sexta-feira, março 09, 2007

Question and answer


He sat naked and drunk in a room of summer
night, running the blade of the knife
under his fingernails, smiling, thinking
of all the letters he had received
telling him that
the way he lived and wrote about
that --
it had kept them going when
all seemed
truly
hopeless.

Putting the blade on the table,
he flicked it with a finger
and it whirled
in a flashing circle
under the light.

Who the hell is going to save
me?
he thought.

As the knife stopped spinning
the answer came:
you're going to have to
save yourself.

Still smiling,
a: he lit a cigarette
b: he poured another drink
c: gave the blade another spin.
------- from The Last Night of the Earth Poems by Charles Bukowski --------(1920-1994)

PASSOS PERDIDOS



(foto João Redondo)


Sabes porque eu fujo de ti?
...
Porque tenho medo de mim
Receio de, ao te encontrar,
Me perder no fim
E não mais me achar

terça-feira, março 06, 2007

Não me ler



Não escrevo para me ler.
Temo que as palavras me escapem por entre os dedos
Feito areia fina do deserto
Que fujam a sete pés ou afluam à superfície;
Que se esgueirem por entre as brechas da minha memória
E desatentas resolvam chamar-me à atenção
Me digam as verdades escondidas que quero calar
Me ralhem e me desnudem e possam dizer-me o que não quero escutar
Por isso, e nestas fases, tranco-as a sete chaves
E alimento-as a pão e água para que definhem nas minhas masmorras profundas e escuras.
Quero-as fracas, quebradiças e resignadas à sua sorte.
Encarceradas e prisioneiras
Condenadas à morte
Para que não se amotinem nos assaltos das minhas entranhas
Nem que desfaçam as minhas amarras que tanto trabalho me deram a compor
E onde me contenho a custo e esforço.
A ferro e fogo, a sangue e lágrimas
Não escrevo para me ler.
Calo-me às letras: evito as profundas frases
Nas quais tendo a estender-me e a perder-me
Contorno as palavras, escrevo, dito e faço tudo ao contrário
Do que habitualmente me revejo
E faço de conta que não estou em casa.
Enxoto adjectivos, sujeitos e complementos,
Como pedintes que espreitam à socapa pelo óculo da porta.
Desactivei-me temporariamente.
Deletei-me por fim
E fiz um restart
Receio que as palavras, matreiras, rafeiras
Me fintem, me levem ao engano, ao absurdo
Ou pior ainda, me encantem feito sereias,
Estendendo-me na mão conchas, flores e colares
Oferecendo-me a bandeira branca da paz
Ou que me deiem a sua outra face.
Não suportaria!
Não quero que se insinuem,
Nem que se dispam e rodopiem no varão da minha imaginação doente.
Feito stripers sensuais que seduzem, aquecem e depois desaparecem
Tenho medo do que possa encontrar de mim, nelas.
Tenho medo de te procurar em ti, nelas.
Tenho medo de me encontrar a mim, nelas
Não escrevo para me ler...
Escrevo para não me ler

sábado, março 03, 2007

A CAIXA DE PANDORA




Insisti
E... reabri
A caixa de Pandora
E agora?!...

quinta-feira, março 01, 2007

SABER (A) MAR


Sem leme, sem velas,
Sem remos, nem rumo
Navegando no mar das sensações
As ondas arrastam-me até ti.
Desembarco na enseada
Onde tu me esperas
Livre, solto,
Ávido de mim
Beijas os meus lábios de sal
Sentes o calor da minha pele
Presentes o meu torpor
Navegas nas ondas do meu corpo
Sem pressas, ao sabor da maré
Os teus olhos afogam-se nos meus
Teus cabelos ao vento
Valsam melodias no meu rosto
Teu cheiro sabe a maresia
Pecado meu, sem heresia
Teus gemidos são cabo de tormentos
São sussurros, são lamentos
Das horas perdidas e ausentes
Na praia mar
Mergulhamos no prazer dos sentidos
Que a brisa leve refresca
O ...teu ...meu... corpo que queima
Sossegas finalmente, e dizes:
"Encontrei o meu Norte!"
Sorrio levemente em transe
(coro)e choro
Os meus olhos reflectem
O brilho da lua que sorrie só para nós
Em múrmurio, em tom de proa
Quase deixo escapar:
"Encontrei o meu farol!"

ESSÊNCIA DO AMOR


Foto: The Love Embrace of the Universe, the Earth (Mexico), 1949 by Frida Kahlo

A essência do Amor
Está na simultaneidade:
Do riso, do olhar,
Do partilhar e encontrar
E não mera veleidade
Na junção de dois em um
Na união de um em dois ...
Corpos entrelaçados
Por minutos trespassados
Laços e enlaços tricotados
Em abraços de lábios cerrados
Malhas, teias e meias
Que se tecem e nos enlouquecem
Sem noção da percepção
Onde começa um ...
Onde termina o outro...
Como prolongamento de nós mesmos
O Amor é pura essência...

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Que cena romântica de um filme é você?

Mais um teste lol. Que mais inventarão a seguir!






Não é que acertaram (surpreendida.. e um aparte acho que o Bridget Jones's Diary tinha mais a ver...)
Eis o resultado:

Você é... a cena dos cartazes em “Love Actually”: Você é criativo até na maneira de proclamar o seu amor e está sempre a pensar em novas maneiras de surpreender. É também alguém que consegue apreciar o amor por si só e não necessariamente por ser correspondido.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

RITUAL SOLITÁRIO



Decomponho-me em pedaços de luz
Em mil fragmentos de sentidos
Num ritual solitário
Em que mãos me afagam
Minhas mãos...
Imagens com nome,
Mas sem rosto
Fazem-me contorcer
Procuro momentos
Busco sentimentos
E encontro teu corpo junto ao meu
Já não estou mais só...
Nossas respirações confundem-se
Teus lábios roçam minha pele
Teu corpo que me penetra
Fazendo a minha voz gemer
Deliro em teus braços
Num agradável tormento
Uma doce loucura
Agarro-te e em ti me aninho
Em meu sexo molhado
Somos tortura
Somos pecado
Gozamos...
Sinto-te afastar
Descerro os olhos
Vejo que te foste
Meu corpo em taça
Brindo ao meu gozo
A ti
Por ti...

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

TESTE O SEU VOCABULÁRIO


Hoje deu-me para isso! Testar o meu vocabulário!
Façam o teste que é muito divertido e instrutivo.

Resultado: 27 pontos

Eu tenho um excelente vocabulário.


Teste Seu Vocabulário.


Oferecimento: InterNey.Net

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

ESQUECIMENTO

Ela ainda pensava nele. Ele já a tinha esquecido.
Ela ainda guardava o número de telemóvel. Ele já o tinha apagado.
Ela continuava a visitá-lo de forma pérfida embora à distância, embora longe ...
Como um vício sufocante e transbordante que trazia dentro dela e a levava de encontro a ele .
Precisava (ainda) das suas palavras como precisava de vida.
Precisava ouvi-las e senti-las dentro dela, mas ele estava longe, muito longe ... Cada vez mais longe.
Sabia-o perdido, mas continuava a visitá-lo .. E isso rasgava-a por dentro.
Tomava agora consciência que era uma viciada nos seus retalhos e que isso era por demais doloroso...
Ela procurava esquecê-lo.
Ele ... Para ele ... nada havia para esquecer. Porque nada havia a lembrar.
Porque no fim, tudo o que resta (mesmo) é o esquecimento.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

NAS NUVENS


Que os ventos me embalem aqui

Que o sol, a terra e o mar

Saibam o que sinto por ti!

Já não consigo travar


Como água cristalina

É a paixão que me domina

A suave brisa da noite

Torna mais doce a emoção


Que é sentir o meu peito

Palpitar junto ao teu coração!

Que pena acordar e descobrir

Que nada disso é verdade


E sonhando outra vez, imagino,

Com o pensamento refeito

Que esse sonho divino,

Um dia se tornará realidade...

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

BE YOURSELF

Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.
In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud:
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbow'd.
Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.
It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.
Invictus / William Ernest Henley

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

FELICIDADE

Meu querido,
Quando saíste disseste “estou farto, vou procurar a Felicidade” e foste e eu pensei que ias e não demoravas e voltavas, como das outras vezes em que procuraste tantas outras mulheres e eu ficava sozinha e depois chegavas e dizias “as outras não significam nada tu és o meu amor” ou " TU ÉS ESPECIAL" e eu discutia contigo (ou fingia que discutia) porque todas as discussões terminavam comigo nos teus braços e tu nos meus e dizias baixinho “perdoa-me” e pedias-me carinho e eu dava, mas foste procurar a Felicidade e não voltaste!
Esperei-te para te perdoar e passaram as horas e os dias e os meses e os anos e eu esperando e sem saber quem era a Felicidade porque nunca me disseste o apelido ou sequer onde morava e peguei na lista telefónica e liguei para todos os números e perguntei “é aí que mora a Felicidade?” em muitos números não havia nenhuma Felicidade, nos poucos que havia uma, nenhuma era a tua e hoje recebi uma carta tua a dizer perdi a Esperança”. Por isso não te encontrei e dei-me conta que tinha procurado na letra errada! Afinal ela não se chamava Felicidade mas sim Esperança!

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

COMO EM TODAS AS HISTÓRIAS DE AMOR


Amaram-se um tempo.

Amaram-se para sempre.

Como em todas as histórias de amor.

Trocaram promessas sinceras e juras de fidelidade

Ele disse "eu amo-te".

Ela disse "nunca te esquecerei".

Como em todas as histórias de amor.

Quando estavam juntos o tempo era breve

O tempo, a seu tempo, voltou a ser tempo e medida.

Como em todas as histórias de amor.

Descobriram um do outro o corpo e os mistérios

Deram-se a alma dando-se nas mãos.

Como em todas as histórias de amor.

Consumido o fogo, caminharam sobre as cinzas

De uma história de amor.

Como em todas as histórias de amor...

terça-feira, fevereiro 13, 2007

O AMOR É O AMOR

Valentine's Day é uma época especialmente para os namorados, mas também para os amigos e a família! Ninguém sabe, ao certo, a origem de Valentine's Day. Esta é uma das muitas histórias. Parece que o nome veio de um padre de Roma chamado Valentine, que se tornou um mártir em 270 a.D. Os costumes deste feriado religioso ficaram interligados com ocasiões mais conhecidas como o "the Roman Feast of Lupercalia". Este festival era dedicado ao Deus Pastoral Lupercus e à Deusa do Amor Juno. Também conhecida como a Deusa das Mulheres e do Casamento. O feriado de 14 de Fevereiro era um feriado dedicado a Juno. No dia seguinte, 15 de Fevereiro, começava o "Festival de Lupercalia", que era dedicado a muitos Deuses e Deusas. Os meninos e meninas viviam completamente separados. Durante o Festival os meninos tiravam à sorte um nome de menina de um vaso, tornando-se parceiros durante o Festival. Os pares dançavam e brincavam juntos. Às vezes os pares ficavam juntos durante o ano todo, apaixonando-se algumas vezes e casando. Amanhã é dia dos namorados (S. Valentine's Day) aproveitem a oportunidade para expressarem consideração, amor e amizade, não só aos namorados, mas também para TODOS. Por isso tenham um dia MUITO FELIZ! :)
E como não podia deixar de ser ;) cá vai um poema do Alexandre O'Neill:




O AMOR É O AMOR (1960)

O amor é o amor - e depois?!
Vamos ficar os dois a imaginar,
a imaginar?...
O meu peito contra o teu peito,
cortando o mar, cortando o ar.
Num leito
há todo o espaço para amar!
Na nossa carne estamos
sem destino, sem medo, sem pudor,
e trocamos - Somos um? Somos dois? -
espírito e calor!
O amor é o amor - e depois?!







Foto: Auguste Rodin 1840-1917
The Kiss 1901-4/Le Baiser
Pentelican Marble © Tate, London 2004

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

HEAVENLY BODIES WITH ...

E se tudo fosse assim tão simples e singelo?!...

Que o desencontro desse lugar ao encontro?

Tenho a certeza que seria (tão só) ... assim :)

[Porque será que esta pintura me faz lembrar

"O Principezinho" ?! - que saudades ...]








Pintura de Brenda Harthill
Heavenly Bodies with Moonstruck Lovers
Collagraph with silver leaf in collaboration with Mychael Barratt
76cm x 60cm 30” x 23”





Pintura de Brenda Harthill
Heavenly Bodies with Moondance
Collagraph with silver leaf in collaboration with Trevor Price
76cm x 60cm 30” x 23”







Pintura de Brenda Harthill
Heavenly Bodies with Angel
Collagraph with silver leaf, in collaboration with Anita Klein
76cm x 60cm 30” x 23”










S
I
M
P
L
I
C
I
D
A
D
E
!


APRENDENDO


sexta-feira, fevereiro 09, 2007

UTOPIA

Ao sabor da corrente
Sumiê – 23X16 cm – 1998



Hei de tocar o teu sonho
E fazer-me abstrato
Em teu mundo
Transpor os umbrais
De teu corpo
Conduzir-te ao
Delírio noturno
Sentir o teu cálido cheiro
Tornar-me teu deus
E teu homem
Manchar teu pudor
Com desejo
Fazer-te implorar
Por meu nome
Hei de invadir teu silêncio
Cantar-te
Inocentes mentiras
Olhar-te e calar o teu medo
Dar-te de mim outra vida
Hei de velar o teu sono
Cobrir-te na noite mais fria
Deixar-te sem servo
Nem dono
E tornar-me
A mais bela utopia.

(Sanderson Alex)

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

SÓ CONHEÇO O AMOR EM IDO


Só conheço o amor perdido

De nunca o ter tido

Só conheço o amor ferido

Aquele nunca vivido

Só conheço o amor sem sentido

O que foi em tempos ido

Só conheço o amor imerecido

No meu coração ardido

Só conheço o amor despido

Do teu corpo nunca tido

Só conheço o amor "fodido"

No meu corpo mordido

Só conheço o amor sofrido

Por tanto tempo mantido

Só conheço o amor envelhecido
Do passado amarelecido
Só conheço o amor sumido

Nem tido nem vivido
Só conheço o amor oprimido
No meu peito imprimido















SE EU FOSSE ...

Foto: Jomar


Se eu fosse um bicho
Seria um gato
Felino ... em cio
Cioso e
arredio
Independente
e ágil
Elegante e selvagem
Por vezes virando fera
Outras ficando afável


Se eu fosse um bicho
Seria uma coruja (das neves)
Perscrutadora e agoirenta
Observadora e inquisidora
Habitante das sombras e da lua
Companheira da noite misteriosa
Visão raio-X, astuta, fria e poderosa
Aparentemente quieta e silenciosa

Se eu fosse bicho
Seria um pato
Tímido e desengonçado

Trapalhão e assustado
Simples e pachorrento

Um patinho feio
Que nem sonha virar cisne

Se fosse um bicho
Seria uma corça
Livre e indomável
Perseguida e solitária
Filha do vento
Rebelde e graciosa
Ágil, esquiva e magestosa

Se eu fosse um bicho
Seria um golfinho
Dócil e brincalhão

Maternal e amigo

Inteligente rindo
Mergulhando e valsando
Na espuma do mar


terça-feira, fevereiro 06, 2007

PALAVRAS




Escrevo missivas

Da qual sou mera destinatária

Nas minhas neuroses passivas

Busco mares e ilhas lendárias

Nas entrelinhas um frio de desespero

Junto palavras a palavras

Nem sei porque o faço ou espero

Das "poesias" faço arrados e lavras

Nada semeio a não ser o meu anseio

Um jardim que nunca chega a vingar.

Deserto, imenso, seco e árido

Sem primavera para se anunciar

Tempestades de areia num vento tórrido

Nada faz sentido em mim

Somente as palavras ...

Negras ou em branco

Escritas ou apenas imaginadas

A maior parte nem publicadas

Pedaços de mim em mim

Teias, laços, sangue, lágrimas, entranhas
Vendaval de cogitações estranhas

Assim sou eu ...

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

PENSAMENTO/ REFLEXÃO

Ambiguidade e Acção

A Mentira é a recriação de uma Verdade. O mentidor cria ou recria. Ou recreia.
A fronteira entre estas duas palavras é ténue e delicada. Mas as fronteiras entre as palavras são todas ténues e delicadas.
Entre a recriação e o recreio assenta todo o jogo. O que não quer dizer que o jogo resulta sempre. Resulte seja o que for ou do que for.
A Ambiguidade é a Arte do Suspenso. Tudo o que está suspenso suspende ou equilibra. Ou instabiliza. Mas tudo é instável ou está suspenso. Pelo menos ainda. Ainda é uma questão de tempo.
Tudo depende da noção de tempo ou duração ou extensão. A aceleração do tempo pode traduzir-se pela imobilidade pois que a imobilidade pode traduzir-se por um máximo de aceleração ou um mínimo de extensão: aceleração tão grande que já não se veja o movimento ou o espaço ou a duração.
Tudo está sempre a destruir tudo. Ou qualquer coisa. Ou alguém. Mas estamos sempre a destruir tudo ou qualquer coisa. Ou alguém. Os construtores demolem.
No lugar onde estava o sopro, pormos pedras ou palavras: sinónimo de construção. Ou destruição. Ou acção.
Ana Hatherly, in 'O Mestre'

O PASTOR E O LOBO


Todos os dias, um jovem pastor levava um rebanho de ovelhas às montanhas perto da aldeia.

Um dia, por brincadeira, ele correu de lá de cima gritando:

- Um lobo! Um lobo!

Os Habitantes da aldeia trataram de apanhar pedaços de pau para caçar o lobo.

E encontraram o pastorinho às gargalhadas, dizendo:

- Eu só queria brincar com vocês!

E, vendo que a brincadeira realmente assustava os aldeões, gritou no dia seguinte:

- Um lobo! Um lobo!

E novamente os moradores da aldeia trataram de apanhar as suas armas de madeira.

Tantas vezes o fez que os habitantes da aldeia não ligavam mais aos seus gritos. Até que certo dia o jovem voltou a gritar:

- Um lobo! Um lobo! Socorro!

Um dos homens disse aos outros:

- Já não acredito. Ele não nos engana mais.

Desta vez era mesmo um lobo, que dizimou todo o rebanho do pastorinho.

terça-feira, janeiro 30, 2007

***


O FIM DO COITO




Agora que temos novo referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez, ocorre relembrar antes de 11/02, o poema de Natália Correia.

"O acto sexual é para ter filhos" - disse na Assembleia da República, no dia 03 de Abril de 1982, o então deputado do CDS João Morgado num debate sobre a legalização do aborto.
A resposta de Natália Correia, em poema - publicado depois pelo Diário de Lisboa em 5 de Abril desse mesmo ano - fez rir todas as bancadas parlamentares, sem excepção, tendo os trabalhos sido interrompidos por essa razão:



Já que o coito - diz Morgado -

tem como fim cristalino,

preciso e imaculado

fazer menina ou menino;

e cada vez que o varão

sexual petisco manduca,

temos na procriação

prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,

lógica é a conclusão

de que o viril instrumento

só usou - parca ração!

- uma vez. E se a função

faz o órgão - diz o ditado -

consumada essa excepção,

ficou capado o Morgado.

(Natália Correia - 3 Abril 1982).

domingo, janeiro 28, 2007

TEÇO, SOFRO E SONHO


Sozinha
TEÇO

Silêncios...
Lembranças...
Ausências...
Distâncias...
Penitências
Mudanças...

SOFRO
Sem rede...
Com febre
Sem remo...
Sem rumo...
Sem rota...
Sem rosto...
Sem rasto...

SONHO

terça-feira, janeiro 23, 2007

CLOSED DOOR





Partiste...
Outra é a boca que tu beijas
Outros os braços que te enlaçam
Um novo corpo que tu desejas
Outras as mãos que te tocam
Partiste...
Teus olhos já não reflectem os meus
A tua voz calou-se para mim
Os meus desejos já não sao teus
Fiquei apenas eu ... no fim
Partiste...
Mas, sabes que mais?
Pouco me importa!
Fechou-se a porta!
Não queiras mais entrar
Ninguém mora nesse lugar
PARTI
Segui viagem
Uma nova viragem
Na busca da minha MIRAGEM



SE AS PEDRAS FALASSEM

Numa conferência, um consultor especialista em gestão do tempo tirou de baixo da mesa um frasco grande de boca larga.
Colocou-o em cima da mesa,junto a uma bandeja com pedras do tamanho do punho, e perguntou:
"Quantas pedras vocês acham que cabem neste frasco?"
Depois dos presentes fazerem suas conjecturas, começou a colocar as pedras até que encheu o frasco. Depois perguntou:
"Está cheio?"
Todos olharam para o frasco e assentiram que sim.
Então, o consultor tirou debaixo da mesa um saco com gravilhão (pedrinhas pequenas, menores que a brita). Colocou parte do gravilhão dentro do frasco e o agitou. As pedrinhas penetraram pelos espaços que deixavam as pedras grandes. O consultor sorriu e repetiu:
“Está cheio?"
A maioria disse que sim. Então, pousou na mesa um saco com areia e começou a despejar no frasco. A areia infiltrava-se nos pequenos buracos deixados pelas pedras e pela gravilha.
"Está cheio?" perguntou de novo. Algumas pessoas exclamaram: "agora está!"
Então, o consultor pegou uma jarra de água e começou a derramar para dentro do frasco. O frasco absorvia a água sem transbordar.
"Bom, o que acabamos de demonstrar?", indagou o consultor.
Um ouvinte respondeu:
"Que não importa o quão cheia esta a nossa agenda, se quisermos, conseguimos sempre fazer com que caibam mais coisas".
"Não", concluiu o especialista. "o que esta lição nos ensina é que se não colocarmos as pedras grandes primeiro, nunca poderemos coloca-las depois... E quais são as grandes pedras da vida? A pessoa amada, os nossos filhos, os amigos, os nossos sonhos e desejos, a nossa saúde. AMIGOS, Se as grandes pedras da vida são estas, então, lembrem-se: ponham-nas sempre em primeiro plano, o resto, encontrará o seu lugar"
(Autor desconhecido)

quarta-feira, janeiro 17, 2007

LUA ADVERSA


Tenho fases, como a lua

Fases de andar escondida,

fases de vir para a rua...

Perdição da minha vida!

Perdição da vida minha!

Tenho fases de ser tua,

tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e que vêm,

no secreto calendário

que um astrólogo arbitrário

inventou para meu uso.

E roda a melancolia

seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém

(tenho fases, como a lua...)

No dia de alguém ser meu

não é dia de eu ser sua...E,

quando chega esse dia,

o outro desapareceu...

Cecília Meireles

terça-feira, janeiro 16, 2007

VOANDO


Nas asas do vento

Viajo pelo mistério do mar

Perdendo-me no labirinto do tempo

Encontro o brilho de teu olhar

segunda-feira, janeiro 15, 2007

ESPERA

Aqui estou

De corpo e asas feridas

Mãos e alma abertas

Para ti...

Não sei para onde vou!


Nem sequer quem sou ...

sexta-feira, janeiro 12, 2007

SONHO ARCO-ÍRIS




Há em teus olhos


Uma tristeza azul.


Esperança e desejo


De um sonho arco-íris.


Diante de ti


Distante do teu coração.


Desencanto com o sol


Desencontro dos dias de inverno.


Menina...


Sabes a razão disso tudo?


Porque é assim tão diferente?


Talvez um dia...


Encontrarás um pote de ouro


No fim do teu sonho arco-íris.





"My heart leaps up when I behold A Rainbow in the sky"



- William Wordsworth




quinta-feira, janeiro 11, 2007

BORBOLETA



Borboletinha

Que voas e redopias sem parar

Tua beleza gera encanto

Outras vira um pranto

Borboletinha

Não queiras subir tão alto

Perto da luz que te seduz

E a cinzas te reduz!

Borboletinha

Não te deixes enganar

Não penses em te aproximar

E as tuas asas queimar!

Que te impediçam de voar!

Borboleta

De que te servirá a luz

Se não puderes voar?

A vida é uma roleta ...
(Faite vous jeux Messieurs!)
De que te servem as asas

Se não puderes sonhar?


terça-feira, janeiro 09, 2007

NOITE SOMBRIA

Caminho errante e solitária
Pela avenida fria e deserta

Em passos mecânicos

Sigo sem rumo

Aspiro o fumo

Milhares de pensamentos

Bombardeiam a minha mente

Perscruto os meus lamentos

Sem destino sigo em frente

Oiço ao longe ...

Uma melodia que ecoa

Sob o luar sombrio

Perco-me pela noite fora

Nos ossos sinto o frio

O coração a chorar

E sem ninguém para me amar.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

LETTERA AMOROSA

Eugénio de Andrade é um dos meus Poetas preferidos.
Ainda por cima da minha "zona" («As pessoas são a sua região» tal como ele dizia, concordo totalmente!).
A sua poesia caracteriza-se pela importância dada à palavra, os seus poemas, geralmente curtos, mas de grande densidade, e aparentemente simples, privilegiam a evocação da energia física, material, a plenitude da vida e dos sentidos, com forte presença dos temas do erotismo e da natureza, o «poeta do corpo», tal como ele se intitulava.
EUGÉNIO... POETA DE GÉNIO!!!




Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
a sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.


Foto: in Público, 18/3/90
As palavras



São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade

OBS: Para quem ficou com "apetite":

http://boticelli.no.sapo.pt/eugenio_de_andrade.htm

HOLD ME, THRILL ME, KISS ME


Hoje, ainda, melancólica, saudosista, atormentada ... tentando esquecer a lembrança de relembrar o esquecido (?), ouvindo esta canção...


Artist: Clay Aiken Lyrics
Song: Hold Me, Thrill Me, Kiss Me Lyrics

Hold me, hold me
Never let me go until you've told me, told me
What I want to know and then just hold me, hold me Make me tell you I'm in love with you
Thrill me (thrill me), thrill me (thrill me)
Walk me down the lane where shadowswill be (will be) will be (will be)
Hiding lovers just the same as we'll be, we'll be
When you make me tell you I love you
They told me "Be sensible with your new love""Don't be fooled, thinking this is the last you'll find"
But they never stood in the dark with you, love
When you take me in your armsand drive me slowly out of my mind
Kiss me (kiss me), kiss me (kiss me)
And when you do,
I'll know that you will miss me (miss me), miss me
(miss me)
If we ever say "Adieu", so kiss me, kiss me
Make me tell you I'm in love with you(Kiss me) kiss me, (kiss me) kiss me
When you do,
I'll know that you will miss me (miss me), miss me
(miss me)
If we ever say "Adieu" so kiss me, kiss me
Make me tell you I'm in love with you
(Hold me, thrill me)
(Never, never, never let me go)

(Hold me, thrill me, never, never, never let me go)




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domingo, janeiro 07, 2007

INSÓNIA


A dor recomeça

Adormece o desejo

O corpo que se espreguiça

O afecto que não existe

A lembrança que persiste

O coração passeia na noite

Relembrando a nossa história

Reinstala a memória

De afagos perdidos

Dos tempos vividos

Amores "devassos"

Que não mais tecem laços




sexta-feira, janeiro 05, 2007

INQUIETUDE


Acalma-te coração!
Segura firme as rédeas,
Desacelera o passo desta paixão
Que as vontades são etéreas
Controla os teus impulsos
Para não sofreres a desilusão
De meros momentos avulsos.

Aquieta-te coração!
Não queiras, mais, chorar de saudade...
Deixa lá atrás o passado
Não busques tanta emoção
Não brinques ao pecado
No amor está a serenidade,
Teu anseio é a liberdade
Tua Paz ... só na eternidade!

quinta-feira, janeiro 04, 2007

A FADA ORIANA

Hoje acordei contente
Ensonada
Para variar, cansada
Mas contente
A olhar o dia de frente
Lá saí para a rua
Com a cabeça na lua
Cantarolando mas muda
Com uma alma renovada
Lembrei-me da Fada ORIANA










(para ti P, que sempre acreditaste na Fada Oriana, que a (pres) sentiste esvoaçar ao teu redor... QUE AS FADAS TE PROTEJAM!)
'myspace


Era uma vez uma fada chamada Oriana. Era uma fada boa e era muito bonita. Vivia livre, alegre e feliz dançando nos campos, nos montes, nos bosques, nos jardins e nas praias.
Um dia a Rainha das Fadas chamou-a e disse-lhe:
- Oriana, vem comigo.
E voaram as duas por cima de planícies, lagos e montanhas. Até chegarem a um país onde havia uma grande floresta.
- Oriana – disse a Rainha das Fadas -,
entrego-te esta floresta. Todos os homens, animais e plantas que aqui vivem, de hoje em diante, ficam à tua guarda. Tu és a fada desta floresta. Promete-me que nunca a hás-de abandonar.
Oriana disse:
- Prometo.


E daí em diante Oriana ficou a morar na floresta. De noite dormia dentro do tronco de um carvalho. De manhã acordava muito cedo, acordava ainda antes das flores e dos pássaros. O seu relógio era o primeiro raio de sol. Porque tinha muito que fazer. Na floresta todos precisavam dela. Era ela que prevenia os coelhos e os veados da chegada dos caçadores. Era ela que regava as flores com orvalho. Era ela que tomava conta dos onze filhos do moleiro. Era ela que libertava os pássaros que tinham caído nas ratoeiras.


À noite, quando todos dormiam, Oriana ia para os prados dançar com as outras fadas. Ou então voava sozinha por cima da floresta e, abrindo as suas asas, ficava parada, suspensa no ar entre a terra e o céu.


À roda da floresta havia campos e montanhas adormecidos e cheios de silêncio. Ao longe viam-se as luzes de uma cidade debruçada sobre o seu rio.


De dia e vista de perto a cidade era escura, feia e triste. Mas à noite a cidade brilhava cheia de luzes verdes, roxas, amarelas, azuis vermelhas e lilases, como se nela houvesse uma festa. Parecia feita de opalas, de rubis, de brilhantes, de esmeraldas e de safiras.


(Excerto da Fada Oriana de Sophia M. Breyner)

quarta-feira, janeiro 03, 2007


TSUNAMI


Feito Tsunami

Vieste de repente

Sem aviso

Nem pressenti o perigo

Bateste-me de frente

Para minha surpresa

Fiquei confusa

Não estava à espera

Abalaste a minha estrutura

Agistaste-me e sacudiste-me
Enredada num turbilhão
Faltou-me a razão

Dei por mim aturdida

Primeiro perdida

Depois meio morta

Deixaste-me sem remorso

Bateste a porta

Cai neste fosso

Tentei reagir

Tentei fugir

Juro que tentei

Tentei esquecer

Tentei viver ou apenas sobreviver

Desde aí ...

Procuro amar... Queria amar!

Embora pese o preço a pagar

Mas a dor de me (poder) magoar ...

Tento ... queria deixar

Dar o benefício da dúvida à vida

Porque quem quase está a morrer

Ainda vive!

Quem está quase a viver

Já morreu!





DEIXA


Deixa-me fazer-te feliz
Fazer o que nunca fiz
Oferecer-te o que nunca tiveste
Realizar o nosso sonho de esperança.
Deixa-me tocar a tua pele
E com sussurros de amor
Efervecer a tua alma
Pulsar os teus pensamentos
Acender novos desejos
Deixa-me acordar-te com beijos
Em leves toques acariciar teus lábios
E despertar em ti
Sentimentos adormecidos e esquecidos
Deixa olhar-te nos olhos
Navegar no teu mundo
Conhecer o teu universo
Deixa-me deixar ser
O que quero que sejas para mim
A cada palavra, a cada toque
Cada aroma, cada suspiro ...
Deixa-me ser vital para ti
Como tu és para mim
Ser o respirar
O pulsar do coração
Na melodia da vida
Na luz que nos ilumina
Deixa-me ser a tua menina
Que o teu carinho me faça crescer
Que o teu corpo me faça viver
Que o teu amor me faça amar