segunda-feira, fevereiro 05, 2007

PENSAMENTO/ REFLEXÃO

Ambiguidade e Acção

A Mentira é a recriação de uma Verdade. O mentidor cria ou recria. Ou recreia.
A fronteira entre estas duas palavras é ténue e delicada. Mas as fronteiras entre as palavras são todas ténues e delicadas.
Entre a recriação e o recreio assenta todo o jogo. O que não quer dizer que o jogo resulta sempre. Resulte seja o que for ou do que for.
A Ambiguidade é a Arte do Suspenso. Tudo o que está suspenso suspende ou equilibra. Ou instabiliza. Mas tudo é instável ou está suspenso. Pelo menos ainda. Ainda é uma questão de tempo.
Tudo depende da noção de tempo ou duração ou extensão. A aceleração do tempo pode traduzir-se pela imobilidade pois que a imobilidade pode traduzir-se por um máximo de aceleração ou um mínimo de extensão: aceleração tão grande que já não se veja o movimento ou o espaço ou a duração.
Tudo está sempre a destruir tudo. Ou qualquer coisa. Ou alguém. Mas estamos sempre a destruir tudo ou qualquer coisa. Ou alguém. Os construtores demolem.
No lugar onde estava o sopro, pormos pedras ou palavras: sinónimo de construção. Ou destruição. Ou acção.
Ana Hatherly, in 'O Mestre'

O PASTOR E O LOBO


Todos os dias, um jovem pastor levava um rebanho de ovelhas às montanhas perto da aldeia.

Um dia, por brincadeira, ele correu de lá de cima gritando:

- Um lobo! Um lobo!

Os Habitantes da aldeia trataram de apanhar pedaços de pau para caçar o lobo.

E encontraram o pastorinho às gargalhadas, dizendo:

- Eu só queria brincar com vocês!

E, vendo que a brincadeira realmente assustava os aldeões, gritou no dia seguinte:

- Um lobo! Um lobo!

E novamente os moradores da aldeia trataram de apanhar as suas armas de madeira.

Tantas vezes o fez que os habitantes da aldeia não ligavam mais aos seus gritos. Até que certo dia o jovem voltou a gritar:

- Um lobo! Um lobo! Socorro!

Um dos homens disse aos outros:

- Já não acredito. Ele não nos engana mais.

Desta vez era mesmo um lobo, que dizimou todo o rebanho do pastorinho.

terça-feira, janeiro 30, 2007

***


O FIM DO COITO




Agora que temos novo referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez, ocorre relembrar antes de 11/02, o poema de Natália Correia.

"O acto sexual é para ter filhos" - disse na Assembleia da República, no dia 03 de Abril de 1982, o então deputado do CDS João Morgado num debate sobre a legalização do aborto.
A resposta de Natália Correia, em poema - publicado depois pelo Diário de Lisboa em 5 de Abril desse mesmo ano - fez rir todas as bancadas parlamentares, sem excepção, tendo os trabalhos sido interrompidos por essa razão:



Já que o coito - diz Morgado -

tem como fim cristalino,

preciso e imaculado

fazer menina ou menino;

e cada vez que o varão

sexual petisco manduca,

temos na procriação

prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,

lógica é a conclusão

de que o viril instrumento

só usou - parca ração!

- uma vez. E se a função

faz o órgão - diz o ditado -

consumada essa excepção,

ficou capado o Morgado.

(Natália Correia - 3 Abril 1982).

domingo, janeiro 28, 2007

TEÇO, SOFRO E SONHO


Sozinha
TEÇO

Silêncios...
Lembranças...
Ausências...
Distâncias...
Penitências
Mudanças...

SOFRO
Sem rede...
Com febre
Sem remo...
Sem rumo...
Sem rota...
Sem rosto...
Sem rasto...

SONHO

terça-feira, janeiro 23, 2007

CLOSED DOOR





Partiste...
Outra é a boca que tu beijas
Outros os braços que te enlaçam
Um novo corpo que tu desejas
Outras as mãos que te tocam
Partiste...
Teus olhos já não reflectem os meus
A tua voz calou-se para mim
Os meus desejos já não sao teus
Fiquei apenas eu ... no fim
Partiste...
Mas, sabes que mais?
Pouco me importa!
Fechou-se a porta!
Não queiras mais entrar
Ninguém mora nesse lugar
PARTI
Segui viagem
Uma nova viragem
Na busca da minha MIRAGEM



SE AS PEDRAS FALASSEM

Numa conferência, um consultor especialista em gestão do tempo tirou de baixo da mesa um frasco grande de boca larga.
Colocou-o em cima da mesa,junto a uma bandeja com pedras do tamanho do punho, e perguntou:
"Quantas pedras vocês acham que cabem neste frasco?"
Depois dos presentes fazerem suas conjecturas, começou a colocar as pedras até que encheu o frasco. Depois perguntou:
"Está cheio?"
Todos olharam para o frasco e assentiram que sim.
Então, o consultor tirou debaixo da mesa um saco com gravilhão (pedrinhas pequenas, menores que a brita). Colocou parte do gravilhão dentro do frasco e o agitou. As pedrinhas penetraram pelos espaços que deixavam as pedras grandes. O consultor sorriu e repetiu:
“Está cheio?"
A maioria disse que sim. Então, pousou na mesa um saco com areia e começou a despejar no frasco. A areia infiltrava-se nos pequenos buracos deixados pelas pedras e pela gravilha.
"Está cheio?" perguntou de novo. Algumas pessoas exclamaram: "agora está!"
Então, o consultor pegou uma jarra de água e começou a derramar para dentro do frasco. O frasco absorvia a água sem transbordar.
"Bom, o que acabamos de demonstrar?", indagou o consultor.
Um ouvinte respondeu:
"Que não importa o quão cheia esta a nossa agenda, se quisermos, conseguimos sempre fazer com que caibam mais coisas".
"Não", concluiu o especialista. "o que esta lição nos ensina é que se não colocarmos as pedras grandes primeiro, nunca poderemos coloca-las depois... E quais são as grandes pedras da vida? A pessoa amada, os nossos filhos, os amigos, os nossos sonhos e desejos, a nossa saúde. AMIGOS, Se as grandes pedras da vida são estas, então, lembrem-se: ponham-nas sempre em primeiro plano, o resto, encontrará o seu lugar"
(Autor desconhecido)

quarta-feira, janeiro 17, 2007

LUA ADVERSA


Tenho fases, como a lua

Fases de andar escondida,

fases de vir para a rua...

Perdição da minha vida!

Perdição da vida minha!

Tenho fases de ser tua,

tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e que vêm,

no secreto calendário

que um astrólogo arbitrário

inventou para meu uso.

E roda a melancolia

seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém

(tenho fases, como a lua...)

No dia de alguém ser meu

não é dia de eu ser sua...E,

quando chega esse dia,

o outro desapareceu...

Cecília Meireles

terça-feira, janeiro 16, 2007

VOANDO


Nas asas do vento

Viajo pelo mistério do mar

Perdendo-me no labirinto do tempo

Encontro o brilho de teu olhar

segunda-feira, janeiro 15, 2007

ESPERA

Aqui estou

De corpo e asas feridas

Mãos e alma abertas

Para ti...

Não sei para onde vou!


Nem sequer quem sou ...

sexta-feira, janeiro 12, 2007

SONHO ARCO-ÍRIS




Há em teus olhos


Uma tristeza azul.


Esperança e desejo


De um sonho arco-íris.


Diante de ti


Distante do teu coração.


Desencanto com o sol


Desencontro dos dias de inverno.


Menina...


Sabes a razão disso tudo?


Porque é assim tão diferente?


Talvez um dia...


Encontrarás um pote de ouro


No fim do teu sonho arco-íris.





"My heart leaps up when I behold A Rainbow in the sky"



- William Wordsworth




quinta-feira, janeiro 11, 2007

BORBOLETA



Borboletinha

Que voas e redopias sem parar

Tua beleza gera encanto

Outras vira um pranto

Borboletinha

Não queiras subir tão alto

Perto da luz que te seduz

E a cinzas te reduz!

Borboletinha

Não te deixes enganar

Não penses em te aproximar

E as tuas asas queimar!

Que te impediçam de voar!

Borboleta

De que te servirá a luz

Se não puderes voar?

A vida é uma roleta ...
(Faite vous jeux Messieurs!)
De que te servem as asas

Se não puderes sonhar?


terça-feira, janeiro 09, 2007

NOITE SOMBRIA

Caminho errante e solitária
Pela avenida fria e deserta

Em passos mecânicos

Sigo sem rumo

Aspiro o fumo

Milhares de pensamentos

Bombardeiam a minha mente

Perscruto os meus lamentos

Sem destino sigo em frente

Oiço ao longe ...

Uma melodia que ecoa

Sob o luar sombrio

Perco-me pela noite fora

Nos ossos sinto o frio

O coração a chorar

E sem ninguém para me amar.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

LETTERA AMOROSA

Eugénio de Andrade é um dos meus Poetas preferidos.
Ainda por cima da minha "zona" («As pessoas são a sua região» tal como ele dizia, concordo totalmente!).
A sua poesia caracteriza-se pela importância dada à palavra, os seus poemas, geralmente curtos, mas de grande densidade, e aparentemente simples, privilegiam a evocação da energia física, material, a plenitude da vida e dos sentidos, com forte presença dos temas do erotismo e da natureza, o «poeta do corpo», tal como ele se intitulava.
EUGÉNIO... POETA DE GÉNIO!!!




Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
a sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.


Foto: in Público, 18/3/90
As palavras



São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade

OBS: Para quem ficou com "apetite":

http://boticelli.no.sapo.pt/eugenio_de_andrade.htm

HOLD ME, THRILL ME, KISS ME


Hoje, ainda, melancólica, saudosista, atormentada ... tentando esquecer a lembrança de relembrar o esquecido (?), ouvindo esta canção...


Artist: Clay Aiken Lyrics
Song: Hold Me, Thrill Me, Kiss Me Lyrics

Hold me, hold me
Never let me go until you've told me, told me
What I want to know and then just hold me, hold me Make me tell you I'm in love with you
Thrill me (thrill me), thrill me (thrill me)
Walk me down the lane where shadowswill be (will be) will be (will be)
Hiding lovers just the same as we'll be, we'll be
When you make me tell you I love you
They told me "Be sensible with your new love""Don't be fooled, thinking this is the last you'll find"
But they never stood in the dark with you, love
When you take me in your armsand drive me slowly out of my mind
Kiss me (kiss me), kiss me (kiss me)
And when you do,
I'll know that you will miss me (miss me), miss me
(miss me)
If we ever say "Adieu", so kiss me, kiss me
Make me tell you I'm in love with you(Kiss me) kiss me, (kiss me) kiss me
When you do,
I'll know that you will miss me (miss me), miss me
(miss me)
If we ever say "Adieu" so kiss me, kiss me
Make me tell you I'm in love with you
(Hold me, thrill me)
(Never, never, never let me go)

(Hold me, thrill me, never, never, never let me go)




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domingo, janeiro 07, 2007

INSÓNIA


A dor recomeça

Adormece o desejo

O corpo que se espreguiça

O afecto que não existe

A lembrança que persiste

O coração passeia na noite

Relembrando a nossa história

Reinstala a memória

De afagos perdidos

Dos tempos vividos

Amores "devassos"

Que não mais tecem laços




sexta-feira, janeiro 05, 2007

INQUIETUDE


Acalma-te coração!
Segura firme as rédeas,
Desacelera o passo desta paixão
Que as vontades são etéreas
Controla os teus impulsos
Para não sofreres a desilusão
De meros momentos avulsos.

Aquieta-te coração!
Não queiras, mais, chorar de saudade...
Deixa lá atrás o passado
Não busques tanta emoção
Não brinques ao pecado
No amor está a serenidade,
Teu anseio é a liberdade
Tua Paz ... só na eternidade!

quinta-feira, janeiro 04, 2007

A FADA ORIANA

Hoje acordei contente
Ensonada
Para variar, cansada
Mas contente
A olhar o dia de frente
Lá saí para a rua
Com a cabeça na lua
Cantarolando mas muda
Com uma alma renovada
Lembrei-me da Fada ORIANA










(para ti P, que sempre acreditaste na Fada Oriana, que a (pres) sentiste esvoaçar ao teu redor... QUE AS FADAS TE PROTEJAM!)
'myspace


Era uma vez uma fada chamada Oriana. Era uma fada boa e era muito bonita. Vivia livre, alegre e feliz dançando nos campos, nos montes, nos bosques, nos jardins e nas praias.
Um dia a Rainha das Fadas chamou-a e disse-lhe:
- Oriana, vem comigo.
E voaram as duas por cima de planícies, lagos e montanhas. Até chegarem a um país onde havia uma grande floresta.
- Oriana – disse a Rainha das Fadas -,
entrego-te esta floresta. Todos os homens, animais e plantas que aqui vivem, de hoje em diante, ficam à tua guarda. Tu és a fada desta floresta. Promete-me que nunca a hás-de abandonar.
Oriana disse:
- Prometo.


E daí em diante Oriana ficou a morar na floresta. De noite dormia dentro do tronco de um carvalho. De manhã acordava muito cedo, acordava ainda antes das flores e dos pássaros. O seu relógio era o primeiro raio de sol. Porque tinha muito que fazer. Na floresta todos precisavam dela. Era ela que prevenia os coelhos e os veados da chegada dos caçadores. Era ela que regava as flores com orvalho. Era ela que tomava conta dos onze filhos do moleiro. Era ela que libertava os pássaros que tinham caído nas ratoeiras.


À noite, quando todos dormiam, Oriana ia para os prados dançar com as outras fadas. Ou então voava sozinha por cima da floresta e, abrindo as suas asas, ficava parada, suspensa no ar entre a terra e o céu.


À roda da floresta havia campos e montanhas adormecidos e cheios de silêncio. Ao longe viam-se as luzes de uma cidade debruçada sobre o seu rio.


De dia e vista de perto a cidade era escura, feia e triste. Mas à noite a cidade brilhava cheia de luzes verdes, roxas, amarelas, azuis vermelhas e lilases, como se nela houvesse uma festa. Parecia feita de opalas, de rubis, de brilhantes, de esmeraldas e de safiras.


(Excerto da Fada Oriana de Sophia M. Breyner)

quarta-feira, janeiro 03, 2007


TSUNAMI


Feito Tsunami

Vieste de repente

Sem aviso

Nem pressenti o perigo

Bateste-me de frente

Para minha surpresa

Fiquei confusa

Não estava à espera

Abalaste a minha estrutura

Agistaste-me e sacudiste-me
Enredada num turbilhão
Faltou-me a razão

Dei por mim aturdida

Primeiro perdida

Depois meio morta

Deixaste-me sem remorso

Bateste a porta

Cai neste fosso

Tentei reagir

Tentei fugir

Juro que tentei

Tentei esquecer

Tentei viver ou apenas sobreviver

Desde aí ...

Procuro amar... Queria amar!

Embora pese o preço a pagar

Mas a dor de me (poder) magoar ...

Tento ... queria deixar

Dar o benefício da dúvida à vida

Porque quem quase está a morrer

Ainda vive!

Quem está quase a viver

Já morreu!





DEIXA


Deixa-me fazer-te feliz
Fazer o que nunca fiz
Oferecer-te o que nunca tiveste
Realizar o nosso sonho de esperança.
Deixa-me tocar a tua pele
E com sussurros de amor
Efervecer a tua alma
Pulsar os teus pensamentos
Acender novos desejos
Deixa-me acordar-te com beijos
Em leves toques acariciar teus lábios
E despertar em ti
Sentimentos adormecidos e esquecidos
Deixa olhar-te nos olhos
Navegar no teu mundo
Conhecer o teu universo
Deixa-me deixar ser
O que quero que sejas para mim
A cada palavra, a cada toque
Cada aroma, cada suspiro ...
Deixa-me ser vital para ti
Como tu és para mim
Ser o respirar
O pulsar do coração
Na melodia da vida
Na luz que nos ilumina
Deixa-me ser a tua menina
Que o teu carinho me faça crescer
Que o teu corpo me faça viver
Que o teu amor me faça amar

domingo, dezembro 31, 2006

FELIZ 2007



Um pouco de HISTóRIA:
O Ano Novo passou a ser comemorado no dia 1° de janeiro no ano 153 a.C. Antes disso, festejava-se o recomeço do ciclo anual no período que equivale ao actual 23 de março (a comemoração durava 11 dias). Havia uma lógica para a escolha dessa data, feita pelos babilônios 2 mil anos antes da era cristã: o final de março coincide com o início da primavera no hemisfério norte (onde ficava a Babilônia), época em que novas safras são plantadas. Daí a idéia de recomeço. Foram os romanos que determinaram, aleatoriamente, que o Ano Novo deveria ser comemorado no dia 1° de janeiro.


O dia 1º de janeiro foi reconhecido como Dia do Ano Novo com a introdução do calendário gregoriano na França, Itália, Portugal e Espanha em 1582. O calendário gregoriano é quase universal. Mesmo em alguns países não cristãos, ele foi adaptado às próprias tradições ou adoptado apenas para uso civil, mantendo-se outro calendário para fins religiosos.


As promessas feitas na passagem de ano, tão comuns e tão descumpridas, não são uma tradição recente. Os babilônios já as faziam há 4 mil anos. Mas em vez de resolverem levar uma dieta a sério ou parar de fumar, eles juravam de pés juntos que, tão logo que acabassem as festas, devolveriam equipamentos de agricultura que haviam sido emprestados por amigos.


A tradição de usar um bebé como símbolo do Ano Novo foi adoptada pelos gregos por volta do ano 600 a.C. Eles desfilavam com um bebé dentro de um cesto para homenagear Dionísius, o deus do vinho. O ritual era a representação do espírito da fertilidade, pelo renascimento anual de Dionísius.


Foi em França, em 1885, que se usou pela primeira vez a expressão "fim de século".


E assim nada melhor que desejar um EXECELENTE 2007 a todos... pleno de realizações e principalmente AMOR (em todas as suas formas e manifestações) que é o que mais falta no mundo de hoje.


sexta-feira, dezembro 29, 2006

SAUDADES




A propósito do ano que está quase a findar, não consigo evitar deixar de pensar no que ficou lá trás. São as Saudades das memórias, pensamentos e vivências do que se desvaceneu no tempo e no espaco, contudo permanece(rá) sempre em mim...
Nas minhas leituras e pesquisas de poesia descobri este singelo poema de um autor desconhecido, não sei o nome, nem data, nem sequer origem (brasileiro sem dúvida) mas todo ele fe(a)z sentido para mim... talvez porque a palavra "saudade" é tipicamente de expressão portuguesa, intraduzível (nas outras línguas) e.. porque ainda continua a fazer sentido. Quem não sabe o que é esse sentir, mesmo que não o consiga traduzir em palavras?!
É passado, sentimento, nostalgia, lembrança, tristeza, alegria... etc...
Um sem fim de denominações e mesmo assim não consigo encontrar a palavra adequada... Talvez porque não existe!
Saudade não se descreve, não se traduz, apenas se sente...
Eu tenho saudades de tudo que marcou a minha vida! Para o bem e para o mal.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros, quando escuto ou relembro uma voz,quando me lembro do passado... Eu sinto saudades...
Sinto saudades dos amigos que nunca mais vi, das pessoas com quem não mais falei ou me cruzei...

« Sinto saudades, DA MINHA ADOLESCENCIA
DO MEU COLEGIO QUERIDO
Do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro, do penultimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...
Sinto saudades do presente, que nao aproveitei de todo, lembrando do passado e apostando no futuro...
Sinto saudades do futuro, que se idealizado, provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...
Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei, de quem disse que viria e nem apareceu; de quem apareceu correndo, sem me conhecer direito, de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.
Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito; daqueles que não tiveram como me dizer adeus; de gente que passou na calcada contraria da minha vida
e que so enxerguei de vislumbre; de coisas que tive e de outras que nao tive mas quis muito ter; de coisas que nem sei que existiram.
Sinto saudades de coisas sérias, de coisas hilariantes, de casos, de experiências...
Sinto saudades do cachorrinho que eu NÃO tive um dia e que me amaria fielmente, como só os cães são capazes de fazer, dos livros que li e que me fizeram viajar, dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar, das coisas que vivi e das que deixei passar, sem curtir na totalidade.
Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o quê, não sei onde, para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...
Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades em japonês, em russo, em italiano, em inglês, mas que minha saudade, por eu ter nascido no Brasil, só fala portugues, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.
Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria, espontaneamente,
quando estamos desesperados, para contar dinheiro, fazer amor e declarar sentimentos fortes, seja láem que lugar do mundo estejamos.
Eu acredito que um simples "I miss you", ou seja lá como possamos traduzir saudade em outra língua, nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.
Talvez não exprima, corretamente, a imensa falta que sentimos de coisas ou pessoas queridas. E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra para usar todas as vezes em que sinto este
aperto no peito, meio nostálgico, meio gostoso, mas que funciona melhor do que
um sinal vital quando se quer falar de vida e de sentimentos.
Ela e a prova inequívoca de que somos sensíveis, de que amámos muito o
que tivemos e lamentamos as coisas boas que perdemos ao longo da nossa existencia
...
Sentir saudade, é sinal de que se está vivo! »

Autor Desconhecido

quarta-feira, dezembro 27, 2006

NA LUA?




Acendi duas velas
Nesta noite sem fim
Olhei longamente as estrelas
Que brilhavam por cima de mim.

O vento trazia o suave aroma
Que docemente me envolvia
Fechava os olhos quase em letargia
A enxergar com o brilho da mente
E já quase demente e iluminada pela lua
Sonhava e pensava que era tua
Quiz recitar todos os meus versos de amor
Mas tudo o que as vozes (passadas) falavam
Não conseguiam traduzir a dor
O ritmo descompassado do meu coração.
(E tinha tanto para dizer!...)
Tanto (cabe apenas) na dimensão de um abraço.
Ou na surpresa de um telefonema inesperado
Na doçura selvagem de um beijo roubado
Na sensação da terra molhada
Entrando pelos dedos dos pés

segunda-feira, dezembro 25, 2006

quarta-feira, dezembro 20, 2006

FELIZ NATAL PARA TODOS





Arábia
Idah Saidan Wa Sanah Jadidah

Argentina
Feliz Navidad

Armênia
Shenoraavor Nor Dari yev Pari Gaghand

Brasil
Boas Festas e Feliz Ano Novo

Bulgária
Tchestita Koleda; Tchestito Rojdestvo Hristovo

Chile
Feliz Navidad

China(Cantonese)
Gun Tso Sun Tan'Gung Haw Sun

Colômbia
Feliz Navidad y Próspero Año Nuevo

Croácia
Sretan Bozic

Holanda
Vrolijk Kerstfeest en een Gelukkig Nieuwjaar!

EUA, Inglaterra e países de lingual inglesa
Merry Christmas

França
Joyeux Noel

Grécia
Kala Christouyenna!

Hungria
Kellemes Karacsonyi unnepeket

Indonésia
Selamat Hari Natal

Iraque
Idah Saidan Wa Sanah Jadidah

Irlanda
Nollaig Shona Dhuit, or Nodlaig mhaith chugnat

Itália
Buone Feste Natalizie

Japão
Shinnen omedeto. Kurisumasu Omedeto

Coreia
Sung Tan Chuk Ha

Latim
Natale hilare et Annum Faustum!

Lituânia
Linksmu Kaledu

Macedônia
Sreken Bozhik

Noruega
God Jul, ou Gledelig Jul

Papua Nova Guiné
Bikpela hamamas blong dispela Krismas na Nupela yia i go long yu

Peru
Feliz Navidad y un Venturoso Año Nuevo

Filipinas
Maligayan Pasko!

Polônia
Wesolych Swiat Bozego Narodzenia ou Boze Narodzenie

Portugal
Feliz Natal

Romênia
Sarbatori vesele

Rússia
Pozdrevlyayu s prazdnikom Rozhdestva is Novim Godom

Sérvia
Hristos se rodi

Slovaquia
Sretan Bozic ou Vesele vianoce

Tailândia
Sawadee Pee Mai

Turquia
Noeliniz Ve Yeni Yiliniz Kutlu Olsun

Ucrânia
Srozhdestvom Kristovym

Vietnam
Chung Mung Giang Sinh

Yugoslavia
Cestitamo Bozic



ALMA DE CRIANÇA

Sou mulher (e pequenina)
Com alma de criança
Sonhos em flor de menina
Em promessas de esperança

Deixa-me brincar
Comer algodão doce
Deixa-me acreditar
Ah! Se menina eu fosse!...

Quem dera voltar às tranças
Saltar à corda e jogar
Voltar aquelas andanças
Sorrir, pular e não me preocupar

Estórias e contos de encantar
Príncipes, castelos e princesas
Um reino feliz para inventar
Um mundo (futuro) sem incertezas

segunda-feira, dezembro 18, 2006



QUANTO MAIS, MENOS

Quanto mais te conheço
Maior o desencontro
Quanto mais te procuro
Mais me desconheço
Quanto mais te desejo
Menos te vislumbro
Quanto mais te lembro
Mais e mais ... te sonho
Quanto mais... Quanto mais...
Menos... Nada ... Menos

sábado, dezembro 16, 2006



OLHARES

Palavras inaudíveis aos ouvidos
Olhares que não se trocam
Nem se cruzam
Gestos perdidos
Carícias à solta pelos ventos
Percorrendo o intocável
Como num sonho volátil
Buscando o improvável
Beijando os teus cabelos
De dedos transparentes
Na pele do teu rosto
Por desvendar

Não penses num minuto escapar
Não sonhes num segundo procurar
Nem sismes no futuro que te fará chorar
Não sigas caminhos sinuosos e torturosos
Nem pretendas saber as regras do que não sabes
Não tentes o segundo na fracção de tempo imediato
Nem sabes onde o consultar para dizeres

Tudo o que me digas não será nada
E chega de rir e sorrir
Coisas tão vãs como trocamos
Não serão nada
Porque nos meandros dos teus olhos
Habitam os meus....




Não quero sonhar
Quero despertar!

Deixar de te pensar
Para te tocar
Deixar de te pressentir
Para te sentir

sexta-feira, novembro 10, 2006


AH! SE EU PUDESSE ...

Se eu pudesse
Fixar-te na minha retina
Ofuscar-me na tua luz
Sem ter medo de virar menina
És o sol que me seduz
Se eu pudesse
Imprimir-te no meu coração
Absorver-te de mansinho
Cair em tentação
Saborear-te devagarinho
Se eu pudesse
Envolver-te num abraço
Prender-te num laço
Se eu pudesse
Roçar os lábios... e a boca
Roubar-te um beijo
Desorientada e louca
Matar-te de desejo
Se eu pudesse
Em ti amanhecer
Em ti anoitecer
Se eu pudesse
Em ti adormecer
E deixar (apenas) a vida acontecer

quinta-feira, novembro 09, 2006



EM BRANCO


Brindo à "nossa" história
Livro em branco por escrever
Dançando na bruma da minha memória
Ansiando por te percorrer
Somos tela vazia por colorir
Pauta sem nota nem melodia
Rosa em botão, por abrir
Quem sabe ... um dia ...

terça-feira, outubro 24, 2006


SAUDADE
Saudade!
Onde começa e termina?
Depois do amor, na cama?
Na despedida, quando alguém diz que nos ama
Ou afogada num copo de bar, na esquina?
Duma lágrima de (in) felicidade
A brotar num olhar perdido e lasso
Sinto da mesma proporção com que amo.
Meu começo, meu fim
Término e recomeço
Acontecem dentro de mim
Até consigo vê-la, em cada lágrima que derramo!
Chega sempre do mesmo jeito
Invade-me sorrateiramente
E toma conta do meu peito
Altera-me o sorriso
Entristece-me o olhar!
Tolha-me os movimentos
Tolda-me os sentidos
Derruba-me os planos
Enaltece-me os desejos
Faz-me sonhar com o roçar de corpos
Carícias ... carinhos ... mimos e .. beijos...
Saudade, que me leva a pensar em ti
Tu que nem sequer existes em mim
Princípio do fim
Nem percorrido, nem iniciado
A saudade...
Do que já se viveu
Do que no futuro se almeja
Do que um dia morreu
Da chama que em mim flameja
A saudade ...
Refeita de dor
Pintada, mas sem cor
Com um brilho lento
Esvoaçando pelo vento
Que teima em queimar...

domingo, outubro 01, 2006



CANSAÇO
Tudo o que faço
É escasso
Compasso
Erro crasso
No espaço
Mas sigo a passo
Refaço
Sem qualquer traço
Disfarço
Este cansaço
E desfaço
Um abraço

sexta-feira, setembro 29, 2006




DEVANEIOS

A sua pulsação está a subir
Está repleta de desânimo
De vontade de escrever
Até quase amanhecer
Ainda não se vislumbra
Nenhuma calamidade na penumbra
Apenas o desejo de fugir e sair
Algumas horas antes de dormir
Então... então...
Assim voa o pensamento
E num bater de asas para lá do firmamento
Sonha com um (nunca dado) beijo
Puro, simples e naive devaneio...

PERDIDA
Onde foi que me perdi
Onde terei deixado os meus brocados
E o meu coração feito aos bocados
Onde está o que eu já vivi
Onde terei deixado
Ficar tudo para tás
Meu ser está petrificado
A alma ferida e voraz
Onde ficaram os sonhos
A alegria e a paixão
O meu manto e castelos
Foram-se embora sem razão
Perdeu-se a esperança
Veio habitar a dor e o vazio
Matou-se a criança
Permaneceu apenas este frio
Secaram as flores do jardim
Queimei as asas da transparência
Quando (e onde) me terei perdido de mim
Que me deixou esta ausência...

quinta-feira, setembro 28, 2006




FLORESTA MÁGICA

Este sentimento desgovernado...
Que corre sem destino
Sem qualquer rumo
Atravessa as ruas da paixão
Sem freio e num perfeito desatino
Ultrapassa o farol da razão.
Sem controle.
Sem medo... ela vai...
Viajando por lugares outrora visitados
Descobertas que não têm fim.
Avistando ao longe as florestas mágicas da ilusão
Que de tão empolgantes, chegam a arrebatá-la
Num momento que parece quase eterno.
A avenida do prazer é curta demais
Para a sua sede obsessiva!
Passa por ela
Porém o desejo de voltar é constante.
A emoção cala a dor do coração.
Não há tempo a perder.
Mas de repente percebe que o cenário não é mais o mesmo.
Não há mais a alegria das florestas mágicas
Nem a excitação da avenida do prazer.
Nem toda aquela euforia
O soprar dos ventos torna-se audível
E o bosque do medo apresenta-se
Com suas árvores dançantes
Ao soprar e cantar dos ventos
Conferindo-lhe uma certa torpeza...
Mas, segue constante.
Insiste!
Não há tempo a perder
Passeia pelas praças tortuosas do pesadelo
Onde o lúdico e o real
Caminham sobre uma linha ténue
E ao debater-se contra criaturas estranhas
Cai no mar dos sonhos...
Deleita-se nas suas ondas.
Neste encantamento
Sente-se amiga dos seres marinhos
A água a tranquiliza
E o oscilar das ondas a leva
Para a terra do amor.
Uma terra fértil
Observa ao seu redor
Toda aquela imensidão
Porém, só existe terra, mar e céu.
Não há frutos?!
Não poderia ser o bosque do medo.
Pois não havia árvores dançantes.
Já havia passado pelos pesadelos e suas criaturas...
Terra, mar e céu.
Não existia a volúpia da avenida do prazer
Nem a alegria inocente das florestas mágicas...
Terra, mar e céu.
Percebeu ..
Que esses sentimentos não poderiam ser isolados.
Pois na terra do amor
Eles seriam um só.

quarta-feira, setembro 27, 2006


PARA Ti * (R...)

Segura na minha mão
Ainda que só por uma vez
Não finjas sentir coisa alguma
E muito menos coisa nenhuma
Não leves timidez
Nem tragas rigidez

Segura na minha mão
Para que eu possa...
Além de te ver
Sentir as vibrações do teu corpo
Da tua verdade e querer

Segura na minha mão
Que é finda, a luz do meu dia
Que é doce o arfar do teu beijo
Quente a vontade e o desejo
Infinita a dor que me prendia
Agora não sinto mais nada
Então segura a minha mão
Alcança com ela a força da alma
E os sonhos do meu coração
Peço, uma vez ainda!
Que não a largues, nem que te peça!

Segura minha mão firmemente
Agora! Segura, depressa!
Segura a minha mão ...
Encosta a cabeça no meu colo
Quero falar-te do meu mundo
Das coisas que nele adoro...
E do meu sentir profundo

Segura a minha mão
E não te apresses a largar
Segura nas minhas mãos docemente
Enquanto nelas podes segurar...
Sinto-me trémula e dormente
Deixa-as repousar assim
Suavemente nas tuas... até ao fim
Não te interrogues sobre ... o amanhã
Não faças muito caso
Não me questiones sobre ... o agora
Deixa apenas ... nas mãos do acaso

quinta-feira, setembro 14, 2006

MORRI
(Re)Lembro hoje...
Não sei bem porquê
O tempo que foge
E que um dia...
Não sei bem como, nem porquê
Morri
No meio dos teus sorrisos
Das tuas artimanhas mágicas, artes e traições
Algo me atordoou
Algo me despedaçou
Mas não sei bem o quê
Fiz-me cacos, em pedaços
Algo se tornou dor
De que matéria se faz o amor que ninguém vê?
Morri
No meio das minhas (salgadas e) teimosas lágrimas
Que cairam no meu livro de desgostos
De que se faz o amor que não se lê?
No meu conto de desassossegos
Continuo a virar as páginas
Tentando apagar o teu rosto
Procurando descobrir o meu rasto
Morri
No meio do que era teu
Do que pensava ser eu
No limiar do tempo e do mundo
Entre o céu e o mar
Ainda continuo a nascer
Num furioso Tsunami
津波
(Significando literalmente onda de porto
Ou uma série delas que ocorrem após perturbações abruptas
E que deslocam verticalmente a coluna de água)
Continuo a renascer
Num sangue de esperança
Que só actua no papel ... por escrever
Morri
Nas palavras que ficaram por dizer
No caos e estilhaços que juntei, colei e uni
Até que mão desatenta e descuidada
Me tente, afague e pegue outra vez
Me solte a mente, me desenhe o corpo
Me afaste, largue e me parta de novo
Que sentido terá o amor que não se crê?
Mas mesmo que me sinta perdida
E ainda ressentida
Tantas vezes incentivada
Outras tantas desmotivada
Ainda me sinto ... VIVA

segunda-feira, setembro 11, 2006


VIDA ...
A vida é injusta
Por mais que insista
Não vale de nada sonhar!
Não serve de nada lutar!
E muito menos chorar
É este meu triste fado
Que me persegue para todo o lado
Desisto...
Não resisto!
Não espero!
Só... desespero...

sábado, setembro 09, 2006


SÓ EU SEI MEU SONHO AZUL

Não estar aqui

Não ser assim
EU
Ser sem sentir
SEI
Ter um viver
MEU
Voar em pleno
SONHO
Viajar pelas nuvens do céu
AZUL

sexta-feira, setembro 01, 2006


TEUS OLHOS

Trazes nos olhos o vazio
Da tristeza de anos a fio
Que não se vê
Sequer se lê
Mas que se sente
Profundidade de mar
Que se pressente
Mistérios por desvendar
Caminhos por desbravar
Le(a)vas no olhar sombrio (e opaco)
Tantas vezes (des)encontrado
Veludo azul
Azul bebé
Azul do mar
Azul do céu
Disfarçando a crueza da vida
De uma infância sofrida
Retinas que aparentam frieza
Mero... e puro engano
Tentas apagar a tristeza
No meio de tanta gente
Que tantas vezes te mente
Outras nem te sente
Tentas ludibriar
O teu dia-a-dia de solidão
Num corre corre sem coração
Tentas ocultar
Os teus traumas, medos e receios
Os sonhos, fantasias e devaneios
Das tuas noites sem razão
Tentas disfarçar
Essa tua insana natureza
De espírito inquieto
Nos teus tiques nervosos
De quem não consegue ficar quieto