terça-feira, outubro 24, 2006


SAUDADE
Saudade!
Onde começa e termina?
Depois do amor, na cama?
Na despedida, quando alguém diz que nos ama
Ou afogada num copo de bar, na esquina?
Duma lágrima de (in) felicidade
A brotar num olhar perdido e lasso
Sinto da mesma proporção com que amo.
Meu começo, meu fim
Término e recomeço
Acontecem dentro de mim
Até consigo vê-la, em cada lágrima que derramo!
Chega sempre do mesmo jeito
Invade-me sorrateiramente
E toma conta do meu peito
Altera-me o sorriso
Entristece-me o olhar!
Tolha-me os movimentos
Tolda-me os sentidos
Derruba-me os planos
Enaltece-me os desejos
Faz-me sonhar com o roçar de corpos
Carícias ... carinhos ... mimos e .. beijos...
Saudade, que me leva a pensar em ti
Tu que nem sequer existes em mim
Princípio do fim
Nem percorrido, nem iniciado
A saudade...
Do que já se viveu
Do que no futuro se almeja
Do que um dia morreu
Da chama que em mim flameja
A saudade ...
Refeita de dor
Pintada, mas sem cor
Com um brilho lento
Esvoaçando pelo vento
Que teima em queimar...

domingo, outubro 01, 2006



CANSAÇO
Tudo o que faço
É escasso
Compasso
Erro crasso
No espaço
Mas sigo a passo
Refaço
Sem qualquer traço
Disfarço
Este cansaço
E desfaço
Um abraço

sexta-feira, setembro 29, 2006




DEVANEIOS

A sua pulsação está a subir
Está repleta de desânimo
De vontade de escrever
Até quase amanhecer
Ainda não se vislumbra
Nenhuma calamidade na penumbra
Apenas o desejo de fugir e sair
Algumas horas antes de dormir
Então... então...
Assim voa o pensamento
E num bater de asas para lá do firmamento
Sonha com um (nunca dado) beijo
Puro, simples e naive devaneio...

PERDIDA
Onde foi que me perdi
Onde terei deixado os meus brocados
E o meu coração feito aos bocados
Onde está o que eu já vivi
Onde terei deixado
Ficar tudo para tás
Meu ser está petrificado
A alma ferida e voraz
Onde ficaram os sonhos
A alegria e a paixão
O meu manto e castelos
Foram-se embora sem razão
Perdeu-se a esperança
Veio habitar a dor e o vazio
Matou-se a criança
Permaneceu apenas este frio
Secaram as flores do jardim
Queimei as asas da transparência
Quando (e onde) me terei perdido de mim
Que me deixou esta ausência...

quinta-feira, setembro 28, 2006




FLORESTA MÁGICA

Este sentimento desgovernado...
Que corre sem destino
Sem qualquer rumo
Atravessa as ruas da paixão
Sem freio e num perfeito desatino
Ultrapassa o farol da razão.
Sem controle.
Sem medo... ela vai...
Viajando por lugares outrora visitados
Descobertas que não têm fim.
Avistando ao longe as florestas mágicas da ilusão
Que de tão empolgantes, chegam a arrebatá-la
Num momento que parece quase eterno.
A avenida do prazer é curta demais
Para a sua sede obsessiva!
Passa por ela
Porém o desejo de voltar é constante.
A emoção cala a dor do coração.
Não há tempo a perder.
Mas de repente percebe que o cenário não é mais o mesmo.
Não há mais a alegria das florestas mágicas
Nem a excitação da avenida do prazer.
Nem toda aquela euforia
O soprar dos ventos torna-se audível
E o bosque do medo apresenta-se
Com suas árvores dançantes
Ao soprar e cantar dos ventos
Conferindo-lhe uma certa torpeza...
Mas, segue constante.
Insiste!
Não há tempo a perder
Passeia pelas praças tortuosas do pesadelo
Onde o lúdico e o real
Caminham sobre uma linha ténue
E ao debater-se contra criaturas estranhas
Cai no mar dos sonhos...
Deleita-se nas suas ondas.
Neste encantamento
Sente-se amiga dos seres marinhos
A água a tranquiliza
E o oscilar das ondas a leva
Para a terra do amor.
Uma terra fértil
Observa ao seu redor
Toda aquela imensidão
Porém, só existe terra, mar e céu.
Não há frutos?!
Não poderia ser o bosque do medo.
Pois não havia árvores dançantes.
Já havia passado pelos pesadelos e suas criaturas...
Terra, mar e céu.
Não existia a volúpia da avenida do prazer
Nem a alegria inocente das florestas mágicas...
Terra, mar e céu.
Percebeu ..
Que esses sentimentos não poderiam ser isolados.
Pois na terra do amor
Eles seriam um só.

quarta-feira, setembro 27, 2006


PARA Ti * (R...)

Segura na minha mão
Ainda que só por uma vez
Não finjas sentir coisa alguma
E muito menos coisa nenhuma
Não leves timidez
Nem tragas rigidez

Segura na minha mão
Para que eu possa...
Além de te ver
Sentir as vibrações do teu corpo
Da tua verdade e querer

Segura na minha mão
Que é finda, a luz do meu dia
Que é doce o arfar do teu beijo
Quente a vontade e o desejo
Infinita a dor que me prendia
Agora não sinto mais nada
Então segura a minha mão
Alcança com ela a força da alma
E os sonhos do meu coração
Peço, uma vez ainda!
Que não a largues, nem que te peça!

Segura minha mão firmemente
Agora! Segura, depressa!
Segura a minha mão ...
Encosta a cabeça no meu colo
Quero falar-te do meu mundo
Das coisas que nele adoro...
E do meu sentir profundo

Segura a minha mão
E não te apresses a largar
Segura nas minhas mãos docemente
Enquanto nelas podes segurar...
Sinto-me trémula e dormente
Deixa-as repousar assim
Suavemente nas tuas... até ao fim
Não te interrogues sobre ... o amanhã
Não faças muito caso
Não me questiones sobre ... o agora
Deixa apenas ... nas mãos do acaso

quinta-feira, setembro 14, 2006

MORRI
(Re)Lembro hoje...
Não sei bem porquê
O tempo que foge
E que um dia...
Não sei bem como, nem porquê
Morri
No meio dos teus sorrisos
Das tuas artimanhas mágicas, artes e traições
Algo me atordoou
Algo me despedaçou
Mas não sei bem o quê
Fiz-me cacos, em pedaços
Algo se tornou dor
De que matéria se faz o amor que ninguém vê?
Morri
No meio das minhas (salgadas e) teimosas lágrimas
Que cairam no meu livro de desgostos
De que se faz o amor que não se lê?
No meu conto de desassossegos
Continuo a virar as páginas
Tentando apagar o teu rosto
Procurando descobrir o meu rasto
Morri
No meio do que era teu
Do que pensava ser eu
No limiar do tempo e do mundo
Entre o céu e o mar
Ainda continuo a nascer
Num furioso Tsunami
津波
(Significando literalmente onda de porto
Ou uma série delas que ocorrem após perturbações abruptas
E que deslocam verticalmente a coluna de água)
Continuo a renascer
Num sangue de esperança
Que só actua no papel ... por escrever
Morri
Nas palavras que ficaram por dizer
No caos e estilhaços que juntei, colei e uni
Até que mão desatenta e descuidada
Me tente, afague e pegue outra vez
Me solte a mente, me desenhe o corpo
Me afaste, largue e me parta de novo
Que sentido terá o amor que não se crê?
Mas mesmo que me sinta perdida
E ainda ressentida
Tantas vezes incentivada
Outras tantas desmotivada
Ainda me sinto ... VIVA

segunda-feira, setembro 11, 2006


VIDA ...
A vida é injusta
Por mais que insista
Não vale de nada sonhar!
Não serve de nada lutar!
E muito menos chorar
É este meu triste fado
Que me persegue para todo o lado
Desisto...
Não resisto!
Não espero!
Só... desespero...

sábado, setembro 09, 2006


SÓ EU SEI MEU SONHO AZUL

Não estar aqui

Não ser assim
EU
Ser sem sentir
SEI
Ter um viver
MEU
Voar em pleno
SONHO
Viajar pelas nuvens do céu
AZUL

sexta-feira, setembro 01, 2006


TEUS OLHOS

Trazes nos olhos o vazio
Da tristeza de anos a fio
Que não se vê
Sequer se lê
Mas que se sente
Profundidade de mar
Que se pressente
Mistérios por desvendar
Caminhos por desbravar
Le(a)vas no olhar sombrio (e opaco)
Tantas vezes (des)encontrado
Veludo azul
Azul bebé
Azul do mar
Azul do céu
Disfarçando a crueza da vida
De uma infância sofrida
Retinas que aparentam frieza
Mero... e puro engano
Tentas apagar a tristeza
No meio de tanta gente
Que tantas vezes te mente
Outras nem te sente
Tentas ludibriar
O teu dia-a-dia de solidão
Num corre corre sem coração
Tentas ocultar
Os teus traumas, medos e receios
Os sonhos, fantasias e devaneios
Das tuas noites sem razão
Tentas disfarçar
Essa tua insana natureza
De espírito inquieto
Nos teus tiques nervosos
De quem não consegue ficar quieto

segunda-feira, agosto 14, 2006




LOUCURA?

Tenho um sonho e um grito
Aqui dentro de mim
Tenho um cansaço e um abraço
Em tudo o que faço assim
Tenho a loucura do desejo
De ver o que não vejo
De sentir o que não sinto
De ser o que não sou
Tenho uma vontade louca
De tirar a roupa
Andar por aí
E abrir a janela
Ascender uma vela
E contar as estrelas
Tenho este sonho que invento
Que se perde no espaço
Soprado pelo vento
Tenho nos lábios um conto
Que me faz feliz e encanta
Tenho um poema que me diz
Que poeta eu não sou
Que mulher também não
Sou um pedaço do céu
Um grito do coração
Tenho o nada e o tudo
Que não me contenta
Mas que foge de mim
E se ausenta ...

domingo, agosto 13, 2006


DUALIDADES II

Prazer.
Ardor.
Arder.
Amor.
Foder
Atar.
Beijar.
Acariciar.
Fundir.
Gemer.
Unir.
Assar.
Partir.
Amassar.
Doer.
Trepar.
Castigar.
Enlouquecer.
Bater.
Roçar.
Morder.
Libertar.
Soltar: a vida; o espírito; o corpo; o tudo.
Chorar.
Sofrer.
Acreditar.
Desejar.
Querer.
Ser.
Estar.
Parecer.
Crer.
Sonhar.
Elevar: o vício; a mente; a alma; o vazio.
Sorrir.
Ficar.
Resistir.
Acarinhar.
Permanecer.
Cruzar.
Fugir.
Gritar.
Sorver.
Enroscar.
Desaparecer.
Fumar.
Embriagar.
Zarpar.
Libertar: o coração; a razão; a tesão; o nada.

sábado, agosto 12, 2006


DUALIDADES

Para quê possuir o sol
Se existe a lua
Desejar o luar
Quando se tem a luz
O sol não é sempre igual
É aurora no despertar
É radioso ao meio dia
É implacável, arrogante e enfadonho no pico
Quando já vai alto
É romântico e quase mágico no entardecer
E já em jeito de despedida
Se prepara para adormecer
E ceder lugar à lua
Essa poderosa mentirosa
Nas suas diversas faces
É invejosa em quarto minguante
É generosa em quarto crescente
É renovadora quando lua nova
É voluptuosa em lua cheia
Repleta de sensações e pecado
Recheada de vontades carnais
Esboço de desejos
Fazedora de sonhos
Trampolim de excitações
Inimiga do sono
Aliada das paixões
Companheira dos amantes
Ganhadora de corpos
Eu também, meu amor
Sou assim ...
Sou noite, sou dia
Sou sol, sou lua
E no sol.. trago mil soís a brilhar
E na lua... mil faces de luar
Pertenço-te, mas não sou tua
Gosto de ti, mas sem te amar
Pois é meu amor
Eu sempre te disse...
Depois das trevas, vem o que reluz
Na própria luz esconde-se a escuridão
Por vezes sou anjo celestial e puro
Outras vezes demónio cru e duro
Se vivo na luz desejo as trevas
Se habito na escuridão (pers) sigo a luz
Se estou no inferno quero o céu
Se fico na condenação do breu
Busco o paraíso e a redenção

quarta-feira, agosto 09, 2006


DELPHINA

Delphina de nome
Delphina de corpo
Pequenina, delgada e fina

Lembro-me de Ti
De teu corpo tão pequenino
De mulher criança
Espalhando mimo
De criança mulher
Buscando uma nova esperança

Lembro-me de Ti
Da tua pele curtida pelo sol
No teu rosto as marcas deixadas pelo tempo
Pelas tristezas e alegrias
Pela vida, passado e presente dos anos

Lembro-me de Ti
Das tuas mãos calejadas das lides e do campo
Mãos pequeninas e contudo fortes
Engelhadas e àsperas
Mas prontas para trabalhar e lutar
Sempre para dar e receber

Lembro-me de Ti
Do teu sorriso harmonioso
Quase tímido e sempre tão calado
Mas contudo radioso

Lembro-me de Ti
Do brilho do teu olhar
Que tentava ocultar a dor
O luto e a morte espantar
Nessas cortinas castanhas e opacas
A realidade da vida ofuscar

Lembro-me de Ti
Do teu cheiro a terra
Pinheiros, sol e a ceara
Do leite acabado de ferver
Da cevada pronta a beber

Lembro-me de Ti
Dos teus abraços tão ternos
Na minha doce infância
Dos teus pquenos presentes eternos
Nas mãos de uma criança

Não me lembro
Do som e entoação
Que tinha a tua voz
Imagino que fosse doce como o mel
Na tentativa de disfarçar
O permanente travo a fel
Que trazias e que querias evitar
E também aquele grito na garganta
Que pretendias calar

Lembro-me de ti
De quando te penteavas frente espelho
Cabelo longo, enfraquecido e branco como a neve
Desembaraçavas os fios esbranquiçados
Com a ajuda de uma "travessa"
Num gesto sábio e experiente
Fazias um belo chinó
E voltavas a colocar o lenço preto
Ficava a matutar o porquê de alguém
"Perder tempo" a arranjar o cabelo
Para logo a seguir o esconder!

Lembro-me de Ti
Sempre trajada de negro
Em homenagem à morte
Para recordar a dor e o sofrimento
Um dia perguntei-te o porquê
Desse teu vestir de preto
"Estou de luto"
Mas passaram mais de 20 anos retorqui eu
«Para mim não passaram...
É como se fosse hoje» respondeu-me
Com um tom grave e enigmático
O olhar perdido e vazio
Notei os olhos a ficarem opacos
Ia jurar que tinha contado uma lágrima
«Não há nada que apague a dor
Da morte de um filho... quanto mais de dois...»
E como isto olhou-me com ar sério e de enfado
Como quem dizia
"Nina, não são contas do teu rosário"
Nunca mais a inquiri
Sobre o estranho fado
De vestir de negro
Soube ali que seria até ao fim
Na vida e na morte

Lembro-me de Ti
Lutadora, corajosa
Dura, séria e grave
Meiga e verdadeira
Vencedora das agruras da vida

Lembro-me de Ti
Esposa, mãe, avó
Mas sobretudo MULHER
Com fibra beirã
Mulher das serras

Lembro-me de Ti
Sei que sonho na mente
Sei que te levo na alma
Sei que te guardo no coração
Sei que te tranco no peito
Sei que te transporto nos genes
E não é sem razão
Que te trago no sangue
Que corres nas minhas veias
E enquanto eu viver
Vou lembrar-me de ti
MULHER, minha Delphininha

sexta-feira, julho 28, 2006


*** ESTRELA ***

Viajante das estrelas
Num penoso caminhar de céu
Escuro como bréu
Outras vezes iluminado
Na busca da estrela mais cintilante
Do nosso outro lado
Constante procura
Da que nos ofusca
Da maleita que nos sara e cura
E mesmo que nos leve à loucura
Não será em vão ...
Espero bem que não!
Sempre tentando agarrá-la...
E se por mero acaso vira perigo
Pode também ser sinal de abrigo
Por um carreiro cheio de sonhos
Quase sempre de impossibilidades
Atalhos que não levam a lado nenhum
Nem nos faz bem algum
Auto-estradas infinitas de devaneios
Calçadas de medos e de receios
E se o amor nos rasga por dentro
E nos arranca o coração
Que ao menos seja sublime
Quer seja amor ou paixão
Ou até simples tesão
Pelo menos que seja verdadeiro
Se queima, deixar arder
Se escalda, deixar ferver
Se atiça, deixa incendiar
Se aviva, deixa queimar
Não sei o que a estrela me reserva
Se lhe pergunto
Que caminho seguir
Ela nada me diz
Se lhe percruto
De que será feito o devir
Ela nada sabe
Limita-se a iluminar, a brilhar
Tentando me ofuscar
Eu própria não sei
De que matéria será feito o amanhã
Talvez ... vá despertar
Talvez vá finalmente acordar
Seduz-me!
Sem pensar
Nem vacilar
Sem indecisões e sem receio
Oferece-me flores
Traz-me cartões de amores
Dá-me as estrelas
Que tu colherás especialmente para mim
Rouba a lua
Numa qualquer noite sem fim
Quero ser tua

Seduz-me!
Pecorre o universo
Inventa-me uma canção
Escreve-me um verso
Que me fale de paixão
Realiza um filme
Mas de argumento sublime
Traça-me num desenho
Quero ver esse teu engenho
Tira-me o retrato
Numa foto a preto e branco
Toca uma sonata de Chopin
Pinta-me numa aguarela tipo Gaugin
Sorri comigo
Faz-me rir contigo
Despe-me a pouca roupa
Rouba-me a boca
Deixa-te ir
Faz-me vir
Toca-me sem me tocares
Surpreende-me
Prende-me
Conta-me histórias
Fala-me da tua vida
Já vivida e ainda viver
Olha-me nos olhos
Faz-me sentir
Um ser especial
A mais linda flor do roseiral

Seduz-me!
Fala-me de amor
Do teu sorriso e do paraíso
Leva embora a dor
Vem com os teus beijos
Traz os teus desejos
Traz velas e uma garrafa de vinho
Pão, uma tábua de queijos e um carinho
E também uma caixinha de chocolate
Embrulhado num laço escarlate
E se for necessário ...
Prende-me nos teus braços
Dá-me os teus abraços
E posso jurar-te
Que se assim vieres
E se assim quiseres
Eu não poderei
Eu não saberei
RESISTIR-TE ...

quinta-feira, julho 27, 2006


NOUS SUIVONS LES ÉTOILES

Nous suivons les étoiles
Parce qu'elles nous appartiennent.
Mais où irons-nous avec les étoiles?
Sur un chemin de rêves et d'impossibilités.
Mais même dans les impossibilités
Nous pouvons toujours rêver.
Si c'est l'amour qui nous déchire,
Qu'au moins il soit sublime.
Que ce soit l'amour ou la passion,
Que au moins ça soit vrai.

Que ça brûle
Tant que brûlent nos âmes,
Tant que nous ne savons pas
Ce que nous réservent les étoiles.

Mais, si je demande aux étoiles,
De quoi sera fait demain,
Elles ne répondent rien,
Elles ne savent rien,
Elles ne font que briller,
Elles ne font que nous illuminer.
Parce que nous ne savons pas non plus
De quoi demain sera fait.
Peut-être... peut-être on va se réveiller...
Séduis-moi!
Sans réfléchir,
Sans indécisions et sans peur.
Apporte-moi des fleurs,
Offre-moi des étoiles
Que tu cueilliras spécialement pour moi!

Séduis-moi!
Cours le monde,
Invente une chanson,
Écris-moi des verses
Qui parlent de passion.
Rigole avec moi,
Fais-moi rire,
Touche-moi sans me toucher.

Surprends-moi,
Prends-moi!!!
Parle-moi de toi,
De ta vie.
Regarde-moi dans les yeux
Fais-moi sentir
Un être spécial.

Séduis-moi!
Parle-moi d'amour
Et de paradis.
Viens avec des baisers,
Des bougies et du vin rouge,
Si nécessaire...
Prends-moi dans tes bras
Et je te le jure
Que si tu viens ainsi
Je ne saurai pas te résister...

quarta-feira, julho 26, 2006


SONHOS DE UMA NOITE DE VERÃO


Teus cabelos lembram-me uma ceara madura
Balançando e dançando ao vento
Pronta para nela me perder

Teus olhos lagoas translúcidas
Calmos, imensos e profundos
Luz e reflexo das minhas retinas
Onde quero me afogar

Teus lábios amoras selvagens
Frescos, saborosos e ávidos
Prontos a serem (re)colhidos
E que eu quero provar e saborear

Teu peito uma coluna de um templo grego
Forte, robusto e seguro
Onde quero me aninhar
Fechar os olhos e descansar

Teus braços, verdes canaviais
Que me enlaçam com carinho
Ata-me, não quero fugir, quero ficar
Aqui contigo, para sempre juntinho

Teu colo um baloiço de criança
Suporte da minha esperança
Onde quero me embalar
Sorrir, adormecer e sonhar

Tuas pernas trepadeiras de jardim
Entrelaçadas no meu corpo
Prendem-me num abraço sem fim
Faz-me bem este reconforto
De barco atracado a um porto

Teus pés âncoras de navio
Prenúncio de viagem
Ponto de partida e chegada
Tapete de arraiolos bordado de fio a pavio

Tua pele suave como lençol de cetim
Quase cor de marfim
Macia e doce sabe a mel
Polpa de alperce que quero trincar
Cheira a jasmim
Quero tocá-la até ao fim

Teu corpo, um rio em desalinho
Onde quero navegar
Farol em porto seguro
Onde me quero atracar
Teu sorriso, um pôr-do-sol em agonia
Tira-me o juizo
Transtorna-me a fisionomia
Perco o tino, esqueço o ciso
Tua voz, melodia de compasso de piano
Música para os meus ouvidos
Vibração e sonata que não me faz dano
Mas que me alimenta os sentidos
Teu cheiro, brisa do mar
Perfume de maresia
Cheira a sal e a roseiral
É pecado meu, é heresia

Imagino-te a despontar na madrugada
Como uma doce alvorada
Imagino-te um pôr do sol no final do dia
Ou um arco iris rompendo as nuvens
Imagino-te lua cheia
Numa noite limpa e cálida
E eu uma estrela cadente (um pouco pálida)
Que atravessa o teu firmamento
Peço um desejo e ... vem um beijo

Eu serei o sol das tuas noites
E tu... e tu.. a lua dos meus dias
Eu, sombra de uma tarde de abrasão
E tu, luar de uma noite de verão ...

terça-feira, julho 25, 2006

SOLIDÃO AMIGA

Solidão minha amiga fiel
Nos meus dias companheira
Amante nas minhas noites
Castradora dos meus sonhos
Devoradora da minha alma
Que me rouba a calma
Usurpadora do meu sorriso
Inimiga da luz dos meus olhos
Assassina do meu juízo
Mais esta noite e sempre... vens
Nunca bates à porta
Nem pedes licença para entrar
Já me acostumei à tua presença
Sei que vens para ficar
Nunca ficas doente
Muito menos ausente
Sempre disponível
És omnipresente
Mas já não te temo mais
Já me acostumei à tua presença
Do teu olhar gélido
Que me gela o peito
Do teu tacto vazio
Sob o frio do lençol
Do teu sabor amargo
Acre e que sabe a fel
Das tuas gargalhadas de tédio
Bocejos de dor e frio
Queria oferecer-te uma viagem
Um bilhete de ida sem volta
Num destino bem longínquo
Com ida mas sem retorno
Luto, tento, resisto
Sofro, choro, desisto
E a tua imagem
Não sai da minha mente
Onde quer quer que eu vá estás sempre presente
Saio e vou para as ruas
Misturando-me na multidão de anónimos
Pessoas sem rosto, sem nome nem idade
Crispadas da sociedade
Também prisioneiras tuas
Teimas com a tua presença sem licença
Persegues como uma sombra
Esteja ao sol ou na penumbra
Seja primavera, verão, outono, inverno
Esteja de frente ou verso
Por favor vai-te embora, para bem longe
Tira umas férias!
Ou uma licença sem vencimento!
A tua presença é pior que um mau casamento!
Fazes-me tanta falta como uma viola num enterro!
Sofro, choro, desisto
Mas luto, tento e por fim resisto...
Breves momentos em que te ignoro
Volto as costas e faço de conta que nem existes
E lembro... recordo...
Do suave toque de um beijo
E do doce sabor que me vem
Quando penso nele...

sexta-feira, julho 21, 2006


"AS PALAVRAS QUE NUNCA TE DIREI"
Não me conheces, nunca me viste...
Mas sabes já muito de mim, dos meus sonhos, dos meus medos e receios
Não estavas comigo nessa estrada que ficou para trás...
Enquanto seguias aí, a tua vida.
Aqui, eu fui-me conhecendo um pouco mais.
Hoje, posso dizer quem sou, para onde vou, mas tu não... não me conheces...
Se me conhecesses, entenderias a minha saudade
O meu sorrir de lágrimas, a minha tristeza feliz...
Os momentos mais especiais da minha vida...
Os meus desamores de amor
A minha sede e ânsia de viver
O cansaço miserável e vontade de por vezes desistir
Os sonhos traçados na ponta das mãos, sonhados, pensados e muitos ainda por realizar
Outros, nem sonhados, nem pensados, mas que vão se acumulando e acontecendo em catadupa
O cantinho dos meus receios e devaneios
A serenidade e calmaria aparente em mente convulsiva, "doentia" (por vezes diabólica)
Não podes dizer quem sou
Não sabes sequer para onde vou
Não sabes o que sonho
Talvez entendesses se te dissesse...
O quanto és ESPECIAL para mim...
Mas não me interpretes mal!
Tuas palavras, teus carinhos, teus gestos que mesmo distante, posso (pres)senti-los.
TU! TU!...
E não te encontro,
Sequer te vejo
Ou falo contigo…
Onde estás? Para onde vás? O que sonhas?
Esta ausência, causa-me ... Saudade!!!
Se me conhecesses, entenderias o que sinto.
Sinto saudades de ti! De mim!
De nós (?!)
Não te conheço também, mas sinto a tua falta...
Aqui... são apenas... palavras... escritas com a ponta de dedos, navegando por este mar de fios e rede, onde os peixes são ferramentas e o ceú monitor que reflecte a minha face (tantas vezes o meu sorriso a disfarçar concentração e seriedade). E o vento, esse é o som das janelas por abrir e/ ou a fechar...

segunda-feira, julho 17, 2006


A DISTÂNCIA

Ele espera-a angustiado... Apertado dentro do seu próprio coração. Sente o pavor de perder.. Mas não é um perder comum...
É aquela sensação de perda constante que sentem aqueles que não têm por hábito tomar os outros como garantidos.
Perscruta-a com todos os sentidos em alerta, transformados em palavras e suspiros quase inaudíveis. Nunca se esquece de demonstrar o seu interesse e sabe que mais não pode fazer para a cativar. Isso desespera-o... Quase.
Mas não faz mais nada. Apenas faz tudo o que pode...
Ela também! Sinceramente! E ele sabe, porque conseguem por alguma via telepática ou feita de sonhos fazer entender essa mensagem quase química... Feita de moléculas de dedicação.
Ela também se desespera. Porque tem as asas partidas e quando finalmente pode conversar com ele e se prepara para voar em devaneios de partilhas "faladas"... Cai... Num sono profundo tendo apenas tempo para esperar que no dia seguinte consiga pelo menos sentir a presença dele, livre, à sua espera...
Hoje, como sempre, mesmo antes de o conhecer, os meus pensamentos vão para ele...
A distância maltrata-os...
A distância que separa o norte e o sul de um país, a distância impiedosamente extensa que é preciso vencer para atravessar a imensidão azul e indiferente de um oceano...
A distância que separa uma palavra de um abraço...
A distância maltrata-nos!