sacrifice" andam de mãos dadas?...)

The heart asks pleasure first,
And then, excuse from pain;
And then, those little anodynes
That deaden suffering;

And then, to go to sleep;
And then, if it should be
The will of its Inquisitor,
The liberty to die.


segunda-feira, abril 09, 2007

Máscara



- O que me mostras quando te escondes?

- Talvez amanhã tire a máscara, para te ver pela primeira vez...

- E tu? O que me escondes quando te mostras?

- ...

"OSO(A)"


Descobri as palavras que mais adoro.
De as ouvir, soam a melodias encantadas, a canções de embalar,...
De as pronunciar, a forma como a língua se enrola, os lábios se colocam em forma de "beicinho" e a boca em forma de "O" ou simplesmente de as escrever, uma sensação de bem-estar, palavras doces, ternurentas, gulosas e tão cheias de optimismo...
É por isso que gosto de palavras acabadas em "OSO(A)"! É um sufixo que indica a ideia de posse plena, de abundância, de existência em grande quantidade. Saboroso, delicioso, apetitoso, gostoso, guloso, maravilhoso, fabuloso, espantoso, grandioso, frutuoso, miraculoso, glorioso, vitorioso, estrondoso, precioso, airoso, amoroso, carinhoso, amistoso, caridoso, fantasioso, engenhoso, misterioso,etc... e até pecaminoso! Com excepção de horroroso, pavoroso, belicoso e piroso, etc. Mas não há bela sem senão...
Adoro palavras, mesmo quando elas não são suficientes, mesmo que a vida nem sempre seja "OSA", mas apenas ... pesarosa (e até merdos@).

Tal como a canção "Olhar 43", de Paulo Ricardo, que não deixa dúvidas:

... é perigoso o seu sorriso
é um sorriso assim, jocoso
impreciso, diria misterioso
indecifrável riso de mulher...

Ou a canção "Vitoriosa", de Ivan Lins (letra de Vítor Martins):

... quero sua risada mais gostosa
esse seu jeito de achar
que a vida pode ser maravilhosa.
Quero sua alegria escandalosa
vitoriosa por não ter vergonha
de aprender como se goza.

domingo, abril 08, 2007

Se eu soubesse ...


Se eu soubesse
Fazia-te um poema de amor
Que nem Neruda ou Florbela
E levaria embora a dor
Se eu soubesse
Desenharia numa tela
Duas belas borboletas
Pousadas numa dourada flor
Rendidas ao mistério que é amar
Se eu soubesse
Contaria a história de um reino de encantar
Onde um príncipe e uma princesa
Se amariam até não mais acabar
Sem terem medo da incerteza
Se eu soubesse
Publicaria uma crónica de viagens
Qual viajante exausto e contente
Que parte para novas aventuras
Com a mochila, todo sorridente
Se eu soubesse
Podia escrever-te uma canção
Palavras aprisionadas numa bela melodia
Que te tocasse e envolvesse o coração
E levar-te para outras paragens
Se eu soubesse
Descreveria o nascer de um novo dia
Salpicado de azul, pintado de luz
Aromas fortes em tons quentes
Que tanto nos encantam
Se eu soubesse
Escrevia um poema de amor
Só para ti ...

quarta-feira, abril 04, 2007

SORRISO



Olhou-se ao espelho
Então sorriu. Só.
Sem lágrimas, porque a ausência lhe doía.
Sem medo, porque não estava onde estava.
Sem sobressaltos, porque sabia que havia chegado ao último ponto.
Então sorriu. Só.
Porque sabia que se tinha deixado cair.
Sem lágrimas.
Sem medo.
Sem sobressaltos.
Com o sorriso de quem sabe o que está a acontecer.
Com a coragem de quem tem medo (de qualquer coisa) todos os dias.
Com a certeza de quem não sabe bem o que quer.
Mas que sabe que tem muito a fazer e a dizer.
E irá falar...irá fazer.
Com um sorriso. Só.

terça-feira, abril 03, 2007

O ESSENCIAL É INVÍSIVEL AOS OLHOS




(...)

- Anda brincar comigo - pediu-lhe o principezinho. - Estou triste...
- Não posso ir brincar contigo - disse a raposa. - Não estou presa...
- AH! Então, desculpa! - disse o principezinho.
Mas pôs-se a pensar, a pensar, e acabou por perguntar:
- O que é que "estar preso" quer dizer?
- Vê-se logo que não és de cá - disse a raposa. - De que é que tu andas à procura?
- Ando à procura dos homens - disse o principezinho. - O que é que "estar preso" quer dizer?
- Os homens têm espingardas e passam o tempo a caçar - disse a raposa. - É uma grande maçada! E também fazem criação de galinhas! Aliás, na minha opinião, é a única coisa interessante que eles têm. Andas à procura de galinhas?
- Não - disse o principezinho. Ando à procura de amigos. O que é que "estar preso" quer dizer?
- É a única coisa que toda a gente se esqueceu - disse a raposa. - Quer dizer que se está ligado a alguém, que se criaram laços com alguém.
- Laços?
- Sim, laços - disse a raposa. - Ora vê: por enquanto, para mim, tu não és senão um rapazinho perfeitamente igual a outros cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto, para ti, eu não sou senão uma raposa igual a outras cem mil raposas. Mas, se tu me prenderes a ti, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E, para ti, eu também passo a ser única no mundo...
- Parece-me que estou a começar a perceber - disse o principezinho. - Sabes, há uma certa flor...tenho a impressão que estou presa a ela...
- É bem possivel - disse a raposa. - Vê-se cada coisa cá na Terra...
- OH! Mas não é da Terra! - disse o principezinho.
A raposa pareceu ficar muito intrigada.
- Então, é noutro planeta?
- É.
- E nesse tal planeta há caçadores?
- Não.
- Começo a achar-lhe alguma graça...E galinhas?
- Não.
- Não há bela sem senão...- disse a raposa.
Mas a raposa voltou a insistir na sua ideia:
- Tenho uma vida terrivelmente monótona. Eu, caço galinhas e os homens, caçam-me a mim. As galinhas são todas iguais umas às outras e os homens são todos iguais uns aos outros. Por isso, às vezes, aborreço-me um bocado. Mas, se tu me prenderes a ti, a minha vida fica cheia de sol. Fico a conhecer uns passos diferentes de todos os outros passos. Os outros passos fazem-me fugir para debaixo da terra. Os teus hão-de chamar-me para fora da toca, como uma música. E depois, olha! Estás a ver, ali adiante, aqueles campos de trigo? Eu não como pão e, por isso, o trigo não me serve de nada. Os campos de trigo não me fazem lembrar de nada. E é uma triste coisa! Mas os teus cabelos são da cor do ouro. Então, quando eu estiver presa a ti, vai ser maravilhoso! Como o trigo é dourado, há-de fazer-me lembrar de ti. E hei-de gostar do barulho do vento a bater no trigo...
A raposa calou-se e ficou a olhar durante muito tempo para o principezinho.
- Por favor...Prende-me a ti! - acabou finalmente por dizer.
- Eu bem gostava - respondeu o principezinho - mas não tenho muito tempo. Tenho amigos para descobrir e uma data de coisas para conhecer...
- Só conhecemos as coisas que prendemos a nós - disse a raposa. - Os homens, agora, já não têm tempo para conhecer nada. Compram as coisas já feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens já não têm amigos. Se queres um amigo, prende-me a ti!
- E o que é que é preciso fazer? - perguntou o principezinho.
- É preciso ter muita paciência. Primeiro, sentas-te um bocadinho afastado de mim, assim, em cima da relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não me dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal entendidos. Mas todos os dias te podes sentar um bocadinho mais perto...
O principezinho voltou no dia seguinte.
- Era melhor teres vindo à mesma hora - disse a raposa. Se vieres, por exemplo, às quatro horas, às três, já eu começo a ser feliz. E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sentirei. Às quatro em ponto já hei-de estar toda agitada e inquieta: é o preço da felicidade! Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca saberei a que horas é que hei-de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito...São precisos rituais.
- O que é um ritual? - perguntou o principezinho.
- Também é uma coisa de que toda a gente se esqueceu - respondeu a raposa. - É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias e uma hora, diferente das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, têm um ritual, à quinta-feira, vão ao baile com as raparigas da aldeia. Assim, a quinta-feira é um dia maravilhoso. Eu posso ir passear para as vinhas. Se os caçadores fossem ao baile num dia qualquer, os dias eram todos iguais uns aos outros e eu nunca tinha férias.
Foi assim que o principezinho prendeu a raposa. E quando chegou a hora da despedida:
- Ai! - exclamou a raposa - ai que me vou pôr a chorar...
- A culpa é tua - disse o principezinho.- Eu bem não queria que te acontecesse mal nenhum, mas tu quiseste que eu te prendesse a mim...
- Pois quis - disse a raposa.
- Mas agora vais-te pôr a chorar! - disse o principezinho.
- Pois vou - disse a raposa.
- Então não ganhaste nada com isso!
- Ai isso é que ganhei! - disse a raposa. - Por causa da cor do trigo...
Depois acrescentou:
- Anda, vai ver outra vez as rosas. Vais perceber que a tua é única no mundo. Quando vieres ter comigo, dou-te um presente de despedida: conto-te um segredo.
O principezinho lá foi ver as rosas outra vez.
- Vocês não são nada parecidas com a minha rosa! Vocês ainda não são nada - disse-lhes ele. - Não há ninguém preso a vocês e vocês não estão presas a ninguém. Vocês são como a minha raposa era. Era uma raposa perfeitamente igual a outras cem mil raposas. Mas eu tornei-a minha amiga e, agora, ela é única no mundo.
E as rosas ficaram bastante incomodadas.
- Vocês são bonitas, mas vazias - ainda lhes disse o principezinho. - Não se pode morrer por vocês. Claro que, para um transeunte qualquer, a minha rosa é perfeitamente igual a vocês. Mas, sózinha, vale mais do que vocês todas juntas, porque foi a que eu reguei. Porque foi a ela que eu pus debaixo de uma redoma. Porque foi ela que eu abriguei com o biombo.. Porque foi a ela que eu matei as lagartas (menos duas ou três, por causa das borboletas). Porque foi a ela que eu vi queixar-se, gabar-se e até, às vezes, calar-se. Porque ela é a minha rosa.
E então voltou para o pé da raposa e disse:
- Adeus...
- Adeus - disse a raposa. Vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos... - O essencial é invisível para os olhos - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante. - Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Os homens já se esqueceram desta verdade - disse a raposa. - Mas tu não te deves esquecer dela. Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que está preso a ti. Tu és responsável pela tua rosa... - Sou responsável pela minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.

(O Principezinho - Antoine de Saint-Exupéry) LINDOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

sábado, março 31, 2007

DEVANEAR


(Foto de Olga Gouveia)

Devanear...

(De de- + lat. vanus "vão" + suf. -ear)
Deixar-se levar pelo sonho, pela imaginação; pensar livre, difusamente. DIVAGAR, FANTASIAR, SONHAR.Dizer coisas sem nexo. DELIRAR, DESATINAR, DESVAIRAR.

Sente nos lábios rubros da manhã
Molhados de sal e orvalho
Um impulso metafísico
De mergulhar neles num afago
De posar neles como uma gaivota
E partir como eles clandestina
Até esse pôr do sol eterno!...

sexta-feira, março 30, 2007

CHUVA



Agarrada nas asas do vento
Pressenti a chegada da chuva
Só com o meu pensamento
Ela veio pé ante pé, calada e muda
Sem aviso escorreu-me um sorriso
Segredou-me num orvalho baixinho
Murmúrios em burburinho
" Vou banhar-te a alma
Lavar-te a dor dos desamores
e purificar e restituir-te a calma
por isso vou-te arrastar
para a Ilha dos Amores"
Fechei os olhos e deixei-me mergulhar
Nos mistérios insondáveis do mar

VENTO


O vento acariciou-me de mansinho
Enlaçou-me num rodopio
Levantou-me devagarinho
E sussurrou-me ao ouvido...
Tão baixinho que mal se percebia!
"Tu és mato por desbravar
Terra por explorar
Campo por lavrar e semear...
Por isso vou te levar "
Fechei os olhos e deixei-me voar
Para a terra da utopia

quarta-feira, março 28, 2007

My Japanese Name Is...

Your Japanese Name Is...

Rikako Rokujochigusa

DIÁLOGOS IMPREVISTOS


R. e N. encontraram-se por mero acaso. Há tanto tempo que não se falavam!. Que não sabiam um do outro. Os olhos (dos dois) brilharam ao lembrarem momentânea e espontâneamente milhares de "discussões" que em que tantas e tantas vezes se embrenharam. O diálogo foi fluindo naturalmente como se se tivessem visto ontem ou anteontem. Despotelou em mais uma "conversa filosófica" entre eles, como tanto gostavam (que saudades). Inevitável...

- Como vai a vida?
- Vai correndo ...
- Só correndo?!!
- Actualmente só correndo. Quem sabe do futuro.
- O futuro está nas nossas mãos
- Nem sempre ... nem sempre...
- Sempre. Sempre.
- Por vezes deixámo-lo escapar ... porque estamos cegos
- Por isso mesmo, está nas nossas mãos SEMPRE.
- Mas nem sempre ... Há coisas que não estão nas nossas mão, por exemplo as outras pessoas!
- Não querias mais nada ter o futuro dos outros nas tuas mãos. Isso não é o teu filha.
- Pois ... mas por vezes dava jeito ... (principalmente na "correspondência" amorosa
- Para quê?? Dasse nem pensar.
- ... Não estás a entender...
- Ou se está incondicionalmente ou mais vale não estar... vai por mim bébé.
- ...
- Quando digo nas minhas mãos é no sentido de saberes (teres a capacidade de) escolher a pessoa ... (certa)
... E nao se perder tempo com quem não merece a pena!
- Essa cena não pode ser procurada tem que acontecer... digo eu né.
- Pois não. Tens razão, mas dava jeito ter a SORTE de se encontrar. O pior de tudo é quando pensas que encontraste e ela escapa-se por entre os dedos feito areia fina do deserto, sem saberes muito bem nem como nem porquê.
- Pois aí é a providência, o livre arbitrio, a própria vida.. a forma como a encaras a tua personalidade.. tu, tu unicamente. Tu que tens que avaliar e acima de tudo o coração tem que pular... explodir... dizer à mente ((((( é isto tudo burro )))))
- Se não for é porque não era essa pessoa! Quando entenderes isso... vais ser uma pessoa muito melhor com a vida.
- Eu sei já compreendi isso há muito tempo. Culpa dos nossos pais e da sociedade, dessas palermices dos contos infantis com finais felizes que nos impingiram, que nos criaram muitas expectativas e nos fizeram ver um mundo irreal e cor de rosa. Quando (e se) tiver filhos acabaram-se os contos e nada de barbies e merd@s afins ou então nota de rodapé (em letras bem GRANDES)de que são meras ESTÓRIAS. Toda e qualquer semelhança com a realidade será pura e mera coincidência. Ah (suspiro) ... Essa pessoa pura e simplesmente não existe!.
- Ai, nao existe não... Enquanto pensares assim não existe não senhora... podes escrever....
- Somos nós que criamos as expectativas e não os outros (alguém me disse isso há algum tempo! Acho que foi uma espécie de aviso, que eu não soube ler (as entrelinhas) entretanto. Mas o recuo do tempo permite-nos ver e enxergar melhor as coisas.
- Ya mocinha...... um dia vais olhar para trás e vais ver que isso tudo fez o melhor dos sentidos.
- SIM. Vemos melhor... mas por outro lado vamos mudando para pior...
- NÃO. A ave da minerva levanta sempre ao entardecer..... mudamos sempre para melhor... Sempre.
- Em alguns aspectos. Porque noutros não! Por exemplo, hoje em dia estou mais "fria", mais descrédita nas pessoas.
- ...
- E principalmente ... no amor.
- Como queiras, desde que cresças e tentes sempre ser feliz e vertical contigo própria... acreditares ou não nas pessoas é e sempre será um problema teu... que tens que resolver.... porque amor tu não estás mais fria com os outros.
- Tu estás mais fria contigo mesma.
- :( concordo. (pelo menos não tento aproximar-me muito das pessoas, manter distâncias é o melhor.
- Hum .. quando mudares de opinião nao te esqueças, avisa-me ...
- ...
- Sê feliz mocinha..... nem que seja nessa conchita... mas pelo menos sê feliz..
- ...
- ... Estou a tentar...

Despediram-se, R. estava de partida para as Áfricas, outra vez! N. desejou-lhe uma boa viagem. Até uma próxima conversa ... SÊ MUITO FELIZ "mocinho".

segunda-feira, março 26, 2007

A MINHA VIDA


Quando eu era criança
A vida era pura esperança
Mas eu fui crescendo
E a esperança foi-se dissolvendo

Depois veio a adolescência,
Oh meu Deus! Quanta displicência.
Eu só queria liberdade
E nenhuma responsabilidade

Mais tarde eu era uma jovem fogosa
Toda airosa e amorosa
Mas veio a paixão
E arrasou meu coração

Hoje sou uma mulher adulta
Que não se impressiona por um belo vulto
Sou uma mulher madura
E não me preocupo com o futuro

Olhando para trás, de onde estou
Vejo o caminho que trilhei
O mais importante é o que EU SOU
E não a calçada que (para atrás) deixei

Não sinto falta do que não gostei
(Prefiro nem lembrar)
Mas saudades do que poderia e não aproveitei
(Desperdício a ... lamentar)

domingo, março 25, 2007

LEVO-TE


Ah como é bom amar e ser amado!
Sentir o cheiro, o toque
O silêncio que tudo diz
Sentir prazer no prazer do outro
Entregar-se sem barreiras
Nem pudores como se fosse a primeira e a última.
Fazer amor ao ritmo dos corações
Abraçar num abraço que faz esquecer que há um mundo lá fora
Quem me dera ser bandeira desfralda ao vento
E afagar o teu corpo como num lamento
Quero envolver a minha alma na tua
Sentir o teu sentimento
Espalhar as fantasias
Sorrir com este sorriso puro e tão aberto
Sentir nesse sorriso que o mundo
É o sonho que me atrevo a sonhar
Onde não são precisas palavras
Apenas SENTIR
Onde cada silêncio é coberto pelo bater do coração
Quero espalhar por montes
E por vales soprados pelo vento
Que canta uma canção só ouvida por quem ama
Que ultrapassa montanhas
E se deixa levar até onde nunca ninguém foi
Aquele lugar onde os amantes se encontram
E se amam esquecendo que há um mundo à sua volta
Aquele lugar onde o sol sempre brilha
Porque se reflecte nos olhos dos enamorados
Levo-te para o meu sonho
Onde tudo é possível
Onde o amor e a amizade são permitidos
Onde não há barreiras nem tabus
Onde as palavras têm as cores do arco-íris
E os olhares o brilho das estrelas
Levo-te para onde o mar se junta com o céu
E se transforma num azul
Somente visto por quem tem o coração puro
Levo-te para onde não existe som
Além dos sussurrados ao ouvido
Além dos gemidos provocados pela paixão
Pela entrega
Dedos entrelaçados
Corpos enleados numa união total
Beijos trocados
Corpos suados
Odores que penetram
Penetrações suaves, profundas, fortes
Cadenciadas, apressadas, lentas
Quase sem tocar
Vontade de devorar
De explorar
De gritar SOU TUA
De gemer de prazer
De te sentir a tremer
Entregar e "morrer" dentro de nós
Levo-te suavemente até ao mundo
Onde a realidade se confunde com o sonho
Cada instante vivido como se fosse o último

sexta-feira, março 23, 2007

Amor, paixão e sexo




“João amava Teresa
que amava Raimundo
que amava Maria
que amava Joaquim
que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos,
Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre,
Maria ficou pra tia,
Joaquim suicidou-se
e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.”

Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade

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O amor é na maior parte das vezes um jogo de encontros e desencontros, mas um puzzle essencial para a vida. Na verdade o amor move o mundo e o sexo move o amor. O amor faz maravilhas, o amor (não só a fé) move montanhas, etc. Poderia enumerar milhentas "frases feitas". E a paixão onde fica no meio disto tudo? E o sexo?
Como toda a gente anda a queixar-se de mal de "amores" (pelo menos as pessoas que conheço, incluindo eu!), tudo à beira de ataques de tristeza, nervos, ânsias e desespero à mistura, à espera que a "Primavera" chegue de vez!. E coincidência ou talvez não, hoje veio parar-me às mãos um artigo publicado na Máxima, em que especialistas na matéria respondiam a algumas questões que me derem (muito, mas muito, fiquei com os neurónios queimados) que pensar e chegar a estas "doutas" conclusões (para o que me haveria de dar hoje!):

1- A paixão deixa-nos num estado similar ao da adição, foi o que constatou o estudo publicado recentemente no Journal of Neurophysiology liderado pela antropóloga Helen Fisher, da Universidade Rutgers, de Nova Jersey, ou seja, A PAIXÃO É (COMO) UMA DROGA!

2- E há uma altura certa para que a paixão aconteça? , para o sexólogo Allen Gomes (autor do livro Paixão, Amor e Sexo- Publicações Dom Quixote), é possível identificar alguns estados psicológicos prévios que podem levar algumas atracções a transformarem-se em paixão. É o caso “dos estados de tédio, aborrecimento, falta de realização e falta de satisfação com o dia-a-dia, num terreno que depois proporciona o aparecimento de fantasias, da idealização de uma relação e da idealização de alguém”. O facto de a pessoa estar a viver o fim de uma relação, de ficar magoada, ferida e, ao mesmo tempo, haver um forte desejo de ter uma relação diferente é outra hipótese apontada pelo especialista como terreno propício ao aparecimento da paixão. Resumindo, a altura certa será é quando estamos (mesmo) na merd@?!
3-Transformar os amigos em paixões seria a situação ideal, diz Allen Gomes, pois era! Isso seria IDEAL, mas irreal, amigos amigos negócios à parte
4 - Mas o entusiasmo da paixão não dura muito. Nem pode durar. É extremamente desgastante e seria física e intelectualmente insustentável se se prolongasse indefinidamente. “A paixão dura, em média, de 6 meses a 2 anos, se for correspondida. E depois vira amor ou pesadelo. Porque, às vezes, o príncipe por quem nos apaixonámos vira sapo. E vice-versa. O que é preciso é saber fazer a conversão da paixão para o amor”, comenta Maria do Céu Santo, ginecologista, membro da Sociedade Portuguesa de Andrologia, isto é, rematando eu mudam-se os tempos mudam-se as vontades, não é a pessoa que temos na nossa frente que muda, nós é que mudamos a perspectiva de vermos as coisas e o outro e já não detém assim tantas qualidades, mas apenas vão sobressaindo os defeitos, à medida que a tempestade da paixão se vai aplacando.
5 - Uma das principais causas de divórcio é os casais deixarem de fazer amor, comenta Maria do Céu Santo. “A relação não é só a parte sexual. O objectivo não é ter relações sexuais, mas sim fazer amor. E muitas vezes o que as pessoas têm são relações sexuais.”
"Pobre sexo: ou não se faz e sofre-se ou faz-se e sofre-se mais ainda’”, comenta Allen Gomes. Acrescento eu, mais vale só que mal acompanhada, ou se faz como deve ser ou melhor estar quieta, depressa e bem nunca fez ninguém. Há que dar lugar à sedução, imaginação, criatividade e claro disponibilidade. Requer por isso mesmo empenho, engenho e trabalho lol
6 - O fantasma da normalidade não deve ser para aqui chamado. “A valorização da normalidade sexual deve muito às aspirações de conformidade social.Ou seja, a forma como as pessoas se sentem e vivem a sua sexualidade resulta muito daquilo que julgam encontrar nos outros, de mecanismos de comparação social. E também é "uma sexualidade olímpica”, sublinhou o psiquiatra Manuel João Quartilho (Cap. Sexualidade e Construcionismo Social do livro A Sexologia - Quarteto). A preocupação excessiva com a normalidade pode minar uma relação. Ela deve estar nos laços de amor e cumplicidade do casal, e não fora dele. Resumo meu: o que se faz em 4 paredes não diz respeito a ninguém ou entre "marido e mulher" não metas a colher, segredos de alcova movem moinhos, e em vez de pensarmos no que os (e como) outros fazem assim ou assado, a galinha da vizinha não é melhor que a minha. Cada pessoa é ÚNICA. NORMALIDADE será que existe?!!! Se existe então quero ser anormal
Lembrei-me desta famosa música de Rita Lee e Roberto Carvalho - AMOR É UM LIVRO

Amor é um livro
Sexo é esporte
Sexo é escolha
Amor é sorte

Amor é pensamento, teorema
Amor é novela
Sexo é cinema

Sexo é imaginação, fantasia
Amor é prosa
Sexo é poesia

O amor nos torna patéticos
Sexo é uma selva de epiléticos

Amor é cristão
Sexo é pagão
Amor é latifúndio
Sexo é invasão
Amor é divino
Sexo é animal
Amor é bossa nova
Sexo é carnaval

Amor é para sempre
Sexo também
Sexo é do bom...
Amor é do bem...

Amor sem sexo,
É amizade
Sexo sem amor,
É vontade

Amor é um
Sexo é dois
Sexo antes,
Amor depois

Sexo vem dos outros,
E vai embora
Amor vem de nós,
E demora

Amor é cristão
Sexo é pagão
Amor é latifúndio
Sexo é invasão
Amor é divino
Sexo é animal
Amor é bossa nova
Sexo é carnaval

Amor é isso,
Sexo é aquilo
E coisa e tal...

quarta-feira, março 21, 2007

METADE



"Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.

Que a música que eu ouço ao longe seja linda, ainda que tristeza.
Que a mulher que eu amo seja sempre amada, mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor.
Apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento.
Porque metade de mim é o que eu ouço, mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço.
Que essa tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto o doce sorriso que eu me lembro de ter dado na infância.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei...

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba.
E que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é a platéia e a outra metade, a canção.

E que minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor e a outra metade... também."


Oswaldo Montenegro

http://www.oswaldomontenegro.com.br

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Este poema fez-me pensar e divagar.
Metade duma laranja tem o mesmo sabor açucarado que a laranja inteira. Na maior parte do tempo não sabemos como saborear a vida aos bocadinhos, aproveitando todos os pequenos, bons e singulares momentos que ela nos oferece, porque pensamos que temos muito pouco e que não conseguimos alcançar tudo. É urgente aproveitar o dia, todos os sorrisos, todas as gargalhadas, todos os pequenos momentos amenos, "insignificantes" pequenas gotas no oceano, para construirmos peça a peça o grande puzzle da felicidade… E perante um copo com água pelo meio, aprender a vê-lo meio cheio e esquecer que está meio vazio. No fundo, às vezes, basta mudar a (nossa) perspectiva das coisas para sermos mais felizes…

«La moitié d'une orange goûte aussi sucrée qu'une orange entière» Johann Wolfgang von Goethe

segunda-feira, março 12, 2007

A MENINA DO MAR


"- Estou tão feliz, tão feliz, tão feliz!
Pensei que nunca mais te ia ver.
Sem ti o mar, apesar de todas as anémonas, parecia triste e vazio.
Até que um dia o Rei do Mar deu uma grande festa.
Convidou muitas baleias, muitos tubarões e muitos peixes importantes. E mandou-me ir ao palácio para eu dançar na festa.
No fim do banquete chegou a altura da minha dança e eu entrei na gruta onde o Rei do Mar estava com os seus convidados, sentado no seu trono de nácar, rodeado de cavalos-marinhos.
Então os búzios começaram a cantar uma cantiga antiquíssima que foi inventada no princípio do Mundo.
Mas eu estava muito triste e por isso dancei muito mal.
Porque é que estás a dançar tão mal? - Perguntou o rei do Mar.
- Porque estou cheia de saudades - respondi eu."


[In A menina do mar de Sophia M. Breyner]

P.s."porque estou cheia de saudades..."
Saudades da normalidade...
Saudades de ter rumo...
Saudades de sorrir
Saudades da liberdade
Saudades da simplicidade
Como se faz para voltar a trazer para dentro de nós, o que um dia já tivemos?...

Por isso despeço-me de todos solenemente
Um adágio, um adeus, um aceno
Todos os signos de um fim premeditado.
Não se pode mais sentir (e escrever) o sentido das coisas, pois as coisas perderam os seus sentidos e sentimentos no meio das cores...
Até sempre ...

sábado, março 10, 2007

QUERIA SER...


Queria ser ...
Música para encantar os teus ouvidos.
Soneto para te imortalizar.
Voz para te poder entoar.
Malmequer que bem te quer
Dia para te despertar
Noite para te embalar
Mar para te levar para a ilha dos sonhos.
Terra para semear no teu corpo a felicidade.
Céu para encher a tua vida de arco-íris.
Ar para sempre viver em ti.
Água para lavar as tuas mágoas.
Fogo para queimar a distância que nos separa.
Brisa para te revolver os cabelos.
Sol para aquecer o teu corpo.
Lua para entrar pela tua janela
Estrela para brilhar nos teus olhos.
Queria ser ...
...TUA!

sexta-feira, março 09, 2007

Question and answer


He sat naked and drunk in a room of summer
night, running the blade of the knife
under his fingernails, smiling, thinking
of all the letters he had received
telling him that
the way he lived and wrote about
that --
it had kept them going when
all seemed
truly
hopeless.

Putting the blade on the table,
he flicked it with a finger
and it whirled
in a flashing circle
under the light.

Who the hell is going to save
me?
he thought.

As the knife stopped spinning
the answer came:
you're going to have to
save yourself.

Still smiling,
a: he lit a cigarette
b: he poured another drink
c: gave the blade another spin.
------- from The Last Night of the Earth Poems by Charles Bukowski --------(1920-1994)

PASSOS PERDIDOS



(foto João Redondo)


Sabes porque eu fujo de ti?
...
Porque tenho medo de mim
Receio de, ao te encontrar,
Me perder no fim
E não mais me achar

terça-feira, março 06, 2007

Não me ler



Não escrevo para me ler.
Temo que as palavras me escapem por entre os dedos
Feito areia fina do deserto
Que fujam a sete pés ou afluam à superfície;
Que se esgueirem por entre as brechas da minha memória
E desatentas resolvam chamar-me à atenção
Me digam as verdades escondidas que quero calar
Me ralhem e me desnudem e possam dizer-me o que não quero escutar
Por isso, e nestas fases, tranco-as a sete chaves
E alimento-as a pão e água para que definhem nas minhas masmorras profundas e escuras.
Quero-as fracas, quebradiças e resignadas à sua sorte.
Encarceradas e prisioneiras
Condenadas à morte
Para que não se amotinem nos assaltos das minhas entranhas
Nem que desfaçam as minhas amarras que tanto trabalho me deram a compor
E onde me contenho a custo e esforço.
A ferro e fogo, a sangue e lágrimas
Não escrevo para me ler.
Calo-me às letras: evito as profundas frases
Nas quais tendo a estender-me e a perder-me
Contorno as palavras, escrevo, dito e faço tudo ao contrário
Do que habitualmente me revejo
E faço de conta que não estou em casa.
Enxoto adjectivos, sujeitos e complementos,
Como pedintes que espreitam à socapa pelo óculo da porta.
Desactivei-me temporariamente.
Deletei-me por fim
E fiz um restart
Receio que as palavras, matreiras, rafeiras
Me fintem, me levem ao engano, ao absurdo
Ou pior ainda, me encantem feito sereias,
Estendendo-me na mão conchas, flores e colares
Oferecendo-me a bandeira branca da paz
Ou que me deiem a sua outra face.
Não suportaria!
Não quero que se insinuem,
Nem que se dispam e rodopiem no varão da minha imaginação doente.
Feito stripers sensuais que seduzem, aquecem e depois desaparecem
Tenho medo do que possa encontrar de mim, nelas.
Tenho medo de te procurar em ti, nelas.
Tenho medo de me encontrar a mim, nelas
Não escrevo para me ler...
Escrevo para não me ler

sábado, março 03, 2007

A CAIXA DE PANDORA




Insisti
E... reabri
A caixa de Pandora
E agora?!...

quinta-feira, março 01, 2007

SABER (A) MAR


Sem leme, sem velas,
Sem remos, nem rumo
Navegando no mar das sensações
As ondas arrastam-me até ti.
Desembarco na enseada
Onde tu me esperas
Livre, solto,
Ávido de mim
Beijas os meus lábios de sal
Sentes o calor da minha pele
Presentes o meu torpor
Navegas nas ondas do meu corpo
Sem pressas, ao sabor da maré
Os teus olhos afogam-se nos meus
Teus cabelos ao vento
Valsam melodias no meu rosto
Teu cheiro sabe a maresia
Pecado meu, sem heresia
Teus gemidos são cabo de tormentos
São sussurros, são lamentos
Das horas perdidas e ausentes
Na praia mar
Mergulhamos no prazer dos sentidos
Que a brisa leve refresca
O ...teu ...meu... corpo que queima
Sossegas finalmente, e dizes:
"Encontrei o meu Norte!"
Sorrio levemente em transe
(coro)e choro
Os meus olhos reflectem
O brilho da lua que sorrie só para nós
Em múrmurio, em tom de proa
Quase deixo escapar:
"Encontrei o meu farol!"

ESSÊNCIA DO AMOR


Foto: The Love Embrace of the Universe, the Earth (Mexico), 1949 by Frida Kahlo

A essência do Amor
Está na simultaneidade:
Do riso, do olhar,
Do partilhar e encontrar
E não mera veleidade
Na junção de dois em um
Na união de um em dois ...
Corpos entrelaçados
Por minutos trespassados
Laços e enlaços tricotados
Em abraços de lábios cerrados
Malhas, teias e meias
Que se tecem e nos enlouquecem
Sem noção da percepção
Onde começa um ...
Onde termina o outro...
Como prolongamento de nós mesmos
O Amor é pura essência...