segunda-feira, agosto 14, 2006




LOUCURA?

Tenho um sonho e um grito
Aqui dentro de mim
Tenho um cansaço e um abraço
Em tudo o que faço assim
Tenho a loucura do desejo
De ver o que não vejo
De sentir o que não sinto
De ser o que não sou
Tenho uma vontade louca
De tirar a roupa
Andar por aí
E abrir a janela
Ascender uma vela
E contar as estrelas
Tenho este sonho que invento
Que se perde no espaço
Soprado pelo vento
Tenho nos lábios um conto
Que me faz feliz e encanta
Tenho um poema que me diz
Que poeta eu não sou
Que mulher também não
Sou um pedaço do céu
Um grito do coração
Tenho o nada e o tudo
Que não me contenta
Mas que foge de mim
E se ausenta ...

domingo, agosto 13, 2006


DUALIDADES II

Prazer.
Ardor.
Arder.
Amor.
Foder
Atar.
Beijar.
Acariciar.
Fundir.
Gemer.
Unir.
Assar.
Partir.
Amassar.
Doer.
Trepar.
Castigar.
Enlouquecer.
Bater.
Roçar.
Morder.
Libertar.
Soltar: a vida; o espírito; o corpo; o tudo.
Chorar.
Sofrer.
Acreditar.
Desejar.
Querer.
Ser.
Estar.
Parecer.
Crer.
Sonhar.
Elevar: o vício; a mente; a alma; o vazio.
Sorrir.
Ficar.
Resistir.
Acarinhar.
Permanecer.
Cruzar.
Fugir.
Gritar.
Sorver.
Enroscar.
Desaparecer.
Fumar.
Embriagar.
Zarpar.
Libertar: o coração; a razão; a tesão; o nada.

sábado, agosto 12, 2006


DUALIDADES

Para quê possuir o sol
Se existe a lua
Desejar o luar
Quando se tem a luz
O sol não é sempre igual
É aurora no despertar
É radioso ao meio dia
É implacável, arrogante e enfadonho no pico
Quando já vai alto
É romântico e quase mágico no entardecer
E já em jeito de despedida
Se prepara para adormecer
E ceder lugar à lua
Essa poderosa mentirosa
Nas suas diversas faces
É invejosa em quarto minguante
É generosa em quarto crescente
É renovadora quando lua nova
É voluptuosa em lua cheia
Repleta de sensações e pecado
Recheada de vontades carnais
Esboço de desejos
Fazedora de sonhos
Trampolim de excitações
Inimiga do sono
Aliada das paixões
Companheira dos amantes
Ganhadora de corpos
Eu também, meu amor
Sou assim ...
Sou noite, sou dia
Sou sol, sou lua
E no sol.. trago mil soís a brilhar
E na lua... mil faces de luar
Pertenço-te, mas não sou tua
Gosto de ti, mas sem te amar
Pois é meu amor
Eu sempre te disse...
Depois das trevas, vem o que reluz
Na própria luz esconde-se a escuridão
Por vezes sou anjo celestial e puro
Outras vezes demónio cru e duro
Se vivo na luz desejo as trevas
Se habito na escuridão (pers) sigo a luz
Se estou no inferno quero o céu
Se fico na condenação do breu
Busco o paraíso e a redenção

quarta-feira, agosto 09, 2006


DELPHINA

Delphina de nome
Delphina de corpo
Pequenina, delgada e fina

Lembro-me de Ti
De teu corpo tão pequenino
De mulher criança
Espalhando mimo
De criança mulher
Buscando uma nova esperança

Lembro-me de Ti
Da tua pele curtida pelo sol
No teu rosto as marcas deixadas pelo tempo
Pelas tristezas e alegrias
Pela vida, passado e presente dos anos

Lembro-me de Ti
Das tuas mãos calejadas das lides e do campo
Mãos pequeninas e contudo fortes
Engelhadas e àsperas
Mas prontas para trabalhar e lutar
Sempre para dar e receber

Lembro-me de Ti
Do teu sorriso harmonioso
Quase tímido e sempre tão calado
Mas contudo radioso

Lembro-me de Ti
Do brilho do teu olhar
Que tentava ocultar a dor
O luto e a morte espantar
Nessas cortinas castanhas e opacas
A realidade da vida ofuscar

Lembro-me de Ti
Do teu cheiro a terra
Pinheiros, sol e a ceara
Do leite acabado de ferver
Da cevada pronta a beber

Lembro-me de Ti
Dos teus abraços tão ternos
Na minha doce infância
Dos teus pquenos presentes eternos
Nas mãos de uma criança

Não me lembro
Do som e entoação
Que tinha a tua voz
Imagino que fosse doce como o mel
Na tentativa de disfarçar
O permanente travo a fel
Que trazias e que querias evitar
E também aquele grito na garganta
Que pretendias calar

Lembro-me de ti
De quando te penteavas frente espelho
Cabelo longo, enfraquecido e branco como a neve
Desembaraçavas os fios esbranquiçados
Com a ajuda de uma "travessa"
Num gesto sábio e experiente
Fazias um belo chinó
E voltavas a colocar o lenço preto
Ficava a matutar o porquê de alguém
"Perder tempo" a arranjar o cabelo
Para logo a seguir o esconder!

Lembro-me de Ti
Sempre trajada de negro
Em homenagem à morte
Para recordar a dor e o sofrimento
Um dia perguntei-te o porquê
Desse teu vestir de preto
"Estou de luto"
Mas passaram mais de 20 anos retorqui eu
«Para mim não passaram...
É como se fosse hoje» respondeu-me
Com um tom grave e enigmático
O olhar perdido e vazio
Notei os olhos a ficarem opacos
Ia jurar que tinha contado uma lágrima
«Não há nada que apague a dor
Da morte de um filho... quanto mais de dois...»
E como isto olhou-me com ar sério e de enfado
Como quem dizia
"Nina, não são contas do teu rosário"
Nunca mais a inquiri
Sobre o estranho fado
De vestir de negro
Soube ali que seria até ao fim
Na vida e na morte

Lembro-me de Ti
Lutadora, corajosa
Dura, séria e grave
Meiga e verdadeira
Vencedora das agruras da vida

Lembro-me de Ti
Esposa, mãe, avó
Mas sobretudo MULHER
Com fibra beirã
Mulher das serras

Lembro-me de Ti
Sei que sonho na mente
Sei que te levo na alma
Sei que te guardo no coração
Sei que te tranco no peito
Sei que te transporto nos genes
E não é sem razão
Que te trago no sangue
Que corres nas minhas veias
E enquanto eu viver
Vou lembrar-me de ti
MULHER, minha Delphininha

sexta-feira, julho 28, 2006


*** ESTRELA ***

Viajante das estrelas
Num penoso caminhar de céu
Escuro como bréu
Outras vezes iluminado
Na busca da estrela mais cintilante
Do nosso outro lado
Constante procura
Da que nos ofusca
Da maleita que nos sara e cura
E mesmo que nos leve à loucura
Não será em vão ...
Espero bem que não!
Sempre tentando agarrá-la...
E se por mero acaso vira perigo
Pode também ser sinal de abrigo
Por um carreiro cheio de sonhos
Quase sempre de impossibilidades
Atalhos que não levam a lado nenhum
Nem nos faz bem algum
Auto-estradas infinitas de devaneios
Calçadas de medos e de receios
E se o amor nos rasga por dentro
E nos arranca o coração
Que ao menos seja sublime
Quer seja amor ou paixão
Ou até simples tesão
Pelo menos que seja verdadeiro
Se queima, deixar arder
Se escalda, deixar ferver
Se atiça, deixa incendiar
Se aviva, deixa queimar
Não sei o que a estrela me reserva
Se lhe pergunto
Que caminho seguir
Ela nada me diz
Se lhe percruto
De que será feito o devir
Ela nada sabe
Limita-se a iluminar, a brilhar
Tentando me ofuscar
Eu própria não sei
De que matéria será feito o amanhã
Talvez ... vá despertar
Talvez vá finalmente acordar
Seduz-me!
Sem pensar
Nem vacilar
Sem indecisões e sem receio
Oferece-me flores
Traz-me cartões de amores
Dá-me as estrelas
Que tu colherás especialmente para mim
Rouba a lua
Numa qualquer noite sem fim
Quero ser tua

Seduz-me!
Pecorre o universo
Inventa-me uma canção
Escreve-me um verso
Que me fale de paixão
Realiza um filme
Mas de argumento sublime
Traça-me num desenho
Quero ver esse teu engenho
Tira-me o retrato
Numa foto a preto e branco
Toca uma sonata de Chopin
Pinta-me numa aguarela tipo Gaugin
Sorri comigo
Faz-me rir contigo
Despe-me a pouca roupa
Rouba-me a boca
Deixa-te ir
Faz-me vir
Toca-me sem me tocares
Surpreende-me
Prende-me
Conta-me histórias
Fala-me da tua vida
Já vivida e ainda viver
Olha-me nos olhos
Faz-me sentir
Um ser especial
A mais linda flor do roseiral

Seduz-me!
Fala-me de amor
Do teu sorriso e do paraíso
Leva embora a dor
Vem com os teus beijos
Traz os teus desejos
Traz velas e uma garrafa de vinho
Pão, uma tábua de queijos e um carinho
E também uma caixinha de chocolate
Embrulhado num laço escarlate
E se for necessário ...
Prende-me nos teus braços
Dá-me os teus abraços
E posso jurar-te
Que se assim vieres
E se assim quiseres
Eu não poderei
Eu não saberei
RESISTIR-TE ...

quinta-feira, julho 27, 2006


NOUS SUIVONS LES ÉTOILES

Nous suivons les étoiles
Parce qu'elles nous appartiennent.
Mais où irons-nous avec les étoiles?
Sur un chemin de rêves et d'impossibilités.
Mais même dans les impossibilités
Nous pouvons toujours rêver.
Si c'est l'amour qui nous déchire,
Qu'au moins il soit sublime.
Que ce soit l'amour ou la passion,
Que au moins ça soit vrai.

Que ça brûle
Tant que brûlent nos âmes,
Tant que nous ne savons pas
Ce que nous réservent les étoiles.

Mais, si je demande aux étoiles,
De quoi sera fait demain,
Elles ne répondent rien,
Elles ne savent rien,
Elles ne font que briller,
Elles ne font que nous illuminer.
Parce que nous ne savons pas non plus
De quoi demain sera fait.
Peut-être... peut-être on va se réveiller...
Séduis-moi!
Sans réfléchir,
Sans indécisions et sans peur.
Apporte-moi des fleurs,
Offre-moi des étoiles
Que tu cueilliras spécialement pour moi!

Séduis-moi!
Cours le monde,
Invente une chanson,
Écris-moi des verses
Qui parlent de passion.
Rigole avec moi,
Fais-moi rire,
Touche-moi sans me toucher.

Surprends-moi,
Prends-moi!!!
Parle-moi de toi,
De ta vie.
Regarde-moi dans les yeux
Fais-moi sentir
Un être spécial.

Séduis-moi!
Parle-moi d'amour
Et de paradis.
Viens avec des baisers,
Des bougies et du vin rouge,
Si nécessaire...
Prends-moi dans tes bras
Et je te le jure
Que si tu viens ainsi
Je ne saurai pas te résister...

quarta-feira, julho 26, 2006


SONHOS DE UMA NOITE DE VERÃO


Teus cabelos lembram-me uma ceara madura
Balançando e dançando ao vento
Pronta para nela me perder

Teus olhos lagoas translúcidas
Calmos, imensos e profundos
Luz e reflexo das minhas retinas
Onde quero me afogar

Teus lábios amoras selvagens
Frescos, saborosos e ávidos
Prontos a serem (re)colhidos
E que eu quero provar e saborear

Teu peito uma coluna de um templo grego
Forte, robusto e seguro
Onde quero me aninhar
Fechar os olhos e descansar

Teus braços, verdes canaviais
Que me enlaçam com carinho
Ata-me, não quero fugir, quero ficar
Aqui contigo, para sempre juntinho

Teu colo um baloiço de criança
Suporte da minha esperança
Onde quero me embalar
Sorrir, adormecer e sonhar

Tuas pernas trepadeiras de jardim
Entrelaçadas no meu corpo
Prendem-me num abraço sem fim
Faz-me bem este reconforto
De barco atracado a um porto

Teus pés âncoras de navio
Prenúncio de viagem
Ponto de partida e chegada
Tapete de arraiolos bordado de fio a pavio

Tua pele suave como lençol de cetim
Quase cor de marfim
Macia e doce sabe a mel
Polpa de alperce que quero trincar
Cheira a jasmim
Quero tocá-la até ao fim

Teu corpo, um rio em desalinho
Onde quero navegar
Farol em porto seguro
Onde me quero atracar
Teu sorriso, um pôr-do-sol em agonia
Tira-me o juizo
Transtorna-me a fisionomia
Perco o tino, esqueço o ciso
Tua voz, melodia de compasso de piano
Música para os meus ouvidos
Vibração e sonata que não me faz dano
Mas que me alimenta os sentidos
Teu cheiro, brisa do mar
Perfume de maresia
Cheira a sal e a roseiral
É pecado meu, é heresia

Imagino-te a despontar na madrugada
Como uma doce alvorada
Imagino-te um pôr do sol no final do dia
Ou um arco iris rompendo as nuvens
Imagino-te lua cheia
Numa noite limpa e cálida
E eu uma estrela cadente (um pouco pálida)
Que atravessa o teu firmamento
Peço um desejo e ... vem um beijo

Eu serei o sol das tuas noites
E tu... e tu.. a lua dos meus dias
Eu, sombra de uma tarde de abrasão
E tu, luar de uma noite de verão ...

terça-feira, julho 25, 2006

SOLIDÃO AMIGA

Solidão minha amiga fiel
Nos meus dias companheira
Amante nas minhas noites
Castradora dos meus sonhos
Devoradora da minha alma
Que me rouba a calma
Usurpadora do meu sorriso
Inimiga da luz dos meus olhos
Assassina do meu juízo
Mais esta noite e sempre... vens
Nunca bates à porta
Nem pedes licença para entrar
Já me acostumei à tua presença
Sei que vens para ficar
Nunca ficas doente
Muito menos ausente
Sempre disponível
És omnipresente
Mas já não te temo mais
Já me acostumei à tua presença
Do teu olhar gélido
Que me gela o peito
Do teu tacto vazio
Sob o frio do lençol
Do teu sabor amargo
Acre e que sabe a fel
Das tuas gargalhadas de tédio
Bocejos de dor e frio
Queria oferecer-te uma viagem
Um bilhete de ida sem volta
Num destino bem longínquo
Com ida mas sem retorno
Luto, tento, resisto
Sofro, choro, desisto
E a tua imagem
Não sai da minha mente
Onde quer quer que eu vá estás sempre presente
Saio e vou para as ruas
Misturando-me na multidão de anónimos
Pessoas sem rosto, sem nome nem idade
Crispadas da sociedade
Também prisioneiras tuas
Teimas com a tua presença sem licença
Persegues como uma sombra
Esteja ao sol ou na penumbra
Seja primavera, verão, outono, inverno
Esteja de frente ou verso
Por favor vai-te embora, para bem longe
Tira umas férias!
Ou uma licença sem vencimento!
A tua presença é pior que um mau casamento!
Fazes-me tanta falta como uma viola num enterro!
Sofro, choro, desisto
Mas luto, tento e por fim resisto...
Breves momentos em que te ignoro
Volto as costas e faço de conta que nem existes
E lembro... recordo...
Do suave toque de um beijo
E do doce sabor que me vem
Quando penso nele...

sexta-feira, julho 21, 2006


"AS PALAVRAS QUE NUNCA TE DIREI"
Não me conheces, nunca me viste...
Mas sabes já muito de mim, dos meus sonhos, dos meus medos e receios
Não estavas comigo nessa estrada que ficou para trás...
Enquanto seguias aí, a tua vida.
Aqui, eu fui-me conhecendo um pouco mais.
Hoje, posso dizer quem sou, para onde vou, mas tu não... não me conheces...
Se me conhecesses, entenderias a minha saudade
O meu sorrir de lágrimas, a minha tristeza feliz...
Os momentos mais especiais da minha vida...
Os meus desamores de amor
A minha sede e ânsia de viver
O cansaço miserável e vontade de por vezes desistir
Os sonhos traçados na ponta das mãos, sonhados, pensados e muitos ainda por realizar
Outros, nem sonhados, nem pensados, mas que vão se acumulando e acontecendo em catadupa
O cantinho dos meus receios e devaneios
A serenidade e calmaria aparente em mente convulsiva, "doentia" (por vezes diabólica)
Não podes dizer quem sou
Não sabes sequer para onde vou
Não sabes o que sonho
Talvez entendesses se te dissesse...
O quanto és ESPECIAL para mim...
Mas não me interpretes mal!
Tuas palavras, teus carinhos, teus gestos que mesmo distante, posso (pres)senti-los.
TU! TU!...
E não te encontro,
Sequer te vejo
Ou falo contigo…
Onde estás? Para onde vás? O que sonhas?
Esta ausência, causa-me ... Saudade!!!
Se me conhecesses, entenderias o que sinto.
Sinto saudades de ti! De mim!
De nós (?!)
Não te conheço também, mas sinto a tua falta...
Aqui... são apenas... palavras... escritas com a ponta de dedos, navegando por este mar de fios e rede, onde os peixes são ferramentas e o ceú monitor que reflecte a minha face (tantas vezes o meu sorriso a disfarçar concentração e seriedade). E o vento, esse é o som das janelas por abrir e/ ou a fechar...

segunda-feira, julho 17, 2006


A DISTÂNCIA

Ele espera-a angustiado... Apertado dentro do seu próprio coração. Sente o pavor de perder.. Mas não é um perder comum...
É aquela sensação de perda constante que sentem aqueles que não têm por hábito tomar os outros como garantidos.
Perscruta-a com todos os sentidos em alerta, transformados em palavras e suspiros quase inaudíveis. Nunca se esquece de demonstrar o seu interesse e sabe que mais não pode fazer para a cativar. Isso desespera-o... Quase.
Mas não faz mais nada. Apenas faz tudo o que pode...
Ela também! Sinceramente! E ele sabe, porque conseguem por alguma via telepática ou feita de sonhos fazer entender essa mensagem quase química... Feita de moléculas de dedicação.
Ela também se desespera. Porque tem as asas partidas e quando finalmente pode conversar com ele e se prepara para voar em devaneios de partilhas "faladas"... Cai... Num sono profundo tendo apenas tempo para esperar que no dia seguinte consiga pelo menos sentir a presença dele, livre, à sua espera...
Hoje, como sempre, mesmo antes de o conhecer, os meus pensamentos vão para ele...
A distância maltrata-os...
A distância que separa o norte e o sul de um país, a distância impiedosamente extensa que é preciso vencer para atravessar a imensidão azul e indiferente de um oceano...
A distância que separa uma palavra de um abraço...
A distância maltrata-nos!

sexta-feira, julho 14, 2006


O DESCONHECIDO

Podia amá-lo...
Se ele deixasse..
Se ele me olhasse...
Podia amá-lo
Se ele pudesse
Se ele (me) quisesse

Podia amá-lo
Ao primeiro olhar
Num brilho entreaberto por descruzar
Escassos segundos de fixação
Primeiro mental, insistente e permanente
Depois mais física, mas sempre de fugitiva recorrente

Podia amá-lo
Num instante de mãos e dedos entrelaçados
Num suspiro cortado de desejo
Em silêncios entrecortados
No momento da troca de um beijo

Podia amá-lo
Até desaparecer de vista
Sei que o amor podia ter sido

(ter sido)

O que quer que tivesse acontecido
Seria ... (não sei.. porque não foi)
Foi irreversivelmente perdido
... Foi esquecido

Já não brilha a luz
(Do teu olhar no meu)
Já não te vejo a sonhar
Já não se cruzam as nossas mãos e os dedos
Já não te encantam os sons do nosso falar
Já não procuras no meu corpo os meus segredos
Já não te vejo mais a sorrir
Nem sequer a chorar

Imagem do meu desejo
Irracional, meio mágico
Não sei se foi por mero acaso
Ou destino meio trágico
Que te (des) encontrei e te fiz caso

Fui no começo um vão de remoinho
Derretida lava de vulcão
Plácido turbilhão
Força bruta de um furação
Depois no final saí
Devagarinho ... de mansinho!
Sem dares por mim
(Depois da tempestade vem a calmaria)

Teria sido o fim se... tivesse havido um começo

terça-feira, maio 16, 2006

JANELA ABERTA
Fico aqui à tua espera e temo que já não venhas.
Fico à tua espera, mesmo sabendo que já não vens.
Fico aqui sentada à espera, à espera do nada e de ninguém.
Sei que não vens, mas mesmo assim fico. Ainda te lembrarás de mim? Fico.
Não me perguntem nada, não me macem, deixem-me ficar apenas... só com os meus próprios pnsamentos.
Fico ao frio desta noite gélida das duas da manhã de uma noite de Maio, perscrutando a escuridão do alto da varanda. Fico à mercê do vento que me revolta o cabelo e me arrefece os ossos. Fico à varanda, fumando aspirando este cigarro, único farol de mim.
Desde que saíste eu nunca mais fui a mesma. Quando cheguei e não estavas não me encontrei. Procurei-me e procurei-me, mas em vão.
Não sei de mim, onde me terei guardado, onde me terei metido.
Não sei de mim. Se calhar levaste-me.
Procura recordar-te, vê se te lembras. É importante para mim.
Faço-me falta. Pensa bem. Tenta recordar-te.
Comigo terás levado também aquela minha saia curta berrante que agora não sei usar. E aquela gargalhada aberta, que tão bem me fazia.
Procura bem nos bolsos do casaco. No bolso de trás das calças onde eu me metia quando passeávamos pela rua agarrados.
Procura-me entre o teu cabelo, vê lá se não é a mim que ainda cheira o teu cabelo.
Procura-me bem no teu peito, pelas vezes que nele adormeci em tantas noites de televisão. Procura-me no teu olhar. Não é outra senão eu quem ainda vês, sentada de costas para ti nessa esplanada, onde por acaso te apanhei distraído do jornal.
Procura-me nas tuas narinas. Diz-me lá se não é a mim que te cheira a camisa que vestes pela manhã.
Procura-me nos tuas mãos, aonde tantas vezes de mãos entrelaçadas entre os nós dos dedos percorremos o caminho da quase plenitude.
Procura-me nas tuas pernas, quantas vezes não as tactei indelevelmente, quase secretamente no intuito de me perder...
Procura-me na tua boca. Não sentirás ainda uma réstia da minha língua com sabor a a menta e hortelã, nos teus lábios mornos entreabertos?
Procura-me no teu sorriso
Não voltas eu sei, mas ao menos devolve-me, ainda me tens?
O seu a seu dono, devolve-me quero voltar para mim.

terça-feira, abril 11, 2006


BEM ME QUER, MAL MEQUER

A este mal querer que me quer "bem".

Desfolho as pétalas de um malmequer
Como fazia em criança
Na pueril tentativa de adivinhar a resposta
Uma a uma... bem me quer, mal me quer, bem me quer e mal me quer
A este mal querer que me quer "bem"!

Dizias que me amavas, contudo só me querias.
Querer... apenas por querer e sem amor.
Sentir ... mas sem sentir.
Palavras ditas sem fazer qualquer sentido
Sem qualquer sentimento.
Palavras ditas da boca para fora
Pronunciadas ao sabor do vento
Sem qualquer significado.
Não compreendo por muito que viva e sinta
Não consigo habituar-me a palavras ocas e vazias
Que não soam, nem ecoam nos meu ouvidos
Nem consigo captar...
O sentido do pouco sentido de dizer palavras sem qualquer sentido
Palavras ditas ao acaso, na mira de um obter um caso
Por isso não fiz caso
Não faço caso das tuas palavras
Que deveriam ser banidas do dicionário
Palavras que vou abolir
Palavras que não quero ouvir... pelo menos de ti

quinta-feira, abril 06, 2006


DESEJOS INSATISFEITOS

Por vezes um desejo insatisfeito
Fica mordendo no meu peito...
Faz acelerar o coração
Chega a tirar a razão.
Aquela vontade de chegar onde não se chegou...
Querendo recuperar aquilo que escapou.
Deixa no fundo do peito aquele desejo
De completar aquele beijo...
Por ter faltado a coragem
Não se embarcou na doce viagem...
Pior do que um caso mal resolvido
É aquele romance não havido...
Chegou-se perto, bem perto..
E tudo teria havido, decerto.
Mas faltou aquele empurrãozinho...
Que agora deixa sabor amargo do fruto não saboreado
Do amor não provado.
Porquê aquela censura?
Porquê não se cometer a loucura?
Porquê aquele impedimento?
Que agora provoca este lamento
Desejo insatisfeito...
Que dói agora no meu peito.
Ahhhh... A saudade ... do que não aconteceu...

terça-feira, abril 04, 2006



UMA PEDRA NO CAMINHO

Há já algum tempo que nao actualizava o blog! Falta de tempo, de pachorra, etc..
Quantas dezenas de rabiscos por publicar, alguns quase começados, outros semi-acabados, outros mesmo terminados, mas falta de tempo e coragem para os publicar! Talvez vergonha também... por reflectirem os estados de alma que me têm atravessado no intimo, pequenos desabafos, trechos de vida vividos e por viver, por causa de uma simples pedra na minha calçada!
Quantas pedras gastas, usadas, pisadas, esquecidas, desfeitas no tempo e espaço e já chutadas na minha vida! Muitas delas nem mereceriam a biqueirada que poderia estragar os meus lindos sapatos. Lol.
Por isso em vez de as chutar faz delas um degrau e passa por cima!
No domingo á tarde fui á praia. Adoro um dia de "sol de inverno", em que um mar revolto e furioso (como os meus pensamentos) se espreguiçava na areia lambendo as pedras. Algumas rolavam à minha frente batendo nos meus pés. Pareciam ter pressa de chegar a lado algum, como tanta gente que passa a vida num corre-corre e nunca chega ao destino.
Reparo nas pedras e olho-as como sendo as pessoas.
Umas mais redondas e suaves, outras mais aguçadas.
Umas grandes, outras pequenas, mas todas pedras.
As pessoas tambem são assim.
As redondas são as que trazem a ternura porque não magoam. Podemos caminhar sobre elas que nunca nos fazem mal. É um pouco como aquele meu Amigo que algumas vezes me dá um puxão de orelhas e lhe digo obrigado! Ele tem a generosidade à flor da pele. Quando fica calado sinto a sua falta tal é a empatia. Já lhe fiz uma declaração de amor. Não daquelas de paixão mas um amor de Amizade. Um dia li num postal: “os amigos são a família que escolhemos para nós”. Este Amigo já é da família que escolhi! Uma família pequena mas tão rica de emoções! Choramos e rimos juntos. Um dia chamei-lhe miúdo e ele adorou pelo carinho e amor. Amo-o e sou amada na Amizade. Podemos nem falar mas eu sei que ele está lá e se preocupa. Este Amigo, como a pedra é grande e redondo, não magoa apetece estar junto dele.
Ao contrário das aguçadas, que mesmo pequenas magoam.
Conheci um dia alguém pequeno tanto no tamanho como na pobreza de sentimentos. Não perco tempo com estas “pedras” porque não há sol que as aqueça! Por vezes magoam e fazem tanto mal...
Falando de Amizade... Uma Amiga um dia contou-me a sua história. Um Amor traído mas ainda presente que teimava em não sair. Era uma pedra que rolava sem destino. Numa palavra disse tudo: Seduz e deixa-te ser seduzida! Assim fez e eu fiquei feliz!
Hoje ao caminhar pela praia já não dou pontapés nas pedras: Ás redondas posso-as magoar as outras as pontiagudas essas evito-as como já antes o fazia.
Na natureza não há duas pedras iguais. Assim são as pessoas!
Estou cansada das pedras aguçadas e pontiagudas!
Quando encontrares uma pedra no caminho, nao chutes!!! Faz dela um degrau e sobe na vida!!
A sensacao da solidao passa, assim como o inverno da lugar a primavera! Encontrarás o teu caminho para a felicidade assim como uma planta encontra o seu caminho em direcção ao sol crescendo, mudando e avançando!!
Quando as nuvens da tempestade escurecem o teu mundo, lembra-te que a amizade oferece-te um abrigo seguro onde nunca estarás sozinha!! Os dias frios, cinzentos e solitários nao duram para sempre...os passáros sabem disso e por isso que voltam e cantam!!
Nao desistas, nao alimentes sentimentos de fracasso: dúvidas vão e vêm assim como as estações, quando tudo o que é bom parece perdido lembra-te que a vida e um cíirculo em que a esperança mora ao lado (e nunca more)!
Se sentes o calor do sol no teu rosto, o cheiro a terra nos teus dedos, fica a saber que és parte da natureza, com a tua propria singularidade, simplicidade, identidade, personalidade, sensibilidade, beleza e razão de ser! A vida não é sempre radiante mas se o sol pode brilhar depois da pior tempestade, tu também podes! Nao importa quão frio é o vento, quão escuro o dia, se há calor dentro de um coração replecto de amor à espera de ser tocado e levado!
E fica a esperança: UM DIA VOU SER (SEREI) FELIZ!
Um dia hei-de encontrar a "minha" pedra (redonda, grande, lisa, branca e robusta)!
'glitter

quarta-feira, fevereiro 15, 2006



HATE AND LOVE

A noite passada acordei com o teu beijo
No corpo um desejo
Descias o Douro
Fui-te esperar ao Tejo
E eu nao te vi passar
Corri pela margem à beira-mar até que te vi
Cheguei-me a ti
E disse baixinho: "Olá"
Toquei-te no ombro
E a marca ficou lá
O sol inteiro caiu entre os montes
Entao tolhaste e depois sorriste
E disseste: "Ainda bem que voltaste"
Afinal ... tinha sido apenas um sonho
Não descias o Douro
Nem eu te esperava no Tejo
Não te toquei no ombro, nem te disse nada
Tu não tolhaste, muito menos sorriste
Na verdade nada disseste ...
Como sempre mergulhei no silêncio da noite
Na solidão do meu quarto apeteceu-me chorar
Gritar bem alto este sentimento trancado no peito
Que me faz tanto mal.
Aiiii !!! Este mal querer de tanto querer bem a quem não quer bem, nem sequer mal
Desencontro desastrado de um mero acaso que virou caso
Quem dera não te fazer caso
Love and hate
Hate and love
De mãos dadas eu queria
De mãos separadas estamos
Não estamos nada... antes estivessemos onde não estivemos...
Não estamos nada, não somos nada
Meros conhecidos desconhecidos
ou somente desconhecidos conhecidos
Não te conhece nem te desconheço!
Tu
Eu
Não me conheces, muito menos me desconheces!

terça-feira, janeiro 17, 2006


SHIU

Gosto do silêncio.
Dos breves, preciosos e raros momentos em que nele habito e ele em mim. Em que me perco, para depois me (re)encontrar e me perder novamente.
Gosto do silêncio.
Dos tempos mortos sem nada para fazer, vontade de transpor o tempo e o espaço.
Gosto do silêncio
De quando me pareces despir com o olhar, me tocas, me beijas e abraças e não me dizes nada.
Gosto do silêncio.
Em que em múltiplos orgasmos silenciosos nos calamos por fim, tudo fica por dizer e nada por fazer.
Gosto do silêncio.
Quando me dispo e desnuda me deito, sonho e adormeço.
Gosto do silêncio
Quando trauteio em pensamento uma música inaudível ou simplesmente danço uma valsa que nunca sequer foi tocada.
Gosto do silêncio.
Quando em palavras me visto e me dispo, ponho a alma a nú e o coração renasce de novo.
Gosto do silêncio
Quando em frente ao espelho, sorrio, centelhas de luz nas púpilas e consigo vislumbrar e (quase) contar as inúmeras e finas rugas da face, marcas de traços, pedaços de vida já vivida e por viver.
Gosto do silêncio.
"O silêncio é de ouro"; " o silêncio vale mais que mil palavras"; "quem cala consente"; e quem fala não sente (acrescento eu). Por isso gosto do silêncio.
Gosto do silêncio.
Por isso beija-me, abraça-me, ama-me, mas não me digas palavras ao acaso, dessas não faço caso. Vai-te embora e deixa-me com o meu silêncio.

sábado, janeiro 14, 2006


ROSA ESPINHO

Se eu fosse apenas uma rosa, com que prazer me desfolhava, já que a vida é tão dolorosa e não te sei dizer mais nada!
Se eu fosse apenas água ou vento, com que prazer me desfaria, como em teu próprio pensamento vais desfazendo a minha vida!
Perdoa-me causar-te a mágoa desta humana e amarga demora!
- De ser menos breve do que a água, mais durável que o vento e a rosa, mais insistente que as pedras da calçada, que pisas permanentemente sem te dares conta, sem fazeres caso do mal que possas causar.
Mas não há rosas sem espinhos... E nem sempre os espinhos pertencem à rosa...

sexta-feira, janeiro 13, 2006





URGENTE (RE)APRENDER A NAMORAR

O (e a palavra) NAMORO caiu em desuso e está à beira da extinção!. Dei-me conta disso nas minhas cogitações momentâneas. A maior parte das pessoas que conheço, simplesmente, não a utilizam mais (e se calhar nem sabem o que isso é!?). Dizem "ando" com este(a) ou aquele(a), ou pior "ando mas... nem sei se ando...!!!", mas que raio significa andar com...?!!!!
Eu ando com o meu carro... (pensativa) e não "ando" com ele, apenas me leva para onde quero (muitas vezes para onde não quero..!), mas não significa que tenha algum tipo de relação com ele...
Andar com... soa-me a indefinição, a imaturidade, ausência (medo) de compromisso, "nem é carne nem é peixe", mas sim passatempo, matar o tempo, enganar a nossa solidão.
Em resumo "andar" não é mais que uma "relação" (?) em part-time, ao contrário do namoro que é suposto ser uma relação em full-time, séria, com sentido, com tudo de o que existe de bom (e de mau também).
Torna-se necessário e urgente repescar o significado do namoro e não ter medo de arriscar.
Mas, enquanto não conhecemos O(a) TAL (para namorar), vamos "andando" e andando na melhor das realidades.
Quem sabe um dia em vez de dizermos "ando com..." namoro com
... F
ica no entanto a esperança!
A propósito... eu também ando ...(??!!)

quarta-feira, janeiro 11, 2006


INTERROGAÇÕES ????????????????????????
Quem nunca se interrogou que atire a primeira pedra.
Porque é que temos a eterna "mania" de tentar perceber o que vai na cabeça dos outros?
Pura ilusão.. cada qual pensa de forma diferente e tentar adivinhar (colocar pensamentos nossos) os outros... só dá azo a confusões e mal entendidos.
O mesmo se aplica a tentar decifrar o significado (códigos) das palavras ditas pelos outros.
Cada pessoa tem uma forma própria de se expressar e de sentir. Por exemplo a palavra ADORO-TE, tem variadíssimas significações dependendo da boca de quem sai... Tantas questões que não nos levam a lado algum, talvez seja melhor perguntar à pessoa: "o que queres dizer com isso, explica-t(m) e, o que pretendes dizer, como assim, etc..." .
Evitava-se tanta inquietude, ansiedade e mais palavras acabadas em "dade".
A única explicação que encontro, é que a verdade doi mas não mata e as interrogações matam-nos dia após dia, porque vão (re)moendooooo.
Talvez por isso preferimos o massacre diário (morte lenta) ao golpe final (morte súbita) ?

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